domingo, 13 de fevereiro de 2022

Obesidade x Pandemia

 A obesidade é uma condição crônica, que se caracteriza por um excesso de gordura acumulada no corpo. O tratamento da doença pode envolver intervenções mais drásticas, como dietas mais restritivas e cirurgias. Com a pandemia, o percentual da população de obesidade cresceu demais. Conheça um pouco sobre o assunto.



Tipos

A obesidade pode ser classificada de diversas formas, por exemplo, quanto ao tipo, sendo:

  • Homogênea: É aquela em que a gordura está depositada de forma homogênea, tanto em membros superiores e inferiores quanto na região abdominal
  • Andróide: É a obesidade em formato de maçã, mais característica do sexo masculino ou e mulheres após a menopausa e, nesse caso, há um acúmulo de gordura na região abdominal e torácica, aumentando os riscos cardiovasculares
  • Ginecóide: É a obesidade em formato de pera, mais característica do sexo feminino e, nesse caso, há um acúmulo de gordura na região inferior do corpo, se concentrando nas nádegas, quadril e coxas. Está associada a maior prevalência de artrose e varizes.

Além disso, a obesidade pode ser classificada quanto o grau do IMC:

1 - Entre 25 e 29,9 kg/m² = Sobrepeso;

2 - Entre 30 e 34,9 kg/m² = Obesidade Grau I;

3 - Entre 35 e 39,9 kg/m² = Obesidade Grau II;

4 - Acima de 40 kg/m² = Obesidade Grau III

Pode ainda ser classificada como:

  • Primária: quando o consumo de calorias é maior que o gasto energético
  • Secundária: quando é resultante de alguma doença

Causas

A obesidade pode, às vezes, ser atribuída a uma causa médica, como síndromes e outras doenças específicas. No entanto, esses distúrbios são raros e, em geral, as principais causas da obesidade são:

  • Inatividade: Ser pouco ou nada ativo faz a pessoa não queimar tantas calorias. Com um estilo de vida sedentário, é fácil ingerir mais calorias todos os dias do que seguindo uma rotina com exercícios e atividades diárias normais
  • Dieta não saudável e hábitos alimentares: O ganho de peso é inevitável se a pessoa comer regularmente mais calorias do que queima. Além disso, atualmente, muitas dietas são ricas em calorias “vazias”, baseadas no consumo de fast food, doces e bebidas de alto teor calórico.

Junto a essas duas causas comuns, a obesidade também pode ser considerada como o resultado de uma combinação de fatores contribuintes, como:

Genética: Os genes podem afetar a quantidade de gordura corporal que a pessoa armazena e onde essa gordura é distribuída. A genética também pode desempenhar um papel na eficiência com que o corpo converte alimentos em energia e como ele queima calorias durante um exercício físico.

Estilo de vida familiar: A obesidade tende a correr em famílias. Se um ou ambos os pais são obesos, o risco do filho ser obeso é aumentado. Isso não é só por causa da genética. Os membros da família tendem a compartilhar hábitos alimentares e de atividade semelhantes.

Problemas médicos: Em algumas pessoas, a obesidade pode ser atribuída a uma causa médica, como a síndrome de Prader-Willi, a síndrome de Cushing e outras condições. Problemas médicos, como a artrite, também podem levar à diminuição da atividade, o que pode resultar em ganho de peso.

Medicamentos: Alguns remédios podem levar ao ganho de peso como efeito colateral. Estes medicamentos incluem alguns antidepressivos, remédios anti-convulsivos, remédios para diabetes, antipsicóticos, esteróides e beta-bloqueadores.

Mudanças hormonais e metabólicas: A obesidade pode ocorrer em qualquer idade, mesmo em crianças pequenas. Mas, à medida que se envelhece, mudanças hormonais e um estilo de vida menos ativo aumentam o risco da doença. Além disso, a quantidade de músculo no corpo tende a diminuir com a idade, o que leva a uma diminuição do metabolismo.

Problemas emocionais e psicológicos: Casos de má gestão emocional, baixa autoestima e comer emocionalmente (quando a pessoa está entediada ou chateada) podem evoluir para quadros de ansiedade, depressão e até mesmo distúrbios alimentares, como a compulsão alimentar.

Em casos regulares, onde a comida é uma forma de escape emocional ou quando é ingerida de maneira intensa e descontrolada, quando combinado com sedentarismo e falta de prática de exercícios, pode causar obesidade.

Problemas para dormir: Não dormir o suficiente ou dormir demais pode causar alterações nos hormônios que aumentam o apetite. Nestes casos, a pessoa também pode desejar comer alimentos ricos em calorias e carboidratos, o que pode contribuir para o ganho de peso.

Gravidez: Durante a gravidez, o peso da mulher aumenta necessariamente. Algumas não conseguem perder esses quilos a mais depois que o bebê nasce. Esse ganho de peso, no entanto, pode contribuir para o desenvolvimento da obesidade em mulheres.

Parar de fumar: Parar de fumar é frequentemente associado ao ganho de peso. Para alguns, essa situação pode ser suficiente para um quadro de obesidade. No longo prazo, porém, parar de fumar ainda é um benefício maior para a saúde do que continuar fumando.

Substâncias químicas: Os desreguladores endócrinos (DE) ou disruptores endócrinos são substâncias químicas capazes de exercer efeito semelhante ao de hormônios presentes em nosso organismo. De acordo com uma pesquisa, existe uma relação destas substâncias com o ganho de peso e a obesidade.

Mesmo que alguém tenha um ou mais desses fatores de risco, isso não significa que ela está destinada a se tornar obesa. Isso porque é possível neutralizar a maioria desses fatores por meio de dieta equilibrada, atividade física e mudanças de comportamento.


Sintomas de Obesidade

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no organismo, principalmente pela gravidade e pela localização desse acúmulo, a obesidade é uma doença que não causa sinais e sintomas, mas manifestações decorrentes da doença instalada, como:

  • Dificuldade em dormir (associada à apneia do sono)
  • Cansaço
  • Suor excessivo
  • Dores na coluna e nas articulações (braços e pernas)
  • Limitação de movimentos
  • Dificuldade em respirar
  • Problemas na pele
  • Depressão

Tratamento de Obesidade

Antes de tudo, é preciso compreender que o tratamento da obesidade não pode ser visto como uma "solução" de curto prazo, mas sim como um processo contínuo ao longo da vida. Quando a obesidade é aceita como uma doença crônica, ela será tratada como outras doenças crônicas, a exemplo de diabetes e hipertensão.

Como a obesidade é provocada por uma ingestão de calorias que supera o gasto do organismo, a forma mais simples de tratamento é a adoção de um estilo de vida mais saudável, com controle na alimentação e aumento das atividades físicas. Essa mudança não só provoca redução de peso e reversão da obesidade, como facilita a manutenção do quadro saudável.

Alimentação saudável

Embora a correria do dia a dia dificulte a realização de uma alimentação saudável, pequenas mudanças já podem fazer uma grande diferença na saúde:

  • Invista nas frutas, legumes e vegetais
  • Prefira os alimentos integrais aos refinados
  • Evite alimentos ricos em açúcar, sódio e gorduras, encontrados em biscoitos, bolachas e refeições prontas
  • Limite o consumo de bebidas adoçadas, artificiais e pobres em nutrientes, incluindo refrigerantes e sucos industrializados
  • Reduza o número de vezes em que a família vai comer fora, especialmente em restaurantes de fast food
  • Não exagere ao servir as próprias porções

Prática de atividade física

Aumentar a prática de atividade física é uma parte essencial do tratamento da obesidade. A maioria das pessoas que conseguem manter a perda de peso por mais de um ano pratica exercício físico regular, mesmo que seja apenas caminhando. Portanto:

- Faça exercícios: o exercício regular é uma parte importante de um estilo de vida para manter um peso saudável a longo prazo. Uma dieta com alimentos saudáveis combinada à prática de atividade física ajuda a queimar calorias e a evitar mais ganho de peso.

Fazer exercícios também promove outras vantagens, como a redução na gordura abdominal, melhor controle do açúcar no sangue, melhora dos níveis de pressão arterial e redução dos riscos de doenças cardiovasculares.

- Caminhe mais: mesmo que o exercício aeróbico regular seja a maneira mais eficiente de queimar calorias e perder peso, qualquer movimento extra ajuda a queimar calorias. Fazer alterações simples ao longo do dia pode resultar em grandes benefícios.

Por exemplo, estacione mais longe das entradas das lojas, aprimore suas tarefas domésticas, faça jardinagem, levante-se e mova-se periodicamente, e use um pedômetro para acompanhar quantos passos você realmente dá ao longo de um dia.

Cirurgias para Obesidade

Pessoas com obesidade mórbida e comorbidades, como diabetes e hipertensão, podem optar por fazer a cirurgia de redução de estômago para controlar o peso e sair da obesidade. Existem quatro técnicas diferentes de cirurgia bariátrica indicadas para esses casos, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):

  • Banda Gástrica Ajustável
  • Gastrectomia Vertical
  • Bypass Gástrico
  • Derivação Bileopancreática

A escolha da cirurgia dependerá do quadro do paciente, do grau de obesidade e das doenças relacionadas. Portanto, apenas um médico (ou grupo de especialistas) poderá determinar qual é o método mais indicado para cada caso.

Medicamentos para Obesidade

A utilização de medicamentos contribui de forma modesta e temporária no caso da obesidade, e nunca devem ser usados sem recomendação médica e como única forma de tratamento.

Boa parte das substâncias usadas atuam no cérebro e podem provocar reações adversas, como: nervosismo, insônia, aumento da pressão sanguínea, batimentos cardíacos acelerados, boca seca e intestino preso.

Um dos riscos mais preocupantes dos remédios para obesidade é a dependência química. Por isso, o tratamento medicamentoso deve ser acompanhado com rigor e restrito a alguns pacientes.

Um dos medicamentos mais usados para o tratamento de problemas e sintomas relacionados à obesidade é o Cloridrato de sibutramina monoidratado.

ATENÇÃO: Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)

Obesidade tem cura?

A obesidade é uma doença crônica que pode ser tratada e controlada com acompanhamento médico, alimentação e prática de exercícios físicos, porém não tem cura.

Complicações possíveis

A obesidade, seja adulta ou infantil, aumenta o risco de uma série de condições, incluindo:

Prevenção

A estratégia preventiva deve ter início no nascimento, reforçando que o leite materno é um fator de prevenção contra a obesidade e combatendo mitos de que a criança deve comer muito, mesmo quando está satisfeita e que criança saudável é aquela com “dobrinhas”.

As medidas de prevenção da obesidade são muito importantes, especialmente pela gravidade das consequências e incluem dois fatores principais:

1 - Adequação do consumo energético: ou seja, é necessário consumir calorias que estejam de acordo com o gasto calórico de cada um. Para quem precisa perder peso, é necessário um planejamento alimentar que priorize alimentos que deem mais saciedade e que tenham o menor valor calórico possível.

2 - Incluir atividades físicas na rotina atualmente, cerca de 80% da população é sedentária e muitos substituem as atividades físicas por atividades de lazer de baixo gasto calórico, como ver televisão, jogar videogame e ficar no computador. Isso é um fator relevante para desencadear a obesidade. Em contrapartida, o exercício físico intenso ou de longa duração promove uma série de benefícios ao organismo, como queima de calorias e efeito inibitório no apetite.

Fonte: Minha Vida

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