domingo, 13 de setembro de 2020

Diabetes tipo 1 e Transtornos Alimentares

 


O que são Transtornos Alimentares e Como identificá-los?

Transtornos alimentares (TAS) caracterizam-se por severas alterações nos hábitos ou no comportamento alimentar, podendo estar associados com distúrbios da imagem corporal, alterações da saúde mental e física.  São classificados como doenças psiquiátricas, (DSM-IV e DSM-V– “Diagnostic and Statiscal Manual of Mental Disorders” e no CID 10 (Classificação Internacional de Doenças), pois estão associados com distúrbios psicológicos e emocionais.

 

Compreendem a  bulimia nervosa (BN), a anorexia nervosa (AN) e o Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA). Na bulimia o paciente após apresentar um episódio de comer compulsivo (ou não) se utiliza de práticas purgativas como vômitos, enemas (lavagens intestinais), uso de laxantes e diuréticos, na tentativa de eliminar o que comeu. Pode também utilizar como forma compensatória a prática de exercícios físicos em excesso. Na AN, existe um importante distúrbio da imagem corporal e a pessoa apresenta baixo peso (IMC – Índice de Massa Corporal  17˂ kg/m²). Isto pode ocorre  às custas de deixar de comer (AN do tipo restritivo) ou também através do uso de práticas purgativas (AN do tipo purgativo). No TCA, ocorrem episódios de compulsão alimentar (binging) no qual a pessoa ingere grande quantidades de alimentos em um pequeno intervalo de tempo acompanhado de sentimento de culpa, mas sem usar práticas purgativas ou  compensatórias.

 A natureza crônica do diabetes poderia predispor ao desenvolvimento de distúrbios alimentares, especialmente na adolescência. A correlação entre transtornos alimentares e diabetes é provavelmente relacionada à insatisfação com a imagem corporal e um desejo de perder o peso que pode ser adquirida com o uso de insulina.  A prevalência de portadores de diabetes tipo 1 adolescentes e nas  jovens adultas que possuem transtornos é de cerca de 7 a 11%.  e nos portadores de tipo 2, varia de 6,5 a 9%..A bulimia  e os transtornos alimentares não especificados (TANES) variedade “compulsiva purgativa “ são mais prevalentes nos diabéticos tipo1 e TCA nos diabéticos tipo 2  (cerca de 59,4%)

1. O que é diabulimia? É um transtorno alimentar descrito no The Diagnostic and Statical Manual of Mental Disorders, – DSM-IV e DSM-V na categoria of Eating Disorders Not Otherwise Specified (EDNOS)como: omissão intencional da dose de Insulina com o objetivo de perder peso. Deve ser considerado também, como diminuição ou retardo da dose de Insulina com o objetivo de perder peso. Esta prática pode ser somada a comportamentos compensatórios purgativos como vômitos, uso de laxantes, diuréticos ou exercício físico de forma excessiva. A prática de omissão de Insulina para obter perda de peso foi primeiro documentada no final da década de 80, mas relatos de caso foram feitos na década de 70. É um termo não técnico que acabou sendo aceito pela comunidade científica há cerca de 10 anos.

2. Qual a idade em que poderia ocorrer com maior frequência? A Diabulimia pode ocorrer principalmente na pré-adolescência e adolescência; mais em mulheres do que em homens . Adolescentes e jovens adultas com Diabetes tipo 1 têm aproximada/ 2 vezes e meia mais chances de desenvolver um transtorno alimentar em relação as não diabéticas. De acordo com trabalho recente publicado no International Journal of Eating Disorders pelo Dr Hamiel-Pinhas, a prevalência da Omissão intencional da dose de insulina para perder peso poderia aumentar com a idade. Em adolescentes e adultas jovens com 16-22 anos, este percentual seria de 34%, enquanto que mulheres na faixa etária entre 18 a 30 anos, este número já poderia alcançar até 40%.

3. Como suspeitar sobre a diabulimia? A própria natureza crônica do diabetes pode ser uma predisposição para o desenvolvimento de transtornos alimentares, particularmente nos adolescentes. Não existem sintomas, mas sim sinais de alerta para os profissionais e familiares para um quadro de diabulimia. Alguns destes seriam:

  • Não aderência ao tratamento prescrito para o diabetes

  • Controle metabólico instável evidenciado pelos níveis elevados e Hemoglobina Glicada ( A1c )

  • Hiperglicemia (constante)

  • Dislipidemia (aumento dos níveis de triglicerídeos e colesterol)

  • Recusa a seguir as orientações médicas para aumentar a dose de Insulina

  • Evitar que os pais observem a auto aplicação de insulina

  • Ganho ou perda significativa de peso

  • Dietas frequentes e preocupação com o planejamento das refeições e composição dos alimentos

  • Visão negativa da imagem corporal / baixa auto-estima

  • Sintomas depressivos, incluindo o humor triste, baixa de energia, falta de concentração, fadiga e sono interrompido. Embora a depressão e comportamento alimentar perturbado muitas vezes coexistem, diabetes mal controlado também pode contribuir diretamente para sintomas depressivos.

4. O que fazer para ajudar quem tem a doença? Estabelecer o diagnóstico da omissão da dose de Insulina para a perda de peso é um desafio, principalmente porque a diabulimia é mais comum na fase da pré-adolescência e adolescência, onde já existe uma insatisfação com o próprio corpo e uma atitude de rebeldia. É fundamental reconhecer os sinais de alerta que podem estar presentes nestes pacientes com diabetes que começam a omitir a dose de insulina de forma precoce. Os profissionais de saúde que atendem o paciente, como o nutricionista, enfermeiro, psicólogo e também o médico endocrinologista, devem ser treinados para perceberem estes comportamentos. Esquecer sempre o glicosímetro (aparelho que mede as glicemias capilares) e/ou não anotar de forma correta os resultados no diário para levar à consulta; não querer se pesar nas consultas médicas ou da nutrição; pedir sempre uma dieta nova e com mais restrições, pois apresenta insatisfação com a quantidade de carboidratos prescrita; negar-se a colocar a dose de insulina e a se auto-aplicar na frente de outras pessoas; níveis sempre altos da hemoglobina glicada (representa a média das glicemias nos últimos 3 meses- cujos valores de referência para um bom controle do diabetes, devem estar abaixo ou igual a 7%); permanecer por várias horas na academia de ginástica; ir ao banheiro logo após a refeição (isto é importante ser notado, pois pode indicar que a paciente possa estar provocando vômitos também).

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Autora: Dra. Cláudia Pieper 

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBD)

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