terça-feira, 28 de julho de 2020

Vegetarianos: mais magros e mais introvertidos?

Em um grande inquérito realizado há dois anos com mais de 6 milhões de alemães, aproximadamente 400 mil deles se declararam vegetarianos. Isso despertou a curiosidade de pesquisadores do Instituto Max Planck para o Estudo da Cognição Humana e Ciências do Cérebro, que acabam de concluir um trabalho com neurocientistas do Hospital Universitário de Leipzig no qual examinaram perto de 9 mil pessoas. Parte delas relatou ser vegetariana.


Os cientistas queriam investigar como esse tipo de alimentação estaria associado a determinados estados psíquicos e também a eventuais diferenças no IMC, independentemente do gênero, da idade e do grau de escolaridade.
Eles perceberam que, quanto menor a proporção de proteína animal no cardápio, menor a média do IMC. “Uma possível explicação para esse achado pode não ser a menor quantidade de fontes proteicas de origem animal”, esclareceu à Abeso a líder do estudo Evelyn Medawar. “Afinal, pessoas que adotam esse tipo de dieta costumam se preocupar com a saúde e com a sustentabilidade em um sentido mais amplo. Logo, elas tendem a consumir menos produtos ultraprocessados nas refeições, os quais costumam ser repletos de sal, açúcares e gorduras.”
A cientista ainda lembra que, mais do que terem maior valor energético, os alimentos ultraprocessados geram menos saciedade e levam seus consumidores a comerem mais nas refeições.
Segundo ela, principalmente por causa das fibras dietéticas, os vegetais teriam um efeito inverso. Eles prolongariam a sensação de saciedade e, com isso, a probabilidade de o indivíduo comer mais vezes ao longo do dia acabaria diminuindo.
Comparando apenas os participantes que não eram vegetarianos, os cientistas associaram um maior IMC entre os que consumiam mais fontes primárias de proteínas de origem animal — como carnes, frango, peixes, salsicha — em relação à média do IMC daqueles que priorizavam fontes secundárias, como leites, queijos, iogurtes e ovos.
“Os vegetarianos e os indivíduos que preferiam consumir apenas fontes secundárias de proteína animal apresentaram, em média, uma redução de 1,2 quilo por metro quadrado no IMC quando comparados àqueles que colocavam carnes no prato”, informou Evelyn Medawar.
Efeitos no humor
Evidentemente, os pesquisadores estavam ainda mais interessados em entender se a alimentação vegetariana teria algum impacto no humor. E focaram especialmente no quesito extroversão.
Sem que saibam apontar uma razão, essa característica da personalidade foi muito mais observada nos participantes que não seguiam uma dieta vegetariana.
Para os autores, porém, não dá para afastar fatores comportamentais e ambientais. Ou seja, é possível que, por terem restrições à mesa, esses indivíduos sejam mais segregados em eventos sociais, por exemplo. “Ninguém deveria ser simplista e achar que a proteína animal teria algo capaz de provocar maior extroversão”, avisou Evelyn M Medawar.
Ela fez ainda questão de sublinhar que, nesse trabalho — publicado na revista Nutrients —, não se observou uma possível associação entre uma dieta plant based e comportamentos neuróticos, algo que pareceu existir em outros estudos anteriores.
E, mesmo que apontasse isso, de novo não daria para dizer que a causa dessa relação teria sido a dieta. Isso porque o inverso é bastante plausível: indivíduos com maior tendência a comportamentos neuróticos poderiam ser mais propensos a criar restrições alimentares à mesa.
Mais deprimidos?
Os cientistas alemães também se preocuparam em ver se a dieta vegetariana teria alguma associação com estados depressivos. Mas, novamente, não foi detectada qualquer correlação nesse sentido.
Para estabelecer elos entre a dieta e o humor, os cientistas aplicaram questionários em que os participantes tinham de marcar os alimentos consumidos nos últimos 12 meses em uma escala entre “nunca” ou “quase nunca” e “ingeridos várias vezes ao dia”. Essas informações foram comparadas com as respostas de outros dois questionários capazes de apontar traços de personalidade — se mais ou menos extrovertida, por exemplo — e sintomas clássicos de depressão.

Fonte: Abeso

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