segunda-feira, 1 de julho de 2019

Chás emagrecem?

Conheça cada ingrediente do mix que tem feito sucesso no mundo do emagrecimento

Será que a fórmula desses chás é realmente tão poderosa?

Sálvia: esta erva reúne certos ativos, como óleos essenciais e flavonoides, que combatem a formação de gases e são diuréticos.
Mate verde: tem papel antioxidante, anti-inflamatório, diurético e lipolítico, ou seja, aumenta a queima de gordura devido à presença de xantinas.
Hortelã: contribui para a digestão de proteínas e, por causa do mentol, favorece os movimentos intestinais e reduz a formação de gases.
Gengibre: a raiz possui bioativos com ação anti-inflamatória e diurética, além de acelerar o metabolismo e estimular a queima de gordura.
Guaraná: a semente da planta usada nos chás apresenta substâncias que elevam o gasto calórico e baixam o colesterol.
Chá-verde: é diurético e dá pique. Graças às catequinas, combate os radicais livres que atormentam as células e ajuda a impedir o acúmulo de gordura.
Carqueja: melhora a digestão e impede o acúmulo de gordura nas células. Também evita a retenção de líquidos.
Alecrim: concentra substâncias que previnem o estufamento causado pelos gases e exibe potencial antioxidante e anti-inflamatório.

Como os chás ajudam no emagrecimento

Nunca é demais reforçar que o ganho de peso e o inchaço são influenciados por vários fatores, como estilo de vida sedentário, alimentação desequilibrada, excesso no consumo de sal, baixa ingestão de água e até alterações hormonais. Sem falar que o metabolismo de cada pessoa é diferente. Sozinho, um chá não tem poder para driblar tudo isso. Mas será que a nova mistura de plantas é especialmente eficaz?
“Por ter uma quantidade limitada de cada ingrediente, a fórmula acaba restringindo a ação das ervas”, avalia Vanderli Marchiori, nutricionista e presidente da Associação Paulista de Fitoterapia. “Por outro lado, pode haver uma sinergia entre elas. Mas, para confirmar isso, é necessário fazer um estudo com o blend na proporção em que é vendido. Hoje, não temos esses dados”, completa.
De fato, algumas ervas isoladas e em maiores concentrações são capazes de oferecer ótimos resultados, informa a nutricionista especialista em fitoterapia Roseli Rossi, da Clínica Equilíbrio Nutricional, na capital paulista. É o caso do chá-verde, feito a partir da planta Camellia sinensis — que também dá origem ao chá-branco e ao chá-preto.
Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq) já testaram a bebida durante dois meses entre mulheres acima do peso e verificaram que ela impulsionou o emagrecimento — principalmente quando aliada ao exercício.
Um dos motivos é a alta concentração de catequinas, que parecem favorecer a quebra de gorduras. Já a cafeína presente na planta contribuiria para a transformação dessa gordura em energia.
Outra espécie parceira é a erva-mate, nativa do Brasil — opção mais barata do que o blend, diga-se. De acordo com um estudo sul-coreano, pessoas com sobrepeso que consumiram cápsulas com a erva tiveram uma redução no percentual de gordura corporal após 12 semanas de uso.
Mas uma pesquisa nacional, da Universidade Federal de Santa Catarina, chegou a identificar efeito emagrecedor da própria bebida entre indivíduos com alteração no colesterol. A cafeína (mais uma vez!) e as propriedades diuréticas do chá-mate responderiam pela façanha.
Opções para atuarem como parceiras na perda de peso não faltam. Mas, se você curtiu pra valer o gostinho daquele mix de oito ingredientes, vá em frente. “É uma maneira de ingerir mais líquidos com prazer e sem calorias. Desde que não seja adicionado açúcar à preparação, claro”, diz Vanderli.
“Esse mix também ajuda a controlar a vontade de doce, uma vez que estimula as papilas gustativas a aceitarem melhor os sabores amargo e azedo”, observa Ana Paula.
Não dá para negar que uma infusão ao natural, seja de qual tipo for, cai melhor do que bebidas açucaradas, como achocolatado, refrigerante e néctar. Ainda assim, nada de exagerar na quantidade, tá? “O consumo, em geral, não deve ultrapassar 1 litro por dia, justamente por conter substâncias diuréticas e estimulantes”, lembra Vanderli. Bom senso é bem-vindo até na hora do chá.

Dicas que fazem a diferença na hora de consumir a sua infusão preferida

Melhor não adoçar: prefira tomar o chá sem açúcar. Assim, evita-se incluir mais calorias na dieta. Se achar difícil de engolir, bote um tiquinho de mel.
Prefira o natural: em geral, os chás prontos têm menos propriedades (e mais açúcar) do que os feitos com folhas secas ou saquinhos.
O tempo certo: “coloque a erva na água fervente e deixe por três a cinco minutos para liberar os fitoquímicos importantes”, ensina Vanderli Marchiori.
A proporção ideal: para cada sachê, use 250 mililitros de água. E, para cada litro, uma colher de sopa da planta seca. Diluir demais reduz os efeitos da erva.
Tem cafeína? Pense no sono: como a substância é estimulante, chás como o verde e o mate devem ser evitados a partir das 17 h para não interferir no descanso noturno.
Quando tomar: evite os chás no almoço e jantar. “Substâncias como a cafeína prejudicam a absorção de ferro dos alimentos”, diz Clarissa Fujiwara.

Não ignore o inchaço

Muitas vezes ele é resultado de situações como aumento da temperatura (que dilata os vasos), excesso no consumo de sal e até ação dos hormônios. No entanto, há casos em que o inchaço sinaliza questões mais sérias, a exemplo de doenças cardiovascularesdiabetes e problemas renais.
“Observe se ele incomoda, se persiste por mais de cinco dias e se há outros sintomas associados”, recomenda a médica Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo. “Caso já tenha uma doença conhecida, procure o médico com urgência”, avisa.
Fonte: Abeso

Gordura Trans, aonde elas estão?

Enquanto algumas gorduras são essenciais para o bom funcionamento do nosso corpo, a gordura trans não é segura, e muito menos recomendada — em nenhuma quantidade.
Porém, um estudo desenvolvido por pesquisadores em nutrição do Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde Pública da Universidade de São Paulo) e do Idec (Instituto de Defesa do Direito do Consumidor) revelou que muitos dos alimentos que dizem ter “zero” gordura trans, na verdade, escondem pequenas quantidades do ingrediente na composição. 
Pesquisadores analisaram mais de 11 mil rótulos de diversos produtos encontrados em supermercados nacionais. Eles compararam as três informações nas embalagens: a parte frontal do rótulo (que estampa, geralmente, “zero gordura trans” ou “livre de gordura trans”), a tabela nutricional e a lista de ingredientes, ambas na parte de trás da embalagem. 
Gordura trans reduz colesterol bom e aumento o ruim.
Foi constatado que 30% desses produtos que se rotulavam “livres de gorduras trans”, na verdade, a continham. 
A nutricionista do Idec explica que isso é possível por causa de uma “brecha” na legislação brasileira. Apesar de a informação sobre a quantidade de gordura trans ser obrigatória no Brasil, o fabricante pode declarar como zero se o alimento tiver igual ou menos de 0,2 grama por porção. 
O problema é que algumas empresas trabalham com porções pequenas e, por isso, não precisam registrar a gordura trans presente.
“Às vezes, a porção indicada na embalagem é uma porção irreal, como dois biscoitos e meio. Então você come o pacote inteiro e ingere gordura trans sem saber, uma vez que a embalagem diz que o produto é livre”, pontuou a nutricionista do Idec.
Outro problema é que uma pessoa pode não só comer um produto, mas diversos outros alimentos ― com a informação incompleta do fabricante ― e crer que não está ingerindo a gordura. 
A situação se agrava ainda mais porque, segundo a nutricionista, não há uma quantidade segura de gordura trans que uma pessoa possa ingerir. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda evitar ao máximo seu consumo e indica que ele não deve ultrapassar 1% do valor energético de uma dieta diária. Em uma dieta de 2.000 kcal, portante, só poderiam ser ingeridos cerca de dois gramas, ou uma colher de sobremesa de margarina. 
“A gordura trans é um dos casos que já estão comprovados, no Brasil e no mundo, que oferece risco à saúde e está relacionada a acidentes vasculares”, disse  a nutricionista.. “Muitos países já baniram ou estão avançando para isso, mas o Brasil ainda está atrasado nessa discussão.”

Os tipos de gorduras

A gordura insaturada é a famosa “gordura boa”, encontrada no abacate, castanhas, peixes, azeite, entre outros alimentos saudáveis. Já a saturada, encontrada nas carnes e manteiga, é liberada em dose moderada. 
Porém, a gordura trans não faz nada bem à saúde. Além de aumentar o colesterol “ruim”(LDL), ela também reduz o colesterol “bom” (HDL), o que pode acarretar diversos problemas cardiovasculares. Estudos comprovam que a gordura trans está relacionada ao aumento do risco de doenças cardíacas, como derrame, infarto, entre outros males. 
Com tantas evidências de que essa gordura não é saudável, a indústria tem diminuído sua utilização de forma expressiva. Mas ela ainda é usada porque “é mais barata, dá mais sabor ao alimento e aumenta o prazo de validade”, explica  a nutricionista, do Idec. 
A gordura trans é formada por um processo químico no qual óleos vegetais são transformados em ácidos graxos trans. Esse processo confere sabor e crocância marcantes.

Quais alimentos e como identificar a gordura trans escondida

Os alimentos “falsiane”, cujos fabricantes dizem não ter gordura trans, mas que na verdade têm, segundo a pesquisa da USP, são:
  • Salgadinhos (11% dos produtos analisados tinham gordura trans na composição, mesmo alegando que eram livres dela)
  • Produtos de panificação (9,2%)
  • Biscoitos (8,4%)
  • Doces e sobremesas (6,1%)
  • Comidas de conveniência (3,1%)
  • Molhos e temperos (2,2%)
Por causa da brecha na lei, a nutricionista  recomenda sempre ficar de olho não só na tabela nutricional, mas também na lista de ingredientes obrigatória ― é nela que você pode descobrir se um produto tem ou não a gordura trans
Além de seu nome já bem conhecido, existem outras nomenclaturas que mascaram a identificação da gordura. Estes são os ingredientes que contêm gordura trans:
  • Gordura vegetal hidrogenada
  • Gordura parcialmente hidrogenada
  • Óleo vegetal hidrogenado
  • Hidrogenado
Já outros ingredientes podem ou não conter gordura trans: 
  • Gordura vegetal
  • Margarina
  • Creme vegetal
De acordo com o Idec, de modo geral, a gordura trans ainda está presente em alimentos ultraprocessados, como sorvetes de massa, macarrão instantâneo, salgadinhos, bolos prontos, biscoitos, pipoca de microondas, margarinas e molhos prontos. 
Por isso, é melhor evitar alimentos ultraprocessados e dar preferência aos alimentos processados e in natura. Lembre-se de que um prato de arroz e feijão pode ter a mesma quantidade de calorias, carboidratos e proteínas de um hambúrguer industrializado. Mas enquanto o primeiro prato é saudável e possui diversos benefícios para a saúde, o segundo também pode esconder grandes quantidades de gorduras, sal, açúcar e ingredientes artificiais, como corantes, conservantes e aromas. 
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão que regulamenta o setor, discute formas de restringir o uso da gordura trans em alimentos.
No ano passado, houve uma reunião para discutir sobre o tema e a agência prevê uma consulta pública ainda para este ano. 
A agência tem duas opções em análise: a primeira é impor limites máximos de gordura parcialmente hidrogenada e a segunda é a total proibição. 
“Vamos começar a ver quais são as consequências de impor limites ou banir a gordura trans. Se pudermos banir, melhor, porque significa dizer que a população não precisará consumir uma substância que é maléfica”, disse o diretor da Anvisa Renato Porto, relator da proposta, ao jornal Folha de S. Paulo no ano passado
Fonte: Huffpost