quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Academia Americana de Pediatria (AAP) mostra preocupação com disruptores endócrinos

A Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou diretrizes em um comunicado e relatório técnico científico na última semana aconselhando que as famílias limitem o uso de recipientes de plástico para armazenar alimentos e que reduzam o consumo de carne processada durante a gravidez, investindo, principalmente nesse período, em maior infesta de frutas e vegetais in natura. As medidas reduziriam a exposição das crianças a produtos químicos em alimentos e embalagens de alimentos que estão ligados a problemas de saúde, como a obesidade, segundo a AAP.

Há uma preocupação relacionada ao crescente corpo de evidências científicas que indicam que certos produtos químicos que entram nos alimentos podem interferir com os hormônios naturais do corpo afetando o crescimento e o desenvolvimento no longo prazo.
O grupo de pediatras, que representa cerca de 67.000 médicos pediatras em todo país, também está pedindo testes mais rigorosos e a regulamentação de milhares de produtos químicos usados como aditivos alimentares ou indiretamente adicionados aos alimentos quando usados na fabricação ou manuseio de embalagens e plásticos.
Entre os produtos químicos que suscitaram particular preocupação estão os nitratos e nitritos, que são usados como conservantes, principalmente em carnes processadas; ftalatos, que são usados para fazer embalagens plásticas; e bisfenóis, usados no revestimento de latas metálicas para produtos alimentícios enlatados.
Também são preocupantes para os pediatras os químicos perfluoralquílicos, ou PFCs, usados em papel e embalagem à prova de graxa, e percloratos, um agente antiestático usado em embalagens plásticas.
A indústria se defende dizendo que “os produtos químicos são fundamentais para proteger a qualidade e a integridade dos alimentos, ajudar no transporte seguro e armazenamento de alimentos”, e que que muitas das substâncias químicas mencionadas na declaração da AAP não atuam como desreguladores endócrinos "em usos típicos e em níveis típicos de exposição", mas não forneciam referências científicas para apoiar essa alegação.
Uma linha de estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco, que usaram um novo método para escanear sangue, disseram ter encontrado dezenas de substâncias químicas chamadas ácidos orgânicos orgânicos (EOAs) em mulheres grávidas. EOAs, que incluem o bisfenol-A, têm estruturas químicas semelhantes aos hormônios, o que significa que podem perturbar o sistema endócrino do feto e interferir no seu desenvolvimento.
Pesquisadores envolvidos no estudo, publicado na revista Environmental Health Perspectives, disseram que alguns dos produtos químicos nunca haviam sido documentados no sangue de mulheres grávidas, incluindo dois produtos químicos que estão ligados a defeitos genéticos, danos fetais e câncer.
Entre os outros produtos químicos detectados nas mulheres grávidas estavam um composto estrogênico usado em produtos de plástico relacionados a alimentos, tubos plásticos e garrafas de água, bem como um composto proibido para uso como remédio para dieta pela Food and Drug Administration (FDA), décadas atrás, por causa dos riscos, mas ainda usados em cosméticos, pesticidas e como agente corante em processos industriais, informaram os autores do estudo.
Bebês e crianças são particularmente vulneráveis aos efeitos dos produtos químicos nos alimentos, em parte porque comem mais alimentos por quilo de peso corporal do que os adultos.
Talvez mais significativamente, os sistemas metabólicos e os sistemas de órgãos-chave das crianças ainda estão se desenvolvendo e amadurecendo, de modo que as perturbações hormonais podem potencialmente causar mudanças duradouras ou definitivas.
Muitas das substâncias químicas descritas no relatório de pediatria mostraram interferir com a função hormonal normal "imitando ou bloqueando as ações dos hormônios que são responsáveis pelo desenvolvimento do cérebro, desenvolvimento dos órgãos sexuais e funções metabólicas normais", disseram.
A obesidade infantil nos Estados Unidos mais do que triplicou desde a década de 1970, com quase uma em cada cinco crianças entre 6 e 19 anos consideradas obesas; a prevalência de transtornos do desenvolvimento em crianças aumentou a partir dos anos 1990 até meados dos anos 2000; e as taxas de diagnósticos de diabetes tipo 1 e tipo 2 entre crianças e adolescentes também estão em ascensão, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças. 
O grupo de pediatras sugere que os médicos recomendem às famílias tomarem as seguintes medidas para reduzir exposições químicas a crianças: 
- Priorizar o consumo de frutas e verduras frescas ou congeladas sempre que possível. 
- Evitar carnes processadas, especialmente durante a gravidez. 
- Evitar alimentos ou bebidas no micro-ondas - incluindo fórmulas infantis e leite materno bombeado - em recipientes plásticos; 
- Colocar recipientes de comida de plástico na máquina de lavar louça. 
- Use alternativas ao plástico, como vidro ou aço inoxidável, sempre que possível. 
- Verificar o código de reciclagem nos produtos e evitar plásticos com códigos de reciclagem 3, 6 e 7, que podem conter ftalatos, estireno e bisfenóis, a menos que sejam rotulados como "base biológica" ou "greenware", indicando que são feitos de milho e não contêm bisfenóis. 
- Lavar as mãos antes de manusear alimentos e bebidas, e higienizar todas as frutas e verduras que não são descascadas.
Fonte: Abeso

Rotulagem frontal de advertência em alimentos: uma necessidade em favor da população

Após anos de espera por uma consulta pública, a indústria tenta interferir no andamento do processo; entidades defendem práticas regulatórias da Anvisa
O Idec, a ACT (Promoção da saúde) e a Abeso (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) se uniram para apresentar contribuições para a Justiça pelo prosseguimento normal da revisão das normas de rotulagem nutricional de alimentos no País.
A medida ocorre após a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), apesar de ter participado desde 2014 de todas as fases e discussões do processo regulatório da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), entrar na Justiça para prorrogar o prazo da consulta pública técnica, alegando tempo insuficiente para apresentar pesquisas e evidências que demonstrassem a eficiência da sua proposta.
Em defesa do andamento da revisão das normas e do trabalho da Anvisa, as entidades pediram em conjunto habilitação para participarem da ação a partir de uma ferramenta jurídica conhecida como amicus curiae (amigo da corte), e defender as boas práticas regulatórias adotadas no processo administrativo até o momento.
Para as entidades, a Abia, atualmente presidida por executivos da Nestlé e da Danone, busca atacar a análise preliminar da agência, já que não se sente contemplada ou atendida na sua vontade de impor um modelo de regulação que não informa adequadamente os consumidores para escolhas alimentares mais saudáveis. Uma pesquisa realizada pelo IDEC mostrou que 90% das pessoas têm dificuldades em encontrar as informações nos atuais rótulos.
“A rotulagem frontal de advertência ajuda na identificação de alimentos mais saudáveis. É preciso que seja implementada o quanto antes. *O lucro não pode se sobrepor a responsabilidade social da indústria.* É uma questão de saúde para a população.”, Maria Edna de Melo, presidente da Abeso.
"Os técnicos da Anvisa avaliaram todas as evidências científicas apresentadas por diversas organizações, além das experiências internacionais em vigor, para permitir escolhas mais conscientes e saudáveis à população. Esta demanda judicial nada mais é do que uma entidade do setor produtivo inconformada com as avaliações técnicas preliminares no processo regulatório, que considerou suas contribuições ineficientes e insuficientes”, afirma o advogado do Idec Igor Britto.
Fonte: Abeso