sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ômega-3 Baixa o Colesterol e Triglicerídeos?


Vez ou outra, nos deparamos com alguma propaganda dizendo que determinado suplemento ou alimento é fonte de ômega-3. Esses ácidos graxos são classificados como gorduras saudáveis e precisam ser consumidos por meio da dieta, já que não podem ser consumidos pelo organismo humano.
A deficiência na substância, que pode ser observada em países industrializados e em pessoas que consomem muitos alimentos processados e óleos hidrogenados ou seguem uma dieta vegetariana ou vegana, provoca problemas como memória fraca, pele seca, problemas no coração, alterações de humor, dor na articulação e doença autoimune.
Benefícios como auxílio à perda de peso, a uma gravidez saudável, à recuperação atlética e o engrossamento das unhas e dos cabelos também já foram associados ao ômega 3.
Além disso, condições como depressão, inflamação, ansiedade, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, diabetes, artrite, infertilidade, doença inflamatória intestinal, doença de Alzheimer, degeneração macular e problemas de pele como psoríase e eczema também foram apontadas como possíveis de serem beneficiadas pela presença da substância na dieta.

É verdade que o ômega-3 baixa o colesterol?

Algumas pesquisas identificaram que o ômega-3 beneficia a questão do colesterol por elevar os níveis do colesterol bom, também conhecido como HDL.
Na mesma linha, o Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, relata que o povo inuíte, que consome bastante ômega-3 por meio da ingestão de peixes gordos, tende a apresentar taxas elevadas do colesterol bom.
O colesterol bom é aquele que viaja pela corrente sanguínea e remove o colesterol ruim, chamado ainda de LDL, do lugar onde ele não deveria estar.

Entretanto, algumas pesquisas também apontaram que o ômega-3 pode provocar uma ligeira elevação nos níveis do colesterol ruim.Geralmente, quem tem níveis elevados de HDL possui menores riscos de desenvolver doença no coração, enquanto quem apresenta taxas reduzidas do colesterol bom tem essas chances aumentadas.
De acordo com a Associação Americana do Coração, o LDL é chamado de colesterol ruim porque contribui com o acúmulo de gorduras nas artérias, o que também é conhecido como uma condição chamada de aterosclerose.
Esse acúmulo de placa estreita as artérias e aumenta os riscos de desenvolvimento de problemas de saúde como ataque no coração, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica, que é o estreitamento das artérias das pernas, completa a instituição.
Já, o Centro Médico da Universidade de Maryland informa ainda que evidências clínicas sugerem que os ácidos graxos ômega 3 EPA e DHA, encontrados no óleo de peixe, contribuem com a diminuição de fatores de risco para a doença cardíaca, incluindo o colesterol alto e a pressão arterial elevada.
Por outro lado, o doutor em bioquímica nutricional e consultor em ciência da nutrição, David Mark, contou que em uma edição de 2002 da publicação Circulation, o médico Roberto Marchioli trouxe dados que contradizem a ideia de que o ômega-3 baixa o colesterol.
Marchioli relatou que em um experimento com 11.323 participantes, metade consumiu 1 mil mg de ômega-3 de óleo de peixe diariamente durante 42 semanas, não foram registrados a diminuição dos níveis totais de colesterol ou das taxas do colesterol ruim.

E os triglicerídeos? Será que o ômega-3 reduz? 

Agora que já abordamos se o ômega-3 baixa o colesterol, podemos falar a respeito da sua relação com os triglicerídeos.
A Associação Americana do Coração explica que os triglicerídeos são o tipo de gordura mais comum do nosso organismo e que eles trabalham no armazenamento do excedente de energia proveniente da dieta.
Entretanto, os níveis de triglicerídeos elevados, combinados aos níveis baixos do colesterol bom ou a taxas elevadas do colesterol ruim, estão associados ao acúmulo de gorduras nas paredes arteriais, o que aumenta os riscos de desenvolvimento de ataque cardíaco e AVC, alerta a organização.
No mesmo sentido, os triglicerídeos altos são um grande fator de risco para o aparecimento da doença no coração.
A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, sigla em inglês), dos Estados Unidos, aprovou duas formulações de ômega-3 para o tratamento dos triglicerídeos elevados.
Uma delas possui somente um composto enquanto a outra contem dois ácidos graxos ômega-3 de origem animal, o EPA e o DHA.
A Associação Americana do Coração reconhece que dosagens elevadas de ômega-3 geralmente são necessárias para pessoas com níveis altos de triglicerídeos. Entretanto, antes de sair por aí se enchendo de suplementos de ômega-3, é primordial que você consulte o seu médico.
Além disso, doses de suplementos de ômega-3 já foram associadas à diminuição das taxas de triglicerídeos em pacientes que também possuíam outras doenças.
Segundo o Centro Médico da Universidade de Maryland, o ômega-3 pode auxiliar a diminuir os níveis de triglicerídeos, além de aumentar as taxas do colesterol bom em pessoas diagnosticadas com a diabetes.
O órgão da universidade americana explica que indivíduos diabéticos frequentemente têm níveis elevados de triglicerídeos e taxas baixas de colesterol bom.
E de acordo com o Centro Médico da Universidade de Maryland, o povo inuíte, que consome bastante ômega-3 por meio dos peixes gordos, também costuma apresentar taxas diminuídas de triglicerídeos. 

Cuidados

Tudo o que colocamos aqui serve como informação, porém, não ultrapassa essa esfera e jamais pode substituir a prescrição de um médico. Mais importante do que saber se o ômega-3 baixa o colesterol ou reduz os triglicerídeos é entender como deve ser o tratamento completo para lidar com essas condições.
Assim, se você sabe que tem colesterol ou triglicerídeos altos, deve seguir o tratamento recomendado pelo médico, consultando-o a respeito de como e se o ômega-3 pode te ajudar e em que dosagem você deve usá-lo, especialmente no caso de suplementos.
É importante verificar ainda com o médico se um suplemento de ômega-3 não pode interagir com algum medicamento, suplemento ou produto natural que você esteja utilizando e se o produto não é contraindicado para o seu caso.

Fonte: Mundo Boa Forma

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