quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ginástica funcional fortalece o corpo e estimula o autoconhecimento

Nos primeiros anos de vida, o corpo humano mostra-se hábil para as mais diversas estrepolias. Correr, pular, agachar, girar, empurrar e puxar, subir e descer são, nessa fase, movimentos tão naturais quanto respirar. Com o passar do tempo, isso muda e movimentos simples como brincar de pega-pega com os netos ou flexionar-se para alcançar algo no chão, por exemplo, podem terminar com uma fisgada aqui, uma travada ali –especialmente para os mais sedentários.

Usar esses movimentos naturais como base para uma rotina de exercícios físicos é a grande sacada da ginástica funcional, modalidade que vem se popularizando no país nos últimos anos, tanto dentro das academias quanto fora delas. A proposta é desenvolver a consciência corporal e preparar o físico para realizar as tarefas do dia a dia de forma inteligente, eficaz e segura. Trabalha-se o equilíbrio, a flexibilidade, a coordenação motora, a agilidade e a força, entre outras funções. Com tudo isso, vai ficar difícil lembrar como é ter um mau jeito na coluna.
Ao contrário da musculação tradicional, o foco do funcional é trabalhar os músculos de uma forma integrada, e não isolada. “Procuramos estimular o fortalecimento da região do core (lombo-pélvica-quadril) de forma mais global, prescrevendo tarefas de estabilização, flexão e extensão (tronco e quadril), rotação e potência, sempre explorando todos os planos do movimento (frontal, sagital e transversal) e diferentes formas de contração (concêntrica, excêntrica e isométrica)”, explica Artur Hashimoto Inoue, treinador da Core360, projeto referência em capacitação para ginástica funcional.
Para realizar os exercícios, é possível contar com alguns acessórios. Segundo Artur, nas academias, pode-se utilizar barras, anilhas, halteres e o que mais estiver ao alcance. Dentro de casa ou ar livre, como praças, parques e praias, é comum o uso de faixas elásticas, escadas de agilidade e cones, entre outros.
Treinamento sob medida evita lesões e é mais eficaz
A ginástica funcional não sustenta uma fórmula única. Os profissionais da área costumam combinar elementos de diferentes métodos (pilates, por exemplo) e modalidades esportivas (como a ginástica olímpica) para criar uma metodologia própria. E dentro de cada uma, é possível montar programas específicos de acordo com as necessidades de cada indivíduo.
Por conta disso, a avaliação física para esse tipo de treinamento é mais detalhada. Quem procura, por exemplo, o Nuno Cobra Saúde, projeto dos irmãos Nuno Cobra Jr. e Renato Cobra, tem que fazer pelo menos três exames: ergoespirométrico, dobras cutâneas e hemograma completo. “Nosso treinamento é sob medida, por isso precisamos de uma avaliação minuciosa”, explica Nuno. A dupla dá continuidade ao método criado pelo pai, Nuno Cobra, conhecido por seu trabalho inspirador como preparador físico e mental de Ayrton Senna.
“Também fazemos uma entrevista com o aluno para traçar o seu perfil psicológico e mapear o seu histórico de atividades físicas e lesões.”, continua. “É preciso saber se ele tem um desgaste no joelho ou na coluna. Dessa forma podemos calcular melhor a intensidade e o volume de exercícios sem correr o risco de causar lesões.”
Integrar corpo e mente é o desafio. A consultoria dos irmãos Cobra leva o conceito de integração a outro patamar. Para eles, o corpo é um caminho para o crescimento e aprimoramento mental, emocional e espiritual. “Trazer à tona velhos hábitos e padrões, para trabalhar de forma consciente e gradativa possíveis mudanças, constitui um movimento essencial de liberdade, autonomia e renovação da vida', descreve a cartilha do método.
Durante o processo, a equipe trabalha sete pilares: cardiovascular, sono, fortalecimento, relaxamento e alongamento, alimentação, coordenação motora e equilíbrio, e meditação e respiração. “O nosso alongamento envolve meditação também. Você acalma a mente através do corpo”, exemplifica Nuno Cobra Jr.
Contra a cultura do “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho), difundida pela escola militar de treinamento, na qual se baseiam as linhas tradicionais de fitness e malhação, eles defendem o “no pain, more gain” (sem dor, mais ganho), ao proporem uma atividade equilibrada e prazerosa, que prioriza a saúde, e não a performance a qualquer custo.
Os exercícios, inclusive, são realizados individualmente ou em grupo em praças e parques paulistanos. “Caminhar 20 minutos na natureza parece nada, caminhar dez na esteira parece interminável”, observa o Nuno da segunda geração. Ele alerta também para a importância de se tomar sol. “É uma preocupação, principalmente para o idoso. Muitas pessoas apresentam falta de vitamina D porque não tomam sol.”
Apesar de as tarefas parecerem simples e acessíveis, é importante, de início, contar com o acompanhamento profissional. “Ao aprender a escutar e entender o próprio corpo, a ideia é que o aluno possa ter, ao fim do curso, adquirido conhecimento e recurso para treinar a si mesmo.”
Fonte: MSN

Nenhum comentário:

Postar um comentário