segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cirurgia Bariátrica

 cirurgia Bariátrica e seus procedimentos

Perda de peso x Despedidas no pré operatório
Quando se faz dieta a primeira gordura que se perde é a visceral (aquela que envolve os órgãos). A perda de 10% do excesso de peso no pré-operatório diminui essa gordura e facilita o acesso ao trato digestivo, reduzindo assim a chance de complicações. Para os pacientes com IMC menor que 40 Kg/m2, a perda de peso é recomendável. Para aqueles com IMC > 40 Kg/m2 ela é obrigatória.
Os pacientes devem aproveitar o tempo que antecede a cirurgia para mudar hábitos alimentares, favorecendo assim sua adaptação no pós-operatório e promovendo a perda de peso recomendada pela equipe. Essa perda de peso não vai mudar a indicação cirúrgica.
Por que devo evitar as despedidas?
Primeiro porque não há necessidade de se despedir já que cerca de 4 meses depois da cirurgia a dieta estará liberada. Segundo, por que todas as vezes que se ganha peso de forma rápida aumenta-se a quantidade de gordura visceral, podendo aumentar as dificuldades técnicas da cirurgia, aumentando o tempo cirúrgico e as chances de complicação.
Evolução da dieta no pós-operatório
No pós-operatório imediato a dieta deve ser sem resíduo nenhum (dieta líquida restrita). É uma fase trabalhosa e de difícil adaptação, principalmente porque o paciente está fragilizado e a dieta é muito restritiva. O principal objetivo é favorecer repouso e cicatrização intestinal. Recomenda-se fracionamento aumentado com 8 refeições ao dia, intervalo de 2h entre elas e ingestão de água na maior quantidade possível nos intervalos. Depois de uma semana de pós-operatório os alimentos vão sendo inseridos aos poucos e a consistência da dieta evoluída de acordo com a tolerância de cada paciente. Geralmente a dieta pastosa é iniciada 3 semanas depois da cirurgia e no início do terceiro mês de pós-operatório já foi liberada dieta de consistência normal.
A vontade de mastigar é uma das principais queixas relatadas e a grande vantagem é que a maioria dos pacientes não sente fome nesse período.
Seguir as orientações da equipe pode prevenir ou minimizar as principais complicações dessa fase inicial. A inserção de alimentos não permitidos pode trazer sérias complicações cirúrgicas, levando inclusive à necessidade de re-operação.
 Síndrome de Dumping
síndrome de Dumping ocorre após a ingestão de alimentos de alta osmolaridade, principalmente açúcares. A passagem rápida destes alimentos pelo novo estomago (cujo esvaziamento é muito mais rápido), diretamente para o intestino, induz uma carga osmótica muito grande que pode provocar cólicas e desconforto abdominal. Ao mesmo tempo, provoca uma rápida descarga de insulina pelo pâncreas podendo provocar sintomas de hipoglicemia severa como: sudorese, palidez, tremores, delírio, visão embaçada, tontura, taquicardia, respiração difícil.
Uma forma prática de avaliar se o alimento pode provocar a síndrome de dumping é observando a densidade calórica, ou seja, quantas calorias por grama o alimento apresenta. Quanto maior a densidade calórica, maior a chance de provocar Dumping. A densidade calórica normal dos alimentos deve ser próximo ou igual a 1Kcal/grama, a exemplo das frutas. A densidade calórica de um chocolate é de aproximadamente 4Kcal por grama, muito elevada. Portanto, a chance de desenvolver Dumping com uma fruta é remota, a ingestão de chocolate apresenta grande chance de provocar os sintomas. Além disso, a ingestão de doces, cocadas, pudins, sorvetes, tortas, feijoada, sarapatel, acarajé, carnes gordas, frituras em geral, também provocam os sintomas.
Para evitar o Dumping, siga as recomendações da equipe, só experimentando alimentos novos após liberação da nutrição. Lembre-se, apesar de extremamente desagradável, o Dumping é um grande aliado contra o reganho de peso no pós-operatório tardio, já que contribui de maneira importante para a aquisição de hábitos alimentares saudáveis.
Bebida alcoólica e cirurgia bariátrica
Recomenda-se não consumir bebida alcoólica nos primeiros 6 meses de pós-operatório, período em que novos exames serão realizados para avaliar a função hepática. Mesmo depois da liberação, seu consumo deve ser desencorajado. Quando liberado, deve ser moderado e esporádico, de preferência em ocasiões festivas.
Motivos para não consumir álcool depois da cirurgia:
Estudos recentes demonstram que o desvio intestinal favorece o desenvolvimento do alcoolismo;
O desvio de compulsão (não pode comer em excesso, passa então a beber demasiadamente) é uma das principais complicações da cirurgia bariátrica;
Aumenta o risco de inflamação na mucosa gástrica e intestinal, resultando em gastrites e úlceras;
Potencializa a descalcificação óssea aumentando a chance de osteopenia, osteoporose e suas complicações como fratura patológica e perda dentária;
Reganho de peso: o álcool é muito calórico, enquanto um grama de carboidrato tem 4Kcal, um grama de álcool tem 7Kcal, sem falar que geralmente seu consumo está associado aos beliscos e tira-gostos hipercalóricos, aumentando excessivamente a ingestão calórica e consequentemente levando ao reganho de peso.

Queda de cabelo e cirurgia bariátrica
queda de cabelo é um achado comum no pós-operatório de cirurgia bariátrica, atingindo principalmente as mulheres. Começa no final do segundo ou inicio do terceiro mês de pós-operatório. Inicialmente de leve intensidade, vai aumentando a proporção se tornando intensa, depois reduz progressivamente até melhorar. A duração média é de 3 a 4 meses. É uma queda auto-limitada, ou seja, terá fim mesmo que não seja instituído tratamento específico. Não se sabe exatamente a causa, acredita-se que esteja relacionada com o estresse da cirurgia, a mudança radical na alimentação e a perda abrupta de peso. Além da queda e redução do volume, é muito comum os cabelos se tornarem opacos, ressecados e quebradiços. O uso de suplementos específicos, principalmente de proteína, ômega 3 e zinco podem ajudar a minimizar esse processo e prevenir o ciclo vicioso que se forma no pós operatório tardio (cabelo cai e depois nasce fraco e quebradiço, caindo novamente).
Associada a suplementação nutricional, procure ingerir diariamente:
Vit A – Brócolis, cenoura, couve, abóbora, espinafre, batata-doce, melão, mamão, melancia, fígado, leite e ovo, vegetais verdes e amarelos;
Vit C – Frutas cítricas frescas, tomate, repolho, batata e brócolis;
Vit E – Abacate, batata-doce, manga, maçã, pêra, frutos secos, óleos vegetais;
Zinco – Carne, fígado, ostras, soja, ovos, leite e pães integrais;
Selênio–cebola, grãos e chá verde;
Proteína – carnes de peixe, frango, boi, carneiro, mariscos, leite e derivados, amendoins, nozes, leguminosas (grãos)
Omega 3: Óleos vegetais (óleos de oliva, girassol, soja, milho, canola, etc), frutos do mar e peixes (sardinha, salmão, atum, cação, cavala, bacalhau e arenque), linhaça dourada, quinoa real. Dica: Dê sempre preferência à proteína (carnes, leites e derivados em geral) e aos vegetais, deixe os carboidratos (massas, arroz, doces) em segundo plano.
Suplementos nutricionais
O uso contínuo de polivitamínicos é obrigatório enquanto a dieta for restritiva, isso ocorre pelo menos durante os primeiros 6 meses de pós-operatório. A partir daí, a prescrição de suplementos será feita de acordo com o hábito alimentar do paciente, os sintomas apresentados e o resultado dos exames laboratoriais.
No mercado brasileiro não existem polivitamínicos especializados para o tratamento de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Por isso, a equipe faz a adaptação com a prescrição de produtos desenvolvidos para outras situações especiais como os polivitamínicos para gestantes. Além destes, frequentemente é necessário fazer suplementação extra de vitaminas A, D, B12, zinco, selênio e ferro, já que as quantidades presentes em suplementos comuns é muito pequena e não supre a necessidade aumentada pela cirurgia.
Na prática, observamos que aqueles que se alimentam bem, precisam de suplementos por um período menor do que aqueles que apresentam dificuldade de ingerir certos alimentos e ou não conseguem adquirir hábitos alimentares saudáveis. É importante lembrar que polivitamínicos não engordam.
Esquecer de tomar os suplementos, suspender antes da hora ou mudar a dose por conta própria pode comprometer o tratamento, não trazendo os benefícios esperados e provocando inúmeras deficiências nutricionais.
Perda de peso e exercício físico pós cirurgia bariátrica
O Bypass gástrico em Y de Roux, promove perda de 80% do excesso de peso nos primeiros dois anos. Espera-se, ao final de cinco anos, que estes pacientes apresentem um leve reganho de peso, sustentando uma perda de 70% do excesso para o resto da vida.
A perda de peso dos pacientes tratados cirurgicamente pode levar até dois anos. Inicialmente essa perda acontece de forma rápida e significativa, reduzindo de intensidade a partir do segundo semestre. É importante lembrar que a perda de peso é proporcional ao excesso e acontece de maneira diferenciada para cada paciente, variando de acordo com a idade (quanto mais jovem mais rápida), sexo (homens perdem mais rápido), composição corporal (quanto mais músculo melhor) e fatores individuais como metabolismo e histórico de tratamentos prévios.
A prática regular de exercício físico é uma grande aliada na perda de peso e na sustentação desta perda à longo prazo. A realização de musculação após liberação médica e o uso de suplementos a base de proteína, tornam a perda mais seletiva, pois, ajudam a reduzir a perda de massa muscular, diminuindo as dores e minimizando a flacidez no pós-operatório. Além dos aspectos relacionados à saúde, a atividade física apresenta efeitos notáveis sobre a estética, deixando os pacientes com aparência muito mais saudável do que aqueles que não a praticam.
Reganho de peso e cirurgia bariátrica 
A obesidade é uma doença crônica, ou seja, não tem cura. Os resultados imediatos da cirurgia bariátrica são satisfatórios, com redução significativa do peso corporal. Porém, em longo prazo, os pacientes tendem a apresentar ganho de peso, podendo este ter relação com a compulsão alimentar e psicopatologias. Portanto, uma vez obeso, a vigilância e o tratamento devem ser mantidos para o resto da vida, mesmo para os pacientes operados.
O Bypass gástrico em Y de Roux, promove perda de 80% do excesso de peso nos primeiros dois anos. Espera-se, ao final de cinco anos, que estes pacientes apresentem um leve reganho de peso, sustentando uma perda de 70% do excesso para o resto da vida.
Quase metade dos pacientes operados podem apresentar reganho de peso acima do esperado. Isso ocorre com a maioria dos indivíduos que não consegue colocar em prática as mudanças orientadas pela equipe e mantém hábitos antigos que o levaram a ganhar peso como: sedentarismo; hábito de beliscar; consumo frequente de bebida alcoólica, refrigerantes e alimentos hipercalóricos (pratos gordurosos, doces, chocolates e fast-foods); além de baixa ingestão de frutas e verduras e fracionamento reduzido das refeições (comer apenas duas ou três vezes ao dia).
Para evitar o reganho, siga as seguintes recomendações:
1. Manter-se ativo: praticar exercício físico diariamente.
2. Alimentar-se a cada 3horas, evitando os beliscos nos intervalos.
3. Dar preferência a alimentos saudáveis, evitando gordura e doce em excesso.
4. Evitar refrigerante e bebida alcoólica, mesmo socialmente.
5. Mantenha-se vigilante em relação ao consumo de alimentos e consulte regularmente a equipe multidisciplinar.
Fertilidade e gravidez pós cirurgia bariátrica 
A obesidade acarreta, reconhecidamente, problemas para a fertilidade feminina. Apesar de a maioria das portadoras de obesidade grave menstruar normalmente, não pode se afirmar que a ovulação ocorre regularmente. Após a cirurgia bariátrica, mulheres que apresentam alguma irregularidade menstrual geralmente passam a ter ciclos regulares e a perda de peso traz a melhora de patologias associadas como, por exemplo, ovários policísticos. Tudo isso faz com que a fertilidade aumente significativamente. Por isso, mulheres em idade fértil devem discutir com seu ginecologista sobre as medidas que devem ser adotadas a fim de evitar gravidez nos primeiros meses de pós-operatório, quando a perda de peso é intensa. Deve-se ter cuidado com contraceptivos orais, já que estes precisam do intestino para serem absorvidos. Como esta via estará temporariamente comprometida, não se tem certeza da eficácia da medicação. Recomenda-se a utilização de outros métodos contraceptivos que não precisem do trato digestivo para serem absorvidos como os injetáveis ou métodos de barreira, por exemplo.
A gravidez não é recomendada nos primeiros 18 meses de pós-operatório, período de perda de peso intensa e maior chance de deficiências nutricionais. Se a paciente engravida nesse período, certamente perderá a fase de maior perda ponderal, que provavelmente não será retomada após o parto. Além disso, as quantidades de alimentos ingeridos nessa fase de adaptação geralmente são menores, de modo que o risco de desnutrição do feto, teoricamente, é maior. Depois de estabilizada a perda de peso, afastada a possibilidade de deficiência nutricional, a gravidez deve então ser programada sob acompanhamento pré-natal rigoroso, tanto do obstetra quanto da equipe multiprofissional responsável pela cirurgia. Para evitar ganho de peso insuficiente ou excessivo, trazendo prejuízos para o bebê e para a gestante, recomendamos acompanhamento nutricional mensal durante toda a gravidez, com realização freqüente de exames laboratoriais e monitoramento alimentar contínuo.

Paciente operado não tem alta médica
A cirurgia bariátrica promove perda ponderal abrupta, podendo trazer sérias conseqüências a saúde do indivíduo, caso não haja monitoramento adequado e intervenção precoce da equipe multidisciplinar.
No primeiro ano de pós-operatório o acompanhamento deve ser freqüente, inicialmente com consultas mensais depois a cada dois ou três meses, conforme recomendação da equipe.
No segundo ano as consultas devem ser semestrais. Depois de dois anos de cirurgia o paciente deve procurar a equipe pelo menos uma vez ao ano para reavaliação, prevenção e/ou tratamento das possíveis complicações.
Esse é o protocolo básico e pode variar de acordo com a necessidade de cada paciente e a percepção da equipe.
Lembre-se, o paciente deve ser acompanhado para o resto da vida. O abandono do tratamento, ou seja, o não retorno às consultas no pós-operatório é um importante fator de risco para o reganho de peso e, portanto, para o insucesso da cirurgia.

FONTE: NUCLEO DE TRATAMENTO E CIRURGIA DA OBESIDADE

Nenhum comentário:

Postar um comentário