domingo, 25 de outubro de 2015

Cirurgia Bariátrica, para quem é indicada?

O tratamento cirúrgico da obesidade começou a ser aplicado, ainda no final dos anos 1950, nos Estados Unidos, para pacientes com a chamada obesidade extrema. Até o início dos anos 1970 prevaleceram as técnicas designadas disabsortivas, nas quais se realizavam grandes desvios intestinais, que eram acompanhadas de altos índices de complicações. Essas técnicas foram realizadas também no Brasil, na mesma época, em número pequeno de pacientes. Nos anos 1980 ocorreu uma “guinada” no tipo  de cirurgia realizada e prevaleceram, nessa época, as operações designadas restritivas, ou que realizavam  apenas a redução do tamanho do estômago, sem mexer no intestino. Vem dessa época a designação que hoje muito se utiliza para cirurgia bariátrica como cirurgia de redução do estômago. Esse tipo de cirurgia, embora com menos complicações, apresentou altos índices de mal resultado, com perda de peso insuficiente ou reganho de peso muito expressivo. Os anos 1990 viram o aparecimento e difusão das técnicas chamadas mistas, que combinaram a redução do estômago com o desvio intestinal. Essas técnicas apresentaram melhores resultados do que as técnicas restritivas e menos complicações do que as técnicas disabsortivas, sendo as mais realizadas no Brasil até os dias de hoje. São conhecidas por diferentes nomes que, via de regra dize respeito ao mesmo procedimento ou a procedimentos muito semelhantes entre si: derivação gastro-jejunal, Y-de-Roux, Bypass Gastrico, Cirurgia de Fobi-Capella.
Também nos anos 1990 se estabeleceram mais precisamente os critérios de indicação cirúrgica, ou seja, quem são os pacientes obesos candidatos a cirurgia.  A partir dos anos 2000, as cirurgias começaram a ser realizadas por vídeo-laparoscopia. Tornaram-se mais seguras, a recuperação ficou mais rápida e o resultado estético melhor. Isso atraiu muitos pacientes que antes não pensavam na cirurgia como uma opção, até mesmo aqueles que, a princípio, não se enquadravam nos critérios de indicação. Esses critérios levam em consideração três principais fatores: 1- o grau de obesidade medido pelo Índice de Massa Corporal ou IMC; 2- o tempo de evolução da doença obesidade (a quanto tempo o paciente esta obeso naquele grau) com as tentativas de tratamento clínico às quais o paciente se submeteu;3- a presença ou não de comorbidades que são doenças causadas ou agravadas pela obesidade ( a lista é de algumas dezenas). A combinação desses fatores é que vai determinar se um determinado paciente é ou não candidato ao tratamento cirúrgico.
O IMC é uma relação entre o peso da pessoa em quilos e sua altura em metros (Kg/m2). Assim, por exemplo, uma pessoa que pesa 110 Kg e tem altura de 1,60m terá um IMC de 43 Kg/m2. Considerando o que foi exposto, podemos resumir os critérios de indicação da seguinte maneira:
1.                      Pacientes que tenham IMC maior ou igual a 40 Kg/m2, há pelo menos 2 anos, que não tiveram sucesso com tratamento clínico orientado por endocrinologista .
2.                      Pacientes que tenham IMC maior ou igual a 35 Kg/m2, nas mesmas condições do critério anterior e que apresentem pelo menos duas comorbidades. As principais comorbidades ou aquelas consideradas mais graves e que são mais levadas em consideração na avaliação desse critério são: diabetes tipo II, hipertensão arterial, alterações do colesterol ou triglicérides (dislipidemias), apneia obstrutiva do sono, gordura no fígado (esteatose), problemas ortopédicos graves (artroses importantes, hérnia de disco). Mas outros problemas nos quais a perda de peso pode contribuir muito com a melhora ou cura também podem ser levados em consideração (Ex: infertilidade).

Alguns pacientes, mesmo estando dentro desses critérios, podem apresentar situações específicas que devem ser avaliadas e podem ser motivo de contra-indicação ao tratamento. Podemos citar algumas dessas situações:
1.                      Adolescentes : só podem ser operados pacientes com mais de 16 anos. Mesmo assim, pacientes que tenham entre 16 e 18 anos necessitam de avaliação clinica e psicológica especial, avaliação e consentimento da família e aprovação de comissão de ética do hospital aonde será feita a cirurgia.
2.                      Idosos com mais de 65 anos: esses pacientes necessitam avaliação pré-operatória especial, de preferência com medico geriatra, para avaliação dos benefícios da cirurgia.
3.                      Pacientes com antecedentes de doença psiquiátrica, alcoolismo ou adição (uso e vício em substâncias como Cocaína, Crack, etc..): esses pacientes necessitam de avaliação psiquiátrica detalhada para se estabelecer o controle ou não de doenças psiquiátricas pré-existentes e do vício.
4.                      Pacientes com cirurgias abdominais prévias: pode dificultar a realização da cirurgia, deve ser avaliado pelo cirurgião.
5.                      Portadores de doenças crônicas (anemia, insuficiência renal, doenças do fígado, doenças endócrinas entre outras): embora não se constituam em contra-indicações absolutas, podem aumentar o risco cirúrgico ou interferir na escolha da técnica que será empregada.

Por outro lado, em situações consideradas extremas, pode-se abrir mão da exigência de dois anos de tentativa de tratamento clínico para indicação cirúrgica. É o caso dos pacientes super-obesos, ou seja, que tem IMC superior a 50 Kg/m2. Mas esta situação não exime o paciente de passar por todas as fases de avaliação pré-operatória, essenciais para a segurança e sucesso do tratamento e obrigatória para todos os pacientes, que incluem: avaliação clinica com endocrinologista e cardiologista, avaliação nutricional, avaliação psiquiátrica ou psicológica.

Fonte:ABESO

Dicas para crianças aumentarem o gasto energético!

Nos últimos anos as crianças e adolescentes estão se distanciando das brincadeiras. Inicialmente, foram os programas de TV, depois o videogame, o computador e hoje os smartphones e tablets agudizaram o problema. Estes pequenos aparelhos conectados a internet móvel fazem parte da rotina de muitas crianças e adolescentes, o que aumenta drasticamente o tempo de tela, um importante indicador de sedentarismo. Isso pode ser até mais prejudicial que simplesmente não praticar exercícios. Dessa forma, é importante limitar o tempo de tela a não mais que 2 horas por dia. E, por mais bonitinho que seja, crianças com menos de 2 anos de idade não devem ser expostas às telas. Tais recomendações desenvolvidas pela American Academy of Pediatrics visam uma melhor saúde geral, prevenindo doenças na infância e na vida adulta. 
No Brasil, em 2013 o tempo de tela médio foi estimado em 3,5 horas por dia! Mas, é bom lembrar que a disseminação dos smartphones e tablets ocorreu exatamente nestes últimos anos. Em outros países, como Inglaterra, Portugal e Estados Unidos, o tempo que as crianças ficam de frente para as telinhas também fica acima do recomendado.
O tempo de tela favorece o aumento da obesidade e, conseqüentemente o aparecimento das doenças relacionadas. Além do menor gasto energético, ficar paradinho olhando para a tela está associado a um maior consumo de alimentos calóricos e menor consumo de frutas, verduras e legumes. E estes são exatamente os hábitos de vida que não devemos ter.
É fundamental que os pais conversem com os filhos e expliquem a importância de se limitar o tempo de tela. Quem ama, cuida.
Algumas dicas para reduzir o tempo de tela das crianças e adolescentes:
  • O quarto é lugar para dormir: não deve ter TV nem computador – isso melhora o sono, além de reduzir o tempo de tela
  • Durante as refeições não usar celular e nem assistir TV
  • Fazer o controle do tempo de tela em conjunto com o filho, tentando não ultrapassar o limite de duas horas diárias
  • Proporcionar outras atividades, como escutar música, brincadeiras e jogos de tabuleiro, por exemplo
  • Os filhos tendem a imitar os pais, assim é importante que os próprios pais coloquem em prática as dicas acima, dando o exemplo.
  • Fonte:ABESO


Orientações para uma alimentação saudável para adolescentes

Recomendações de alimentação na adolescência
A adolescência é um período da vida onde existe uma grande suscetibilidade a influências no estado nutricional, já que acontecem importantes alterações psicológicas, biológicas e físicas. Particularmente nessa fase, os hábitos e preferências alimentares que afetam o balanço de nutrientes e de energia podem sofrer modificações. O início da conquista da ´´independência´´ e da liberdade de escolha, por vezes sem maturidade e experiência suficientes, pode levar a um hábito alimentar não saudável. As refeições saem do núcleo familiar e passam a ser realizadas nas cantinas escolares e em shoppings, com aumento da ingestão de fast-food e bebidas hipercalóricas. Por isso é importante que os hábitos alimentares saudáveis desenvolvidos na infância sejam reforçados pela família quando a criança entra na adolescência. Existem evidências demonstrando que, na adolescência, a aquisição e manutenção de um hábito alimentar saudável ocorrem com mais freqüência quando existe uma rotina regular de refeições realizadas em família, com os pais servindo com exemplo.
O crescimento estatural e o desenvolvimento normal da puberdade sofrem importante influência de uma alimentação adequada e balanceada. A necessidade de energia aumenta para que o crescimento rápido (também chamado de estirão) aconteça e o adolescente alcance a estatura alvo geneticamente determinada. Nos meninos, a quantidade de calorias necessária por dia é ainda maior, por causa por causa do maior crescimento em altura e maior quantidade de massa muscular. Na presença de obesidade, é freqüente observar alta estatura, além de adiantamento do início da puberdade, principalmente em meninas. Já se existe desnutrição, o início e a progressão do crescimento e da puberdade podem ficar atrasados.
A prevenção de doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares deve começar precocemente. Obesidade, diabetes, hipertensão arterial e aumento de colesterol no sangue têm sido cada vez mais observados em adolescentes, sobretudo na presença de erros alimentares e excesso de peso corporal. Uma vez diagnosticadas essas doenças, a mudança de comportamento alimentar é uma das principais estratégias para o tratamento.
Na adolescência, deficiências de nutrientes específicos também podem ser observadas, como de ferro e de cálcio. A necessidade de ferro aumenta devido à expansão do volume de sangue e da massa muscular. Carne, peixe, feijão, verdura verde-escuro, grãos e castanhas apresentam maior quantidade de ferro e devem ter o consumo estimulado. O esqueleto responde por pelo menos 99% do estoque corporal de cálcio e cerca de 45% da massa óssea do adulto se desenvolve durante a adolescência. Assim, a ingestão de cálcio, presente no leite, iogurte e queijos, é essencial para a formação de uma densidade óssea adequada.
Seguem algumas dicas de alimentação saudável para os adolescentes:
  • Adolescentes devem consumir uma quantidade de calorias adequadas às necessidades; privações ou excessos poderão comprometer o crescimento e o desenvolvimento.
  • Escolher alimentos com menos açúcar, sal e gorduras faz parte da educação alimentar.
  • Frutas e vegetais, cereais, leites e derivados, carne magra (ou ovos, peixe, frango, soja ou feijão) compõem uma alimentação saudável.
  • As frutas fornecem energia, fibras, minerais e vitaminas, podendo ser uma opção para lanches entre as refeições principais.
  • Alimentos ricos em ferro, como carne, peixe, verduras verde-escuro, grãos e castanhas devem ser consumidos com regularidade.
  • O leite é fonte de proteína e cálcio e deve fazer parte de uma alimentação balanceada.
  • Iogurte e queijo também podem ser opções de lanches entre as refeições, sobretudo aqueles com menor teor de açúcar/sal e gorduras.
  • Evitar alimentos e bebidas açucaradas entre as refeições ajuda na prevenção de excesso de peso e de cáries.
  • A ingestão regular de água também faz parte de um hábito de vida saudável.
  • Os hábitos alimentares dos pais servem de exemplos para os filhos. A alimentação da família tem que ser saudável e não apenas imposta a crianças e adolescentes
  • Para completar um estilo de vida saudável, a prática de atividade física regular é essencial.
  • Fonte:ABESO