quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Esclarecimento sobre tipos de gordura e seus benefícios

posicionamento divulgado sobre o óleo de coco foi muito compartilhado e acessado, o que só demonstra a necessidade de todos de receberem informação séria e responsável, e achamos que a ABESO tem como importante missão sanar eventuais dúvidas.
A parte da ineficácia do óleo de coco para o emagrecimento gerou muito poucas dúvidas, até porque, de fato, não há qualquer base para tal afirmação. A parte dos óleos vegetais, porém, gerou um pouco mais de discussão.

Discorreremos brevemente sobre essa parte:
  1. As gorduras saturadas são encontradas em carnes, leite e seus derivados e desempenham importantes papéis dentro de nossas células e, portanto, seu consumo, em moderação faz parte de uma dieta saudável.
  2.  Os ácidos graxos saturados não são iguais em suas ações sobre o risco cardiovascular e alterações metabólicas. O ácido esteárico, presente no cacau, não influencia na concentração plasmática de colesterol. Já os ácidos láurico e mirístico, presentes em grande quantidade no coco, apresentam maior potencial de elevar a colesterolemia. Além disso, o ácido láurico é também presente no LPS (substância produzidas por algumas bactérias) e gera um processo inflamatório, que pode aumentar o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e doença cardiovascular. Isso já foi bem demonstrado em culturas de células humanas.
  3. Alguns ácidos graxos da série ômega 3 e ômega 6 são essenciais, ou seja não são  sintetizados no nosso organismo e, portanto, devem fazer parte de nossa dieta, sendo suas principais fontes, na dieta brasileira, óleos vegetais, como soja e canola. Diversos estudos clássicos da literatura evidenciaram que a substituição de parte da gordura saturada da dieta por essas gorduras poli-insaturadas é benéfica.
Uma recente metanálise (publicada há menos de 2 meses), com cerca de 59.000 pacientes, feita pela Biblioteca Cochrane, reafirmou que a substituição parcial de ácidos graxos saturados por poli-insaturados, por mais de 2 anos, reduziu em 27% os eventos cardiovasculares. Somente estudos considerados de alto grau de evidência (os randomizados e controlados) foram incluídos (15 no total), o que dá uma força imensa a essa conclusão. Nosso posicionamento está em consonância com os resultados deste estudo e é concordante com as diretrizes da Associação Americana de Diabetes e Associação Americana de Cardiologia.
Temos como compromisso o acompanhamento dos mais recentes achados da literatura (visto que a ciência é dinâmica), mantendo-nos atualizados e evitando desinformações, o que, infelizmente, é muito corriqueiro na internet nos dias atuais. A literatura médica é vasta e artigos com os mais diferentes resultados podem ser encontrados, mas devemos sempre nos basear no corpo maior de evidências e em estudos de alta qualidade e que foram replicados.
Para quem não é profissional da saúde, recomendamos ler (em inglês) esse texto do Walter Willett, de Harvard, considerado um dos maiores entendidos em nutrição epidemiológica do mundo:http://www.health.harvard.edu/staying-healthy/coconut-oil
Recomendamos também o texto “All about oils” da Academy of Nutrition and Dietetics (http://www.eatright.org/resource/food/planning-and-prep/cooking-tips-and-trends/all-about-oils)
Para profissionais de saúde, sugerimos os seguintes artigos:
Hooper L, Martin N, Abdelhamid A, e cols. Reduction in saturated fat intake for cardiovascular disease.Cochrane Database Syst Rev. 2015 Jun 10;6:CD011737
Baum SJ1, Kris-Etherton PM, Willett WC, e cols. Fatty acids in cardiovascular health and disease: a comprehensive update. J Clin Lipidol 2014; 6(3):216-3
Suzuki M, Takaishi S, Nagasaki M, e cols. Medium Chain Fatty acid-sensing receptor, GPR84, is a proinflammatory receptor. J Biol Chem 2013; 288(15): 10684-10691
Fonte: ABESO

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