sábado, 1 de agosto de 2015

Entrevista no blog ; Crônicas da Mamita sobre: Alimentação Infantil!

MAMITA: Patrícia, muito obrigada por receber o blog Crônicas de Mamita. Bom, eu quero começar com a pergunta que não cala dentro do meu peito tem uns anos: por que meus filhos não comem direito? Por que não comem verduras, legumes ….  o que eu estou fazendo de errado? Olha, eu sento na mesa, faço direitinho o que manda o figurino, o que significa dizer que exemplo eles tem …. enfim, o que acontece que o caçula, já com oito anos de idade, não come caroço de feijão até hoje?
PATRÍCIA: Paula, calma! Rsrsrsrs. Vamos lá, vou começar bem do início mesmo, que não é quando a criança já tem oito anos de idade. Eu vou te falar desde o nascimento dos filhos e, certamente, você vai acabar identificando o ponto que te diz respeito em particular. Bom, como é que funciona a alimentação no primeiro ano de vida da gente? Os bebês, na média, no primeiro ano de vida, mamam no seio da mãe exclusivamente até seis meses e, depois, começam a experimentar outros alimentos, certo? E normalmente, a criança aceita tudo muito bem! Papinhas, frutinhas, etc e tal. Quando ela passa de um aninho, começa a falar, andar, adquire independência e neste momento, vai começar a escolher o que quer e o que não quer comer. É nesta fase que o hábito alimentar da família, o “exemplo”, é crucial. Uma casa onde entra pouco ou quase nada de biscoitos, refrigerantes, sucos artificiais, sorvetes, frituras e comidas gordurosas, por exemplo, dificilmente vai abrigar crianças que gostem muito destas coisas ou que optem por elas rotineiramente. E tem outro ponto importante: a amamentação. Quanto mais tempo uma criança ficar mamando no peito da mãe exclusivamente, mais difícil vai ser a adaptação dela aos alimentos mais sólidos em geral. Tem que haver uma mudança de consistência, aos poucos, até introduzir completamente o alimento normal. Isto deve começar à partir dos dez meses de vida do individuo, porque com 1 aninho, a criança já deve estar comendo como os adultos, ou seja, os alimentos devem ser picadinhos, bem cozidos, não é para ficar somente com alimentação liquidificada ou amassada.

MAMITA: Sério? Nossa! Achei que quanto mais peito, melhor …..
PATRÍCIA: Vamos lá, a natureza é tão sábia, que os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável dos bebês passam pelo cordão umbilical durante a gestação e ficam armazenados no corpo do neném durante os seis meses de vida dele. Por isso, até esta idade, a criança pode viver exclusivamente de leite materno. Passou este período, o corpo humano precisa repor os nutrientes necessários, que são muitos e variados, e assim, se faz importante introduzir outros alimentos na rotina da criança. Agora, isso quer dizer que não pode continuar amamentando? Claro, que não! Principalmente se a mãe tiver leite e disponibilidade para continuar! Mas …. friso que é interessante ficar atenta para que o peito não “atrapalhe” as demais refeições, a demanda neurológica do bebê. Porque senão, a criança fica preguiçosa também, entendeu? Dá trabalho mastigar, pegar o garfinho ou a colher …. é muito mais prático e aconchegante pegar o peito da mãe e pronto!
MAMITA: Entendi …
PATRÍCIA: Então, continuando, todo este processo é importante, o cumprimento destas etapas, porque quando a criança chega por volta dos dois aninhos, algumas começam a rejeitar os alimentos, principalmente os de cor vermelha e verde e, quanto mais acesso este bebê tiver tido a um amplo universo alimentar até aqui, ou seja, quanto mais tiver sido estimulado a comer variado, sem a recorrente “paranóia” das famílias com a sujeira, mais preparado para este momento onde as coisas costumam “desandar” um pouquinho, ele vai estar. Tem criança que de repente para de comer banana, sabia? Do nada passa a detestar a fruta que até então, era a preferida! E o que acontece se esta criança não teve acesso à outras frutas antes? Os pais “enlouquecem”! Rsrsrsrs.  E isso significa dizer que fatores como a monotonia alimentar, podem causar falta de apetite na criança. É importante variar alimento, receita …. ninguém aguenta comer arroz, feijão, cenoura e carne todos os dias! Banana todo dia! Assim, com um mesmo alimento, devemos fazer inúmeras receitas. O chuchu fica ótimo cozidinho, na sopa, com carninha, frango, na salada … tanta coisa! É um alimento super versátil! Outro componente que também interfere no  ”gosto” dos pequenos, são as preferências alimentares dos adultos que convivem com a criança. Vou te contar uma particularidade: meu marido detesta peixe. Tem horror! Minha filha cresceu vendo e ouvindo o pai repetir que odiava peixe e portanto …. ela passou a não comer peixe. Até gostava, mas de tanto ouvir o pai falar que não gostava e vê-lo torcer o nariz para os peixinhos, parou de comer. Então, os adultos precisam estar cientes da influencia que possuem sobre os filhos e evitar estes comportamentos.
MAMITA: Interessante … E na parte da “mania” da limpeza eu me vi completamente! Confesso que muitas vezes preferi dar a comida na boca dos meus filhos para evitar a sujeirada mesmo ….
PATRÍCIA: Pois é …. Depois a mãe não sabe porque o filho pede o tempo todo para ela dar o alimento na “boquinha”, porque faz “charminho” na hora de comer, insiste num comportamento dependente …. A “bagunça” da criança ao comer é fundamental.  Não é estimular a falta de educação à mesa, não é isso! Mas, permitir que a menina ou o menino testem as coisas, entendeu? Se a comida é fria, quente, deixar os pequenos sentirem a textura …  Isso tudo faz parte do crescimento e desenvolvimento de um individuo. E para amenizar o trabalho dos pais neste item da “sujeira”, uma coisa que funciona bem é colocar a cadeirona na cozinha ou área. Outra dica legal, é que a criança possa ficar com uma colher e o adulto que for alimentá-la com outra. Assim, juntos, vão conjugando deste momento que não precisa ser de estresse. Ele pode e deve ser muito prazeroso!
MAMITA: Hum … percebo algumas coisas mesmo … estou me vendo aí … Agora, eu, particularmente, não comia bem lá na infância e hoje como de tudo. E pergunto: em algum momento não passamos a comer direito? Independente de fatores da infância, hábito dos pais? Quero dizer, mesmo que façamos tudo “errado”, uma hora a consciência individual dos filhos não vai prevalecer e eles vão passar a comer variado e saudável?
PATRÍCIA: Não é bem assim, se levarmos em conta o quesito Nutrição. Tudo que é importante para um desenvolvimento saudável do corpo ao longo de uma vida. A alimentação da criança deve ser variada e devemos estimular isso desde cedo. Não podemos ficar restritos só em um, dois ou três alimentos, esperando o “Dia” em que a maturidade vai imperar, porque nutrientes importantes vão faltar até lá, entendeu? Então, é preciso começar na primeira infância a comer frutas três vezes por dia, legumes e verduras pelo menos duas, feijão uma. Os cereais de quatro a cinco vezes por dia e aí, incluo arroz integral, os pães, aveia, farinha de linhaça … podem estar junto com iogurte ou não, enfim. O leite precisa fazer parte da nossa rotina pelo menos duas vezes e pode ser substituído por seus derivados também. Caso contrário, o risco de faltar ferro, cálcio, vitamina C, etc e tal, é muito alto! Portanto, o melhor, na minha opinião, é formular o dia de maneira variada, saudável, com cinco ou seis refeições, não esquecendo que as proteínas devem fazer parte desta rotina em duas delas (almoço e jantar) e manter intervalos de três horas entre cada uma, a partir dos seis meses de vida do individuo.
MAMITA: Ok. E por falar em proteínas, lembrei que minha sobrinha não come proteína animal de forma alguma …. quer dizer, agora, até rola uma carninha muito de vez em quando … o que minha irmã deve fazer?
PATRÍCIA: Quando acontece uma situação destas, eu aconselho que a mãe bata no feijão um pedacinho de músculo, um frango ou até ovo! A proteína é importante para o crescimento, para os músculos, para fortalecer a imunidade, cicatrização ….
MAMITA: E no caso das vegetarianas? Como é que fica?
PATRÍCIA: Vão ter que usar mais proteína vegetal tipo lentilha, amaranto, ervilha, grão de bico, soja … o ideal é procurar um profissional de nutrição que possa orientar melhor a família.
MAMITA: Então, as proteínas de origem animal não fazem falta? Podem ser substituídas tranquilamente por estas outras?
PATRÍCIA: Podem, desde que, como disse, exista uma orientação profissional. Porque tudo vai variar de acordo com a faixa etária, para evitar prejuízos no desenvolvimento da criança. Eu acho importante que as pessoas consultem, adquiram o hábito de ir uma vez por ano, pelo menos, ao nutricionista. Desta forma, vão perceber o que comem, como comem, quando comem. Vão ter a oportunidade de prender a fazer da alimentação uma fonte nutricional e não só de prazer. Comer de maneira racional.
MAMITA: Realmente, a Nutrição me “salvou” no processo de parar de fumar e é tanta informação que a gente vê e ouve por aí, que acaba se perdendo e fazendo besteira, caso não esteja com acompanhamento profissional mesmo. Como é o caso do glutén e do óleo de coco, né? Ninguém fala, mas, aquecido, o óleo de coco é péssimo para a saúde!
PATRÍCIA: Isso! Exatamente! O ideal é oléo de canola, milho ou azeite extra virgem para cozinhar. Óleo de coco só frio, para temperar a salada, por exemplo. Mas, para as crianças não recomendo. E o glutén, caso a pessoa não seja celíaca, não vejo nada que impeça o trigo de fazer parte da dieta alimentar. Ao contrário, recomendo, desde que seja integral e sem exageros.
MAMITA: E quanto ao meu caso específico? O caroço de feijão que meu “04” não come por nada? Aliás, a vida dele poderia ser resumida em leite com toddy, macarrão, doces e ponto final. Eu é que “enfrento”….
PATRÍCIA: Olha, dos sete até os nove anos de idade, normalmente a criança come muito, principalmente os meninos. Então, quem sabe, não estamos falando aí de alguém que está aproveitando a comida para chamar a atenção da família? Quatro filhos … ele é o último … não sei, só para pensar …
MAMITA: Sabe que agora, você falando assim, me lembrei de uma viagem que fizemos e durante uns dois dias comemos muito mal. Bom, quando finalmente encontrei um restaurante de comidinha caseira …. foi surpresa para a família inteira vê-lo comendo um pratão de comida e com feijão cheio de caroço!!!
PATRÍCIA: Rsrsrsrs Viu? Só parar para pensar. A verdade é quando começamos a prestar atenção, achamos “indícios” …. rsrsrsrs. E vou te dar uma outra informação: a fome é uma realidade e opera milagres, tá?!?! Tanto é, que alguns pediatras com quem trabalho são firmes quanto a ideia de substituir refeições. Quero dizer, de não substituir as refeições de jeito nenhum. Então, a orientação é que se a criança não quiser comer na hora do almoço ou do jantar, por exemplo, ok, depois de uns 40 minutinhos é indicado tentar novamente servir a mesma comida e, se ainda assim, a criança não quiser comer nada, só na próxima refeição. Nada de oferecer sanduiche, leitinho, suquinho, biscoito, fruta, enfim, nada de substituir, porque é preciso que o fator “fome” entre no circuito. Claro, que tirando situações especiais como viroses ou qualquer tipo de enfermidade que normalmente tiram mesmo o apetite, evidente. Bom senso. No mais, se observarmos, muitas vezes, somos nós mesmos, os pais, que não aguentamos, ficamos ansiosos e inseguros do filho ficar sem comer e aí começam as distorções … os “enfrentamentos”….
MAMITA: Conclusão dos fatos? O problema somos nós, os pais?
PATRÍCIA: Calma! Sem “culpas”. Rsrsrs. Não é que sejam os pais o “problema”, mas, que o habito da família e a ansiedade deles influencia sim o modo como  a criança vai se relacionar com a comida, isso eu não tenho dúvida. Para o bem e para o mal.
MAMITA: Então, a criança pode fazer uma certa chantagem emocional através do alimento?
PATRÍCIA: Pode.  As vezes, acontece da mãe voltar a trabalhar …. a criança entrar na escola ou mudar de colégio, enfim, tudo isso, ou seja, “mudanças” e “perdas” podem fazer com que ela se sinta mais carente e quando percebe que os pais “se preocupam” muito com o fato dela não comer … Bingo! Encontrou um meio de ter toda aquela atenção que queria de volta. Entendeu?
MAMITA: Isso significa que se o filho não comer, a gente não deve fazer nada!?!
PATRÍCIA: Depende. Se for sempre, tem que buscar causa e soluções. Se for apenas um dia, dois, pode ignorar. Por mais que isso custe aos pais. Volto a frisar que isso não inclui situações especiais ou de doenças, lógico. Mas, eu sugiro sentarem todos à mesa, servirem os pratos e simplesmente conversarem fazendo de conta que não ligam a mínima se a criança vai comer ou não. Porque os pequenos chantageiam muito os adultos, sabe? A gente é que tende a pensar que eles são indefesos e portanto, incapazes de determinados tipos de comportamento. Mas, sinto informar, eles são sim! E outra coisa: nada de deixar a criança beliscar o tempo todo, porque também como é que a alguém vai sentir fome na hora certa, se passa o dia petiscando?
MAMITA: E quando a gente sabe diferenciar a chantagem daquilo que nossos filhos realmente não gostam? Por que eles tem o direito de não gostarem de algum alimento, concorda? Meu caçula pode realmente “detestar” caroço de feijão!
PATRÍCIA: Pode. Mas, existem pesquisas que mostram que para uma criança afirmar que não gosta de um determinado alimento, ela deve ter experimentado este alimento, pelo menos 11 vezes, preparado de maneiras diferentes. Como assim? O chuchu deve ser oferecido cozido, com carninha, no suflê, por aí vai. Outra coisa, o tempero influencia. A criança pode adorar o feijão feito pela a avó, mas não suportar o da mãe!  Ou seja, a mesma preparação deve ser experimentada com temperos diferentes, os alimentos devem ser provados de diversas formas. Vamos pegar o morango. As vezes, o filho não gosta da fruta sozinha, mas vai achar gostoso o suco de morango, a vitamina com leite … a gelatina de morango … O problema é que na maioria dos casos, as crianças não provaram todas as possibilidades e dizem que não gostam de determinado alimento. É aí que entram os pais e a escola que devem incentivar todas as opções possíveis com um mesmo item, antes de descartá-lo completamente.
MAMITA: E, Patrícia, existe algo que uma criança não pode deixar de comer de maneira nenhuma? Quero dizer o seguinte: até que eu consiga colocar as coisas no “trilho” por aqui, o que meus filhos não podem deixar de comer mesmo? Porque vi em algum lugar que a OMS diz que arroz, feijão e banana são suficientes para nutrir o corpo …
PATRÍCIA: Bom, se a situação for: o mundo está acabando e é preciso salvar alimentos … aí sim,pega arroz, feijão, uma fruta qualquer (não precisa ser banana obrigatoriamente) e água de coco. Beleza! Vai se sustentar. Mas, isso, para o caso de situação extrema. Na “vida normal”, que é o seu caso, vale o que expliquei anteriormente.
MAMITA: Agora, tanta variedade acaba saindo muito caro, né? Comer bem tem um custo alto … ainda mais se formos falar dos orgânicos …
PATRÍCIA: Não é caro, se tivermos uma boa orientação profissional e estivermos dispostos a “mudar” padrões. Entendeu porque disse que é importante ir uma vez por ano ao nutricionista? Você vai aprender, por exemplo, que existe uma coisa chamada “Fubá”, que é um alimento super rico, à base de milho, que as pessoas costumam desprezar e é barato! O fubá, além de uma ótima fonte de nutrientes, ainda é versátil! Com ele, podemos fazer mingau, bolo, angu … Olha aí, quanta coisa! E no ramo das proteínas, podemos comprar moela, fígado, que são carnes mais baratas, mas super ricas em ácido fólico, ferro, vitamina B12.  Fora isso, sugiro a feira na hora da xepa, no dia da promoção do mercado … ou seja, é possível comer bem sim, por um bom preço, se estivermos dispostos também ao esforço individual.
MAMITA: E quanto a vitamina C comprada na farmácia? Qual sua opinião?
PATRÍCIA: O excesso de vitamina C é eliminado na urina, o que significa uma sobrecarga nos rins. Conclusão: dinheiro jogado fora. Eu recomendo que as pessoas tomem uma limonada ou laranjada, um copo por dia já é suficiente, principalmente no inverno, para aumentar a imunidade. Mas, isso é valido para pessoas “normais”, em condições “normais”. É claro que fumantes, enfermos e atletas, possuem necessidades especiais …. precisam de acompanhamento médico e nestes casos, talvez o complemento se faça necessário.
MAMITA: Eu queria falar com você um pouquinho também, sobre os lanches escolares. Sei que tem 30 anos de experiência na área, trabalha em escolas, então, o que nos aconselha?
PATRÍCIA: O ideal são os sucos naturais e os melhores, que não estragam com facilidade, são os de maracujá, goiaba, manga, melão. Cenoura baby, mandioca cozida, ovo de codorna, sanduiche de pão caseiro, bolo feito em casa, iogurte, mucilon prontinho, neston, pão de queijo, castanhas, nozes, amêndoas, damasco, fruta frescas e desidratadas, pastas de ricota, atum, gergelim … Agora, se a família não consegue de maneia nenhuma implementar estes alimentos, sugiro os sucos orgânicos, biscoito de polvilho ou caseiros de aveia, barras de cereais, frutas secas e frescas.
MAMITA: Mas, eu acho que com a correria do dia a dia, as cantinas escolares não ajudam muito nesta questão de uma alimentação saudável, concorda? Porque estas coisas poderiam estar nos colégios …
PATRÍCIA: Existe uma legislação específica para as cantinas escolares, você sabia? Até que no início funcionava, mas, agora a fiscalização é muito falha. Elas não podem vender o que vendem em sua maioria, porém o que presenciamos na prática …. E aí, realmente, vamos combinar que é difícil para uma criança resistir aos encantos das pizzas, folheados, cheeseburguers, refrigerantes …. Acho que cabe aos pais e educadores esta consciência e a responsabilidade de fiscalização.
MAMITA: Hum, quanta coisa bacana você me ensinou hoje, Patrícia! Então, se você tivesse que dar uma orientação geral?
PATRÍCIA: Além do que já citei aqui, como alimentação variada, diversificada, a criança também precisa ter rotina, horários, regras e limites para se alimentar adequadamente. Caso contrário, se cria achando que pode tudo. Infelizmente é o que esta acontecendo muito hoje por aí e depois …. lá na adolescência … a gente não controla mais nada. E é até uma “perversidade” deixarmos o barco correr solto, porque afeta a imunidade dos pequenos. Claro, a criança que  não tem limites e rotina, se alimenta mal …  Ora, é fundamental comer direito e dormir bem, para que o organismo funcione e se defenda a contento consequentemente. Entendeu a equação? Outra coisa, eu acho muito interessante a criança fazer pelo menos uma refeição junto com a família, para que ela tenha a oportunidade de observar os outros à mesa. Além do ganho do convívio familiar, evidentemente. Gosto também do hábito de levar os filhos para cozinha a partir dos três aninhos. Cozinhar junto com os pais é muito bom! Eles podem ajudar a misturar os ingredientes, com isso aprendem os nomes, reparam as cores, enfim, isso estimula. E quando eles preparam, normalmente tem mais prazer em experimentar. Salada de frutas é uma pedida excelente, porque tem muita cor, eles adoram, é um sucesso! E é muito mais eficaz do que simplesmente colocar a salada direto na mesa esperando que eles sintam a maior vontade de provar. As escolas devem incentivar isto também, através das aulas de educação nutricional, que costumam dar ótimos resultados!
MAMITA: Ótimo! Bom, mas antes de encerrar, vou passar as perguntas que meus filhos me pediram para te fazer … rsrsrs …. ficaram animados quando eu disse que ia conversar com uma nutricionista sobre a alimentação deles. Só não estão aqui, porque é semana de provas na escola. É verdade que salsicha, nuggets e sorvete de pote são tipo “monstros” alimentares?
PATRÍCIA: Sim para tudo! Sorvete de pote tem muita gordura hidrogenada! Nuggets e salsicha tem muito corante, nitrito e nitrato. Agora, negocia, uma vez por semana … também tem que ter o dia da “porcaria”, né? Faz parte ….
MAMITA: Biscoito, pode?
PATRÍCIA: Sem ser recheado sim. Os recheados tem muito sódio e gordura hidrogenada. Os outros, pode uma quantidade moderada, tipo seis bolachinhas no lanche, mas nada de substituir refeição por biscoito! Agora, este alimento também é uma ótima oportunidade para cozinhar em família, sabia? Porque dá para fazer formatinhos, eles adoram! Faz de aveia, gergelim …
MAMITA: Tem algum biscoito que seja “bonzinho”?
PATRÍCIA: Os de farinha de aveia, gergelim, biscoito de polvilho, biscoito de arroz, de algas …
MAMITA: Os da feira nem pensar????
PATRÍCIA: são uma delicia, né? Mas …. um terror para a saúde!
MAMITA: E quanto ao cafezinho? Tem seu lugar ao sol?
PATRÍCIA: Até três vezes por dia para um adulto sim, tudo bem, mas prefiro evitar oferecer para as crianças, por causa da cafeína. Um pingadinho no leite para um pequeno de cinco anos, ok, mas, para os bem pequenininhos, de um aninho, não!
MAMITA: Pode comer doce?
PATRÍCIA: Gelatina feita com suco natural e algas, doce de frutas caseiro (goiabada, bananada, pêssego em calda), tudo que não for industrializado, pode. Com moderação … tudo bem.
MAMITA: Doce de leite, vale? Porque é a “paixão” aqui em casa, principalmente o caseiro que a “tia mineira” faz …
PATRÍCIA: Vale, senão tiver colesterol alto na jogada. Agora, uma dica gostosa e saudável é comer o doce de leite com abacaxi! Picolé de fruta também é interessante, porque não tem gordura hidrogenada, apesar de ter açúcar. Fruta desidratada é outra opção de doce bastante inteligente.
MAMITA: Eles vão “morrer” se tomarem refrigerante?
PATRÍCIA: Rsrsrsrs. Tanto o mate quanto o refrigerante, eles diminuem a absorção dos nutrientes, então, se tomar nas refeições, parte dos nutrientes vão direto para urina ou fezes por causa deles. “Roubam” os nutrientes, entendeu? Fora que são muito ácidos, corroem obturação, dão muita celulite, engordam, fazem mal para os hipertensos em função do sódio ….. Até dizem que o mate diminui o colesterol, mas … a verdade é que não existe nenhuma evidencia cientifica sobre disso. Dê preferencia para água, suco natural, agua de coco … fora isso, negocia 1 copo no dia da “porcaria”, nas festinhas ….
MAMITA: Chocolate???
PATRÍCIA: Chocolate se você conseguir 1 quadradinho dia sim, dia não … Mas, tenta implementar aqueles com mais cacau, meio amargo, creme de abacate com cacau, vai tentando mudar o tipo de chocolate que você oferece, porque estes são boas fontes de nutrientes sim.
MAMITA: Pipoca?
PATRÍCIA: A de milho de verdade, feita na panela ….
MAMITA: Entendi … Moral da história: tudo que é gostoso, não pode!
PATRÍCIA: Pois é … mas, chocolate 70% cacau é gostoso e pode!!! E como disse, a negociação é sempre interessante, então, estipula um dia da besteira, porque os pais muito radicais também, que não deixam nada, acabam causando “compulsões” nos filhos. Assim como os que deixam tudo, também prejudicam. Bom senso, volto a frisar. Eu conheci uma criança que não podia nada, aí quando chegava nas festinhas dos amiguinhos, passava mal. O organismo não aguentava o exagero dele naquele dia.  Isso não pode de forma alguma! Uma coisa é o adulto, já consciente de suas escolhas, fazer determinado tipo de dieta rstritiva. Outra, bem diferente, é impor isso a uma criança pequena, que na verdade, precisa de todos os alimentos para crescer de forma saudável. Insisto: nada de radicalismos, porque a relação com a comida não pode ser baseada na nossa emoção.
MAMITA: Poxa, Patrícia, eu poderia ficar o dia inteiro aqui com você … nossa! valeu muito, me ajudou bastante, esse assunto é muito rico e a gente sente firmeza no que você diz. Obrigada mais uma vez por receber o blog Crônicas de Mamita, tirar as minha dúvidas que podem ser a de tantas famílias também, tudo de bom … Até uma próxima oportunidade!

Serviço do Blog:
Patrícia Brigagão Mendes é nutricionista clínica, com 30 anos de experiência em nutrição infantil, atuante em escolas do Rio de Janeiro e consultório particular. Mais informações através do e-mail patbrigagao@gmail.com  ou do blog: http://www.nuttrisaude.com.br
Fonte: Blog das Crônicas da mamita

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