Será que o IMC é o único critério para indicação da Cirurgia Bariátrica? O tema foi debatido em um dos simpósios no XVI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, promovido pela ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), no Rio de Janeiro. Os especialistas discutiram sobre quais poderiam ser os novos critérios para a recomendação da cirurgia bariátrica.
Para os especialistas o IMC, critério adotado atualmente, não é considerado ideal. Segundo o cirurgião Almino Ramos (SP), que participou da mesa debatedora, a recomendação “não pode ser abandonada e sim aprimorada”.
Foram apresentados alguns pontos discutidos em dois fóruns, realizados recentemente, onde estiveram reunidas a SBEM, Sociedade Brasileira de Diabetes, ABESO, Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.
Um critério ideal, de acordo com o Dr. Almino, incluiria: Simplicidade – acessível e fácil de compreender (sem equipamentos caros); Reprodutível – medidas precisas e padronizadas passíveis de reproduzir seus resultados; Amplo – deve ser validade baseado na idade, sexo e etnia; Estabelecer prioridade e elegibilidade.
Os novos indicadores básicos do Escore de Risco Metabólico, que está sendo estudado e discutido, é composto pelos seguintes tópicos:
- Pacientes com diagnóstico/histórico de diabetes mellitus do tipo 2 por pelo menos cinco anos;
- Idade mínima de 30 anos;
- Hemoglobina glicada acima de 8%, mesmo em tratamento regular orientado por endocrinologista;
- Indicação cirúrgica pelo endocrinologista que acompanha o paciente;
- IMC acima de 30 kg/m2
Segundo o Dr. Luiz Turatti, vice-presidente da SBD, que estava no Simpósio, é um caminho a ser discutido e ainda falta muito para uma decisão final. “É uma tentativa de mudança. Sabemos que o critério ‘antigo’ do IMC, que ainda norteia as indicações cirúrgicas, é falho por uma série de aspectos. Existe uma necessidade de aprimoramento de muitas ferramentas que podem agregar conhecimento, até chegarmos a uma conclusão melhor. Mas, sem dúvida, esse escore precisa ser revisto de tempos em tempos, para que outras comorbidades graves possam ser contempladas”, explicou o endocrinologista.
O Dr. Turatti acredita ser fundamental a manutenção do debate. “Já foram realizados dois fóruns, mas isso precisa ser permanente. Daqui a dois anos, novas ideias virão”.
O documento entregue ao Conselho Federal de Medicina pode ser revisto, com solicitação de alterações e revisões. “Vamos sentar e discutir sobre o que precisa ser ajustado”.
Fonte: SBD