sexta-feira, 24 de outubro de 2014

7 mitos e 5 verdades sobre o diabetes

No Brasil, cerca de sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença. Um estudo recente da Sociedade Brasileira de Diabetes, aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença. Disfunção metabólica crônica decorrente de uma deficiência de insulina - hormônio produzido pelo pâncreas - que pode ser causada por fatores genéticos ou em decorrência de maus hábitos de vida como sedentarismo e uma dieta desequilibrada, recheada, principalmente de açúcar. 

O problema pode trazer perda ou aumento de peso, é fator de risco para problemas cardiovasculares e, nos casos mais graves, provocar falência de órgãos (rins, olhos) e até a morte. Apesar dos perigos, é completamente controlável.

"É uma doença crônica e deve ser tratada como tal, mas com informação e mudança de hábitos, dá para ser controlada e ter qualidade de vida", explica a nutricionista Patrícia Ramos, coordenadora do Hospital Bandeirantes. Pensando nisso, o MinhaVida conversou com especialistas para descobrir os mitos e verdades do diabetes para facilitar a vida de quem convive com a doença.  
O diabetes é uma doença crônica, mas com informação e mudança de hábitos, dá para ter qualidade de vida
1.Diabetes é contagioso

Mito: o diabetes não passa de pessoa para pessoa. É preciso acabar com essa discriminação de que o diabético não pode ter emprego, amigos e vida social. O que acontece é que, em especial no tipo 1, há uma propensão genética para se ter a doença e não uma transmissão comum. "Temos exemplos de mães diabéticas que tem filhos totalmente saudáveis", explica a nutricionista. 

2.Canela ajuda a controlar o diabetes
Mito: não tem nenhum estudo científico que comprove isso. Existem alguns estudos em relação à canela, porém são estudos preliminares, que merecem mais esclarecimentos para provar esse efeito satisfatório. "É melhor não seguir nada que não seja comprovado, afinal, trata-se de um problema crônico e qualquer descuido pode piorar a situação", diz a nutri.  
Diabetes: 5 cuidados especiais
3.Diabético pode consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana sem problemas

Mito: apesar de naturais, estes alimentos tem açúcar do tipo sacarose, maior vilã dos diabéticos. "Hoje, os padrões internacionais já liberam que 10% dos carboidratos ingeridos podem ser sacarose, mas sem o controle e a compensação, os níveis de glicose podem subir e desencadear uma crise", explica Patrícia. "O diabético até pode consumir, mas ele deve ter noção de que não pode abusar e compensar com equilíbrio na dieta", continua. 

4.Alguns alimentos ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue auxiliando o tratamento do diabetes 

Verdade:
 Sim. Isso por conta do Índice Glicêmico (IG) dos alimentos. Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose pelo sangue e, portanto estabiliza a doença. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. "Alimentos integrais, iogurtes sem açúcar, maçã, pera, feijão, lentilha e manga, podem ser considerados indutores deste controle, por isso ajudam a amenizar os sintomas da doença, já os de alto índice, como batata e demais carboidratos, aumentam o problema", continua 
Diabetes
Diabetes
5.A aplicação de insulina causa dependência química

Mito:
 a aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica. O hormônio é importante para permitir a entrada de glicose na célula, tornando-se fonte de energia. "No caso dos pacientes com diabetes tipo 1, não tem jeito eles são insulino-dependentes, e não porque ela cause esta dependência, mas pelo fato de sua deficiência ser crônica desde o nascimento", explica Patrícia.

"Não se trata de dependência química e sim de necessidade vital. Você precisa da insulina para sobreviver, mas não é um viciado na substância", explica o endocrinologista e presidente da Associação Nacional de Apoio ao Diabético (Anad), Fadlo Farige.  
6.Deve-se substituir o açúcar dos alimentos por adoçante

Verdade
: os adoçantes foram feitos exatamente para os diabéticos ou para quem está de dieta, porém, para pessoas que não têm nenhuma disfunção, existe um limite para seu uso. "O valor diário recomendado de aspartame, por exemplo, é 40 mg por kg, já no ciclamato, este número é bem menor, 11 mg", explica a nutricionista.  

7.Dá para evitar a insulina se você não ingere carboidratos

Diabetes
Diabetes

Mito:
 neste caso, depende. O carboidrato eleva a glicemia com mais rapidez, por isso sua ingestão deve ser controlada. "No diabetes Tipo 1, é necessária a aplicação de insulina diariamente, já que o pâncreas não produz este hormônio. Portanto, mesmo que não coma carboidratos, precisará aplicar insulina. No caso do diabetes Tipo2, a ingestão da insulina vai depender do nível de glicemia. Se estiver controlado, pode-se parar o uso, porém, só um médico poderá fazer esta avaliação", explica Patrícia.  



8.Não é permitido ingerir bebidas alcoólicas 

Verdade:
 "o consumo é permitido, mas com alguns cuidados: de forma moderada e sempre junto a uma refeição, pois o consumo isolado pode levar a hipoglicemia (baixa nas taxas de glicose sanguínea) ou dificultar a recuperação de uma crise hipoglicêmica, já que o uso de insulina e de outros medicamentos para controlar o diabetes é feito para baixar a glicemia, e o álcool tende a diminuir ainda mais estas taxas, o que pode levar a um quadro crônico", explica a nutricionista. 

Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas. Para Fadlo Fraige, apenas as bebidas destiladas são permitidas (e com muita moderação), pois, segundo ele, não são feitas à base de carboidratos e o álcool tem baixo índice glicêmico. Já sobre as fermentadas, à base de glicose, o endocrinologista recomenda: "Cuidado com cervejas e bebidas doces ou à base de carboidratos. Elas têm alto índice glicêmico e podem trazer problemas. Ao contrário do que se imagina, as bebidas sem álcool são piores, pois, têm o carboidrato e não têm o álcool que ajuda a baixar a glicemia", explica o presidente da Anad.  
Bebida alcóolica -diabetes
Bebida alcóolica -diabetes
9.Bebida alcoólica pode porque o remédio para diabetes tem álcool e não faz mal 

Mito:
 A taxa de álcool presente nos remédios são mínimas e, por isso, não dá para fazer esta comparação. "Bebidas alcoólicas são permitidas com restrições", diz a nutricionista.

10.Quem tem diabetes deve fazer somente exercícios leves 

Verdade:
 diabéticos devem ser estimulados a fazer atividades físicas, respeitando contra-indicações, se houver. "De uma forma geral, os exercícios melhoram os níveis glicêmicos, porém, quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino, pode haver um quadro de hipoglicemia, por isso, deve-se fazer um monitoramento", diz a nutricionista.  
11.Estresse ajuda a descontrolar o diabetes 
Verdade:
 quando uma pessoa fica nervosa, a sua taxa de glicose sanguínea sobe. "Mas isso não acontece só com diabéticos", diz Patrícia.

12.Diabéticos podem usar sauna e fazer escalda pés 
Mito:
 Por ser uma disfunção metabólica o diabetes altera a circulação e compromete os vasos sanguíneos, dificultando o processo de cicatrização e pode causar problemas em diversas outras funções como problemas renais e o comprometimento da visão. "Em função desta alteração circulatória, os riscos de exposição à altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos", finaliza a Patrícia. 
Fonte:MInha Vida

Tipos de insulina variam conforme tempo de ação e possuem indicações diferentes

Antes de falarmos dos tipos de insulina para o portador de diabetes, é preciso entender um pouco como a insulina funciona no nosso organismo. Ela é um hormônio produzido pelo pâncreas e sua principal função é colocar o açúcar que ingerimos, ou seja, a glicose, dentro das células. A glicose, uma vez dentro das células, será usada como combustível, gerando energia.
A insulina é liberada em maior quantidade quando nos alimentamos, mas também é liberada em quantidades pequenas entre as refeições. Isto serve para controlar os níveis de açúcar no sangue nos períodos de jejum e também nos períodos após comermos. Quando o paciente com diabetes precisa usar insulina, é porque seu pâncreas não tem mais capacidade de fabricar a quantidade que o corpo necessita dessa substância para controlar os níveis de açúcar.
 
No Brasil existem vários tipos de insulina, que são divididas conforme o seu tempo de ação: rápida, ultrarrápida, lenta (longa) e intermediária. Ou seja, se uma insulina funciona imediatamente após ser aplicada ela será ultrarrápida, se ela demora mais tempo para fazer seu efeito é chamada de insulina longa.

Tipos de insulina

A melhor insulina será aquela que irá controlar a glicose da forma mais parecida com o seu pâncreas
A insulina regular é uma insulina rápida e tem coloração transparente. Após ser aplicada, seu início de ação acontece entre meia e uma hora, e seu efeito máximo se dá entre duas a três horas após a aplicação.
A Insulina NPH é uma insulina intermediária e tem coloração leitosa. A sigla NPH que dizer Neutral Protamine Hagedorn, sendo Hagedorn o sobrenome de um dos seus criadores e Protamina o nome da substância que é adicionada à insulina para retardar seu tempo de ação. Após ser aplicada, seu início de ação acontece entre duas e quatro horas, seu efeito máximo se dá entre quatro a 10 horas e a sua duração é de 10 a 18 horas.
Há alguns anos vem sendo desenvolvido pelas indústrias farmacêuticas um tipo especial de insulina, chamado análogo de insulina. Estes análogos são moléculas modificadas da insulina que o nosso corpo naturalmente produz, e podem ter ação ultrarrápida ou ação lenta. Existem alguns tipos de análogos ultrarrápidos disponíveis no mercado brasileiro, são eles: Asparte, Lispro e Glulisina. Após serem aplicados, seu início de ação acontece de cinco a 15 minutos e seu efeito máximo se dá entre meia e duas horas.
Entre os análogos de insulina, são encontrados também dois tipos de ação longa: Glargina e Detemir. A insulina análoga Glargina tem um início de ação entre duas a quatro horas após ser aplicada, não apresenta pico de ação máxima e funciona por 20 a 24 horas. Já o análogo Detemir tem um início de ação entre uma a três horas, pico de ação entre seis a oito horas e duração de 18 a 22 horas.
Existe ainda um tipo de insulina chamado de pré-mistura, que consiste de preparados especiais que combinam diferentes tipos de insulina em várias proporções. Podem ser 90:10, ou seja 90% de insulina lenta ou intermediária e 10% de insulina rápida ou ultrarrápida. Eles também pode ter outras proporções, como 50:50 e 70:30.
Pelo fato de funcionarem em tempos diferentes, as insulinas podem ser combinadas para imitar o pâncreas normal. Quando aplicamos a insulina lenta ou intermediária, estamos buscando controlar o açúcar entre as refeições, e quando usamos insulina rápida ou ultrarrápida, o objetivo é controlar a glicose ingerida das refeições.
No entanto, essa é uma regra geral, e cada paciente receberá uma prescrição do seu médico conforme o caso e a hora mais necessária para controlar os níveis de glicose. A melhor insulina será aquela que irá controlar a glicose da forma mais parecida com o seu pâncreas, evitando assim que os níveis de açúcar permaneçam altos.

Insulina com 40 horas de duração promete menos injeções aos pacientes com diabetes

Para os diabéticos que aplicam insulina, esta pode ser a melhor notícia dos últimos anos: o lançamento da insulina de ultra longa duração, chamada de Degludec. Esse é o nome que foi dado para a nova insulina administrada por injecção subcutânea, que pode ser encontrada à venda por seus nomes comerciais.
Aprovada pela Comissão Europeia de Medicamentos, essa insulina promete revolucionar o tratamento do diabetes. Isso porque sua ação é de cerca de 42 horas e apresenta um perfil de estabilidade no controle da glicose. O resultado é que o paciente poderá aplicá-la uma vez a cada dois dias em média, além de permitir flexibilidade nos horários das aplicações. Para efeitos de comparação: a insulina NPH, que é a mais prescrita hoje no Brasil, muitas vezes requer até três aplicações diárias, sendo que em algumas pessoas é importante que a dose seja monitorada de perto para evitar hipoglicemias.
Outra vantagem da insulina Degludec é o controle da hemoglobina glicada de forma similar ao da insulina Glargina (que é uma insulina de ação longa - aplicada uma vez ao dia) tanto em pacientes com diabetes tipo 1 quanto naqueles com diabetes tipo 2. Outra vantagem é que ela apresenta risco reduzido de episódios de hipoglicemia.
Continuando com as novidades, além de ser comercializada isoladamente, a insulina Degludec também estará disponível de forma combinada com a insulina Aspart. Essa última é uma insulina ultra-rápida, o que permite a aplicação das doses também antes das refeições.

Degludec pode facilitar o controle da doença e melhorar aderência ao tratamento

A insulina Degludec estará disponível em canetas para aplicação. Seu prazo de validade é de 30 meses após a data de fabricação e, assim como as outras insulinas, deverá ser conservada na geladeira entre 2°C e 8°C graus quando o frasco está fechado. Após aberta, poderá ser conservada por até oito semanas, sem necessidade de refrigeração se a temperatura ambiente não ultrapassar 30°C.
Um dos maiores problemas enfrentados no tratamento do diabetes é a não aderência ao tratamento, porque as aplicações de insulina são, para a maioria das pessoas, muito desconfortáveis. A possibilidade de reduzir o número de aplicações na semana e garantir um controle mais estável da doença é um sonho que está se tornando realidade.
Fonte: Minha Vida