domingo, 31 de agosto de 2014

Cálculo renal: pedras acima de 6 mm necessitam de cirurgia

Litíase urinária é a presença de cálculos em qualquer região do trato urinário que compreende: rins, ureteres, bexiga e uretra. Estes cálculos, que comumente são chamados de pedras, podem ter diversas origens, e de acordo com sua localização podem causar sintomas leves, graves ou não apresentar qualquer sintoma. A sua incidência encontra-se entre 2 a 3% da população, com chance de recidiva de 80%. Cálculos assintomáticos podem se tornar sintomáticos em 50% das pessoas. 
 A urina é composta por várias substâncias, sendo algumas delas sólidas que se encontram diluídas de maneira equilibrada, e outras que ajudam a tornar o material sólido mais solúvel. O desequilíbrio entre a concentração destas substâncias com o aumento de algumas ou diminuição de outras pode levar a precipitação de cristais insolúveis com formação de cálculos. Os principais componentes da urina que podem formar cálculos são o cálcio, o oxalato, o ácido úrico, fósforo, magnésio e cistina. O citrato que também é um componente da urina por sua vez tem a função de evitar a formação dos cálculos.
 O fator de risco mais comum, encontrado em mais de 80% dos pacientes, é o antecedente familiar de cálculo renal. Nesses casos, em 90% das vezes os cálculos são formados por cálcio. Outros fatores importantes na formação do cálculo urinário são a baixa ingestão de líquidos e o uso abusivo de sal de cozinha. A DIETA com alimentos que contenham oxalato pode predispor a formação de cálculos. Problemas no metabolismo de algumas substâncias como a cistina e o ácido úrico podem levar ao aumento na eliminação destes produtos na urina e consequente formação de cálculos destas substâncias.
Cálculo renal - Foto: Getty ImagesCálculo pode sair dos rins e chegar aosistema urinário
 Quando estão no rim geralmente não causam sintomas, as cólicas renais acontecem quando os cálculos estão sendo eliminados e acabam obstruindo os ureteres, que são os canais que levam a urina dos rins até a bexiga.

Como é o tratamento?

Os cálculos formados nos rins, em sua maioria, acabam sendo expelidos pelo trato urinário. Cálculos menores que 5 mm têm mais de 70% de chance de serem eliminados sem necessidade de procedimentos ou tratamentos. Desta maneira, cálculos renais menores que 5 mm não necessitam tratamento específico.
Para cálculos renais entre 6 mm e 15 mm, o tratamento de escolha é a nefrolitotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO), que consiste na aplicação de ondas de choque emitidas por equipamento específico que concentra as ondas de choque sobre a pedra. A localização pode ser feita com auxílio do raio-x ou ultrassom. Este procedimento tem uma eficácia de cerca de 70% e o sucesso depende da consistência e localização do cálculo. (link para vídeo http://youtu.be/F5FTre9qOiY)
Pessoas que eliminam os cálculos ou que fazem tratamentos podem apresentar recidiva se mantiverem os mesmos fatores de risco
Cálculos renais maiores que 15 mm necessitam de cirurgia para sua resolução. A melhor cirurgia para cálculos renais é feita por meio de uma pequena incisão de 1 cm na região lombar, com introdução pequenos tubos até o INTERIOR do rim, onde estão os cálculos. Um equipamento com câmera na extremidade é introduzido e os cálculos, sob visão direta, com auxílio de equipamento ultrassônico, são fragmentados e aspirados. A cirurgia descrita chama-se nefrolitotripsia percutânea. A palavra nefrolitotripsia vem do grego nefro=rim, lito=pedra etrispsia=quebrar.
Alguns cálculos podem crescer muito e atingir dimensões maiores que 5 ou 6 cm ocupando todo oINTERIOR do rim, estando associado a infecção crônica. Estes cálculos são silenciosos, causando poucos sintomas, porém levando a perda da função renal a longo prazo. Muitas vezes o tratamento destes cálculos necessitam de inúmeras cirurgias (nefrolitotripsia percutânea) ou mesmo cirurgias convencionais com abertura do rim.
Outra cirurgia que surgiu recentemente para tratamento de cálculos renais é feita através da via urinária, sem nenhuma incisão. O equipamento fino e flexível e introduzido através da uretra, passando pela bexiga, ureter e chegando até o rim, onde os cálculos são fragmentados com auxílio do laser (ureterorrenolitotripsia flexível).
Já os cálculos que já saíram do rim e estão no ureter a caminho de serem eliminados podem´causar dor, pararem no meio do caminho e não serem eliminados. Esses cálculos precisam muitas vezes de tratamento cirúrgico e são perigosos, podendo levar a diminuição da função do rim de forma temporária ou mesmo de forma definitiva se não for tratado. A cirurgia é chamada ureterolitotrispia, e é feita também por meio da via urinária com equipamento que tem uma câmera na extremidade. O cálculo é quebrado com o auxílio do laser, sendo que os fragmentos são retirados com auxílio de uma pequena cesta (veja o vídeo http://youtu.be/dhLuFU0QHhM).

Cirurgia não é definitiva

As pessoas que eliminam os cálculos ou que fazem tratamentos para sua eliminação podem apresentar recidiva e formação de novos cálculos se mantiverem os mesmos fatores de risco. Desta maneira, é muito importante que os pacientes que têm o diagnóstico de cálculo renal mudem alguns hábitos de vida pra evitar a formação de novos cálculos. As mudanças são simples, como aumentar a ingestão de líquidos, evitar excesso de sal de cozinha e de alguns alimentos. Se apesar dessas medidas o paciente apresentar a formação de novos cálculos é necessária a investigação metabólica da origem do cálculo e por vezes o uso de medicamentos para evitá-los.
Salientamos que as indicações de tratamento expostas acima devem ser individualizadas levando em conta diversos fatores e as características de cada paciente, podendo muitas vezes ser diferentes do descrito acima. É importante que o tratamento dos cálculos seja acompanhado por profissional habilitado para tal como urologista ou nefrologista.

Referências

Campbell-Walsh Urology, 10th Edition ( Minha Vida)

Efeito platô ocorre após oferta calórica muito baixa

Perder peso virou tratamento de urgência. Bom seria se existisse uma UTI - Unidade de Terapia Intensa -para atender tantas pessoas que buscam o EMAGRECIMENTO rapidamente. Melhor ainda se esse procedimento pudesse ser seguro e adequado para atender a demanda de saúde. Ainda mais, o ideal seria que o EMAGRECIMENTO fosse um tratamento apenas de quem realmente precisa, seguindo orientações embasadas cientificamente, sem modismos e promessas de rápidos resultados.  

Inicialmente todos os tratamentos emagrecedores seguem o mesmo princípio básico do desequilíbrio calórico. Come-se menos do que gasta ou gasta-se mais do que se come. Um conceito simplista para se adequar à máquina tão complexa que é o corpo humano. Há tantos mecanismos intrincados na gênese da obesidade, que vão desde hormônios que sinalizam fome e saciedade, sistemas cerebrais que envolvem aprendizado alimentar e resposta de prazer à ação do próprio tecido gorduroso. A dieta equilibrada vai além da proposta de déficit calórico, busca ofertar os nutrientes de forma segura para interagir com esses mecanismos ou influenciá-los de forma positiva, gerando o emagrecimento contínuo e a manutenção do peso perdido. 
As dietas com propostas emagrecedoras não acadêmicas atendem a demanda da sociedade atual. Geralmente são hipocalóricas, independente das propostas, como sem glúten, sem lactose, sem carboidratos, líquidas, entre outras, levam ao EMAGRECIMENTO rápido e veloz. Tão interessante e motivador. Os níveis de autoestima vão ao pico e a felicidade parece que nunca vai acabar. Mas essas dietas não consideram os mecanismos complexos associados ao ganho de peso, e de repente, ele não ocorre mais. Tudo igual, mesma dieta, mesma disciplina, mesmo controle, e nem um quilinho a menos. Vários argumentos tentam explicar esse fenômeno: "o metabolismo deve ter mudado", "é a idade" ou o mais óbvio "essa dieta não funciona mais". Ocorre o que chamamos popularmente de "efeito platô".  

Além disso, sempre que se promove um rápido
 EMAGRECIMENTO, a composição do peso perdido é, em sua maioria, massa muscular e água. O músculo é o maior responsável pelo trabalho metabólico e queima calórica do corpo humano e quando há diminuição de massa magra naturalmente a queima calórica de um corpo cai, reduzindo assim sua necessidade alimentar. Se o organismo já esta recebendo pouco, não há como reduzir ainda mais o consumo, logo não há mais possibilidade de emagrecer. Além disso, o emagrecimento à custa de músculo causa flacidez, tudo que todos, principalmente as mulheres, abominam.  O efeito platô pode ser explicado pelas alterações naturais do corpo em detrimento à baixa oferta calórica. Quando a oferta alimentar é muito aquém das necessidades do corpo humano, ele se arma de mecanismos que protegem seus estoques, evitando a queima calórica e reduzindo seu trabalho metabólico. É como se corpo estivesse se protegendo da desnutrição. A resposta imediata é o fim do EMAGRECIMENTO e o pior, o próximo passo é o reganho de peso, praticamente inevitável. Ainda que nesse momento as pessoas busquem seguir uma dieta equilibrada, será quase impossível impedir o ganho de peso.  
Apesar dos riscos, as dietas da moda continuam a encantar muitas pessoas graças às promessas milagrosas de PERDA DE PESO, criando uma legião de pessoas insatisfeitas, com várias histórias de efeito sanfona e incapacidade de continuar a perder peso. Após tantas tentativas de emagrecer seguindo orientações equivocadas, a resposta do corpo, mesmo com atividade física e dieta balanceada, é menor e a orientação mais eficiente nesses casos é a paciência.  
PERDER PESO é um tratamento de saúde. Não atende a nenhuma urgência e não deve ser encarado como puramente estético. Os riscos são conhecidos e não devem ser subestimados. Afinal, conhecer o efeito platô só é bom na teoria!  
Fonte: MSN