quarta-feira, 25 de junho de 2014

Qsymia, novo remédio para emagrecer

Ele ainda não chegou ao Brasil, mas promete agradar os profissionais que lidam diariamente com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Combinação de duas drogas, a fentarmina e o topiramato, o Qsymia foi aprovado este ano pela Food and Drug Administration (FDA), órgão americano regulador de remédios e alimentos.
Qsymia foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA)
A eficácia do Qsymia foi comprovada após um estudo feito com cerca de 3.700 pessoas diagnosticadas comobesidade. Os participantes foram divididos em dois grupos, um que recebeu a dose mais alta da medicação e outro que recebeu placebo. Após 12 meses de acompanhamento, os que haviam ingeridoQsymia apresentaram perda de peso entre 6,7 e 8,9% maior do que os que tomaram placebo. A expectativa é grande. Saiba o que os especialistas dizem sobre este novo medicamento.

1. Como a fentermina e o topiramato agem isoladamente?

Segundo a endocrinologista Rosana Radominski, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a fentarmina é um anorexígeno, ou seja, induz à anorexia por levar a falta de apetite. "Seus principais efeitos colaterais são irritabilidade, boca seca, insônia e taquicardia", afirma. Seu uso foi proibido no ano passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob o argumento de que trazia mais riscos à saúde do que benefícios.
O topiramato, por sua vez, tem mais efeitos. "Ele age diretamente na compulsão alimentar, reduzindo a vontade de comer doces, especialmente", afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Isoladamente, o medicamento é amplamente utilizado no combate a enxaqueca e convulsões, mas pode causar perda de memória, dificuldade de raciocínio e formigamento, principalmente nas mãos e pés. Seu uso é contraindicado durante a gravidez por favorecer malformações fetais.

2. Quais as vantagens da combinação das duas drogas?

O medicamento é indicado para pessoas com sobrepeso associado a doenças crônicas
"A combinação de ambos os medicamentos deu origem ao Qsymia, um dos remédios emagrecedores mais promissores atualmente", explica a endocrinologista Maria Edna. 
Ele se mostrou mais eficiente, por exemplo, que outro medicamento emagrecedor aprovado pelo FDA na mesma semana: o Belviq. Para provar a eficácia deste, foram realizados três estudos com quase oito mil pessoas com obesidade ou sobrepeso. A perda de peso dos voluntários em comparação com o placebo foi entre 3 e 3,7% maior. O número é bastante significativo, mas bem abaixo da porcentagem alcançada com o uso do Qsymia, que foi entre 6,7 e 8,9%.

3. Para quem o Qsymia é indicado?

O Qsymia é indicado para pessoas com IMC (Descubra seu peso ideal) (índice de massa corpórea) acima de 30 ou pessoas com sobrepeso associado a doenças crônicas, como o diabetes, o colesterol alto e a hipertensão. "O medicamento não deve ser usado por grávidas em qualquer momento da gestação por aumentar o risco de problemas congênitos, como lábio leporino", afirma a endocrinologista Rosana.

4. Como ele age no organismo do paciente?

"Assim como a maioria dos medicamentos contra a obesidade, o Qsymia não age diretamente na doença, mas na inibição do apetite", explica a endocrinologista Rosana. Assim, a droga atua no sistema nervoso central do paciente, diminuindo a fome.

5. O Qsymia tem efeitos colaterais?

De acordo com a endocrinologista Maria Edna, os efeitos colaterais das drogas fentermina e topiramato podem aparecer durante o tratamento com o Qsymia. Mas qualquer sintoma adverso deve ser informado ao médico que cuida do caso.

6. Quais os resultados esperados?

Para a endocrinologista Maria Edna, o objetivo principal do medicamento é a perda de peso e, consequentemente, a diminuição do risco de doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão. "A expectativa é de que o paciente perca entre 2 e 4 kg por mês com o uso do remédio associado a melhorias na dieta e a prática regular de exercícios", afirma.
Para alcançar esses resultados, o paciente é inicialmente submetido a menor dose da medicação e, se necessário, ela é aumentada. "Vale lembrar que o Qsymia não funcionará para todas as pessoas com obesidade, assim como ocorre com outras medicações".

7. Quanto tempo dura o tratamento?

Assim como a obesidade é uma doença crônica, o tratamento também é crônico e, portanto, por tempo indeterminado.

8. O peso se mantém, caso o paciente interrompa o tratamento?

"Como ele é um medicamento que age sobre o apetite, ao parar de tomá-lo o paciente voltará a sentir fome e poderá recuperar todos os quilos perdidos", diz a endocrinologista Rosana. Por isso, é fundamental que, além de tomar a medicação, o paciente equilibre seu cardápio e comece a praticar exercícios com regularidade.
Fonte? Minha Vida

Victoza- medicamento para emagrecimento? Tire suas dúvidas!

A luta contra a balança é cheia de idas e vindas, como bem sabe quem já se aventurou a perder uns quilos. Deslizes pequenos com o horário das refeições ou com as escolhas que vão ao prato bastam para que o efeito sanfona comece a espremer a autoestima. Mas, de uns tempos para cá, a instabilidade foi além do humor das pessoas que brigam por uma silhueta mais enxuta e passou a respingar na indústria de remédios para emagrecer. 
 Polêmicos e encarados como solução preguiçosa no caso de quem precisa eliminar poucos quilos, os medicamentos ainda aparecem como alternativa na lista de muita gente que procura ajuda para entrar em forma. E um deles tem chamado a atenção desde que teve seu lançamento aprovado no Brasil: batizada de Victoza e inicialmente voltada ao tratamento de diabetes tipo 2, a droga tem sido receita com sucesso no controle do sobrepeso. O segredo da fórmula estaria na regulação das taxas de glicose presentes no sangue, tornando a digestão mais lenta e, dessa maneira, prolongando a saciedade.  

Mas o que diz a bula?

victoza
Os médicos que receitam o Victoza para o tratamento da obesidade estão assumindo riscos desconhecidos até pelo fabricante. Isso porque ainda não existem estudos mostrando a ação da droga em pacientes que não sofrem com taxas elevadas de glicose no sangue, como acontece com pacientes de diabetes.
 Outra questão em xeque é a dosagem: a ingestão de liraglutide (princípio ativo do medicamento) indicada para o emagrecimento é quase o dobro da sugerida para o controle do diabetes. "Ninguém analisou os riscos do medicamento nesta dosagem e, menos ainda, em obesos não diabéticos", afirma a endocrinologista Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO). 
 Estudos clínicos realizados pela Anvisa, no entanto, mostram que hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia são efeitos colaterais previstos - mais raros, pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireóide, incluindo a formação de papa no pescoço causada pelo aumento da glândula, também podem acontecer. "E, no caso do Victoza, sabemos que quanto maior a dose de remédio consumida, maiores a intensidade e a combinação de efeitos colaterais possíveis". Não são conhecidas as conseqüências do uso de longo prazo.

A ação do Victoza em nosso organismo

balança
O liraglutide, substância presente no Victoza, age no organismo da mesma forma que um hormônio chamado glucagon-like peptídeo (GLP-1), naturalmente produzido pelo corpo de pessoas saudáveis. "Essa substância estimula as células beta do pâncreas a produzirem insulina e balancear o índice glicêmico. Nas pessoas com diabetes, a produção de insulina é deficiente", explica o endocrinologista Gregório Lima de Souza, do Centro de Pesquisa em Diabetes da Unesp.
 Seguindo a lógica, quanto mais elevado for o volume de glicose circulando no sangue, maior o estímulo à produção de insulina, controlando o diabetes. O Victoza também age nos sentido inverso, ou seja, diminuindo os índices de glicose no sangue - em vez de aumentar a produção de insulina. Esta última função é a exata correspondente do liraglutide no organismo e, até agora, a única finalidade do medicamento com eficácia comprovada em pesquisas feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
  As recomendações do Victoza para o emagrecimento começaram a acontecer quando os médicos notaram que fórmula, além de atuar no controle do diabetes, age no sistema nervoso central, estimulando o neurônio responsável pela nossa sensação de saciedade. "O Victoza ainda interfere no funcionamento do trato digestivo, reduzindo o esvaziamento gástrico", afirma a endocrinologista Rosana Radominski, da Abeso. "Com isso, pessoas com diabetes que tomam o medicamento sentem menos fome e acabam perdendo peso. O estômago permanece cheio por mais tempo", explica. 
Como o Victoza prolonga a saciedade, ele pode ajudar na reeducação alimentar, mas é necessário rever os hábitos alimentares também.
Outra diferença entre o hormônio produzido pelo organismo e o seu primo artificial está na duração do efeito: enquanto o Victoza tem ação prolongada por até 24 horas, o GLP-1 (liraglutide) age durante três minutos. Daí a sensação de saciedade que os pacientes usados como cobaia do remédio estão comemorando, apesar dos efeitos colaterais relatados - náuseas, vômitos, diarreia e cefaleia. Os efeitos a longo prazo ainda não foram identificados em pesquisa, tampouco foram analisados os riscos relacionados ao uso do medicamento por pessoas que não sofrem de diabetes. 
 As descobertas obtidas na prática clínica, no entanto, andam instigando os especialistas. A Abeso explica que está sendo desenvolvido um estudo, previsto para ser finalizado em um ano, capaz de provar se o medicamento realmente pode ser usado contra obesidade sem riscos de efeitos colaterais graves. Uma avaliação preliminar, feita com cerca de 6.500 pessoas de diferentes países, mostrou que a prescrição do medicamento, aliada à reeducação alimentar, provoca a perda média de 7kg em cinco meses.
  A terceira fase do estudo, em andamento no Brasil e em mais 26 países, tem participantes obesos com pressão alta, dislipidemia (excesso de gordura no sangue) e pré-diabetes. Dos resultados observados, vão sair as orientações para a prescrição segura e eventual autorização para venda em casos de obesidade sem complicações associadas. A seguir os especialistas tiram as principais dúvidas que surgem nos consultórios quando o assunto é Victoza.

1. Quem toma sente fraqueza?

victoza
É possível que isso aconteça, porque o medicamento reduz a ingestão alimentar. "A dieta com menos carboidratos reduz o consumo de glicose, fonte energética muito importante para a função muscular e cerebral", explica Rosana. O uso deste medicamento em pessoas com diabetes e que já consumam outras drogas ainda pode acarretar hipoglicemia, pois o Victoza melhora a função pancreática. ?Os sintomas de hipoglicemia incluem sudorese, palpitação, redução da consciência e fraqueza?, diz a especialista. Nestes casos, há a necessidade da redução da dosagem dos outros medicamentos. 

2. Qual a diferença entre ele e a sibutramina?

Sibutramina é um medicamento utilizado para o emagrecimento e age inibindo a reabsorção de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e dopamina. Estas ações promovem o aumento da saciedade e reduzem o gasto energético que acompanha a perda de peso. A sibutramina é uma alternativa dos médicos para pacientes obesos que não conseguirão atingir a meta de perda de peso somente com dieta e exercícios. O Victoza, por enquanto, é indicado apenas para portadores de diabetes tipo 2, com o objetivo de proporcionar o aumento da saciedade e ajudar no metabolismo da glicose.

4. Ele reverte (cura) casos de pré-diabetes?

Essa finalidade ainda não foi comprovada em pesquisas. "Os estudos estão em andamento. Vão durar ainda 3 anos para termos esta resposta", diz Rosana.

5. Tem algum efeito relacionado à menopausa?

Não existe nenhuma descrição de efeito ou contraindicação relacionada à menopausa. Porém, o medicamento não deve ser usado por gestantes porque pode trazer riscos so desenvolvimento do bebê. 

6. Quem faz reposição hormonal pode tomar?

Sim, não existe nenhuma contraindicação para esses casos.                                                                   

7. Ele pode substituir a cirurgia de redução?

victoza
"A cirurgia traz mudanças que vão além daquelas provocadas pelo uso do medicamento. Não dá para comparar os dois métodos", afirma o endocrinologista Gregório. A perda de peso com a medicação varia entre 5 a 12 kg, e a cirurgia bariátrica é indicada quando a necessidade de perda de peso é muito maior - no caso, mais de 20% do peso da pessoa.

8. Em quanto tempo o efeito aparece?

É variável. Porém, de acordo com os especialistas, os efeitos surgem logo após a primeira aplicação. "Mas há um limite. As melhores respostas ocorrem nos primeiros seis meses. Após esta fase, o remédio contribui para a manutenção do peso", explica Rosana.

9. Ele educa o apetite? Ou regula só enquanto é tomado?

Não. O que educa apetite é a reeducação alimentar, independente do medicamento em uso.                                

10. É mais fácil fazer reeducação com o Victoza?

 Como o Victoza prolonga a saciedade, ele pode ajudar na reeducação alimentar, mas é necessário rever os hábitos alimentares também e uma nutricionista pode ajudar.

11. Outros remédios para diabetes têm efeito parecido?

Existe o exenatide, ou Byetta, com finalidade e uso similares. Ele é uma versão sintética do hormônio exendina-4, com propriedades parecidas com a do GLP-1 humano. Sendo, portanto, um regulador da glicose e dos níveis de insulina.

12. O Victoza substitui a polêmica cirurgia para diabetes?

Os especialistas afirmam que os dois métodos são ferramentas diferentes de tratamento e podem inclusive serem usadas juntas. A prescrição de ambas, entretanto, ainda precisa de mais estudos capazes de avaliar os efeitos a longo prazo. 

13. Pacientes obesos com diabetes tipo 1 podem tomar Victoza?

O medicamento não está aprovado para o tratamento do diabetes tipo 1, pois não existem efeitos associados à produção de insulina, carência dos portadores desse tipo de diabetes. Portanto, o medicamento é indicado apenas para portadores de diabetes tipo 2.
Fonte: MInha Vida

Conheça as doenças que podem impedir a perda de peso

A reclamação "eu faço dieta, mas não emagreço" é comum. Na maior parte das vezes, o que falta é dedicação ao processo de reeducação alimentar que leva à perda de peso. "A grande dificuldade que as pessoas têm para emagrecer é aceitar as mudanças alimentares e comportamentais necessárias. É impossível emagrecer comendo as mesmas coisas", afirma a endocrinologista e vice-presidente da Associação Brasileira paro o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Leila Maria Batista Araújo. Mas nem sempre esse é o caso. Algumas doenças podem, sim, afetar a capacidade de emagrecimento.

O endocrinologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) João Cesar Castro Soares explica que a pessoa deve ficar atenta se costumava ter o peso estável e começou a engordar de uma hora para outra, de forma rápida e sem ter mudado a alimentação. Algumas doenças que podem estar ligadas a isso são hipotireoidismo, síndrome de cushing e síndrome de ovário policístico. 
Dieta x doenças
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o hipotireoidismo é uma disfunção na tireoide (glândula que regula importantes órgãos do corpo) que ocorre mais em mulheres, principalmente naquelas acima dos 30 anos. Mas qualquer pessoa, independente de gênero ou idade, até mesmo recém-nascida, pode ter a doença.

Alguns sintomas são depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento do colesterol ruim (LDL). A síndrome de cushing acontece quando há um intenso e prolongado excesso de cortisona no organismo. 
"Tumores podem produzir esse excesso", acrescenta Soares. Entre os sinais da patologia estão aumento de peso, com gordura concentrada no rosto, tronco e pescoço, escurecimento da pele em dobras e cicatrizes, aparecimento de estrias roxas, fraqueza muscular, depressão, problemas de memória e hipertensão arterial.

"Já a síndrome de ovário policístico é quando há produção excessiva de insulina", explica o endocrinologista da Unifesp. A mulher que apresenta ovários policísticos produz uma quantidade maior de hormônios masculinos, os andrógenos, fator que pode afetar a fertilidade feminina.

Alguns indícios de que a mulher possa ter o problema são alterações menstruais (menstruação a cada dois ou três meses e, frequentemente, apenas dois ou três episódios por ano), aumento de pelos no rosto, nos seios e no abdômen, além de obesidade.

obesidade também pode estar ligada a fatores emocionais. Um estudo realizado por pesquisadores de diversas universidades holandesas concluiu que obesidade e depressão são doenças interligadas.

A pesquisa, que analisou 15 trabalhos envolvendo 58.745 pessoas, mostrou que a obesidade aumenta o risco de depressão e, por outro lado, este pode ser o primeiro passo para o distúrbio.
Fonte: MSN
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Gordura em excesso produz hormônios que afetam a fertilidade e a resposta à insulina

Até muito pouco tempo atrás, acreditava-se que a célula adiposa era um mero reservatório para guardar a gordura, especialmente na forma de triglicérides. Se o organismo precisasse de energia, esta seria a primeira fonte a ser mobilizada e usada como combustível. Em pessoas de peso normal, o tecido adiposo responde por 20% a 25% do peso corporal no homem e por 15% a 20 % na mulher. 
Somente a partir de 1987, começou a se conhecer a capacidade da célula de gordura de produzir substâncias com função de hormônios e capazes de agir local e sistemicamente. Atualmente, a quantidade de hormônios produzidos pelo tecido adiposo é tão grande, bem como a expressão de tantos receptores hormonais, que podemos dizer que a gordura se trata do mais importante órgão endócrino do organismo. E alguns destes hormônios estão relacionados à resistência ou sensibilidade à insulina, sendo a leptina, adiponectina, interleucina-6, TNF alfa e PAI-1 os mais estudados. 
Para entender um pouco a influência destes hormônios na regulação de apetite e queima calórica, vamos entender melhor a leptina, cujo nome tem sua origem na palavra grega (leptos) que significa magro. A leptina é uma proteína expressa quase que exclusivamente pela gordura em resposta à alterações celulares secundárias ao efeito da insulina, funcionando como um marcador de quantidade de tecido adiposo. Isto é, quanto maior o excesso de peso do indivíduo, maior a concentração de leptina no sangue. 
Desta forma evidenciou-se que deficiência de leptina não era a causa da obesidade, uma vez que pacientes com obesidade apresentam, na verdade, níveis aumentados de leptina no sangue, salvo em síndromes genéticas associadas à deficiência primária parcial ou absoluta de leptina. 
Um dos alvos da leptina é o hipotálamo, onde a ligação da insulina ao seu receptor informa sobre a quantidade de depósitos de gordura. Esta informação referente à quantidade de tecido adiposo leva a ativação de vias anorexígenas, que diminuem o apetite (CRH, MSH e CART) e o gasto energético. Assim, a leptina elevada serve como um sinal para o hipotálamo informando que existem estoques adequados de energia e que devemos parar a ingestão de alimentos e aumentar o gasto energético e por outro lado, inibe a produção e liberação dos neuropeptídeos que aumentam a fome (AGRP e NPY).  
O estímulo ao gasto energético é mediado pela ativação ou não dos hormônios tireoidianos. O que se vê em pessoas com obesidade é que a leptina é aumentada, mas ineficiente em promover diminuição do apetite e aumento de queima calórica, pela presença de resistência central à insulina. 
Vários compartimentos distintos de tecido adiposo podem ser identificados quando ocorre excesso de peso. Em mulheres com obesidade, tipicamente, o maior acúmulo de gordura é na porção inferior do corpo. Enquanto os homens com obesidade depositam gordura na porção superior do corpo. Esta obesidade no tronco tem duas localizações: subcutânea e intraperitoneal (visceral). 
A subcutânea é a gordura que incomoda mais esteticamente, mas não gera maiores problemas a saúde, enquanto a gordura abdominal altera o comando de produção de insulina e metabolização do açúcar e começa a acontecer uma produção aumentada de insulina pelo pâncreas (hiperinsulina). Estamos diante do quadro conhecido como resistência insulínica em que a insulina tem dificuldade de exercer sua ação por um problema de sinalização intracelular. Quanto maior a quantidade de insulina gerada, maior efeito de "guardar" o açúcar dentro da célula de gordura, num ciclo vicioso onde se engorda cada vez mais, ou por outro lado, quando o pâncreas esgota sua capacidade de aumentar a produção de insulina, o açúcar circulante aumenta, caminhando para um diabetes. A resistência insulínica se associa a fatores genéticos e ambientais (alimentação inadequada, pouca atividade física e estresse). 
A obesidade está relacionada ainda a ciclos menstruais irregulares, falta de menstruação e infertilidade. Na gestação relaciona-se ao risco de diabetes gestacional, hipertensão, má formação fetal e complicações no parto. As adipocitocinas: leptina, adiponectina e resistina, substâncias "toxicas" produzidas pelas células de gordura influenciam a fertilidade feminina. 
Já foi demonstrado que a leptina apresenta em papel central na fertilidade alterando os comandos do hipotálamo influenciando a liberação GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) e consequentemente de LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo estimulante) bem como no desenvolvimento do embrião. 
Desta forma, a leptina serve como um indicador do estado nutricional para a atividade reprodutiva, sendo fundamental para o desenvolvimento da puberdade e para fertilidade. 
A obesidade também afeta a fertilidade masculina. O excesso de peso reduz o nível de testosterona e aumenta o nível de estradiol, o que compromete a produção de esperma. Pesquisas já comprovaram que pessoas com excesso de peso possuem maior índice de fragmentação do DNA do espermatozoide, o que provoca falhas na fertilização. 
Outros problemas que os hormônios excretados pela gordura podem causar em pessoas como sobrepeso ou obesidade são relacionados ao aumento da pressão arterial, inibição da enzima lipase-lipoproteica o que favorece aumento de colesterol, alterações de coagulação sanguínea que geram aumento de doenças cardio-vasculares e maior risco de tromboses venosas. Além do aumento de câncer, como, por exemplo, o de mama. 
Em pessoas com quantidade correta de gordura, esta produz adiponectina. Trata-se do hormônio conhecido como protetor metabólico, já que tem ação anti-inflamatória, inibe formação de placas de gordura nas artérias e melhora a ação da insulina, protegendo do diabetes. Contudo, conforme o adipócito vai acumulando muita quantidade de gordura, vai progressivamente diminuindo a produção de adiponectina e perdendo seus benefícios! 
Todo esse conhecimento a respeito da célula de gordura vale como motivação para tratar a obesidade!
Fonte: Minha Vida