domingo, 16 de fevereiro de 2014

Abdominoplastia: a cirurgia plástica da barriga chapada



O que é a abdominoplastia?

 A abdominoplastia é uma cirurgia plástica realizada para retirar o excesso de pele, gordura localizada e proporcionar a recuperação da firmeza dos músculos da região abdominal, resultando em uma barriga mais lisa e tonificada. Esse procedimento também consegue remover as estrias localizadas na região, pois há a remoção de pele.

Outros nomes para abdominoplastia:
Dermolipectomia de abdômen e plástica de abdômen.

Indicações da abdominoplastia

A abdominoplastia não pode ser considerada como um tratamento à obesidade ou uma alternativa para substituir uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. Candidatos à abdominoplastia devem ser saudáveis e relativamente em forma, tanto mulheres, quanto homens.

O cirurgião plástico Carlos Alberto Komatsu, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica que em pacientes cuja musculatura da parede abdominal é muito fraca, a costura realizada durante a cirurgia pode ficar comprometida, uma vez que os músculos não são estabilizados tão facilmente.

Em geral, a abdominoplastia é bastante requisitada por mulheres que tiveram múltiplas gestações, pessoas que geneticamente possuem acumulo de gordura na região da barriga ou quem teve perda substancial de peso. O que esses pacientes têm em comum é o desenvolvimento de flacidez da pele, depósitos de gordura e estrias na região da barriga.

Como é feita a abdominoplastia?

Marcas para cirurgia
O cirurgião plástico vai avaliar o abdômen do paciente, verificando a quantidade e a localização dos acúmulos de gordura. Normalmente, a abdominoplastia requer duas incisões:

- A primeira é horizontal na região logo acima dos pelos pubianos que se estende até próximo dos quadris, levemente curvada para cima. A extensão dessa incisão e a forma variam conforme a quantidade de pele a ser removida.

- A segunda incisão é feita na vertical, finalizando ao redor do umbigo, por onde os excessos de pele da parte superior do abdômen são separados das partes profundas. Nesse momento os músculos abdominais são suturados para que se tornem mais rígidos, o que irá proporcionar uma barriga mais plano e uma cintura mais definida. Essa pele em excesso é esticada para baixo para que seja removida e é feito um orifício para recolocar o umbigo em sua posição de origem.

Após a cirurgia, são colocados drenos de aspiração no abdômen, para evitar o acúmulo de líquidos na região abdominal. Esses drenos são inseridos na parte inferior da barriga, próximo ao púbis, permitindo que a cicatriz seja disfarçada entre os pelos pubianos. Segundo Carlos Alberto Komatsu, o paciente pode ser liberado para casa com os drenos, que são de simples manuseio. Os drenos só causam dor no momento da retirada, que pode ser feita na clínica do cirurgião. Feito isso, as incisões da cirurgia poderão ser completamente fechadas, resultando em uma única sutura na linha da região púbica e uma dentro do umbigo, e são colocados os curativos e bandagens.

Variações da abdominoplastia

Quando a extensão do tratamento é menor, ela é chamada de miniabdominoplastia, pois retira acúmulos de gordura e pele apenas da região inferior da barriga, resultando em uma cicatriz menor. Tanto a abdominoplastia quanto a miniabdominoplastia podem ser associadas à lipoaspiração para melhores resultados e para um melhor contorno corporal.

Anestesia necessária para abdominoplastia

Em geral, é utilizada a anestesia raqui ou peridural com sedação e não é necessário mais de um dia de internação no hospital. Para procedimentos mais complexos, que envolvem remoção de grandes quantidades de tecido, ou a associação de outros procedimentos, como a lipoaspiração, usa-se anestesia geral.

O cirurgião Carlos Alberto Komatsu conta que, em muitos casos, é recomendado fazer outra cirurgia no mesmo momento em que é realizada a abdominoplastia. A lipoaspiração, por exemplo, ajuda a definir os contornos corporais. Podem ser feitas também cirurgias de mama e até procedimentos menores na face. "No entanto, é necessário que os procedimentos associados não demandem muito tempo, o que pode aumentar a duração da cirurgia além do recomendado".

Tempo de duração da abdominoplastia

O tempo de duração da abdominoplastia pode variar muito, mas a maioria dos procedimentos dura entre duas e cinco horas. O tempo varia conforme a extensão do tratamento, quantidade de tecido a ser removido e da associação ou não da lipoaspiração. 

Contraindicações da abdominoplastia


Pré-operatório da abdominoplastia
A abdominoplastia não é recomendada nos casos em que sejam previstos gestações futuras ou cenários de grandes ou ganhos de peso após a cirurgia plástica. A presença de cicatrizes de cirurgias anteriores, até mesmo uma cesárea, também pode reduzir a eficácia da abdominoplastia.

Há casos que precisam ser avaliados individualmente pelo cirurgião plástico, como exemplo: pessoas que tenham realizado cirurgias anteriores e tenham cicatrizes na região abdominal, pessoas com alguns tipos de doença do colágeno e alguns tipos de fumantes. Dependendo da cicatriz que já existe, ela até pode impossibilitar a realização da abdominoplastia. O cirurgião plástico Wagner Montenegro, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, reforça que, nesse sentido, é muito importante a transparência durante a consulta com o cirurgião plástico com relação a todos os detalhes que forem perguntados pelo médico. "A relação de confiança e honestidade entre paciente e cirurgião plástico é essencial para bons resultados".
Nos dias anteriores à cirurgia devem ser realizados todos os exames laboratoriais prescritos pelo médico, deve ser suspenso o uso de medicamentos anticoagulantes - como o ácido acetilsalicílico- e cigarro e bebidas alcoólicas, evitados. Sobre o uso de remédios é fundamental informar ao médico, todos os medicamentos estão sendo usados e ao longo de quanto tempo. Além disso, deve ser realizado jejum absoluto de sólidos e líquidos nas oito horas que antecedem o procedimento. Em caso de gripe ou mal estar, o médico deve ser avisado.

Pós-operatório da abdominoplastia


Durante um período mínimo de 35 dias, é obrigatório o uso de malha compressora, também conhecida como cinta pós-cirúrgica, de tamanho adequado ao paciente. Também é necessário evitar esforços físicos, como carregar peso, além de procurar manter-se numa postura levemente curvada durante os primeiros 15 dias. O paciente deve caminhar dentro de casa com amparo de alguém e evitar subir e descer escadas.

Antes da liberação médica o paciente também não deve dirigir e não pode usar roupas apertadas (roupas íntimas, calças jeans, etc.). É fundamental o cuidado ao sentar-se para não esticar demais o tronco e não se curvar demais para frente. Exposição ao sol, ao calor excessivo e compressas quentes no local da sutura da abdominoplastia também são proibidos.

O paciente deve seguir todas as orientações até conseguir a liberação médica para retomar a rotina normal aos poucos.

O cirurgião plástico deve prescrever analgésicos para serem usados caso o paciente sinta dor no período pós-cirúrgico. É comum que o paciente sinta incômodos nos primeiros dias, mas isso vai sumindo gradativamente.

Percepção dos resultados da abdominoplastia

Logo após a realização da abdominoplastia, o paciente já consegue notar os novos contornos. É normal que haja inchaço nesse período, portanto, são tomados todos os cuidados necessários para uma recuperação tranquila, sem complicações. O resultado definitivo, em que o paciente já apresenta a completa cicatrização, chamada de fase de involução, acontece entre oitavo e décimo segundo mês após a abdominoplastia.

Riscos da abdominoplastia

 O maior risco de complicação relacionado à abdominoplastia é de retalho abdominal, que ocorre na pele do abdômen e compromete o resultado final, pois ocorre necrose do tecido. Esse risco é maior para fumantes. Pode ocorrer o aparecimento de queloides, que dependendo da gravidade precisam ser tratados com medicamentos, cirurgia a até radioterapia. Segundo o cirurgião plástico Carlos Alberto Komatsu, há também as complicações comuns a qualquer cirurgia, como sangramento, infecção, trombose venosa, tromboembolismo pulmonar e óbito.

Tratamentos coadjuvantes da abdominoplastia

Conforme a indicação médica, alguns dias após a abdominoplastia é recomendado fazer sessões de drenagem linfática, respeitando seu processo de cicatrização, sem machucar ou oferecer riscos ao paciente. "Para todas as cirurgias plásticas, a drenagem linfática pós-operatória auxilia bastante na cicatrização e na recuperação saudável" explica o cirurgião Wagner Montenegro.

Cheque antes da consulta de abdominoplastia:

 - O médico que você irá consultar deve ter registro no Conselho Federal de Medicina (CFM), é possível fazer essa checagem no site da instituição;

- O profissional deve, obrigatoriamente, ser membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Outras instituições não avaliam a formação e experiência do profissional desta área;

- A cirurgia deve ser feita em hospital que tenha creditação para realizar cirurgias de médio porte. Entre em contato com o hospital para checar;

- Converse com alguém que já fez a cirurgia com o mesmo médico e informe-se sobre o procedimento e os resultados;

- O tempo de internação após a abdominoplastia deve ser de, no mínimo, 24 horas. Sair do hospital logo após o procedimento é um erro e pode causar danos à saúde.

Fontes consultadas:
Cirurgião Plástico Wagner Montenegro, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (CRM: 51769)
Cirurgião Plástico Carlos Alberto Komatsu, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica ( CRM: 59334)

Entenda os riscos que a busca pela barriga negativa oferece à saúde

Última moda entre os frequentadores assíduos das academias, a barriga negativa começou a ser cultivada pelas celebridades e logo se tornou febre entre os que buscam o corpo perfeito. Essa peculiar anatomia atribuída à região abdominal é caracterizada pela formação de uma concavidade na área que fica entre os ossos ilíacos (localizados na parte inferior da barriga), que se tornam mais destacados, e as costelas aparentes. 

O endocrinologista Filippo Pedrinola, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia conta que para ter esse formato de abdômen é preciso apresentar baixo percentual de gordura corporal, músculos abdominais pouco desenvolvidos e o fator genético para a formação e desenvolvimento dos ossos do quadril mais proeminentes. "Sendo assim, uma pessoa que não tem biótipo e genética para barriga negativa, mesmo com dieta e atividade física não conseguirá chegar ao resultado desejado", explica. 

Será que vale mesmo a pena lutar por essa curvatura no abdômen? Avisamos que a briga com a balança será difícil, a alimentação restrita e o suor na academia abundante. Mas o pior é que o corpo sentirá de maneira muito intensa todos esses abusos. "O que ocorre nessa situação é que o organismo entra em estresse e esgotamento físico, podendo causar problemas de saúde como diminuição da resistência imunológica, alterações de ciclo hormonal, interrupção do ciclo menstrual, distúrbios alimentares, entre outras patologias", explica Filippo Pedrinola. Confira a seguir todos os problemas de saúde que podem surgir no esforço para conseguir a barriga negativa.



Baixa porcentagem de gordura corporal e desnutrição

Para obter uma barriga negativa é necessário diminuir o percentual de gordura corporal abaixo dos níveis aceitáveis, isso significa que este valor será inferior a 10%. O endocrinologista Filippo Pedrinola conta que esse baixíssimo índice pode acarretar danos ao organismo em função dos meios usados para conquistá-lo. "Na maioria das vezes a restrição alimentar é a primeira etapa após a decisão de alcançar a barriga negativa, a pessoa chega a fazer apenas duas refeições por dia comendo alimentos que não fornecem aporte nutricional necessário". Na desnutrição, os problemas de saúde podem variar desde uma anemia, por falta de ferro no organismo, devido à limitação de nutrientes que essa pessoa ingere, até problemas mais graves como coma e morte por anorexia se a situação não for identificada e revertida.

Massa muscular pouco desenvolvida

A associação de alimentação deficiente e exercícios para emagrecimento em excesso causará a perda de massa muscular. A ausência de outras fontes de energia para a atividade física, como a gordura e a glicose, fará com que o corpo lance mão do glicogênio - molécula que faz parte da composição do músculo - para conseguir dar andamento à atividade física. "O resultado é que o praticante perderá massa muscular, inclusive na região abdominal", explica Filippo Pedrinola. "A perda de massa muscular e a baixa quantidade de gordura corporal - associadas a padrões genéticos - são os fatores que permitirão a formação da barriga negativa". Vale lembrar que músculos fortes não são apenas uma questão de estética: eles sustentam o corpo, reforçam as articulações e são essenciais para evitar dores e problemas de saúde, principalmente no campo da ortopedia, como hérnias de disco e fraturas.

Anorexia, bulimia e depressão

"A persistência em conseguir a barriga negativa pode virar uma obsessão e único objetivo da vida de um indivíduo e, com isso, vir a se expressar em transtornos psicológicos e distúrbios alimentares, como depressão, anorexia, bulimia", explica o endocrinologista Filippo Pedrinola. "Para ter saúde adequada é essencial ter uma boa imagem de si e estar em equilíbrio, o que não ocorre nesses casos". O especialista recomenda que parentes e amigos fiquem atentos aos quadros que envolvam exercícios extenuantes e dietas muito rigorosas, seja a meta a barriga negativa, o emagrecimento ou a busca por um padrão de beleza inatingível. Descobrindo cedo esse comportamento é possível encaminhar a pessoa para o tratamento adequado e revertendo o problema antes que surjam consequências mais graves.

Parada da ovulação e da menstruação

O endocrinologista João Eduardo Salles, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), explica que chegar ao baixo peso significa um grande risco para a atividade hormonal. "A mulher terá grandes chances de deixar de ovular, portanto menstruar, em função da baixa liberação do hormônio leptina", explica. "A leptina é produzida pelo tecido adiposo e seus níveis caem drasticamente em resposta ao jejum". Uma das funções da leptina é a estimulação ovariana, logo, mulheres com baixo peso podem ter a ovulação e amenstruação interrompidas. A gestação nesse caso é impossível.

Diminuição das mamas

O endocrinologista João Eduardo explica que as mamas são compostas, principalmente, por glândulas e gordura. A magreza excessiva causará a diminuição destas duas estruturas mamárias. O hormônio estrogênio é derivado do colesterol, um tipo de gordura, logo, mulheres com baixo percentual de gordura terão níveis igualmente reduzidos de colesterol, a ponto de inibir as glândulas mamárias. "Para que os seios cresçam ou mantenham seu tamanho, eles precisam ser continuamente estimulados pelos hormônios femininos", explica o endocrinologista João Eduardo. "Sem esse estímulo, diminuído em mulheres com baixo peso, o tecido mamário ficará atrofiado". O especialista explica ainda que a redução de gordura corporal também será percebida nesta região: os seios ficaram menores e mais flácidos, uma vez que perderão boa parte do material responsável pela sustentação, a gordura.

Favorece a osteoporose

 A formação dos ossos nas mulheres é dependente do estrogênio, hormônio que age auxiliando na incorporação de cálcio, no desenvolvimento e na manutenção da massa óssea. O baixo peso corporal pode diminuir os níveis de estrogênio. "O pico de massa óssea entre as mulheres acontece até os 35 anos, dos 35 aos 45 anos a mulher apenas manterá a massa óssea, em seguida ela será diminuída", explica o endocrinologista João Eduardo. "Portanto, pode ser que a mulher muito magra não esteja sentindo os efeitos do baixo peso sobre os ossos agora, porém mais tarde eles aparecerão como osteopenia - diminuição primária da massa óssea - e osteoporose, quando os ossos já estão fracos e mais suscetíveis a fraturas". A recomendação do endocrinologista João Eduardo é manter-se sempre dentro do índice de massa corpórea considerado normal: entre 18,5 e 25 para adultos.

Desvios posturais e dores na coluna

O endocrionologista Filippo Pedrinola explica que enfraquecimento abdominal, desvios posturais e dores na coluna também podem ser complicações da barriga negativa. A musculatura tem a função de proteger e dar sustentação aos ossos. O músculo abdominal fraco não consegue sustentar a coluna, com isso, ela fica mais suscetível a desenvolver curvaturas anormais - como a hiperlordose e a escoliose - a adotar posturas viciosas, como manter-se curvado na cadeira do trabalho e até a desenvolver problemas como hérnia de disco.

Fonte: MSN