sábado, 1 de novembro de 2014

O que os adoçantes artificiais realmente fazem com o nosso corpo?

Os adoçantes suprem a sua necessidade de açúcar sem adicionar uns centímetros a mais na sua barriga: eles dão um pontapé de sacarina nos refrigerantes dietéticos e doces sem açúcar, mas sem as consequências. Bom, ao menos a ideia é essa. Mas os adoçantes têm sido objeto de boatos e desinformação por anos, que aos poucos fizeram com que as pessoas deixassem de acreditar nas maravilhas do emagrecimento que eles prometem.
Adoçantes artificiais são tecnicamente conhecidos como adoçantes artificiais não-calóricos (NAS, na sigla em inglês). Não calóricos pois eles podem ter apenas uma graças das calorias do açúcar ou até mesmo não ter caloria nenhuma.
Veja um breve resumo sobre os adoçantes artificiais mais comuns
Sacarina - O reinado exclusivo do açúcar sobre as coisas doces chegou ao fim em 1878, quando Constantin Fahlberg, um químico trabalhando na Johns Hopkins University lambeu a mão depois de um longo dia mexendo em derivados do alcatrão de carvão (o que provavelmente não foi a melhor ideia que ele já teve) e sem querer descobriu a sacarina. Ela se tornou comercialmente disponível na Era Vitoriana e até hoje é utilizada em basicamente tudo que tem a palavra dieta escrita no rótulo. Esse adoçante é classificado pela Food and Drug Administration como 300 vezes mais doce que a sacarose (açúcar comum), mas não provê energia nutricional, embora os pesquisadores ainda não tenham certeza de como isso é possível. “As evidências disso vêm do fato de que sua forma é ligeiramente modificada, alterando o H no nitrogênio para um metil, a nova molécula deixa de ser doce”, explica o livro de química virtual do Elmhurst College. A forma da molécula também poderia explicar o ligeiro retrogosto metálico provocado pela sacarina.
Aspartame - O aspartame chegou ao mercado no final dos anos 1980, durante uma reação pública generalizada quando uma série de estudos encontrou evidências de que a sacarina poderia estar ligada a casos de câncer na bexiga em ratos. Ela não é tão potente quanto a sacarina: é 200 vezes mais doce que o açúcar e e produz 4kCal de energia por grama. Mas já que a quantidade necessária para adoçar uma lata de refrigerante é pouca, ele ainda é classificada como um adoçante artificial não-calórico. O aspartame também é considerado o adoçante mais próximo do açúcar em termos de correspondência de sabor.
Acessulfame-K ou acessulfame de postássio - É usado quase que exclusivamente como adoçante secundário, combinado com a sacarina ou o aspartame, embora seja possível encontrá-lo puro no comércio. A conjunção do acessulfame-K com outros adoçantes serve para mascarar o retrogosto desagradável de adoçantes como a sacarina e o aspartame -- a Coca Diet e a Coca Zero usam uma mistura de aspartame com acessulfame-K.
Advantame - Um novo adoçante que foi liberado pela FDA em maio desse ano, mas ainda não chegou ao mercado. O advantame é 20.000 vezes mais doce que o açúcar.
Sucralose - Um derivado da sacarose, a sucralose é de 600 a 800 vezes mais doce que o açúcar.
Stevia, Estévia ou glicosídeos de Esteviol - A Estévia é uma folha que contém um açúcar natural e até pouco tempo atrás podia ser encontrada nas águas vitaminadas que são vendidas nos EUA.
Todos esses seis adoçantes passaram pelos testes de segurança da FDA — mais de 100 estudos foram feitos acerca de cada um deles, abrangendo um amplo espectro de doenças e enfermidades em potencial. Apesar disso, os adoçantes têm sido considerados uma ameaça à saúde.
“Desde 1980, as pessoas vêm se preocupando com os efeitos negativos que os adoçantes poderiam gerar”, explica a Doutora Susan Smithers, da Universidade de Purdue para o Science News. “As pessoas tendem a não acreditar que é possível encontrar açúcar falso que possa ser comestível”. Como sempre, o fato de que o financiamento dos estudos sobre os adoçantes dependia em larga escala daqueles que desejavam comercializá-los — os fabricantes de adoçantes ou a indústria do açúcar — não ajuda nem um pouco nessa questão.
A sacarina, presente nos produtos diet, foi banida, quase banida, reexaminada e reintegrada várias vezes desde a sua criação. Curiosidade: a sacarina acabou com o emprego e a carreira do químico chefe do Departamento da Agricultura dos EUA quando ele tentou convencer o presidente Theodore Roosevelt a banir a substância em 1908. O presidente teria rejeitado os argumentos do Dr. Wiley dizendo “Qualquer um que diga que diga que a sacarina é prejudicial para a saúde é um idiota. o Dr. Rixey a dá para mim todos os dias”. E você não diz pra Teddy Roosevelt que Teddy Roosevelt está errado.
Entenda o que pode acontecer quando você faz uso de adoçantes© Fornecido por Gizmodo Entenda o que pode acontecer quando você faz uso de adoçantes
Mas o maior surto por conta da sacarina veio nos anos 1970, quando uma série de estudos laboratoriais ligou a ingestão do adoçante ao aumento de taxas de câncer na bexiga em ratos. Quando esse estudo foi publicado, o público americano simplesmente perdeu a cabeça e entrou numa onde de histeria — como costuma acontecer — o que resultou no Congresso não só exigindo um estudo mais aprofundado, mas também ordenando uma medida provisória que requeria que todos os produtos que levassem sacarina passassem a colocar “O uso desse produto pode ser prejudicial para a sua saúde” em seus rótulos.
Estudos posteriores confirmaram que altas doses de sacarina tomadas com regularidade poderiam levar a maiores taxas de câncer em ratos. Mas só em ratos, e não em humanos. À luz desse resultado, a FDA removeu a sacarina de sua lista oficial de produtos cancerígenos no ano 2000.
O Aspartame, presente na Coca Zero, também foi suspeito de causar câncer, embora ele tenha passado pela inspeção da FDA em 1981. Em 1996, um estudo da NIH sugeriu que o aumento nas taxas de tumor no cérebro entre 1975 e 1992 poderia ter algo a ver com o uso de aspartame, que começou mais ou menos na mesma época. Mas exames posteriores das estatísticas disponíveis  da NCI revelaram que o aumento da taxa de casos de câncer do sistema nervoso começou dois anos antes — quase uma década antes do aspartame chegar ao mercado.
Além do mais, o grupo mais suscetível a ser afetado pelo aumento das taxas de risco de câncer eram as pessoas com 70 anos ou mais, muitos dos quais haviam tido uma exposição muito limitada à química dos adoçantes. No geral, a FDA descreve o aspartame como “um dos aditivos alimentares mais exaustivamente testados e estudados que já foram aprovados pela agência” com um claro registro de segurança.
Mesmo que os adoçantes tenham poucas chances de te matar, isso não significa que consumi-los não trará outras consequências indesejáveis para a sua saúde. Um novo estudo publicado na edição de setembro da Nature descobriu que altos níveis de sucralose (Splenda) podem afetar adversamente o microcosmo de bactérias do intestino, e pode levar à obesidade e aumentar o risco de diabetes — exatamente as coisas que as pessoas que fogem do açúcar estão tentando evitar.
Adoçantes: heróis ou vilões?© Fornecido por Gizmodo Adoçantes: heróis ou vilões?
Um estudo similar da Universidade de Duke foi publicado no Jornal de Toxicologia e Saúde Ambiental e descobriu que níveis altos de Splenda podem afetar o microbiana das bactérias nos intestinos de roedores. E o uso de adoçantes tem sido associado ao aumento dos riscos metabólicos de jovens adultos podem um estudo de 2012 e a taxas ainda mais elevadas de obesidade, segundo um artigo de 2008 publicado pela revista Obesity.
Mas essas não são evidências concretas de que os adoçantes fazem mal para a saúde. Um estudo de 2010 concluiu que o consumo de Stevia ou aspartame imediatamente antes das refeições resulta num numa redução do consumo de alimentos em comparação com as pessoas que tomavam algo com açúcar antes de comer. E indo de encontro ao estudo da Obesity de 2008, um relatório da 2012 do New England Journal of Medicine descobriu eu crianças que consomem bebidas açucaradas ganharam mais peso do que aquelas que usavam adoçantes, numa experiência que durou 18 meses.
Adoçantes permitidos pela ANVISA© Fornecido por Gizmodo Adoçantes permitidos pela ANVISA
Fonte:MSN

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