sábado, 16 de agosto de 2014

Beber água após os 55 anos é um grande remédio

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: “Quais as causas que mais fazem pessoas com mais de 55 anos terem confusão mental?”
Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”. Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.
A cada negativa a turma espanta-se. E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero os três responsáveis mais comuns: – diabetes descontrolado; – infecção urinária; – a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os familiares mais velhos ficaram em casa.
Parece brincadeira, mas não é. Constantemente, sem sentir sede, os idosos deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.
Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.


ENVELHECIMENTO
Insisto: não é brincadeira. A partir dos 55 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.
Conclusão: pessoas com mais de 55 anos desidratam-se facilmente não apenas porque
possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que a pessoa seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.
Por isso, aqui vão dois alertas. O primeiro é para os maiores de 55 anos: Tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina.
O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!
Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos parentes com mais de 55 anos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, é quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.
Arnaldo Lichtenstein é clínico-geral do Hospital das Clínicas
e professor da Faculdade de
 Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Texto enviado por Celso Serra

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