domingo, 13 de julho de 2014

Nutrição e Hidratação no Esporte

No futebol, a preocupação com a nutrição e hidratação deve ser em fornecer ao atleta o aporte energético e os nutrientes necessários para garantir o desempenho. O Dr. Márcio Tannure, Médico do futebol profissional do Flamengo e responsável no UFC Brasil fala, com exclusividade, ao site da SBEM
O Dr. Márcio Tannure é Membro titular da SBOT, Membro titular da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do esporte, Médico do futebol profissional do Clube de Regatas Flamengo, Diretor médico da CABMMA e Médico responsável no UFC Brasil. (foto Celso Pupo)

Atividade Física Consciente
Nos últimos anos, a nutrição tem sido alvo de crescente interesse por parte de atletas e praticantes de atividade física, cada vez mais consciente de seus benefícios. Assim, uma alimentação adequada, visa manter a saúde, preservar a composição corporal, favorecer as vias metabólicas associadas à atividade física; armazenamento de energia na forma de glicogênio; retardar a fadiga; promover hipertrofia muscular, quando necessário, e auxiliar na recuperação de lesões ou traumas eventualmente provocados pelos exercícios.
No futebol, o esporte coletivo mais popular do Brasil, a preocupação com a nutrição e hidratação deve ser em fornecer ao atleta o aporte energético e os nutrientes necessários para garantir o desempenho, assegurar o peso ideal, recuperá-lo o mais rapidamente de traumas e lesões eventualmente provocadas em treinos e jogos desgastantes, tendo sempre como objetivo final à saúde e performance do jogador.
Como ao longo do ano, os jogadores participam, ao mesmo tempo, de várias competições, o calendário é restrito a treinos e jogos desgastantes, devendo assim, não apenas, estarem aptos a suportar a demanda de energia durante os treinos, mas também estarem aptos a uma rápida recuperação para participarem das próximas partidas, o que é fundamental durante os torneios, quando os jogadores passam de 2 a 3 dias entre jogos, com pouco tempo de recuperação. Assim, a maior contribuição da Nutrição para o futebol, é a sua sustentação nos treinos, e não apenas em refeições pré-jogos.
A preocupação com a desidratação e hipertermia é outro fator extremamente importante, pois, a deficiência do mecanismo de termo regulação, pode comprometer a performance e a saúde do atleta, por aumento em demasia da temperatura central.
Em relação ao gasto energético, nessa modalidade esportiva, sabe-se que os jogadores de alto nível percorrem aproximadamente à distância de 11 km durante uma partida.
A fadiga no decorrer do exercício está associada à depleção das reservas de CHO (carboidrato), em particular do glicogênio muscular, que é utilizado em glicólise anaeróbia rapidamente durante exercícios de alta intensidade.
Os ergogênicos nutricionais servem principalmente para aumentar o tecido muscular, a oferta de energia para o músculo e a taxa de produção de energia no músculo.
Os nutrientes estão envolvidos com os processos geradores de energia por meio de três funções básicas:
(a) alguns deles são utilizados como fonte de energia;
(b) alguns regulam os processos através dos quais a energia é produzida no corpo; e
(c) alguns promovem o crescimento e desenvolvimento dos tecidos corporais.
Uma alimentação adequada é fundamental para que consigamos atingir a performance esportiva ótima. Se sua alimentação é deficiente em um determinado nutriente que é utilizado fundamentalmente para a produção de energia durante o exercício, sua performance será prejudicada. Ou seja, se sua dieta for equilibrada, sendo composta por alimentos variados, você não estará sujeito a uma deficiência nutricional, que poderia vir a prejudicar a sua performance esportiva.
Os nutrientes podem ser agrupados em seis diferentes classes: carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais e água. Geralmente, o carboidrato é utilizado como fonte de energia. A gordura fornece energia e também faz parte da estrutura da maioria das células. A proteína desempenha uma série de papéis, sendo necessária para:
(a) formação, crescimento e desenvolvimentos de tecidos corporais;
(b) formação de enzimas que regulam a produção de energia; e
(c) geração de energia, principalmente quando os estoques de carboidratos estão baixos.
As vitaminas regulam os processos metabólicos trabalhando como enzimas. Muitos minerais também estão envolvidos com a regulação do metabolismo, mas alguns também contribuem com a formação da estrutura do nosso corpo como um todo (ex.: o cálcio atua como constituinte do tecido ósseo).
Finalmente, a água compõe a maior parte do nosso peso corporal e ajuda a regular uma variedade de processos metabólicos.
Todos os nutrientes estão envolvidos com a produção de energia de uma maneira ou de outra, porém alguns nutrientes específicos são especialmente importantes para atletas, cujas taxas de produção de energia podem aumentar significativamente durante o exercício.
De acordo com o Ministério da Saúde, em Portaria de no 32, publicada no Diário Oficial em 1998, suplementos são somente vitaminas e/ou minerais isolados ou combinados entre si, desde que não ultrapassem 100% da IDR (Ingestão Diária Recomendada) . Acima dessas dosagens são considerados como medicamentos, podendo ser de venda livre quando não ultrapassam em até 100% a IDR e vendidos somente com prescrição médica quando apresentam valores acima desses limites.
Os suplementos vitamínicos e/ou de minerais são definidos como alimentos que servem para complementar com esses nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, nos casos em que a sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requer suplementação.
Já produtos como albumina, aminoácidos, hipercalóricos, bebidas isotônicas e produtos à base de carboidratos são considerados, de acordo com a Portaria de no 222, publicada pelo Ministério da Saúde em 1998, Alimentos para Praticantes de Atividade Física, uma categoria de produtos com finalidade e público específicos - um subgrupo dos chamados Alimentos para Fins Especiais.
Pelas normas brasileiras, esses produtos são divididos somente em cinco categorias da seguinte forma:
  • Repositores Hidroeletrolíticos
São produtos com concentrações variadas de carboidratos e eletrólitos (cloreto e sódio), que podem ter a adição de vitaminas e/ou minerais, com o objetivo de repor o líquido e sais perdidos na transpiração, durante a prática de exercícios.
  • Repositores Energéticos
São produtos que apresentam no mínimo 90% de carboidratos em sua composição, podendo ser acrescidos de vitaminas e minerais, com a finalidade de manter os níveis adequados de energia para atletas.
  • Alimentos Proteicos
São produtos com a predominância de proteínas (no mínimo 51% do valor calórico), sendo que existe a obrigatoriedade de que pelo menos 65% da proteína seja de alto valor biológico, ou seja, proteína completa (origem animal). Estes produtos podem conter carboidratos e gordura, desde que o somatório energético de ambos não ultrapasse o das proteínas.
  • Alimentos Compensadores
São produtos que devem conter concentração variada de macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras), visando à adequação desses nutrientes na dieta de praticantes de atividade física.
Os alimentos compensadores devem obedecer aos seguintes requisitos, no produto pronto para consumo:
• Carboidratos: abaixo de 90%
• Proteínas: do teor de proteínas presente no produto, no mínimo 65% debe corresponder à proteína de alto valor biológico.
• Gorduras: do teor de gorduras, a relação de 1/3 gordura saturada, 1/3 de gordura monoinsaturada e 1/3 de gordura polinsaturada.
• Opcionalmente, esses produtos podem conter vitaminas e/ou minerais, desde que não ultrapassem as IDRs de adultos.
Portanto, esses produtos se destinam a complementar a dieta de pessoas fisicamente ativas, que por algum motivo não consigam satisfazer suas necessidades energéticas, devido ao baixo consumo dos nutrientes citados.
Neste segmento enquadram-se principalmente os hipercalóricos e alimentos considerados nutricionalmente completos (contém todos os nutrientes permitidos pela norma).
Aminoácidos de Cadeia Ramificada
São produtos formulados a partir de concentrações variadas de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina), com o objetivo de fornecimento de energia para atletas.
Nestes produtos os aminoácidos de cadeia ramificada, isolados ou combinados, devem constituir no mínimo 70% dos nutrientes energéticos da formulação, fornecendo na ingestão diária recomendada.
Conclusão
A educação nutricional é de fundamental importância, principalmente para jogadores de futebol, especialmentequando em períodos de treinamento intenso, que consomem quantidades elevadas de gordura e pequenas de carboidrato.
Portanto, a dieta de um jogador de futebol deve atender aos gastos energéticos, fornecer um balanço adequado de proteínas, lipídios e carboidratos e atingir as recomendações de micronutrientes.
Quem pratica atividade física e pode se valer de uma dieta equilibrada e ajustada ao seu treinamento, podendo esta ser associada a produtos que possam vir a atender às suas necessidades complementares, ou seja, que a dieta convencional não foi capaz de suprir, terá maiores chances de chegar à vitória.
Só não podemos é deixar de observar se a dieta, somada à utilização de determinadas substâncias, não irá colocar a nossa saúde em risco. Além disso, na hora da escolha do melhor recurso ergogênico nutricional, temos que observar não só o custo benefício à saúde e/ou às finanças, o que também representa item importante dentro do nosso contexto social, mas se tal recurso apresenta efeito cientificamente comprovado.
Fonte: SBEM

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