terça-feira, 19 de novembro de 2013

Câncer - Como a alimentação pode ajudar na prevenção!

Hábitos Alimentares

Muitos componentes da alimentação têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago.

Alimentação de risco
Alguns tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. Esses alimentos devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Neste grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, lingüiças, mortadelas, dentre outros.

Existem também os alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos. Por exemplo, os nitritos e nitratos usados para conservar alguns tipos de alimentos, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados, se transformam em nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas, que têm ação carcinogênica potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma abundante e freqüente. Já os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.

Os alimentos preservados em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde é comum o consumo desses alimentos. Antes de comprar alimentos, compare a quantidade de sódio nas tabelas nutricionais dos produtos.


Cuidados ao preparar os alimentos

O tipo de preparo do alimento também influencia no risco de câncer. Tente adicionar menos sal na hora de fazer a comida, aumentando o uso de temperos como azeite, alho, cebola e salsa. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de até 5 g de sal ou 2 g de sódio por dia, ou seja, o equivalente a uma tampa de caneta cheia. Ao fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Por isso, métodos de cozimento que usam baixas temperaturas são escolhas mais saudáveis, como vapor, fervura, pochê, ensopado, guisado, cozido ou assado.

AlimentaçãoFibras x gordura

Estudos demonstram que uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon etc.), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, possivelmente porque, sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais demorada da mucosa aos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo intestinal. Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco da doença.

Há vários estudos epidemiológicos que sugerem a associação de dieta rica em gordura, principalmente a saturada, com um maior risco de se desenvolver esses tipos de câncer em regiões desenvolvidas, principalmente em países do Ocidente, onde o consumo de alimentos ricos em gordura é alto. Já os cânceres de estômago e de esôfago ocorrem mais freqüentemente em alguns países do Oriente e em regiões pobres onde não há meios adequados de conservação dos alimentos (geladeira), o que torna comum o uso de picles, defumados e alimentos preservados em sal.

Atenção especial deve ser dada aos grãos e cereais. Se armazenados em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo Aspergillus flavus, o qual produz a aflatoxina, substância cancerígena. Essa toxina está relacionada ao desenvolvimento de câncer de fígado.

Como prevenir-se

Algumas mudanças nos nossos hábitos alimentares podem nos ajudar a reduzir os riscos de desenvolvermos câncer. A adoção de uma alimentação saudável contribui não só para a prevenção do câncer, mas também de doenças cardíacas, obesidade e outras enfermidades crônicas como diabetes.
Desde a infância até a idade adulta, o ganho de peso e aumentos na circunferência da cintura devem ser evitados. O índice de massa corporal (IMC) do adulto (20 a 60 anos) deve estar entre 18,5 e 24,9 kg/m2. O IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso. Com IMC acima de 30 a pessoa é considerada obesa. O IMC é calculado dividindo-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em m). Veja a fórmula.

pesoIMC = ------------------(altura x altura)


Frutas, verduras, legumes e cereais integrais contêm nutrientes, tais como vitaminas, fibras e outros compostos, que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruírem os carcinógenos antes que eles causem sérios danos às células. Esses tipos de alimentos também podem bloquear ou reverter os estágios iniciais do processo de carcinogênese e, portanto, devem ser consumidos com freqüência.

Hoje já está estabelecido que uma alimentação rica nesses alimentos ajuda a diminuir o risco de câncer de pulmãocólon e retoestômagoboca, faringe e esôfago. Provavelmente, reduzem também o risco de câncer de mamabexigalaringe e pâncreas, e possivelmente o de ovário, endométrio, colo do útero, tireoide, fígadopróstata e rim.

As fibras, apesar de não serem digeridas pelo organismo, ajudam a regularizar o funcionamento do intestino, reduzindo o tempo de contato de substâncias cancerígenas com a parede do intestino grosso.

A tendência cada vez maior da ingestão de vitaminas em comprimidos não substitui uma boa alimentação. Os nutrientes protetores só funcionam quando consumidos através dos alimentos, o uso de vitaminas e outros nutrientes isolados na forma de suplementos não é recomendável para prevenção do câncer.

Vale a pena frisar que a alimentação saudável somente funcionará como fator protetor, quando adotada constantemente, no decorrer da vida. Neste aspecto devem ser valorizados e incentivados antigos hábitos alimentares do brasileiro, como o uso do arroz com feijão.


Como se alimenta o brasileiro

No Brasil, observa-se que os tipos de câncer que se relacionam aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. O perfil de consumo de alimentos que contêm fatores de proteção está abaixo do recomendado em diversas regiões do país. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, que em 2010 entrevistou 54.367 pessoas, o padrão alimentar no país mudou para pior.
Apesar de consumir mais frutas e verduras, o brasileiro continua a comer muita carne gordurosa (1 em cada 3 entrevistados) e tem optado por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. A ingestão de fibras também é baixa, onde se observa coincidentemente, uma significativa freqüência de câncer de cólon e reto. O feijão, alimento rico em ferro e fibras, que tradicionalmente fazia o famoso par com o arroz, perdeu espaço na mesa dos brasileiros. Para agravar o quadro, eles também tem se exercitado menos. Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Em 2010, a média caiu para 65,8%. No estado do Rio, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%. A queda na média nacional pode ser atribuída às mudanças na dinâmica da família brasileira, que tem tido cada vez menos tempo de preparar comida em casa e o feijão tem preparo demorado. O consumo de gorduras é mais elevado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorrem as maiores incidências de câncer de mama no país.
AlimentaçãoOutro dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que têm alta concentração de açúcar - têm ganhado espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez por semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase que diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% tomam refrigerantes quase todos os dias. Apesar de o mercado oferecer cada vez mais versões com menos açúcar, como os diet e os light , somente 15% dos brasileiros optam por eles. Os jovens também preferem alimentos como hambúrguer, cachorro-quente, batata frita que incluem a maioria dos fatores de risco alimentares acima relacionados e que praticamente não apresentam nenhum fator protetor. Essa tendência se observa não só nos hábitos alimentares das classes sociais mais abastadas, mas também nas menos favorecidas. O consumo de alimentos ricos em fatores de proteção, tais como frutas, verduras, legumes e cereais, tem aumentado, mas ainda é baixo. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do percentual registrado em 2006.

Fonte: INCA

Dicas de alimentação para quimioterapia e radioterapia

Realce o paladar 


Uma das primeiras mudanças que o paciente em tratamento do câncer nota é a modificação do paladar. O nutricionista Vitor Rosa, do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), conta que a quimioterapia e a radioterapia, quando realizada na região de cabeça e pescoço, destroem as células das glândulas salivares e papilas gustativas, o que diminui a salivação e a percepção do gosto dos alimentos. 

Especialistas também acreditam que o próprio tumor pode aumentar a produção de moléculas chamadas interleucinas, que estão presentes em processos inflamatórios. "Elas provocam alterações no sistema nervoso central, o que deixa um gosto metálico na boca", explica o nutricionista Nivaldo Pinho. 

Para deixar o paladar mais aguçado, procure enxaguar a boca com água ou chá de camomila antes das refeições. "Se não existirem feridas na boca, balas azedas ou ácidas e alimentos ácidos também realçam o paladar, assim como manjericão, orégano, hortelã e outros temperos naturais", aconselha Vitor Rosa. Já para aliviar o gosto metálico, substitua os talheres de metal por aqueles de plástico. 

Procure um nutricionista 

O acompanhamento do tratamento por um nutricionista pode até mesmo evitar complicações no processo. "Como é alto o risco de desnutrição do paciente com câncer, um nutricionista pode ser de extrema importância, já que o indivíduo desnutrido tem mais chances de enfrentar dificuldades durante o tratamento", defende Nivaldo Pinho. Esse profissional também ajudará a amenizar o ganho de peso que costuma ocorrer na hormonioterapia - tratamento que leva ao aumento do apetite, ao contrário dos outros.  

Considere a suplementação 

Como a doença eleva o consumo de energia pelo corpo, a alimentação precisa ser mais reforçada e o uso de suplementos (desde que recomendados por um médico ou nutricionista) pode fazer a diferença. "Costumamos indicar suplementação quando há desnutrição ou algum risco nutricional", diz o nutricionista Nivaldo Pinho. A desnutrição acontece quando o paciente está perdendo muito peso. Já os riscos nutricionais englobam uma perda de peso muito rápida (por exemplo, perder 10% do peso em 30 dias), uma ingestão inadequada (comer menos de 70% do que precisa durante muitos dias) ou casos de tumores localizados na cavidade oral e na região abdominal. 

"Se você come menos do que precisa durante muito tempo, o organismo desenvolve um processo de compensação, ou seja, reduz o gasto energético e diminui o apetite?, explica o profissional. É nesses casos que a suplementação pode ser útil para tentar fazer com que o corpo volte à situação normal e o apetite melhore.  

Fracione bem as refeições 

A recomendação de comer pouco várias vezes ao dia é muito importante para pacientes com câncer. "Fracionar as refeições e comer devagar, mastigando bem os alimentos, ajuda tanto a diminuir as náuseas quanto melhorar o apetite", garante Vitor Rosa. O nutricionista também aconselha que alimentos muito quentes sejam evitados, já que eles aumentam a sensação de náusea.  

Peça para que alguém cozinhe para você 

Muitos pacientes em tratamento - em especial aqueles que sofrem com tumores na região da cabeça e pescoço - ficam com o estômago embrulhando só de sentir o cheiro de comida. "A quimioterapia e radioterapia deixam o olfato mais realçado, o que aumenta as chances de náuseas diante do cheiro da comida", explica o nutricionista Vitor Rosa. Por isso, uma boa saída pode ser pedir para que alguém cozinhe para esse paciente.  

Atenção redobrada à higiene oral 

Uma boca limpinha pode até mesmo melhorar a náusea. Segundo Nivaldo Pinho, a quimioterapia e a radioterapia reduzem a capacidade de regeneração das células das mucosas e deixam a cavidade oral e o trato gastrointestinal com muitas células mortas ou envelhecidas. "Isso provoca perda da percepção do gosto dos alimentos e aumenta a sensação de náusea", afirma. 

Além disso, a higiene bucal ajuda a evitar o aumento de bactérias na boca, que fica menos protegida devido à diminuição da salivação provocada pelo tratamento. "A saliva tem função bactericida sobre determinados grupos de micro-organismos", justifica Nivaldo Pinho, que recomenda escovar bem os dentes e fazer bochechos com substâncias bactericidas. 

Varie o cardápio 

Com a falta de apetite e os demais sintomas, um grande desafio para quem está tratando o câncer é readquirir o prazer de comer. Segundo o nutricionista Nivaldo Pinho, o tumor aumenta a produção de citocinas, que avisam ao cérebro que precisamos comer menos. "Para combater o tumor, o organismo também aumenta a produção de citocinas, diminuindo ainda mais o apetite", acrescenta. O segredo é variar bastante o cardápio, com opções que o paciente goste, para que a alimentação não fique enjoativa e ele tenha prazer em comer. 

Inclua fibras solúveis na alimentação 

A diarreia durante o tratamento pode acontecer por diversas causas - intoxicação medicamentosa, desnutrição, morte das células do intestino, infecção intestinal e até falta de uma proteína chamada albumina no sangue. O nutricionista Nivaldo Pinho recomenda comer fibras solúveis, presentes em frutas como maçã, pêra, banana maçã e goiaba sem casca, já que elas estimulam a produção de células intestinais e melhoram a imunidade do intestino.  

Hidrate-se bem 

Outra medida muito importante para vencer a diarreia é a hidratação. "O paciente deve tomar chás, sucos coados sem açúcar e bastante água", aconselha Vitor Rosa, que também pede que seus pacientes evitem alimentos gordurosos, leite e derivados, fibras insolúveis (presentes em grãos integrais, cascas, sementes e cereais) e outros alimentos que possam soltar o intestino.  

Evite alimentos crus 

Dependendo do estado imunológico do paciente, alimentos crus podem ser perigosos, já que costumam apresentar alta concentração de bactérias. O médico ou o nutricionista poderá ajudar nessa determinação. "Podemos recomendar desde evitar comer a casca das frutas ou, em fases mais avançadas, procurar ingerir somente frutas cozidas", exemplifica o nutricionista do INCA.  
Fonte: MInha vida