segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Emagrecedores: veja o que é proibido e liberado no País

O Ministério da Saúde divulgou levantamento segundo o qual 47,1% da população brasileira adulta está acima do peso e 15% é obesa. 
Se manter os índices, o Brasil deverá alcançar em 13 anos os números registrados nos Estados Unidos.
Essa realidade estimula a proliferação de produtos dedicados ao combate à obesidade. São diversas as drogas que prometem o emagrecimento, algumas delas proclamando verdadeiras mágicas corporais. A saúde, entretanto, não aceita qualquer magia, e é frequente o caso de as promessas mais espetaculares trazerem os maiores riscos. 
Com a tarefa de separar o joio do trigo – e sem, por isso, se livrar de controvérsias entre a comunidade médica –, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente baniu anfetamínicos e restringiu o uso da sibutramina. Os mais diversos fitoterápicos são reconhecidos como alimentos, e não como medicamentos.
Após consulta à Anvisa, o site do Terra preparou um semáforo com 20 substâncias empregadas atualmente na luta contra a obesidade. 

Confira os produtos que o órgão recomenda que você siga em frente e veja quais você deve frear.

Anfetaminas
Sinal: Vermelho. O Diário Oficial publicou uma resolução da Anvisa que proíbe a produção, o comércio, a manipulação e o uso de medicamentos a base de anfepramina, femproporex e mazindol, todos inibidores de apetite do tipo anfetamínico. Esses anoxerígenos apresentariam eficácia questionável, além de aumentarem o risco de problemas no coração e nos pulmões e poderem causar dependência e surtos psicóticos.

Cloridrato de sibutramina
Sinal: Amarelo. Proibida na Europa, sofre novas restrições no Brasil desde 10 de outubro, quando a Anvisa vetou o consumo superior a 15 mg/dia e obrigou os profissionais de saúde, empresas detentoras de registro e farmácias a notificarem casos de efeitos adversos ao uso de medicamentos que contenham sibutramina. Na prescrição, médicos e pacientes devem assinar termo de responsabilidade que aponta as contraindicações e os riscos aos quais os pacientes estarão submetidos. Foram estipulados 60 dias para as empresas que possuem registro de drogas à base de sibutramina encaminharem à Anvisa um plano para minimização de riscos. As farmácias de manipulação devem apresentar ao órgão relatório semestral sobre as notificações de suspeitas de eventos adversos após o uso da substância. Sua venda é autorizada mediante apresentação de receita do tipo B2, e a sibutramina deve ser descontinuada em pacientes que não obtiverem resultados após quatro semanas. A substância eleva em 16% os riscos de infarto e AVC, segundo a pesquisa Scout, e pode ser encontrada em remédios como Meridia, Reductil e Sibutrex.

Orlistate
Sinal: Verde
Liberada para o tratamento contra a obesidade, é encontrada no Xenical, no Lipiblock e no Orlibesi. Não atua no cérebro, mas apenas no intestino, onde inibe a enzima lipase, reduzindo em 30% a absorção de gorduras, que são eliminadas nas fezes. Em grande parte dos casos, tem como efeito colateral problemas gastrointestinais, causando diarreia e incontinência fecal, além de dores abdominais e flatulência.

Liraglutida
Sinal: Vermelho
A liraglutida é componente do Victoza, remédio indicado para tratar diabetes que tem sido esvaziado das prateleiras das farmácias por clientes que buscam perder peso, a ponto de diabéticos precisarem entrar em filas de espera para comprar o produto. A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético, e não há solicitação na Anvisa por parte da detentora do registro de extensão da indicação para outra finalidade. Também não foram apresentados ao órgão estudos que comprovem a eficácia ou a segurança do uso do Victoza para o tratamento da obesidade. Por isso, a Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e alerta que empregos alternativos do produto caracterizam 'elevado risco sanitário para a saúde da população'.

Rimonabanto
Sinal: Vermelho
Utilizado na produção do Redufaste e do Acomplia, foi suspenso pela Anvisa em novembro de 2008. O laboratório Sanofi-Aventis chegou a suspender o Acomplia em todo o mundo depois que a agência reguladora da Europa, a European Medicines Agency (EMEA), recomendou a retirada do medicamento nos países da União Europeia. Para a EMEA, os benefícios do Acomplia não superavam os riscos. Estudos demonstraram que pacientes que utilizaram o medicamento tiveram duplicadas as chances de desenvolver problemas psiquiátricos, como ansiedade e depressão. 

Glucomanan
Sinal: Vermelho
A fibra alimentar é ingrediente de medicamentos como o Propolene. O polissacarídeo absorve água, formando uma massa gelatinosa, o que gera sensação de saciedade. A exemplo da FDA, a Anvisa não aprovou nenhum produto que contenha glucomanan para o tratamento da obesidade. No Canadá, um alerta à população apontava riscos de bloqueio da garganta, do esôfago e do intestino em função do mau uso do glucomanan, que é empregado para aliviar a constipação.

Lorcaserina
Sinal: Vermelho
O medicamento age como um anoréxico e tem efeito similar ao de alguns antidepressivos. Foi vetado pela agência reguladora de drogas e alimentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), por não apresentar dados de eficácia e segurança suficientes. Segue em fase de testes, nos quais 47% dos pacientes tomando lorcaserina perderam pelo menos 5% do peso inicial, comparados a 20% do grupo placebo. Efeitos colaterais como cefaleia, infecção do trato respiratório superior, nasofaringite, sinusite e náuseas têm sido registrados. A Anvisa informa que não há nenhum medicamento com lorcaserina registrado no País.

Quitosana
Sinal: Amarelo
Em 2010, a Anvisa interditou produtos à base de quitosana devido à suspeita de conterem sibutramina, não permitida em alimentos. A substância é produzida a partir de um polissacarídeo encontrado no exoesqueleto de crustáceos. Até então, a Anvisa permitia que produtos anunciassem que a quitosana auxiliava na redução da absorção de gordura e colesterol. A quitosana se mistura à gordura no intestino e forma um gel que não é aproveitado pelo organismo, sendo descartado nas fezes. Produtos com quitosana são liberados para serem comercializados apenas como alimentos.

Garcinia cambogia
Sinal: Verde
Fruta tropical do sul asiático e ingrediente do Hydroxycut, best seller entre os dietéticos americanos, atua no organismo inibindo o apetite e a compulsão por doces. Apesar de o Hydroxycut ter sido alvo, nos Estados Unidos, de um processo por falsa propaganda e de um recall após 23 casos de reações adversas sérias, incluindo uma morte, o fitoterápico Belly, que tem a Garcinia cambogia em sua composição, é liberado para o consumo no Brasil.

seolamina
Sinal: Vermelho
Substância extraída do feijão branco que inibe a absorção do amido em massas, batatas, arroz e demais alimentos de origem vegetal. O Dietrine, feito a partir da faseolamina, foi proibido neste ano por ser produzido e importado por empresa sem registro na Anvisa. A agência informa que não há nenhum medicamento registrado no País com a faseolamina em sua composição.

Caralluma fimbriata
Sinal: Vermelho
O cacto comestível, apreciado por índios por supostamente inibir a fome e aumentar a resistência, foi retirado do comércio brasileiro no dia 21 de dezembro de 2010. Até o momento, nenhum produto que contenha em sua composição a Caralluma Fimbriata está regularizado no País, já que, segundo a Anvisa, não há qualquer comprovação em relação à sua segurança e eficácia.

Bupropiona e Naltrexona
Sinal: Vermelho
Batizada de Contrave, a combinação das duas drogas – já aprovadas para combater o alcoolismo, a depressão e o tabagismo – segue em fase de testes nos Estados Unidos, após ter sido aprovada no fim de 2010. O receio da FDA é de que, a longo prazo, o Contrave possa causar infarto. No Brasil, a bupropiona é mais conhecida pela venda do Welbutrim, e o cloridrato de naltrexona tem como representante comercial mais comum o ReVia.

Cafeína
Sinal: Vermelho
Alguns suplementos dietéticos, a exemplo do Zantrex, são constituídos por uma série de estimulantes – como erva mate, guaraná, chá verde e outros produtos de origem vegetal – que contêm o princípio ativo da cafeína. Embora o consumo de cafeína possa acarretar perda de apetite e de líquido, o emagrecimento não é uma consequência comprovada, e o excesso pode causar irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça, insônia e complicações cardíacas. Existem diversos medicamentos registrados na Anvisa tendo a cafeína como um dos princípios ativos, mas o uso aprovado é apenas para potencializar a função de analgésicos, como Cefaliv (mesilato de diidroergotamina + cafeína), Doril (ácido acetil salicílico + cafeína) e Benegrip (maleato de clorfeniramina + dipirona sódica + cafeína).

Hoodia gordonii
Sinal: Vermelho
O fitoterápico, extrato vegetal originário da África, é empregado na produção de produtos como o TrimSpa e foi proibido pela Anvisa. A primeira fórmula do TrimSpa continha efedra, componente banido nos Estados Unidos, mas o ingrediente ativo do produto é a Hoodia gordonii e os estimulantes cafeína e teobromina. A morte por intoxicação da porta-voz do TrimSpa, Anna Nicole Smith, gerou polêmica em relação aos efeitos do produto, mas a autópsia concluiu que a atriz e modelo havia consumido uma combinação de outras drogas que, embora autorizadas, foram letais. Segundo a Anvisa, os estudos científicos a que foi submetida a Hoodia gordonii ‘não constataram sua eficácia e segurança. Por isso, o produto não possui registro como medicamento em nenhum país do mundo. Não há como assegurar a ação do produto, tampouco a ausência de riscos para quem consumir o vegetal’. Jasjit Bindra, chefe de pesquisas da substância na Pfizer, declarou que havia indícios de efeitos colaterais causados por componentes da fórmula que não podiam ser facilmente removidos do suplemento.

Tesofensina
Sinal: Vermelho
Testada em pacientes com Alzheimer e Parkinson, teve sua aplicação interrompida por ineficácia, mas acabou causando perda de peso nos indivíduos utilizados como cobaias, o que motivou estudos sobre sua aplicabilidade no combate à obesidade. Em tratamentos de apenas seis meses, doses de 0,5 mg a 1 mg foram seguidas de perdas de peso duas vezes superiores às observadas com a sibutramina e o rimonabanto. Houve, ainda, queda da glicemia e melhora nos níveis de colesterol, mas também efeitos colaterais como aumento da frequência cardíaca, boca seca, insônia, náuseas, taquicardia, constipação, diarreia e tonturas. A droga segue em fase de testes.

Cordia ecalyculata vell
Sinal: Vermelho
Conhecida como porangaba, cafezinho, café-do-mato, chá-de-frade, louro-salgueiro e louro-mole, a planta brasileira é utilizada para a fabricação da PholiaMagra, apontada como substituto natural do rimonabanto (o princípio ativo do Acomplia proibido desde 2008) e vendida como pastilhas similares às balas conhecidas como ‘jujubas’. Propagandas que vinculem a planta à queima de gorduras, redução do apetite e perda de peso foram suspensas pela Anvisa em 2010.

Slendesta
Sinal: Vermelho
Pílula feita da proteína da batata branca que busca promover a saciedade e, como consequência, a perda de peso. Nenhum fitoterápico com esse princípio ativo possui registro na Anvisa, mas farmácias de manipulação vendem em cápsulas o regulador do apetite.

Camellia sinensis
Sinal: Vermelho
A Anvisa ainda não aprovou a comercialização de chá verde em formas de apresentação não convencionais na área de alimentos, sob alegação de que não foi comprovada a segurança do seu uso. O produto é previsto apenas para infusão, e o extrato da planta é permitido como aditivo alimentar na função de aromatizante. O mecanismo de toxicidade do extrato de chá verde, segundo a Anvisa, não é claro. Alguns estudos identificaram efeitos adversos leves, como gases, náuseas, irritação gástrica e queimação. Outros pesquisadores sugerem a possibilidade de uma reação alérgica. A literatura médica recente chegou a registrar como reação ao extrato uma hepatite fulminante e necessidade de transplante de fígado.

Óleos de linhaça, de gergelim e de cártamo
Sinal: Vermelho
Embora a comercialização dos óleos seja autorizada, a Anvisa os enquadra na categoria de Novos Alimentos ou Ingredientes, ou seja, a sua venda não pode alegar propriedades terapêuticas como o combate à obesidade, por carência de comprovação científica. No caso do comércio do óleo de cártamo como emagrecedor, há alerta expresso da Anvisa de que se trata de infração sanitária, sujeita a advertências e multas. Segundo a agência, estão proibidas propagandas que atribuam aos produtos ‘resultados como diminuição da absorção de gorduras, redução de peso corporal, melhora da definição corporal e redução da circunferência da cintura’, atributos que só podem ser associados a medicamentos, e não a alimentos, que devem ter apenas suas características nutritivas divulgadas.

fONTE: MARINGÁ FM

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