sexta-feira, 28 de junho de 2013

Obesidade e termogênese

A obesidade e o ganho de peso caracterizam uma epidemia global na atualidade. Devido aos problemas de saúde que o excesso de gordura corporal acarreta, cientistas e profissionais de saúde estudam a questão em busca de melhor tratamento, controle e prevenção. Dentro deste contexto, os estudos sobre os alimentos e compostos termogênicos avançaram nos últimos anos, sendo usados de forma eficaz em dietas para perda e controle de peso.
Naturalmente, a sociedade hedonista e imediatista busca alternativas rápidas para solucionar seus problemas, o que nem sempre significa boas alternativas quando o que está em baila é a saúde. É nesse contexto que os termogênicos são usados e difundidos como solução rápida e certa, o que nem sempre é verdadeiro, sendo mais jogada comercial e mercadológica. Portanto, é importante esclarecer até que ponto os termogênicos são importantes e como lançar mão deles no processo de controle do peso.
Mas o que são termogênicos? Eles aceleram o metabolismo, como dizem? Quais são os alimentos termogênicos mais eficazes?
A termogênese corresponde à resposta fisiológica que os animais ditos de sangue quente (homeotermos) desenvolveram ao longo da evolução para manter a temperatura corporal constante, no caso dos seres humanos, em torno de 36-36,50C. As adaptações fisiológicas da termogênese são divididas em obrigatórias e induzidas – as primeiras denotam as reações metabólicas que ocorrem nas células (na organela mitocondrial) e que envolvem a síntese de energia e a manutenção do equilíbrio eletroquímico entre as membranas das mitocôndrias; já as adaptações induzidas são aquelas estimuladas por fatores externos, como o frio (tremor) e a alimentação, sendo estas mediadas, também pelo hormônio noraepinefrina, que atua em receptor tipo beta.
Quando falamos em alimentos termogênicos, nos referimos à termogênese induzida. E qualquer tipo de termogênese provoca o aumento do gasto calórico e o consequente aumento da necessidade calórica, esse é o ponto chave do uso de alimentos termogênicos na dieta: aumentar o gasto calórico. É importante esclarecer que o processo fisiológico da digestão por si só eleva a temperatura corporal, aumenta a atividade nas células do sistema digestório e, consequentemente, o gasto calórico. Entretanto, há alimentos específicos e outros substratos capazes de aumentar o gasto calórico de forma mais eficiente, mas isso na faixa de 5 ou 6% de maior aumento do gasto calórico. Não há nenhum alimento milagroso, por isso os profissionais afirmam que eles devem ser usados em associação com a dieta saudável para serem efetivos, o que de fato ocorre.
O principal local da termogênese induzida é o músculo, mais precisamente nas membranas da mitocôndria da fibra muscular, tendo como ator principal um dos 5 tipos da proteína desacopladora transmembrana (UCP). A ativação ou inibição do funcionamento da UCP é o ponto chave do processo da termogênese. Em resumo, é sabido que o consumo de gordura ativa a UCP via ativação da noraepinefrina (aumenta o estímulo da oxidação de gordura) e o jejum inibe a UCP e, consequentemente, o tecido oxida menos gordura. Assim, o funcionamento das UCPs musculares é modulado pela presença de nutrientes circulantes (em especial, a gordura) no organismo, o que é influenciado pelo estado nutricional do indivíduo.
As pessoas em dieta normocalórica ou hipercalórica estimulam mais o funcionamento da UCP e a oxidação de gorduras, o contrário ocorre para as dietas de muito baixa caloria e o jejum prolongado. Quando o nutricionista propõe a dieta fracionada em 5 ou 6 refeições diárias, o efeito da termogênese é estimulado pela própria disponibilidade regular de nutrientes para a célula.
Hormônios tireoidianos também influenciam a expressão gênica das UCPs na mitocôndria por isso estão envolvidos com o controle da temperatura corporal e com o gasto energético do indivíduo. É interessante pontuar também que o próprio exercício é agente termogênico na medida em que aumenta o consumo de oxigênio (indicativo de oxidação de nutrientes) e a temperatura corporal – agudamente, o exercício aumenta o gasto calórico independentemente do aumento de massa muscular.
O consumo regular de alimentos termogênicos não deve ser abusivo pelas pessoas que sofrem de disfunções na glândula tireoide. Dentre os classificados como termogênicos citamos: pimenta vermelha, mostarda, gengibre, café, chá verde, chá preto, chá branco, chá de hibisco, guaraná, alho, soja, curry, hortelã, chocolate amargo, coco, abacate, sementes oleaginosas, vinagre de maçã, aspargo, acelga, canela, óleo de coco, gorduras vegetais, couve, brócoli, laranja, kiwi, linhaça, chia, cebola, repolho, espinafre, salmão, sardinha, dentre outros.
A lista é extensa e tende a aumentar conforme avançam os estudos, mas de nada adianta priorizar o consumo de alimentos termogênicos se a nosso estado nutricional não estiver adequado, a queima extra de gordura não vai ocorrer nesse caso. Portanto, a alimentação saudável e balanceada indicada por um nutricionista é o primeiro passo para o peso adequado e, também, a indicação de uso de termogênicos precisa ser individualizada e programada para o momento correto no plano alimentar.

Fonte: Anutricionista.com

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