sábado, 1 de dezembro de 2012

Substância presente em peixes e algas pode deixar seu filho mais inteligente

Segundo estudo da Universidade de Oxford, o DHA, um ácido graxo ômega-3, melhorou significativamente o desempenho escolar de crianças britânicas

Por mais que as mães se empenhem, algumas crianças não querem comer nada que venha do mar. Em muitos casos, nem o famoso “aviãozinho” resolve. Mas um estudo da Universidade de Oxford, divulgado no mês passado, dá motivos para que elas insistam um pouco mais com os pequenos. Segundo a pesquisa britânica, o aumento no consumo do DHA, um ácido graxo ômega-3 presente em algumas espécies de peixes de água fria, como o salmão e o atum, e também nas algas, pode melhorar significativamente o desempenho escolar das crianças.

O estudo foi feito com 362 britânicos saudáveis, com idades entre sete e nove anos, que apresentavam baixo desempenho escolar. Durante 16 semanas, as crianças receberam doses diárias de óleo de algas marinhas em cápsulas. Neste período, os estudantes melhoraram seu desempenho em leitura e também no comportamento em sala de aula.
“A falta de habilidade de leitura em uma criança afeta todo seu aprendizado e pode levar a vários problemas na vida adulta”, explica Alex Richardson, pesquisadora sênior da Universidade de Oxford e uma das autoras do estudo. Ela conta ainda que os estudantes que receberam a suplementação conseguiram alcançar o nível dos colegas com melhor desempenho.

Não é milagre
Adolfo Leyva Rendón, médico do Instituto Nacional de Neurologia e Neurocirurgia do México, diz que o estudo junta-se a outros que já demonstraram a importância do ácido graxo na nutrição infantil. “Já era conhecido o benefício do DHA para o desenvolvimento mental dos bebês antes de seu nascimento e de crianças até a fase pré-escolar”, afirmou Adolfo durante workshop sobre o tema, realizado no início de outubro em Buenos Aires, na Argentina.
No entanto, Adolfo alerta que a ingestão do ácido graxo não faz nenhum milagre. “Não significa que você vai tomá-lo e de repente vai ficar mais inteligente. O que podemos dizer é que ele vai funcionar como aliado no desenvolvimento cerebral”, esclarece o neurologista.
O DHA é encontrado em certas áreas cérebro, mas também na retina, sendo igualmente importante para a saúde dos olhos. “Ele ajuda as sinapses a ficarem mais eficientes”, aponta a nutricionista Elaine de Pádua, referindo-se a comunicação feita entre as células cerebrais, os neurônios. “Melhora ainda a cognição, que é a nossa capacidade de adquirir conhecimento”, completa a especialista.

Águas geladas e profundas
Para grávidas e crianças, a nutricionista Fernanda Faria recomenda o consumo de duas porções por semana de salmão, cavala, sardinha ou atum. Contudo, ela faz uma ressalva. “Os peixes que estamos acostumados a comprar no supermercado são criados em cativeiros e alimentados com ração. Mas para serem ricos em ômega-3, eles precisam viver em águas geladas e profundas. É lá que esses animais se alimentam das algas, estas sim ricas em ácido graxo”, pondera Fernanda.
Quem não é muito fã de consumir peixe pode recorrer à suplementação de DHA em cápsulas de óleos de peixe ou alga. De acordo com Fernanda, está última opção é a recomendação dos especialistas para os vegetarianos. Também existem diferentes tipos de suco e leite em pó infantil enriquecidos com o ácido graxo disponíveis no mercado.
No Brasil, a venda de cápsulas, suplementos e produtos relacionados ao DHA tem crescido, de acordo com Renata Rezuk, gerente de segmento da DSM, multinacional fabricante destes produtos. “Atualmente, o consumo em maior escala acontece principalmente nos Estados Unidos, México, Ásia e Europa. Mas a procura tem aumentado bastante na América Latina”, afirma Renata.
Elaine diz que as cápsulas e os suplementos de DHA não têm nenhum efeito colateral, mas que as mães e as grávidas devem procurar um obstetra ou um nutricionista antes de ingeri-los ou dá-los aos seus filhos. “Além de recomendar a quantidade necessária para cada pessoa, o profissional especializado também vai indicar os produtos mais confiáveis existentes no mercado”, considera a especialista. Em relação aos sucos e leites, ela diz que não há nenhuma restrição de consumo.

Fonte: IG

O que comer na gravidez para deixar seu bebê mais saudável

Pesquisas afirmam que alimentos ingeridos pela grávida podem tornar a criança mais saudável e feliz. Especialistas esclarecem até que ponto levar esses estudos a sério



O cuidado com a alimentação durante a gestação é cada vez mais presente na vida das gestantes. Grande parte dessa preocupação se deve a médicos e nutricionistas que procuram orientar as futuras mães sobre os benefícios de diversos alimentos e hábitos. Hoje em dia já se sabe, por exemplo, que não é necessário – e até contra-indicado - que a gestante coma por duas pessoas . Especialistas também afirmam que uma dieta rica em peixes pode colaborar para que a criança se torne mais inteligente, já que o consumo de ômega 3, ácido graxo contido em salmão e sardinha, por exemplo, estimula o desenvolvimento cognitivo e motor do bebê . Entre tantas recomendações, confira quais alimentos podem colaborar de verdade para a saúde e o bem-estar do seu filho.


Alergia
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA), na França, o próprio peixe tem outros benefícios. Pesquisador do Instituto, Gaëlle Boudry afirmou ao jornal científico Science Daily que o famoso ômega 3, também presente em nozes e sementes de linhaça, colabora para que as células imunológicas do intestino respondam a bactérias e substâncias estranhas de maneira mais adequada, diminuindo a probabilidade do bebê sofrer alergias após o nascimento. O sistema imunológico, portanto, amadurece mais rapidamente com a ajuda da substância, segundo Gaëlle.
Mesmo tendo mais chances de uma criança ser alérgica a um alimento com o qual nunca teve contato do que a um que já conhece, ainda que o contato tenha se dado dentro da barriga da mãe, não existem pesquisas suficientes que comprovem a teoria com total clareza. De acordo com a nutricionista Elaine de Pádua, integrante da equipe de pré-natal da Casa da Saúde da Mulher, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e diretora da clínica DNA Nutri,em São Paulo, qualquer substância que entra em contato com o corpo pode gerar uma alergia e seria somente a alimentação da mãe que poderia impedir um possível quadro alérgico do filho. Segundo Elaine, a afirmação do estudo francês deve ser vista com cautela.

Paladar 
Uma pesquisa realizada por Kimberly Trout, diretora do programa de Prática de Parto e Enfermagem pela Saúde da Mulher (Nurse Midwifery/Women’s Health Nurse Practitioner), da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, mostra que as escolhas alimentares da gestante podem moldar o paladar do bebê prestes a nascer e, com isso, facilitar a preferência dele por alimentos mais saudáveis. Segundo o jornal norte-americano Washington Post, o conceito foi chamado de “aprendizagem de sabor pré-natal”. Isso acontece porque os sabores dos alimentos que a mãe ingere se misturam ao líquido amniótico e ao leite materno, fazendo com que o bebê também os sinta.
Seria lógico, então, afirmar que a mãe pode fazer com que seu bebê tenha maior facilidade para aceitar legumes e vegetais à medida que for crescendo – e até goste mais destes alimentos do que de outros. Para a professora Solange Junqueira, do curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo,em São Paulo, o raciocínio está correto. “Acredita-se que existe uma memória metabólica e o feto habitua-se facilmente aos nutrientes que a mãe ingere”. A nutricionista clínica Flávia Ferazzo Figueirêdo costuma abordar o assunto com as gestantes que atende: “se a mãe come muita fritura e bebe bastante refrigerante, por exemplo, a criança terá uma tendência a gostar mais desses alimentos.”

Thinkstock/Getty Images
Chocolate proporciona sensação de bem-estar, mas não deve ser única fonte de prazer da grávida

Sorridente
Em um estudo realizado pela Universidade de Helsinki, na Finlândia, 300 grávidas foram questionadas sobre a quantidade de chocolate que ingeriam e sobre os níveis de estresse que vivenciavam diariamente. Seis meses após darem à luz, foram questionadas novamente, mas dessa vez sobre o comportamento das crianças. Foi descoberto, então, que os filhos de mães que comiam chocolate regularmente eram mais sorridentes e ativos, enquanto os filhos de mulheres que não comiam o alimento mostravam-se mais medrosos. No entanto, os pesquisadores esclareceram que não levaram em consideração outros fatores que poderiam influenciar os resultados.
Por ser rico em triptofano, o chocolate aumenta a produção de serotonina (hormônio responsável pela regulação do humor, entre outras características) no cérebro. De acordo com a nutricionista Fernanda Corrêa, professora da Universidade Anhembi Morumbi,em São Paulo, é possível que isso aconteça pelo fato de a mãe passar para o bebê a sensação de bem-estar que sente após comer chocolate, mas o alimento em si não faria tanta diferença. A nutricionista explica que a pesquisa não deve ser motivo de uma corrida de gestantes ao supermercado. O ideal mesmo é que a gestante encontre outras atividades que proporcionem sensação de bem-estar sem precisar sempre da ajuda do triptofano.

Inteligência
O consumo de ovos e bacon também poderia deixar o seu filho ainda mais inteligente ao nascer. De acordo com o jornal britânico The Telegraph, um grupo de cientistas da Universidade da Carolina do Norte resolveu fazer a alegria das gestantes norte-americanas e descobriu que um micronutriente chamado colina, presente em bacon e ovos, alimentos característicos do café da manhã nos Estados Unidos, pode ajudar no desenvolvimento do cérebro do feto, principalmente nas partes relacionadas à memória e ao reconhecimento.
Segundo Elaine de Pádua, o micronutriente é realmente importante para o desenvolvimento normal do cérebro e para a formação da acetilcolina, neurotransmissor que colabora para que as sinapses aconteçam de forma mais rápida e eficiente, mas as grávidas não devem abusar desses alimentos. De acordo com Fernanda Corrêa, estudos sobre a importância da colina continuamem andamento. Elaexplica ainda que o micronutriente também pode ser encontrado no leite e na carne de frango, entre outros alimentos.
Asma
Outro estudo americano conduzido por Ekaterina Maslova, da Escola de Saúde Pública de Harvard, avaliou a ingestão de leite e laticínios durante a gestação e concluiu que a alimentação diária com iogurte de fruta de baixa caloria aumentava em quase duas vezes a probabilidade dos filhos desenvolverem asma até os sete anos de idade, além de serem mais propensos à rinite alérgica.
O iogurte desnatado tem uma menor quantidade de ácido graxo, e a grávida que faz uso desse tipo de alimento não estaria consumindo a mesma quantidade de gordura que uma gestante que ingere iogurte normal. No entanto, se somente o iogurte é light e a gestante se alimenta de forma correta no dia a dia – incluindo peixes, vegetais e outros alimentos em sua dieta –, dificilmente faltará gordura para ela e para o desenvolvimento do feto. Diante desse cenário, Solange Junqueira acredita que o consumo de iogurte light não deve ser totalmente proibido.
A nutricionista Fernanda Corrêa ressalta, no entanto, que a falta de gordura durante a gestação dificultará o desenvolvimento do sistema imunológico da criança e, por isso, podem surgir problemas respiratórios ao longo da infância. O importante, portanto, é não focar em baixas calorias durante a gravidez e lembrar que o período da gestação não é propício para perda de peso.
Fonte: IG