sábado, 8 de setembro de 2012

Falta de vitamina D é associada a 12 doenças

Novos estudos reforçam importância do nutriente, ligado a proteção contra o câncer, asma, diabetes, esclerose, depressão e outros

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Alimentação saudável, com leite e derivados, com exposição adequada ao sol garantem vitamina D ao organismo
Sem a vitamina D, o corpo não consegue absorver o cálcio de maneira adequada e os ossos se tornam frágeis.
Durante o encontro anual da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, em fevereiro, pesquisadores revelaram que entre 889 pacientes adultos tratados no centro de traumatologia do Missouri em decorrência de fraturas, os níveis de vitamina D no sangue eram "insuficientes" em 78% e "extremamente insuficientes" em 39%. O grupo estudado excluiu pessoas com fatores de risco conhecidos para a deficiência de vitamina D.

Cinco aitudes para garantir a dose correta da Vitamina D
Um segundo estudo, realizado por médicos em Seul, na Coreia do Sul, revelou que os níveis de vitamina D eram "significativamente mais baixos" em 104 mulheres na pós-menopausa que haviam quebrado o pulso que entre os 107 pacientes da mesma idade sem qualquer fratura.
Outras linhas de pesquisa passaram a investigar se a a vitamina D no sangue pode proteger contra doenças crônicas ou potencialmente fatais. Nos últimos anos, muitos estudos ligaram níveis baixos de vitamina D a riscos para a saúde como doenças cardíacas, pressão alta, câncer, artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, levando muitos homens e mulheres preocupados com a saúde a acreditar que suplementos de vitamina D são uma proteção.

Infelizmente, ainda não há grandes estudos clínicos randomizados controlados _ uma espécie de padrão-ouro da pesquisa com seres humanos _ para comprovar ou refutar o valor do uso da vitamina D, além dos seus benefícios conhecidos para a saúde óssea.

No entanto, o Dr. Kevin A. Fiscella, especialista em saúde pública e médico de família na Universidade de Rochester, decidiu tomar 1.000 unidades de vitamina D por dia, baseando-se nos dados de seus estudos quem relacionam diferenças raciais nos níveis de vitamina D ao risco de doenças, e em sua crença de que fazer isso "não prejudica e ainda pode ajudar".

Uma vitamina muito influente
Fiscella enfatizou que suas descobertas sugerem fortemente _ apesar de não comprovarem _ que as deficiências de vitamina D causam ou contribuem para causar doenças como câncer colorretal, pressão alta, insuficiência renal e doenças cardíacas, que afetam os negros americanos com maior frequência do que os brancos. Os resultados são sustentados por conhecidos efeitos biológicos da vitamina D e pela ocorrência de uma deficiência generalizada de vitamina D entre os negros que vivem no Hemisfério Norte.
Quase todos os tecidos do corpo possuem receptores de vitamina D, entre eles intestinos, cérebro , coração , pele, órgãos sexuais, mamas, linfócitos e placenta. Sabe-se que essa vitamina, que atua como um hormônio, influencia a expressão de mais de 200 genes.
Em estudos laboratoriais, demonstrou-se que ela tem propriedades anticancerígenas, inibindo o crescimento e a disseminação de tumores. Além disso, há evidências ainda inconclusivas que sugerem que a deficiência de vitamina D desempenha um papel na asma, no diabetes 2, em doenças autoimunes como a esclerose múltipla e a artrite reumatoide, a pré-eclâmpsia e o peso baixo ao nascer, além de distúrbios neuropsicológicos como o autismo, a depressão e a perda de memória.
A vitamina D é um nutriente essencial solúvel em gordura que entra naturalmente no corpo, principalmente por meio da pele, onde a radiação ultravioleta B da luz solar estimula a produção da pré-vitamina D, que, por sua vez, é convertida nos rins para a forma biologicamente ativa, o hormônio vitamina D.

Poucos alimentos contêm naturalmente níveis significativos de vitamina D; principalmente os peixes de água gelada gordurosos, como salmão, sardinha, anchovas e atum, bem como o óleo de fígado de bacalhau. Alguns alimentos são enriquecidos com a vitamina, especialmente o leite, as fórmulas infantis e, mais recentemente, algumas marcas de suco de laranja, iogurte, queijo e cereais matinais.

Diversos fatores impedem que se alcancem os níveis de vitamina D conhecidos por prevenirem a perda óssea, sem falar de outras doenças cuja relação de causa e efeito talvez nunca seja estabelecida.
Um deles é a cor da pele. A pele escura evoluiu na África equatorial, onde o sol é intenso o ano todo e uma breve exposição diária aos raios UVB (os raios solares que queimam) já é suficiente para que se alcancem os níveis adequados de vitamina D no sangue. Mas a melanina na pele atua como um protetor solar natural e os negros que vivem nos Estados Unidos, onde o sol é menos intenso, produzem quantidades menores de vitamina D.

Evitando a deficiência
Alertas sobre as consequências cosméticas e cancerígenas da exposição excessiva ao sol têm levado milhões de americanos preocupados com a saúde a se protegerem dos raios UVB com roupas de proteção e o uso constante de protetor solar sobre a pele exposta, tornando mais difícil a geração de vitamina D.
Além disso, uma vez que a vitamina D é armazenada na gordura do corpo, o aumento dramático da obesidade no país está colocando mais pessoas em risco obter níveis inadequados de vitamina D no soro sanguíneo, independentemente da cor da pele.
Por fim, o consumo de leite diminuiu significativamente e a maior parte dos outros derivados de leite populares não é fortificada com vitamina D.
Como resultado, cada vez mais americanos de pele clara estão descobrindo que também não estão obtendo níveis suficientes de vitamina D para chegar a 20 nanogramas de vitamina D por mililitro de soro sanguíneo, o nível considerado adequado pelo Instituto de Medicina, e um número ainda menor chega aos 30 nanogramas, o nível que os especialistas ósseos e os pesquisadores da vitamina D consideram mais desejável.

Um ensaio clínico controlado com placebo e patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde, que deverá ser concluído em 2016, está avaliando o efeito de um suplemento diário de 2.000 UI de vitamina D sobre o risco de desenvolver doenças cardíacas, câncer e acidentes vascular cerebral, em 20.000 homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 55 anos sem antecedentes destas doenças.
Enquanto isso, a Sociedade de Endocrinologia recomenda que pessoas com risco de deficiência de vitamina D sejam examinadas para determinar seu nível sérico, incluindo pessoas com doenças ósseas, doenças crônicas nos rins. Pessoas que tomam medicamentos como anticonvulsivos, glicocorticoides, antirretrovirais, antifúngicos e colestiramina também devem ser testadas, assim como idosos com histórico de quedas ou de fraturas não traumáticas.
Fiscella afirma que determinados grupos de risco de deficiência de vitamina D também devem realizar os exames: negros, crianças e adultos obesos, grávidas e lactantes.
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Fonte: IG

Como equilibrar filtro solar e vitamina D

Bloqueador dos raios solares diminui em 90% absorção da substância que protege de 11 doenças. Maior pesquisador do tema orienta como garantir a dose ideal


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Exposição ao sol é a principal fonte de vitamina D para o corpo

Michael F. Holick, eleito este ano como melhor médico dos Estados Unidos da América (EUA), pesquisa há três décadas a função da vitamina D, substância que virou a queridinha da ciência  e cujo consumo foi associado à proteção contra 12 doenças, entre elas diabetes e câncer .
Com base nas próprias descobertas científicas – que já constataram a deficiência de doses ideais deste hormônio em 80% da população mundial – Holick não tem dúvidas ao colocar a falta de exposição aos raios solares na mesma turma de outros conhecidos vilões da saúde, como fumo, sedentarismo e obesidade.
Isto porque  o sol é um remédio natural  e a principal fonte de vitamina D para o organismo humano.
“O estilo de vida predominante hoje faz com que as pessoas fiquem em ambientes fechados, não brinquem nas ruas e nem façam caminhadas ao ar livre, mesmo em áreas tropicais”, afirmou Holick – ele está no Brasil para participar do 17º Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia e para divulgar o seu novo livro “Vitamina D: Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes” (Ed. Fundamento).
Além disso, há outra equação de difícil solução, diz Holick. O protetor solar, forma mais eficaz de prevenir o câncer de pele  – que neste ano deve acumular 134 mil novos casos só no Brasil – “diminui em 90% a capacidade do organismo de absorver a vitamina D”.
Michael Holick, professor de medicina, fisiologia e nutrição da Universidade de Boston (EUA), além de autor de 400 artigos científicos e 11 livros acadêmicos sobre a vitamina D, orientou sobre como equilibrar proteção solar e a absorção da vitamina.
Defensor da suplementação artificial da substância, “já que via alimentação e exposição ao sol é muito difícil conseguir as doses ideais”, Holick falou que os obesos correm ainda mais risco de entrarem no grupo de carentes da substância.
“Quem está nos números da obesidade precisa 3 vezes mais de vitamina D do que magros”.

Filtro solar e vitamina D
Para o bom funcionamento do corpo, são necessárias, no mínimo, 400 UI (unidade internacional usada para a vitamina D) e já existem evidências que sugerem 1000 unidades da substância. Segundo Michael Holick tomando sol entre 10 e 15 minutos, já é possível conseguir 1500 unidades de vitamina D. Uma gema de ovo, por exemplo, tem 20 unidades e 100 gramas de salmão em conserva tem entre 100 e 250 unidades. O banho de sol, portanto, é a principal forma natural de conseguir a quantidade indicada.


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O salmão tem 600 unidades de vitama D em 100 gramas. Já o salmão em conserva, na mesma quantidade, tem 250 unidades
“O problema é que o filtro solar fator 30 reduz em 90% a capacidade do organismo em absorver a vitamina D. Ninguém quer incentivar a exposição nociva ao sol e eu sou a favor da proteção. Mas também defendo que, em doses moderadas, o sol só faz bem.”
No novo livro, Holick compara os raios solares ao sal e à gordura. Diz que nenhum humano sobrevive sem os dois. Mas o exagero no consumo de ambos ameaça a saúde.
“Minha orientação é que as pessoas tomem ao menos 5 minutos de sol todo dia sem protetor solar. Depois desse tempo, se forem seguir sob o sol, devem passar o bloqueador no rosto para evitar danos dermatológicos. Os braços e pernas também podem ficar expostos aos raios solares, em caminhadas até o trabalho, até o restaurante na hora do almoço ou até em casa."
Quem vai à praia ou a piscina, orienta o especialista, também pode iniciar o banho de sol sem proteção por alguns minutos e depois recorrer ao filtro. Para as pessoas muito vulneráveis ao câncer de pele, brancas e de olhos claros principalmente, a sugestão é conversar com os médicos sobre a suplementação.

Versatilidade
As pesquisas sobre a vitamina D são publicadas em séries e há uma associação da substância à proteção para as mais variadas doenças: neurológicas (como o  Alzheimer ), metabólicas ( diabetes e obesidade) e ósseas, como a  osteoporose .
Michael Holick explica que a versatilidade da substância está no fato dela estar presente em todas as células e tecidos do corpo. Apesar do nome, a vitamina é produzida na pele, participa de vários processos fisiológicos, como digestão e respiração, e tem atuação no corpo semelhante à de um hormônio. Os estudos conduzidos por Holick identificaram que ela está associada à metabolização e funcionamento de 2 mil genes humanos. Por este motivo, a deficiência é tão comprometedora da saúde. Já um consumo ideal pode ser protetor das mais variadas doenças.

Obesos e a absorção da substância
Segundo Holick, há uma relação nociva entre obesidade e vitamina D. As gorduras em excesso acabam concentrando toda a quantidade da substância que chega ao corpo e impedem que ela seja disseminada no organismo.
“Por este motivo, nossos estudos mostram que os obesos precisam de 3 ou 5 vezes mais de vitamina D do que os magros para chegarem aos níveis considerados ideais”, explicou o médico.

Suplementação
Michael Holick é defensor da suplementação de vitamina D, desde que seja feita com orientação e de forma adequada. No novo livro, ele publica os estudos feitos em parceria com o FDA – órgão dos EUA responsável pela regulação de remédios e medicamentos –, que constataram informações equivocadas nos leites e cereais vendidos como se fossem fortificados com vitamina D.
“A maioria deles não tinha a dosagem divulgada na embalagem”, disse. “Eu defendo a suplementação, eu mesmo tomo dosagens extras de vitamina D (1000 unidades). Mas faço caminhadas, ando de bicicleta, como peixes e tomo sol”, diz o médico.

Fonte: IG