segunda-feira, 25 de junho de 2012

DIABETES MELITUS GESTACIONAL





Definição – persiste a definição da ADA “… qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiramente reconhecida na gestação, mesmo se a condição persistir após a gravidez”. A definição ideal deveria levar em conta 03 elementos de risco: morbidade /mortalidade perinatal na gestação atual, risco da mãe desenvolver DM2 e o risco do ambiente intra-uterino (programming) influenciar a expressão de doenças na vida adulta.


Diagnóstico – Atualmente ainda há falta de consenso internacional sobre o assunto. Na maior parte do mundo o diagnóstico pode ser feito através do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 3h com 100g de glicose (EUA) ou através de TOTG de 2h com 75g de glicose como preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


Racional para o tratamento – DMG está associado a aumento de desfechos adversos na gestação. O tratamento do DMG, mesmo casos leves, reduz o risco desses desfechos. Estudos observacionais sugerem fortemente que qualquer gestação complicada por hiperglicemia confere um risco aumentado na prole de desenvolver DM 2 e o controle glicêmico materno parece reduzir este risco.

MEDIDAS ANTES DA GESTAÇÃO


Aspectos Gerais

- 30-50% das mulheres que tiveram DMG desenvolverão DMG em gestação subseqüente;

- Toda mulher com DMG deve ter seu status glicêmico avaliado no pós parto;

- Se passado 01 ano do pós parto, um TOTG deverá ser realizado antes da nova concepção ou ainda no primeiro trimestre;

- Uma vez o TOTG normal no início da gestação, o mesmo deverá ser repetido entre 26 e 28 semanas, ou mais cedo, se clinicamente indicado (glicosúria, aumento líquido amniótico ou do tamanho fetal, etc).

- IECA, BRA, bloqueadores de canais de cálcio e drogas hipolipemiantes são contra-indicadas na gestação. A necessidade de interrupção das drogas anti-proteinúricas na gestação deve ser considerada no aconselhamento pré gestacional.

- A suplementação adequada de ácido fólico é aconselhada para pacientes diabéticas, assim como para população em geral.

Controle Glicêmico Pré-Gestacional

- Abortamento precoce e malformações fetais estão associados diretamente ao aumento nos níveis de Hb glicadaA1c pré-concepção.

- Desconhece-se o nível de controle glicêmico cujo risco não seria aumentado.

- A busca pela melhora do controle glicêmico pré concepção deve ser sempre incentivada e preconiza-se “arbitrariamente” níveis de Hb glicadaA1c< 6,5 (ou < 7,0 se em uso de insulina); algumas sociedades preconizam níveis ainda mais baixos tendo em vista que Hb glicadaA1c< 6,5 estaria associada a uma média da glicemia de jejum<117 mg/dl e glicemia pós prandial <153 mg/dl. - Mulheres com Hb glicadaA1c >8,0 devem ser desencorajadas a engravidar até melhora do controle glicêmico ser obtida.

DURANTE A GESTAÇÃO


- Não há consenso a respeito do screening universal ou não.

- Fatores de risco maiores para DMG são: idade materna elevada, aumento de peso, DMG prévio ou feto macrossômico, história familiar de DM em parentes de primeiro grau e grupos étnicos com elevada prevalência de DM.

- Para mulheres que perderam o aconselhamento pré-concepção, solicitar Hb glicadaA1c o mais rápido e oferecer avaliação de riscos baseada nestes resultados.

- A monitorização glicêmica deve ser incentivada e realizada em antes e pós-prandiais. Decisões de tratamento baseadas nos níveis glicêmicos pós-prandiais parecem resultar em menores complicações, particularmente macrossomia.

- Monitorização glicêmica 1h após refeição, ao invés de 2h, parece resultar em melhores desfechos obstétricos, além de aumentar a aderência à realização dos testes.

- Os alvos das monitorizações pré e pós prandiais devem ser os mais baixos, desde que a paciente se sinta confortável e segura. Estimula-se, arbitrariamente, glicemias capilares de jejum entre 90 a 99 mg/dl, 1h após < 140 mg/dl e 2h após < 120 mg/dl. - Medida da Hb glicadaA1c nas mulheres com DMG só deve ser encorajada quando houver dúvida se havia diabetes antes da concepção. - Caso os níveis alvos do controle glicêmico não sejam obtidos dentro de 1 a 2 semanas após início de medidas higieno-dietéticas, considerar terapia medicamentosa. - Fazer os ajustes na terapia de acordo com a monitorização glicêmica domiciliar. Dieta - Aconselhamento nutricional deve ser individualizado e culturalmente sensível, objetivando alimentos de menor índice glicêmico. Exercícios - A prática regular de exercícios parece ser útil para prevenir DMG e melhorar a sensibilidade insulínica. Entretanto, há falta de evidência quanto ao tipo, freqüência e intensidade da atividade física durante a gestação diabética. Uso de insulina - A insulina permanece como terapia medicamentosa padrão para o tratamento do DM na gestação. - Análogos de curta ação (lispro e aspart) têm sido utilizados em DMG e DM1 e seu uso vem sendo alvo de revisão sistemática. Não há dados da glulisina na gestação. - Há experiência limitada com análogo de longa ação (glargina); dados mais escassos com a detemir, apesar de um Trial estar sendo conduzido com este fim. - A decisão sobre o tipo de insulina e o regime a ser começado deve ser feita após discussão informada, pesando-se risco x benefício quanto ao uso de análogos mais novos X preferência do paciente, controle glicêmico e estabilidade. Agentes Orais Metformina e Glibenclamida - Há adequada evidência para considerar o uso de metformina e glibenclamida como opções do tratamento do DM na gestação. Entretanto, como são drogas que ainda não foram liberadas para esta indicação, a mulher deve estar ciente dos possíveis riscos. Há extensa experiência na literatura com uso da metformina que, apesar de atravessar a placenta, não parece possuir propriedades teratogênicas. - Combinações de terapias não têm sido especificamente estudadas. PÓS GESTACIONAL Pós parto Modificação no regime de insulina (redução) é necessário no pós-parto. Para mulheres com DMG a interrupção da terapia hipoglicemiante é aconselhável. Monitorização glicêmica deve ser continuada. Amamentação - Deve ser incentivada. Contudo, pode influenciar no controle glicêmico materno e o DM pode alterar a composição do leite materno. Mulheres com DM1 podem ter reduzida a necessidade de insulina durante a lactação. - Metformina tem transferência mínima (<0,4%) para o leite. - Há risco indefinido se as sulfoniluréias podem causar hipoglicemia no recém-nascido, entretanto a glibenclamida parece ser segura. - Enalapril parece ser seguro na lactação, enquanto outros IECAs devem ser evitados. Seguimento do DMG - Toda mulher com DMG deve realizar TOTG por volta da sexta semana de pós parto. - Se desejar engravidar outra vez, deve realizar novo TOTG o mais precocemente possível antes da gestação ou ainda no primeiro trimestre. - Caso não queira mais gestar, é necessário analisar os fatores de risco para DM2. Se presentes, o TOTG deve ser anual. Se considerada de baixo risco, deve realizar glicemia de jejum a cada 2 anos e, TOTG se glicemia de jejum > 100 mg/dl.

Fonte: SBEM
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Escrito por admin em março 4th, 2010 :: Arquivado em Diabetes,Gestação
Tags :: Diabetes, gestacional, melittus

Conselhos de Saúde para Idosos




Dia 27 de setembro é o Dia Mundial do Idoso. Pensando em formas de melhorar a qualidade de vida da população da terceira idade, o site da SBEM reuniu aqui algumas dicas de prevenção e controle das principais doenças endócrinas que afetam, principalmente esta faixa etária. O Dr. Dalisbor Silva – secretário-adjunto da SBEM Nacional, gestão 2005/2006 – é o consultor desta matéria.

Algumas sugestões auxiliam na prevenção de mais de uma disfunção. Evitar o tabagismo é uma delas, pois previne a osteoporose e as doenças cardiovasculares, que representam fortes complicações do diabetes, além de causar outros males à saúde. O abandono da vida sedentária também traz grandes benefícios à população em geral. Vale lembrar que 30 minutos de caminhada diária é o suficiente.

É interessante que o idoso tenha o seu médico de confiança e que mantenha contato direto com ele para que seja acompanhado em todas as atividades. Segundo o Dr. Dalisbor, o principal objetivo é o controle da qualidade de vida do idoso. Além disso, é fundamental evitar a automedicação. São medidas simples, mas necessárias. Confira outras dicas direcionadas:

Osteoporose

Para a prevenção da osteoporose e de possíveis fraturas é preciso deixar o osso saudável. A mudança de hábitos de vida, com a inclusão da prática de atividade física regular e uma alimentação adequada são boas medidas. É fato que alguns fatores dificultam esta a prática de atividades por idosos – como dificuldade de locomoção, falta de equilíbrio, etc. Por isso é importante que busque uma orientação médica, para que haja uma avaliação prévia geral da saúde e a indicação personalizada com o tipo de exercício mais adequado.

Em relação à alimentação, inclua leite e derivados, diariamente e, se necessário, buscar uma suplementação de cálcio e vitamina D, com orientação médica.

Diabetes

Na alimentação da pessoa com diabetes, é preciso ter cuidado com açúcares simples (doces) e ficar atento na quantidade de amido (massas e tubérculos, como batata e etc.) e de gorduras saturadas (de origem animal) ingerida. Converse com seu médico em relação ao uso de bebida alcoólica.

Outra dica importante do Dr. Dalisbor, é que tenha cuidado especial com produtos diet (sem açúcar) e light (de menor valor calórico). É preciso ter um limite. Ao optar por um produto diet, deve-se usar apenas uma porção, para não aumentar o valor calórico total. Leia os rótulos.

É preciso, ainda, que o idoso tenha sempre cuidado com os pés, utilizando sapatos e cremes adequados para não ressecar a pele. O monitoramento da glicose também é importante.

Hipertensão

A pressão alta é um problema bastante frequente. Para a sua prevenção são necessários: a redução do sal na alimentação, bem como o controle alimentar e, da mesma forma, a atividade física regular.

Em pessoas acima do peso, a redução de 5% do peso geral já faz uma grande diferença nos índices da pressão arterial, é interessante monitorar a pressão periodicamente, de acordo com a indicação médica. Busque levar uma vida mais tranqüila.

Fonte: SBEM