quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lipoaspiração pode mascarar risco cardíaco

Benefício estético da cirurgia não corrige males denunciados pela “barriguinha”.

Os algarismos mostrados pela fita métrica envolta da cintura indicam muito mais do que a presença de “pneuzinhos”, necessidade de aumentar o número da calça jeans ou trocar o biquíni pelo maiô.

Pneuzinho pode ser índicio de risco cardíaco. Vilões do coração não são "apagados" com o bisturi.

Quando a circunferência supera 80 centímetros é sinal de que o coração pode estar ameaçado pela presença de colesterol, hipertensão e triglicérides em excesso. Estes mesmos “malfeitores” cardíacos podem ser disfarçados – e continuar prejudicando sistema cardiovascular – caso o bisturi entre em ação sem ser acompanhado pela dieta saudável e pela mudança do estilo de vida.

“A lipoaspiração sozinha traz benefício estético mas influencia nada em melhoras ao coração”, afirma o cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), Márcio Miname.

O médico nefrologista especializado em pressão alta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Osvaldo Kohlmamm Júnior, acrescenta: a mulher faz a lipo e acredita que a nova silhueta já garantiu uma vida mais saudável, mas por trás do abdômen “retinho” e chapado ainda vivem os problemas que são o ponto de partida das doenças cardiovasculares.

“A barriga saliente acaba sendo um indicador, um aviso de que alguma coisa pode estar errada com o coração e não apenas com a aparência”, disse Kohlmamm Júnior, durante a pré abertura do último Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em Belo Horizonte.

As pesquisas

O alerta feito pelos especialistas já foi comprovado por uma análise feita com 15 mulheres obesas, submetidas à lipoaspiração e que perderam em média 10 quilos após a cirurgia. Os especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington avaliaram o impacto desta redução na melhora das taxas de glicose, produção de insulina, colesterol e pressão alta das mesmas pacientes.

As conclusões, já publicadas no periódico científico New England Jounal mostraram que o efeito nestes potencializadores de problemas no coração foi quase nulo, muito inferior ao que poderia ser conseguido com exercícios físicos, por exemplo.

O motivo é que a ação estética não é suficiente para corrigir as chamadas “células gordas” que estão no organismo e não são eliminadas com a lipoaspiração.

Gordura invisível


Além dos pneus e os excessos de gordura aparente existe, segundo os cardiologistas, a chamada "gordura invisível". Cientificamente, ela é denominada gordura visceral e pode estar presente em volta de órgãos, como fígado, rim, coração e pulmão. É invisível aos olhos, mas detectada por meio de exames específicos, como a ressonância.

Na maioria dos casos, quem tem gordura invisível também tem gordura aparente, mas por vezes apenas avaliações minuciosas são capazes de identificar a presença da vilã visceral.

"Esse tipo de gordura permanece no organismo e não é corrigido com a lipoaspiração", alerta o diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Fernando Prado.

Barriga de chope

Outra constatação dos especialistas é de que a famosa sigla IMC (índice de massa corpórea) – tão importante nos planos de melhora da estética – nem sempre é suficiente para mensurar as pessoas que estão inseridas no grupo de risco cardíaco.

Até cinco anos atrás, a fórmula de dividir o peso pela altura ao quadrado (equação para calcular o IMC) era a única utilizada pelos cardiologistas e nutricionistas para mensurar obesidade e problemas em potencial ao coração. Se o resultado for acima de 24 é o indicativo de sobrepeso, um passo mais próximo dos problemas cardiovasculares.

Com a publicação do estudo internacional Interheart – análise feita em 22 países do mundo com mais de 30 mil pessoas – os cardiologistas conseguiram mostrar que o IMC inferior a 24 acompanhado de uma circunferência abdominal (dois dedos abaixo da costela e dois dedos acima do osso da bacia deve ser o ponto de partida para a medição) acima de 80 centímetros já era suficiente para aumentar em quase três vezes a incidência de episódios como infarto, arritmias e acidentes vasculares cerebrais. Ou seja, o barrigudo que não é gordo "por inteiro" já está na turma dos que podem ter um problema no coração.

A partir disso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, uma das participantes desta parte do estudo, passou a prestar mais atenção na famosa barriguinha de chope, muito comum em homens mas também insistente na figura feminina.

Vantagens

Esta mesma barriga saliente que denuncia a possível presença de fatores de risco de doenças cardíacas é o que motiva as pessoas, em especial das mulheres, para procurar ajuda da cirurgia plástica ou de outro tratamento estético. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, no País, foram realizadas quase 188 mil cirurgias de lipoaspiração no ano passado. Não há um registro oficial de tratamentos estéticos que prometem reduzir medidas.

Apesar de poder "mascarar" momentaneamente o risco cardíaco, Fernando Prado, da Sociedade de Cirurgia Plástica diz que a operação pode, sim, trazer vantagens. "Em muitos casos, há uma melhora na autoestima, incentiva o autocuidado e a paciente acaba, por consequência adotando um estilo de vida mais saudável", diz.

Fonte: IG

Lipoaspiração pode aumentar a gordura visceral no corpo

Estudo brasileiro mostra que, em quem não se exercita, gordura acumulada vai parar dentro do abdome.



Barriga lisinha: lipoaspiração pode aumentar gordura visceral
Um novo estudo sugere que mulheres que fazem lipoaspiração para chapar a barriga podem ganhar um tipo de gordura mais profunda, localizada dentro do abdômen – um tipo que é particularmente ruim para a saúde do corpo.

Pesquisadores brasileiros descobriram que alguns meses após a lipoaspiração abdominal, pode haver um aumento na gordura visceral que envolve os órgãos abdominais. A boa notícia, dizem eles, é que a prática regular de exercícios pode prevenir a formação dessa gordura mais profunda.

A gordura não é um tecido inerte, explicou a coordenadora do estudo, Fabiana Benatti, da Universidade de São Paulo (USP).

“Removê-la por meio de cirurgia pode ter consequências importantes, como o crescimento compensatório de gordura visceral, que pode ser prejudicial no longo prazo”, disse Benatti à Reuters Health.

A gordura visceral é particularmente indesejável porque está mais intimamente ligada a um aumento do risco de diabetes tipo 2 e de doença cardíaca, em comparação com a gordura abdominal superficial, localizada logo abaixo da pele.


O estudo atual, segundo a equipe do Benatti, parece ser o primeiro a dar “provas irrefutáveis” de que a gordura visceral se acumula após a lipoaspiração – pelo menos em pessoas que não se exercitam.

As conclusões baseiam-se no estudo feito com 36 mulheres de peso normal que se submeteram a lipoaspiração para retirar uma pequena quantidade de gordura superficial da barriga. Todas eram sedentárias antes do procedimento.

A equipe de Benatti selecionou aleatoriamente metade das mulheres para iniciar um programa de exercícios de dois meses após a lipoaspiração. Essas mulheres malhavam três vezes por semana, caminnhando na esteira e fazendo musculação leve, enquanto o resto manteve o estilo de vida habitual – sedentário.

Quatro meses depois, constatou a pesquisa, as mulheres que tinham permanecido sedentárias ainda estavam com a barriga chapada, mas já mostravam ganho de gordura visceral – um aumento de 10%, em média. Em contraste, as mulheres que tinham se exercitado não mostraram tal ganho, relataram os pesquisadores no periódico médio Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.
Ainda não está muito claro porque a gordura visceral aumenta após a lipoaspiração, afirmam Benatti e seu grupo.

“Mas acreditamos que pode ser porque este depósito de gordura, em particular, é metabolicamente mais ativo do que os outros depósitos de gordura do corpo”, disse ela.

Outra razão, disse Benatti, pode ser porque a lipoaspiração destrói a "arquitetura" das células de gordura logo abaixo da pele. Assim, a gordura ganha após a cirurgia pode ser redirecionada para as células de gordura visceral, ainda intactas.

Em geral, os especialistas dizem que a lipoaspiração não deve ser vista como um substituto para uma dieta saudável e para a prática de exercício físico. Ela é indicada para reduzir acúmulos de gordura “teimosos”, não como um tratamento para a obesidade, afirma a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).

Na verdade, o grupo diz que os melhores candidatos para a lipoaspiração são pessoas com peso normal a moderadamente acima do peso, que fazem exercícios regularmente.

Com base nestas últimas descobertas, permanecer ativo após uma lipoaspiração é fundamental, afirmaram os pesquisadores brasileiros.

“Se alguém decide se submeter a uma lipoaspiração, é muito importante, se não essencial, fazer exercícios após a cirurgia.”

Os riscos conhecidos da lipoaspiração, em curto prazo, incluem coágulos sanguíneos, danos na pele ou nervos e pele solta ou “ondulada” na região onde a gordura foi removida. Mas pouco se sabe sobre se a lipoaspiração está relacionada com quaisquer problemas de longo prazo de saúde, apontam Benatti e sua equipe.

Fonte: IG