domingo, 15 de abril de 2012

Mastigar mais vezes ajuda a emagrecer

Pequeno estudo mostrou que mastigar 40 vezes antes de engolir a comida reduziu em 12% o consumo de calorias.


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Comida: mastigar mais os alimentos ajuda a reduzir o consumo de calorias
Um novo estudo descobriu que as pessoas que mastigam mais os alimentos consomem menos calorias, o que pode ajudar no controle do peso.
Mastigar os alimentos 40 vezes, em vez da média de 15 vezes, fez com que participantes de um estudo comessem 12% menos calorias, de acordo com resultados publicados no American Journal of Clinical Nutrition.
Jie Li e colegas da Universidade Médica Harbin, na China, deram um típico café da manhã a 14 jovens obesos e 16 jovens com peso normal para ver se existiam diferenças na forma como eles mastigavam a comida. Os pesquisadores também buscaram saber se mastigar mais levaria os sujeitos a comerem menos, se afetaria os níveis de açúcar no sangue ou as quantidades de certos hormônios que regulam o apetite.
Pesquisas anteriores já haviam explorado a ligação entre obesidade e mastigação, com resultados diferentes. Vários estudos concluíram que comer rápido e mastigar menos estão associados à obesidade, enquanto outros não encontraram essa relação.
No estudo atual, a equipe descobriu uma ligação entre a quantidade de mastigações e os níveis de alguns hormônios que "dizem ao cérebro quando começar e quando parar de comer", disse o co-autor da pesquisa Shuran Wang em um e-mail à Reuters Health.
Mastigar mais foi associado com baixos níveis de grelina no sangue, um hormônio que estimula o apetite, bem como níveis mais elevados de CCK, um hormônio acredita-se reduzir o apetite.
Esses hormônios podem "representar alvos úteis para terapias obesidade no futuro", disse Wang à Reuters Health, uma vez que regular os níveis dessas substâncias pode ajudar as pessoas a controlar seu apetite.

Os autores não encontraram diferenças entre o tamanho das mordidas dadas por homens obesos ou com peso normal, e nenhuma ligação entre o tempo de mastigação e o açúcar no sangue ou os níveis de insulina em qualquer um dos participantes.
Como o estudo foi pequeno e incluiu apenas homens jovens, não é possível prever como mastigação prolongada afeta a ingestão de calorias em grupos diversos de pessoas, observaram os autores. No entanto, a redução de 12% em calorias ingeridas pelo grupo que mastigava a comida 40 vezes poderia, potencialmente, se traduzir em perda de peso significativa.
Se uma pessoa cortar sua ingestão de calorias em 12%, perderia cerca de 11 quilos em um ano, disse Adam Drewnowski, diretor do Center for Obesity Research, da Universidade de Washington, em Seattle.
Como a dieta típica inclui alimentos que não são mastigados – como sopa e sorvete – a quantidade real de peso perdido é provavelmente muito menor, ele adverte.
"Suponho que se você mastigar cada pedaço de comida 100 vezes ou mais, você pode acabar comendo menos. Entretanto, eu não estou certo de que esta é uma medida de prevenção da obesidade viável", disse Drewnowski, que não esteve envolvido no estudo atual.
Apesar das limitações do estudo, os autores dizem que a relação entre hábitos alimentares e obesidade deve ser mais estudada, para ajudar a diminuir um problema de saúde crescente no mundo. A obesidade é um importante fator de risco para uma série de problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas e diabetes.

Fonte: IG

O apressado come mal e engorda

Especialistas explicam como a falta de tempo para a alimentação favorece a obesidade.


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Especialistas explicam que quem come com pressa tem mais risco de engordar
A falta de tempo é a justificativa número um que aparece nos consultórios para a dieta ruim.
A agenda apertada acaba como culpada pelas escolhas inadequadas para elaborar o cardápio do café da manhã, almoço e jantar.
De fato, explicam os especialistas, a pressa está por trás da escalada dos índices de sobrepeso no Brasil, que segundo os últimos números do Ministério da Saúde, já afeta metade da população.
Liquidar a refeição em cinco minutos, como é de praxe nos restaurantes na hora do almoço, afeta o funcionamento do organismo e favorece o ganho de peso, explica a nutricionista do Hospital do Coração, Camila Gracia.
“Quanto mais rápido você se alimenta, menos tempo o cérebro tem para receber a mensagem e ativar os mecanismos de saciedade”, explica.
“Isso significa que a pessoa precisa comer sempre um pouco mais para ficar satisfeita. O efeito é acumulativo e, em um ano, a pessoa engorda sempre um pouco mais”, diz Camila.
Este não é o único efeito nocivo da rotina alimentícia apressada. “O sistema digestivo também fica com mais dificuldade de trabalhar quando os alimentos chegam praticamente sólidos no estômago. Além de irritação, dores, a falta de mastigação significa comer em maior quantidade”, complementa a especialista.
Neste contexto, mapeou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), agrava a situação a atual composição da dieta brasileira. Arroz e feijão – dupla ideal para a saciedade – perderam espaço para industrializados. Isso significa mais calorias, mais sódio e menos nutrientes.
Qual é a solução para os apressados que querem fazer as pazes com a balança? A resposta é rápida: organização.
Tempo nem sempre é o que falta já que, de acordo com as recomendações dos estudiosos, é possível em 25 minutos mastigar suficientemente bem a quantidade ideal de alimentos que fazem parte de um almoço saudável.
Para o café da manhã, refeição que é negligenciada por três em cada dez pessoas, são necessários só 5 minutos, o suficiente para uma alimentação que é tão importante porque ajuda a melhorar as partes do cérebro responsáveis pela memória e desempenho cognitivo, falou o nutrólogo Mauro Fisberg, da Universidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista recente ao iG Saúde.
Somando os outros 25 minutos indicados para um jantar saudável, isso indica que 55 minutos dos 1440 existentes em um dia são suficientes para o cérebro funcionar bem e favorecer a dieta. Antes de considerá-los uma impossibilidade, é bom analisar como o tempo é dividido para suas tarefas.
De acordo com o programa federal de vigilância de fatores de risco à saúde (Vigitel), 32% da população com mais de 18 anos assistem, diariamente, 3 horas de televisão ao menos 5 vezes por semana.

A seguir, algumas dicas para reservar mais tempo para a alimentação

-Mastigue bastante os alimentos
- Entre uma garfada e outra, deixe os talheres na mesa
- Não coma assistindo à televisão ou mexendo no computador
- Preste atenção na comida e saboreie as texturas
- Sente à mesa para comer. Evite os balcões e alimentações feitas no carro, ônibus ou transporte público.

Fonte: IG