segunda-feira, 19 de março de 2012

"Bariátrica teen" vira opção para filhos obesos

Técnica pode ter efeito colateral e só pode ser feita em adolescentes com mais de 16 anos.

 
A mãe de meninos e meninas obesos sabe que os filhos estão sempre no alvo. As pesquisas já mostr

Foto: Getty Images
A cirurgia bariátrica só pode ser uma opção para adolescentes maiores de 16 anos quando todas as outras alternativas, como dieta e exercícios físicos, foram testadas
O sofrimento – físico e psicológico – do público infantil com o peso é tanto que, mesmo eles tendo uma jornada pela frente para conseguir mudar os hábitos de vida e entrar em harmonia com os ponteiros da balança, a alternativa extrema de uma cirurgia de redução de estômago já aparece na adolescência.
A chamada “cirurgia bariátrica” deixou de ser opção só para adultos e exige que os médicos tenham um olhar especial para esta parcela de pacientes precocemente classificada como obesa mórbida.
No Brasil faltam números oficiais para contabilizar quantas das 30 mil bariátricas feitas todo são destinadas aos pacientes com menos de 18 anos de idade. Mas o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB), o cirurgião Thomas Szego, afirma que o número cresce seguindo o gráfico que mensura a quantidade de adolescentes com sobrepeso no País – hoje estimados em 30% da população jovem.
Por isso hoje já existe um protocolo para definir quais pacientes infantis podem ser submetidos à técnica cirúrgica. “A idade mínima é 16 anos (nas diretrizes brasileiras) e este paciente precisa ser muito bem avaliado pela equipe clínica”, afirma Szego.
Segundo ele, não é só saber se o IMC (o Índice de Massa Corpórea, resultado da divisão do peso pela altura ao quadrado) é maior do que 40, mas também fazer um trabalho psicológico capaz de apurar se os meninos e meninas estão prontos para uma operação deste porte.
“A participação dos pais é obrigatória no processo. Eles precisam ser envolvidos porque a mudança na dieta e nos hábitos de vida, necessários após a operação, é o que garante a saúde do paciente e a o sucesso na eliminação de quilos”, afirma o presidente da SBCB.
Bullying
O envolvimento dos pais é essencial não só no pós-cirúrgico, mas também antes da cirurgia bariátrica ser escolhida como uma opção. Muitas vezes não é um problema físico que faz as crianças e adolescentes obesos cogitarem a realização de medidas extremas para emagrecer.
Uma pesquisa publicada no jornal médico Pediatrics ouviu 5.165 meninos e meninas entre 11 e 16 anos matriculados em escolas do Canadá e concluiu que os com sobrepeso sofriam mais bullying escolar (as tais piadinhas cruéis e perseguições dos colegas) do que os garotos com peso normal. A variação estatística chegou a 3 vezes na comparação dos dois grupos.
Foi por causa de uma dessas agressões verbais que Brittany Cesar, moradora do Estado do Texas, nos Estados Unidos, entrou para a história da medicina como a paciente mais jovem a fazer uma bariátrica. Ela tinha 14 anos e pesava 183 quilos. Ao jornal New York Times, Brittany disse que se preparava para comer “os dois cheesebúrgueres, duas porções de fritas e um refrigerante” na hora do recreio quando foi ofendida de forma muito cruel por uma das colegas. “Por que come tanto? Você não é normal”, disparou a menina.
Ela foi operada em 2003 no Hospital Infantil do Texas. Hoje, cinco anos depois, ela está com 19 anos e pesa 80 kg – e a mesma unidade de saúde já realiza uma média de duas cirurgias pediátricas do tipo por mês.
Herança de família
Além de estarem atentos ao cenário em que os filhos obesos estão inseridos fora de casa, os pais também devem olhar para dentro de suas residências para encontrar a origem da obesidade infantil.
De acordo com um estudo feito pelo Instituto do Coração de São Paulo (Incor) – que acaba de ser publicado no Arquivo Brasileiro de Cardiologia – a análise de 2.125 adolescentes matriculados em escolas públicas e particulares de São Paulo (média de idade de 12,9 anos) mostrou que entre obesos (22% da amostra), 40% deles tinham pais diabéticos e hipertensos e 41% comiam sal em excesso nas refeições caseiras.
Elsa Giugliani, coordenadora de Saúde da Criança do Ministério da Saúde, afirmou durante a Conferência Latino Americana de Diabetes, realizada no Brasil, que é impossível promover um padrão alimentar de qualidade aos filhos se os pais não forem exemplo. “Nenhuma criança vai pedir para por salada no prato se não ver que a mãe come alface também”, diz ela.
Acumular anos de rotina desregrada de alimentação e pouca atividade física não é “passe livre” para uma cirurgia bariátrica na adolescência. O cirurgião Thomas Szego diz que a operação só pode ser considerada como alternativa quando todas as outras estratégias já foram cessadas. Não podem ser descartados ainda os efeitos colaterais creditados à cirurgia, como embolia pulmonar, hérnia, úlcera e obstrução do intestino após a operação, já ressaltados na Revista da Associação Médica Brasileira. Além disso, alguns especialistas são receosos com a intervenção do bisturi muito cedo, pois o adolescente pode estar ainda em fase de crescimento.

Fonte;IG

Brasil aprova cirurgia bariátrica “light”

A cirurgia de redução de estômago, procedimento cujo número de cirurgias cresce mais do que as de lipoaspiração e de implante de silicone no País, acaba de ganhar uma modalidade mais “light”.

Foto: Getty Images Ampliar
Nova técnica de redução de estômago já é utilizada em hospitais brasileiros
O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a técnica chamada “gastrectomia vertical”, o que fez ampliar para três as opções de cirurgia bariátrica existentes no Brasil. A principal diferença dela para os outros dois tipos existentes (banda gástrica ajustável e o by-pass gástrico) é que a gastrectomia é menos invasiva, modifica o tamanho do estômago sem mexer na anatomia do intestino.
Aprovada no final do ano passado, a versão mais light começa a ganhar agora os principais hospitais cirúrgicos. O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, Thomaz Szego, diz que uma das vantagens da nova técnica é que ela compromete menos a absorção de nutrientes do organismo, como acontecia com os métodos mais antigos. “Pode ser recomendada para quem já tem alguma deficiência de cálcio (osteoporose) ou de vitaminas”, afirma Szego.
Magro pode?
Marcelo Z. Salem, cirurgião de aparelho digestivo pela Universidade de São Paulo e membro da Federação Internacional de Cirurgias da Obesidade (IFSO), completa a lista do grupo recomendado para a nova técnica bariátrica: pacientes com risco cirúrgico muito alto, por exemplo, com algum comprometimento cardíaco. “É uma espécie de meia cirurgia, que só é feita no estômago, e diminui os impactos no corpo”, explica o cirurgião. Segundo ele, a nova técnica desponta como uma tendência futura, ainda a ser estudada. “Se ela (cirurgia) se mostrar uma técnica boa e com poucos efeitos colaterais, pode ser que no futuro o CFM flexibilize as normas para que esta cirurgia seja feita em pessoas não tão obesas. Mas o Conselho de Medicina ainda exige mais indícios científicos para respaldar essa regulamentação”, informou Salem.
Atualmente, só podem fazer cirurgias bariátricas pessoas extremamente obesas, com índice de massa corpórea (IMC) acima de 40 – para calcular é preciso dividir o peso pela altura ao quadro. Quem tem IMC 35 e alguma doença crônica (como diabetes) também está liberado para ir para a mesa de operação. Em todos os casos é preciso avaliação médica e o paciente deve ter mais do que 16 anos.
Pontos contras da nova bariátrica
Da mesma forma que os médicos reconhecem os benefícios da técnica “gastrectomia vertical”, eles também enxergam desvantagens. Por ser muito recente ainda não há dimensão concreta dos seus possíveis efeitos colaterais e também da sua eficácia.
É fato que para ter sucesso no processo de emagrecimento, o paciente precisa ter mudanças de hábitos com relação à alimentação, mesmo após a cirurgia de redução do estômago. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, atualmente, o índice de reganho de peso após o procedimento cirúrgico é de 10%. A técnica mais light da bariátrica, justamente por ser menos invasiva, pode ter uma taxa de insucesso maior que só conseguirá ser calculada em cinco anos, no mínimo.
O perfil do operado
Durante o ano passado, foram realizadas 30 mil cirurgias bariátricas no País, um aumento de 10% em relação ao total de 2008. É uma das técnicas cirúrgicas que mais cresce. Para efeitos de comparação, no intervalo de 12 meses, as lipoaspirações e implantes de silicone aumentaram 3,5%.
As mulheres são maioria entre os operados e somam 60% no total de cirurgias. A faia etária mais recorrente é entre 20 e 40 anos. A liderança feminina é explicada por elas serem maioria no grupo de obesos (o dobro segundo a Associação Brasileira de Estudo para Obesidade) e também por sofreram mais os impactos sociais dos quilos extras. “A paciente obesa já se coloca em segundo plano. É a melhor amiga da menina bonita, acompanhante, motorista dos filhos das irmãs. O emagrecimento puxa a vontade de ir à academia, comprar roupas e de conquistar uma melhor qualidade de vida social”, afirma o cirurgião digestivo Marcelo Z. Salem.
Impacto social
Por ter influência direta na vida do operado de cirurgia bariátrica, as pesquisas clínicas têm focado em mensurar as transformações sociais após a cirurgia bariátrica. Pesquisadores de Pernambuco e Florianópolis, por exemplo, já começaram a reunir dados sobre as transformações após a operação, segundo o Caderno de Saúde Pública.
 
Fonte: IG

Critérios para redução de estômago podem mudar

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica quer incluir outras características além do IMC para definir quem pode fazer cirurgia.



Obesidade: especialistas estudam incluir outros parâmetros além do IMC para decidir quem pode fazer a cirurgia
Atualmente, para se submeter à cirurgia de redução de estômago o obeso precisa ter um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35 e apresentar doenças associadas como o diabetes ou a hipertensão ou um IMC superior a 40. Mas isso pode mudar em breve.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica quer que outros parâmetros também sejam levados em consideração na hora de optar pelo procedimento. “Queremos que o IMC não seja tão fundamental. Os jogadores de futebol americano têm índices elevados e nem por isso precisam ser operados, por exemplo. Nossa proposta é que, para fazer a cirurgia, o obeso apresente comorbidades ou uma circunferência abdominal elevada, além do índice de massa corporal alto”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Cohen.

A proposta pretende “ampliar a visão do médico” e pode trazer mais flexibilidade nos critérios estipulados. Se a modificação for colocada em prática, os obesos precisariam corresponder a um dos três critérios (IMC ou doenças associadas ou circunferência abdominal elevada) em vez de um só (IMC). Os especialistas entendem como comorbidades doenças que vão de ovários policísticos, apneia e problemas nas articulações a hipertensão e diabetes.

Em fevereiro, o FDA (agência norte-america que regula medicamentos e alimentos) aprovou a utilização de uma banda gástrica para reduzir o estômago de alguns pacientes que estão apenas obesos e não na categoria obeso mórbido, como era exigido antes.

Segundo Cohen, as mudanças no protocolo estão sendo observadas pelo Conselho Federal de Medicina. “O que estamos buscando são parâmetros clínicos mais modernos para indicação da cirurgia bariátrica, dentre as opções que vem sendo discutidas pela sociedade médica internacional”, diz. Ainda não há previsão, mas a entidade vem lutando para que os novos parâmetros sejam adotados ainda este ano.

Fonte: IG

Malhação com energético



Bebida estimulante pode ajudar no treino, mas requer certos cuidados para não fazer mal à saúde.

As bebidas energéticas estão começando a mudar seu alvo. Depois de conquistar os mercados nacional e internacional com apelo aos baladeiros de plantão, elas partem em busca de atletas e esportistas amadores.

Essa nova sugestão de consumo, associada à prática de exercícios, requer cautela e atenção antes de ser adotada. Afinal, o uso de energéticos em festas e casas noturnas tem gerado problemas mundo afora. Os Estados Unidos registraram casos de jovens que adoeceram ou morreram após misturar energéticos com bebidas alcoólicas, como vodca e uísque.

Bebida energética dá disposição para treinar
Uma marca local da bebida, já comercializada com álcool, teve sua venda proibida depois de uma breve batalha judicial. As autoridades norte-americanas deram seu parecer com base em estudos sobre a associação da cafeína, estimulante usado nos energéticos, com álcool. O efeito letárgico do álcool seria minimizado pela cafeína, de acordo com as pesquisas, e isso impediria os usuários de perceberem o quão bêbados estariam.

Nas atividades esportivas, o consumo do álcool é retirado da equação. Mas o corpo entra em condições bem específicas, repletas de alterações metabólicas, quando forçado por exercícios de fôlego ou força. E tais condições podem criar um novo cenário, ainda pouco estudado, para interagir com os energéticos.

A maioria das bebidas energéticas concentra uma quantidade de cafeína equivalente a duas xícaras de café, além de um aminoácido chamado taurina, que teria a capacidade de potencializar o efeito estimulante. Alguns energéticos ainda contém uma dose razoável de carboidratos e vitaminas do complexo B.

“A cafeína aumenta a temperatura do corpo e acelera a queima de gordura durante os exercícios”, afirma Mohamad Barakat, endocrinologista e fisiologista do exercício. Praticante de tênis, o médico admite usar uma nova marca de energético quase diariamente para suportar a rotina de treinos e consultas. O produto é vendido em doses de 60 ml, sem açúcar e sem necessidade de refrigeração, pode ser ingerido à temperatura ambiente.

“Não há problema em usar diariamente”, garante o médico. “Até duas doses podem ser tomadas todo dia, desde que se respeite um intervalo de seis horas entre elas”, afirma o especialista.

Restrições

O energético proporciona um efeito interessante no organismo e pode realmente auxiliar o desempenho físico. Contudo, o produto é um estimulante e muito provavelmente irá prejudicar a qualidade do sono, se ingerido após as 18h. “Pessoas com insônia devem evitar”, recomenda o fisiologista do exercício.

A cafeína também pode causar irritação no aparelho digestivo, especialmente em pessoas que já tenham alguma predisposição ou doença. “Quem sofre de refluxo e gastrite deve evitar”, recomenda o cardiologista e especialista em medicina do esporte José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

O consumo de energéticos por hipertensos também é algo delicado. Os médicos não chegam a proibir, mas alertam que a cafeína pode aumentar a pressão arterial. Por isso o consumo da bebida não deve ser realizado antes de uma boa conversa com o médico de confiança. O mesmo vale para cardiopatas.

Hidratação, carboidrato e proteína

Os médicos também concordam que o energético está longe de ser o suplemento ideal para qualquer atividade física. “Ele é um estimulante, dá mais garra”, afirma Kawazoe. Mas o esportista, seja profissional ou amador, não deve esquecer de duas coisas: hidratação e uma boa fonte de energia.

No caso de atividades aeróbicas, como corrida e ciclismo, a fonte de energia mais consumida pelo organismo é o carboidrato, encontrado em alimentos como macarrão e batata. Vale lembrar que bem todos os energéticos contêm tal substância. Já a musculação requer proteínas, mais presentes nas carnes.


É recomendada uma avaliação nutricional aos esportistas, feita por médicos especialistas em fisiologia do exercício, para adequar a dieta às necessidades de cada pessoa, considerando o ritmo de treino e demais atividades cotidianas. “Dependendo do caso, é preciso usar algum suplemento”, diz Kawazoe. Tanto o carboidrato quanto a proteína podem ser encontrados na forma de suplementos, disponibilizados por diversas marcas nacionais e estrangeiras.

Praticidade versus preço

Kawazoe considera fundamental o equilíbrio nutricional e tempo adequado de descanso para um treino saudável. “O energético não é necessário para um bom rendimento. Não vou censurar quem usa, mas não acho fundamental”, afirma.

Além disso, o custo é meio salgado. Cada latinha com 250 ml é vendida por R$ 4, em média. Algumas marcas são bem mais caras. “Uma pessoa que faz academia quatro vezes por semana e toma energético em todo treino vai gastar o mesmo que um bom suplemento de proteína. Acho que isso ajuda mais na recuperação do músculo. Acho mais proveitoso, mais coerente”, avalia o médico.

Em contrapartida, a rotina desgastante das grandes cidades torna difícil cumprir os ciclos adequados de descanso todos os dias. Agenda lotada, imprevistos, trânsito... são muitos os fatores que podem sugar a energia e prejudicar o treino.

“Acho o energético uma alternativa prática contra isso. Jogo tênis, cuido das minhas filhas e tenho uma agenda que às vezes vai até 23h. Se preciso, tomo duas doses por dia”, afirma.

Cada dose custa, em média, R$ 6. Quem acha pesado para o bolso pode resgatar uma fórmula antiga de energético, bem mais barata e que também usa cafeína como princípio ativo: o pó de guaraná. “Ele está meio fora de moda, mas é um bom estimulante também”, afirma Kawazoe.

Fonte: IG