domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Chá de Pata de Vaca e o Diabetes .


O famoso Chá de Pata-de-Vaca talvez seja um dos tratamentos alternativos para o Diabetes mais populares no Brasil. Tenho certeza que quase todos os endocrinologistas (ou até mesmo clínicos) já se depararam com um paciente que diz estar realizando o tratamento de seu diabetes com este “maravilhoso e poderoso” chá (ou mesmo com cápsulas desta planta). Eu mesmo me deparei com um destes pacientes esta semana. E ele foi totalmente enfático: “Doutor, depois que comecei a fazer uso deste chá, meus níveis de glicose baixaram muito.”

O nome científico da Pata-de-Vaca é Bauhinia variegata (L.), pertencente a família Fabaceae, subfamília Caesalpinioidea. Esta planta é originária da Ásia, mais precisamente China e Índia. No Brasil, o gênero Bauhinia ocorre desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas matas de planalto. Suas flores variam de brancas, róseas, roxo-pálidas até avermelhadas. Além das possíveis propriedades medicinais (que comentarei abaixo), esta planta também é muito utilizada no paisagismo, exatamente pela grande beleza de suas flores. Quanto a origem do nome Pata-de-Vaca, vale a pena comentar que ele é devido ao formato de suas folhas, que, de alguma forma, lembram a pata de uma vaca.

Agora vem a parte difícil da coluna. Embora uma pesquisa na Internet mostre inúmeros sites que comentam as propriedades antidiabéticas da Pata-de-Vaca, a literatura científica não é tão rica assim. Talvez o fato que tenha chamado mais minha atenção é que não existe NENHUM (isso mesmo, NENHUM) estudo clínico avaliando os efeitos do Chá de Pata-de-Vaca em humanos. Os pouquíssimos estudos que temos (na verdade, são apenas 03) investigam apenas seus efeitos em ratos. Esta total ausência de estudos me deixou bem surpreso e, ao mesmo tempo, preocupado, principalmente no que se refere a segurança desta planta. Embora ela possa realmente ter algumas propriedades que ajudem a baixar os níveis de glicose (novamente, demonstradas apenas em ratos), não temos a menor idéia de quais efeitos colaterais podem estar associados ao seu uso. Da mesma forma, não temos idéia de qual a dose mínima e máxima, qual sua possível interação com outros medicamentos para o diabetes e quais outros efeitos ela teria no corpo humano.

Um dos estudos mais interessantes que encontrei foi realizado na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro). Neste estudo, os autores conseguiram identificar nas folhas da Pata-de-Vaca uma proteína que é estruturalmente parecida com a insulina bovina. Esta similaridade estrutural PODE fazer com que esta molécula, presente no chá, funcione parcialmente como a própria insulina produzida pelo corpo humano. Vale a pena ressaltar que, embora estes resultados sejam extremamente promissores e interessantes, eles apenas mostram que ainda temos muito o que pesquisar antes de começar a utilizá-la para o tratamento do Diabetes. Não sabemos qual a potência desta molécula, qual a dose ideal e, principalmente, qual o risco de hipoglicemia associado ao seu uso. Não sabemos também como ela é metabolizada e quais outros efeitos ela terá no corpo humano. A literatura científica sugere que esta planta pode ter outros efeitos além dos efeitos na glicose e, portanto, muita pesquisa ainda é necessária antes de indicarmos seu uso para o Diabetes ou qualquer outra doença.

Em resumo, parece que, mais uma vez, a cultura popular está correta. A Pata-de-Vaca realmente PARECE ter alguns efeitos benéficos sobre os níveis de glicose. Mas isso não indica que ela deve ser utilizada como medicamento para tratamento do diabetes, seja isoladamente seja combinada com outros medicamentos disponíveis no mercado. Esperamos que mais pesquisas sejam feitas, principalmente em humanos, para que possamos conhecer todos os detalhes desta planta e definir seu real papel no tratamento do diabetes e até mesmo de outras doenças.

Referências
1. Pepato MT, Keller EH, Baviera AM, Kettelhut IC, Vendramini RC, Brunetti IL. Anti-diabetic activity of Bauhinia forficata decoction in streptozotocin-diabetic rats. J Ethnopharmacol 2002; 81: 191-197.
2. Silva FR, Szpoganicz B, Pizzolatti MG, Willrich MA, de Sousa E. Acute effect of Bauhinia forficata on serum glucose levels in normal and alloxan-induced diabetic rats. J Ethnopharmacol 2002; 83: 33-37.
3. Rajani GP, Ashok P. In vitro antioxidant and antihyperlipidemic activities of Bauhinia variegata Linn. Indian J Pharmacol. 2009 Oct;41(5):227-32.
4. Azevedo CR et al. Isolation and intracellular localization of insulin-like proteins from leaves of Bauhinia variegata. Braz J Med Biol Res 2006; 39(11):1435-1444.

fONTE; SITE DA SBD
Dr. Rodrigo O Moreira
Médico Colaborador do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia – RJ

C

DIABETES- Microchip poderá substituir injeções de insulina .

Microchip poderá substituir injeções de insulina .
Qua, 22 de Fevereiro de 2012 .



Segundo Nicholas Negroponte do Media Lab, Massachusets Institute of Technology(MIT), Boston, a tecnologia quando funciona, parece mágica.

O Brasil sediará nos dias 07 e 08 de setembro de 2012 o ATTD(Advanced Technologies & Treatment for Diabetes) Rio de Janeiro, um encontro focado em novas terapêuticas e novas tecnologias no tratamento do diabetes.

Para quem não está no dia a dia do desenvolvimento dessas novas tecnologias e parodiando Nicholas Negroponte, tem a sensação que elas surgem por encanto.

A revista eletrônica, Science Translational Medicine, Rapid Publication on February 16, 2012, publicou o RESEARCH ARTICLE, First-in-Human Testing of a Wirelessly Controlled Drug Delivery Microchip. Sci.Transl. Med. DOI:10.1126/scitranslmed.3003276.

Trata-se dos resultados do primeiro estudo clínico utilizando um sistema de liberação de droga implantável utilizando um microchip controlado por tecnologia wireless.

No artigo citado, publicado em Science Translational Medicine, 8 pacientes portadoras de osteoporose pós-menopausica receberam um fragmento de parathormonio humano, hPTH(1-34) liberado pelo sistema. O hPTH(1-34) é a única terapêutica anabólica considerada eficaz no tratamento da osteoporose, porém, deve ser administrada subcutânea em doses diárias, o que torna-se um grande problema de aderência ao tratamento. Uma maior eficácia na formação óssea requer uma liberação intermitente ou pulsátil do hPTH.

O sistema implantado é constitudo por um reservatório contendo hPTH(1-34) e um microchip liberador controlado por tecnologia wireless.

A farmacocinética, tolerância e bioequivalencia do hPTH foram avaliados. A farmacocinetica foi semelhante à observada em múltiplas aplicações diárias do hPTH e apresentava menor coeficiente de variação. Os marcadores de formação óssea mostraram o aumento de formação óssea.

Não houve eventos tóxicos ao sistema, nem à droga, sem impactar a qualidade de vida das pacientes.

Desssa forma, já existem sistemas inteligentes para administração de peptídeos e polipeptideos. Uma vez que a insulina é um polipeptideo, embora mais complexo, podemos supor que as injeções de insulina poderão ser substituídas por sistemas inteligentes que liberem doses de insulina, observando não só as necessidades diárias como também ao ritmo de liberação. E não será por mágica ou encanto.

Informações adicionais

Uma vez que não surgem por encanto, de onde vem essas tecnologias?

Três dos autores são da MicroCHIPS Inc, empresa sediada em Waltham, MA, Grande Boston, pioneira em sistemas inteligentes, implantáveis, projetados para uso em portadores de doenças crônicas que requerem terapêutica e monitorização precisas. Dois dos autores são do Harvard Medical School, Massachusetts General Hospital, Endocrine Unit, Boston, USA.

Um autor é do Case Western Reserve University, Department of Pathology, Cleveland, USA.

Um autor é da On Demand Therapeutics, Inc., Tyngsboro, MA, USA. Empresa de desenvolvimento de sistemas implantáveis para doenças da retina.

Um autor é do Massachusetts Institute of Technology, Department of Materials Science and Engineering, Koch Institute for Integrative Cancer Research, Cambridge, MA, USA.

Um autor é do Massachusetts Institute of Technology, Department of Chemical Engineering, Koch Institute for Integrative Cancer Research, Cambridge, MA, USA.

Você pode ver o Abstract do artigo ou solicitar o full text.

http://stm.sciencemag.org/content/early/2012/02/15/scitranslmed.3003276

MicroCHIPS Inc.

http://www.mchips.com/

On Demand Therapeutics Inc.

http://ondemandtx.com/about-odtx.aspx


fONTE:SBD
Dr. Laerte Damaceno
Editor-chefe do Portal SBD

Dr. Marcio Krakauer
Editor de Tecnologia do Portal SBD

Aprovada droga de dose semanal para o diabetes tipo 2

Aprovado pelo FDA o mais novo medicamento que pode ser utilizado como opção no tratamento do diabetes tipo 2: o BYDUREON®. Seu lançamento foi destaque na imprensa leiga mundial, sendo matéria do New York Times no dia 27/01.

O BYDUREON® é considerado "primo"do recém-lançado VICTOZA® e do remédio há mais tempo no mercado chamado BYETTA®. A substância contida nele é o exenatide de liberação lenta. Exenatide é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.
Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja,  é contrário à ação da insulina.
Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro induzindo a uma redução do apetite. O GLP-1 também atua no estômago fazendo com ele fique mais lento para se esvaziar quando nos alimentamos. Com isso, o paciente em uso deste remédio frequentemente refere que quando come pequenas quantidades de alimentos já sente o estômago mais “cheio”, não tolerando portanto ingerir grandes quantidades de comida.

Por isso, esta classe tem como um dos efeitos paralelos atraentes promover redução de peso. Mas é bom deixar claro: NÃO SÃO REMÉDIOS PARA EMAGRECER, E SIM PARA TRATAR DIABETES TIPO 2. ELES SÓ SÃO  INDICADOS PARA PACIENTES COM DIABETES TIO 2 E NÃO SE RECOMENDA O SEU USO PARA OBESOS NÃO-DIABÉTICOS.

O principal fator diferencial do recém-aprovado BYDUREON é o fato de ser injetado por via subcutânea apenas semanalmente. O primeiro da classe lançado, o BYETTA, tem aplicação subcutânea 2 vezes ao dia; já o VICTOZA é injetado via subcutânea 1 vez por dia.
É bom deixar claro que apesar de ser injetável, NÃO É INSULINA.
O BYDUREON foi aprovado na Europa previamente e acaba de ser aprovado nos Estados Unidos. É possível que tenhamos mais esta opção disponível no mercado brasileiro em alguns meses. Porém, para isto, deveremos aguardar aprovação de nosso departamento regulamentador, a ANVISA.
Enquanto ele não chega ao Brasil, seguem abaixo algumas informações práticas:
  • Posologia: 2mg 1 vez por semana aplicada por via subcutânea; locais sugeridos são no abdome e prega do músculo tríceps.
  • Como aplicar? A caixa contém o exenatide de longa duração em pó, uma seringa com 0,65 ml de diluente e agulhas. Deve-se injetar o diluente no frasco, diluir o medicamento, aspirá-lo imediatamente e injetá-lo.
  • Onde armazenar? Em geladeira com temperatura de 2 graus a 8 graus  C.
  • Potência na redução da A1C: estudos comparativos diretos com outros remédios há mais tempo no mercado mostram potência similar à metformina e pioglitazona e superior a sitagliptina. Em monoterapia para pacientes virgens de tratamento redução média da A1C foi de 1,5 pontos percentuais, mas sabe-se que o efeito na redução da glicemia depende do grau de descontrole, ou seja, quanto ais descontrolado a glicemia, maior a redução da mesma após o uso do Bydureon®.  O FDA atualmente indica o Bydureon® não como terapêutica de primeira escolha, mas como alternativa quando se falha monoterapia com os medicamentos mais testados como metformina, sulfoniluréias, etc.
  • Populações especiais: este medicamento não foi testado gestantes, em pacientes com insuficiência renal moderada e grave, pacientes com insuficiência hepática e em menores de 18 anos e por isto não é indicado para estes indivíduos.
  • Efeitos colaterais mais comuns: em monoterapia os efeitos mais comuns são náuseas e vômitos (10-15%), diarréia (10%), nódulo no local de aplicação (7%). Vale à pena ressaltar que em combinação com metformina a incidência de náuseas e diarréia atingiu cerca de 20% dos usuários. Os efeitos adversos são mais comuns no início do tratamento e tendem a se reduzir com o tempo de uso. Em monoterapia a incidência de hipoglicemia é semelhante ao placebo.
  • Precauções: Há relatos de carcinoma medular de tireóide em rartos expostos a este medicamento. Não se sabe o efeito em humanos, mas por precaução não se recomenda seu uso em pacientes com histíria pessoal ou familiar de câncer medular de tireóide. Há relatos raros de pancreatite fatal e não-fatal em pacientes que usaram exenatide de curta duração. Por isso, não se recomenda o uso de Bydureon®  em pacientes que já tiveram história de pancreatite e deve-se ficar atento com sintomas de dor abdominal.
  • Preço: informação não-oficial publicada no New York Times indica que 4 doses semanais custarão cerca de 325 dólares, ou 81 dólares a dose.

Fonte: Site da SBD ( Dr.Dr. Carlos Eduardo Barra Couri )