sábado, 7 de julho de 2012

Lorcaserin- Uma nova droga para emagrecimento

Resumo: O estudo BLOOM avaliou a lorcaserina, um agonista do receptor 2C da serotonina, como medicação adjuvante à terapia não-farmacológica da obesidade. Foi observada diminuição de peso significativa em indivíduos obesos em uso da medicação, em comparação ao placebo, sem aumento das taxas de eventos cardíacos adversos.

Métodos: Este foi um estudo duplo-cego, no qual foram incluídos 3182 pacientes adultos obesos ou com sobrepeso. Os participantes foram randomizados para receber por 52 semanas lorcaserin, na dose de 10mg duas vezes, ao dia ou placebo. Todos os pacientes foram também submetidos a aconselhamento nutricional e encorajados a praticar atividade física por 30 minutos diariamente. Após o primeiro período do estudo, completado em 52 semanas, os pacientes que estavam sob tratamento com lorcaserin foram randomizados novamente para manter a medicação ou para receber placebo; enquanto os pacientes do outro grupo continuaram a receber placebo. Os desfechos primários do estudo foram perda de peso ao final do primeiro ano e manutenção do peso ao final do segundo ano. O desenvolvimento de valvopatia foi avaliado pela realização de ecocardiografias seriadas.

Resultados: Após um ano, 55,4% dos pacientes no grupo lorcaserin se mantiveram no estudo, contra 45,1% daqueles no grupo placebo. Ao final do primeiro ano, a perda de peso observada foi de 5,8±0,2 kg no grupo em uso de lorcaserin, contra 2,2±0,1 kg no grupo placebo (p<0,001). Além disso, 47% dos pacientes em uso de lorcaserin haviam perdido pelo menos 5% do peso, contra apenas 20% do grupo placebo (p<0,001). Houve perda de mais de 10% do peso original em 22,7% dos pacientes do grupo intervenção, contra em apenas 7,7% do grupo controle. Dentre os pacientes que atingiram perda mínima de 5% do peso basal no primeiro ano, esta perda se manteve de forma mais significativa no segundo ano entre os pacientes do grupo lorcaserin (67,9% vs 50,3%, respectivamente, P<0,001). Não houve aumento na incidência de valvopatias. Cefaléia, náuseas e tontura foram os eventos adversos mais relatados. A taxa de eventos adversos graves foi similar entre os dois grupos.

Conclusões: O uso de lorcaserin, adicionado a modificações comportamentais, promoveu perda de peso significativa e melhor manutenção da perda de peso, comparado ao placebo.

Perspectivas: A obesidade é hoje um desafio à medicina, sendo considerada uma doença crônica epidêmica. Atualmente, novas medicações tem sido desenvolvidas contra a obesidade, algumas com resultados de eficácia expressivos, porém não aprovadas ou retiradas do mercado pouco tempo após seu lançamento por questões de segurança. O lorcaserin é uma nova droga que age como agonista seletivo do receptor 5-HT 2C da serotonina. Este receptor é específico do sistema nervoso central e regula o apetite e a sensação de saciedade. Por esse motivo, os principais sintomas adversos são náuseas e cefaléia, que tendem a desaparecer com o uso contínuo da medicação. Não foi observado aumento das taxas de eventos adversos cardiovasculares, nem de valvopatias, como havia sido observado com outras medicações agonistas da serotonina. A redução de peso observada foi significativa e mantida durante o uso da medicação. Além disso, foi observada melhora discreta, mas significativa, nos seguintes parâmetros, em relação ao placebo: pressão arterial sistêmica, triglicerídeos, sensibilidade à insulina, fibrinogênio e proteína C reativa. Uma crítica ao estudo é o alto índice de abandono observado no período de seguimento, porém semelhante àquele observado em outros estudos com medicações anti-obesidade. No estudo Bloom, o lorcaserin se mostrou bastante promissor como terapia adjuvante à terapia não farmacológica do tratamento da obesidade. Se ele realmente terá eficácia, com perfil de segurança comprovado, entretanto, só poderemos saber com mais estudos e com maior tempo de observação da medicação.
Fonte: Cardiosource

EUA Liberam Novo Medicamento Antiobesidade

Uma nova droga para tratamento contra a obesidade acaba de ser aprovada pela FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA. Trata-se da locarserina, comercializada como Belviq. Nos últimos 13 anos, é a primeira vez que um medicamento antiobesidade é liberado nos Estados Unidos para o público, apesar de 60% da população adulta estarem com peso elevado.
A FDA autorizou o comércio do Belviq® (Arena) para adultos acima do peso (Índice de Massa Corporal de 27 ou mais) e obesos (IMC de 30 ou mais) que tenham pelo menos uma complicação de saúde, como diabetes, pressão alta ou níveis altos de colesterol. O fármaco é indicado como auxiliar a uma dieta de baixas calorias e exercícios físicos regulares.
O medicamento age ativando um receptor seletivo de serotonina no cérebro, o 2C, mecanismo que colabora para a diminuição do apetite e a sensação de saciedade pós refeições. Estudos feitos com mais de 6000 indivíduos demonstraram que os pacientes que usaram o medicamento tiveram perda de 3% a 3,7% de peso a mais do que aqueles que fizeram dieta e atividade física e  após um ano de uso. A redução média de peso do grupo que usou Lorcaserina foi de 7.9kg, e do grupo controle 2,5kg (diferença de 5,8kg).

O que Diz a ABESO

A Presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), Dra. Rosana Radominski, explica que “a locarserina é um medicamento serotoninérgico que age no sistema nervoso central aumentando a saciedade. Os estudos publicados até o momento mostram uma boa segurança em relação ao sistema cardiovascular e pulmonar (problemas que justificaram a retirada da fenfluramina e da dexfenfluramina do mercado, anos atrás). Os efeitos adversos mais comuns foram cefaleia, fadiga, tonturas e eventos cognitivos”. Sobre a eficácia do medicamento ela afirma que, “em termos de perda de peso, é menor do que a obtida com a sibutramina e o orlistate, sendo a diferença de perda de peso de 3% entre os pacientes que usaram o medicamento e aqueles do grupo controle, após um ano de tratamento, o que provavelmente justifica a alta taxa de desistência: maior que 40%. A droga, portanto, tem efeito leve e não vai representar uma revolução no tratamento da obesidade, mas vai ser uma nova alternativa para um a população com pouquíssimas opções”. A especialista prossegue: “A aprovação para a comercialização deste medicamento pelo FDA ocorre após de mais de 10 anos da última liberação de droga antiobesidade. Os órgãos de Vigilância avaliam a segurança dos medicamentos para obesidade com um rigor muito maior do que o fazem para outras drogas. As exigências cada vez mais altas retardam a comercialização, desestimulam a indústria para o desenvolvimento de novos fármacos e deixam a população desassistida”, conclui.


O Belviq é uma das drogas experimentais para emagrecimento que teve aprovação após ter sido rejeitada em 2010 pela FDA, depois que pesquisadores levantaram questionamentos sobre tumores que se desenvolveram em animais usados nos testes. Novas análises revelaram que o risco para os humanos é muito pequeno.
A Arena Pharmaceuticals, que distribuirá o Belviq, vai realizar seis estudos clínicos como parte do processo de aprovação. Incluindo um de longa duração, com o objetivo de avaliar o potencial de risco cardíaco ou de acidente vascular cerebral associado ao medicamento.
O novo fármaco ainda não chegou ao mercado brasileiro, nem tampouco se encontra sob análise de nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Xenical (orlistate) foi o último fármaco contra a obesidade aprovado nos EUA, em 1999.

Fonte: Abeso
Estudos Clínicos

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