sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Como controlar colesterol e triglicérides sem remédios

Em muitos casos, uma dieta saudável basta para manter os dois em níveis seguros.



Apesar de serem vistos como vilões, o colesterol e os triglicérides são dois tipos de gorduras essenciais para o organismo. O primeiro é necessário para a produção de novas células, sais biliares, vitamina D e de hormônios esteróides – como testosterona e progesterona. Já o segundo tem como principal função regular a reserva de energia. O problema é que em excesso ambos trazem prejuízos à saúde.

De acordo com a nutricionista Joana Lucyk, da Clínica Saúde Ativa, de Brasília (DF), a primeira medida para barrar a evolução dessa dupla é modificar a dieta. “Essa é a forma preferencial de tratamento”, afirma.

Colesterol: Márcia conseguiu reduzir suas taxas mudando seus hábitos alimentares
A psicopedagoga Márcia Cristina da Silva Neves Luciano, 42 anos, de São Paulo, SP, é uma das que conseguiu reduzir as taxas de colesterol e triglicérides, que estavam no limite, só com a mudança de hábitos. “Optei por não tomar remédios. Por isso, passei a controlar a dieta fazer exercícios, como caminhada e Pilates”, diz.

Um dos principais desafios enfrentados por Márcia foi diminuir o consumo de massas – ela é fã confessa de pãezinhos e bolos. Para tornar o pecado mais saudável, ela trocou o pão francês tradicional por um feito com farinha integral e aveia. Nos pratos preparados em casa, também substituiu a farinha de trigo por sua versão integral. Com a ajuda de uma nutricionista ensinou a substituir o óleo de soja pelo azeite nas preparações, assim como a aumentar o consumo de frutas e legumes.

O café-da-manhã, que antes era feito às pressas, hoje é um momento sagrado para Márcia. “Aprendi que preciso fazer essa refeição em casa, tranquilamente. Assim não ataco a cesta de pães e as guloseimas servidas no trabalho pela manhã”, observa. Com esses pequenos ajustes, a psicopedagoga conseguiu, em aproximadamente 90 dias, fazer os índices de colesterol e triglicérides voltarem ao normal. Para seguir seu exemplo, aprenda mais sobre as duas substâncias e descubra quais alimentos são aliados na empreitada.

Colesterol

Enquanto uma parte dessa gordura é produzida pelo fígado, a outra chega por meio da alimentação. No sangue, ela circula ligada a proteínas, formando partículas – as que mais se destacam são a LDL e HDL. “A principal diferença entre elas é que a LDL carrega o colesterol para os tecidos do organismo, enquanto a HDL o despacha para o fígado, onde acontece sua eliminação sobre a forma de sais biliares”, conta a nutricionista Fernanda Serpa, membro da diretoria do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional (CBNF).

É daí que vem a má fama da LDL: quando aparece em grandes quantidades, ele contribui para a formação de placas de gordura (ateromas). Essas, por sua vez, podem obstruir a circulação de um órgão importante, como o coração, levando a eventos como o infarto. Segundo Joana, há casos em que a genética do paciente leva a desequilíbrios nos níveis de colesterol. Nos outros, a alimentação costuma ser o grande gatilho para o surgimento do problema.

Portanto, para não ter surpresas desagradáveis ao se submeter ao exame de sangue (que deve ser realizado anualmente), é bom ficar de olho naquilo que coloca no prato. Alimentos de origem animal, por exemplo, são campeões em colesterol. Por outro lado, há aqueles que são verdadeiros aliados, pois ajudam a reduzir as taxas dessa substância no sangue. Veja as orientações:


Não exagere

Carne, especialmente as gordurosas, vísceras (fígado, miolo, miúdos), embutidos, peles de aves e asa de frango
Laticínios (leite integral, queijos amarelos, creme de leite, molhos gordurosos)
Frutos do mar (camarão, lula, etc.)
Manteiga (bolos prontos, tortas, massa folheada, biscoitos amanteigados)
Banha de porco
Sorvete, biscoitos recheados, leite condensado, chocolate (o branco é o pior) fast food e salgados (principalmente os folheados)

Inclua na dieta

Aveia: ela contém uma fibra que auxilia na redução do colesterol LDL. Segundo a diretora da Nutconsult, estudos demonstraram que pacientes que consumiam 3 gramas dessa fibra conseguiram uma redução de 8 a 23% no colesterol total. Para consumir esse valor, é preciso comer cerca de duas colheres de sopa cheias de farelo de aveia. “É no farelo que encontramos a maior concentração dessa fibra”, explica Fernanda.

Soja: a agência reguladora de alimentos e medicamentos FDA (Food and Drug Administration) sugere o consumo de 25 gramas de proteína de soja ao dia para evitar o aparecimento de doenças do coração, já que auxilia na redução dos níveis de LDL e colesterol total.

Fitoesteróis: essas substâncias são encontradas nos vegetais (como semente de girassol) e também barram a absorção de gordura da dieta, o que favorece a redução do colesterol. “É preciso consumir 1,6 gramas de fitoesteróis diariamente para observar uma diminuição de 8 a 15% nas taxas de colesterol”, informa Fernanda. Como eles não são tão abundantes assim nos vegetais, a indústria alimentícia decidiu isolá-los. Sendo assim, podem ser encontrados em produtos como margarinas e iogurtes.

Antioxidantes: elas (e aqui se destacam os flavonóides) podem inibir a oxidação das partículas LDL, diminuindo seu poder de obstrução de vasos sanguíneos. Os flavonóides são encontrados principalmente em vegetais verde-escuros, frutas (como cereja, amora, uva, morango, jabuticaba e maçã), grãos (linhaça, soja, etc), sementes, castanhas, condimentos e ervas (cúrcuma, orégano, cravo e alecrim) e também em bebidas, como vinho, suco de uva e chás.


Triglicérides

A nutricionista de Brasília comenta que o consumo elevado de carboidratos simples e refinados e bebidas alcoólicas pode fazer as taxas de triglicérides irem às alturas. Quando isso acontece, além de complicações cardiovasculares e diabetes, a pessoa fica mais sujeita a desenvolver pancreatite e sofrer redução dos níveis de HDL, aquela partícula considerada benéfica por facilitar a eliminação do colesterol pelo organismo.

A boa notícia é que ao adotar uma dieta uma dieta equilibrada, os efeitos positivos sobre os níveis de triglicérides não demoram a aparecer. “A resposta à modificação alimentar é muito mais rápida e fácil nesses casos do que naqueles de colesterol elevado”, compara Fernanda Serpa.

Aprenda como montar o cardápio:

• Não exagere no açúcar: dependendo do caso, vale substituí-lo por adoçantes

• Limite a quantidade de carboidratos: não consuma em uma mesma refeição arroz, macarrão, batata e farofa. “Opte por apenas uma fonte de carboidrato e, se possível, em sua versão integral”, sugere a diretora da Nutconsult, do Rio de Janeiro.

• Controle a ingestão de doces em geral, como refrigerantes, sucos em caixa já adoçados, sobremesas, balas, etc.

Inclua na dieta

Alimentos ricos em ômega 3. Fernanda conta que essa substância auxilia no controle e redução dos triglicérides e, por isso, deve fazer parte da alimentação. Para obtê-la, basta apostar em peixes, como cavala, sardinha, salmão, atum, bacalhau e arenque.

A recomendação, segundo a nutricionista, é de 180 gramas do alimento durante a semana. “Pode-se optar também por cápsulas contendo óleo de peixe. Mas, nesse caso, é importante procurar por um nutricionista ou médico para prescrição do suplemento”, observa.

Mão na massa

Muitas pessoas têm dúvidas de como incluir os alimentos citados no dia-a-dia. Por isso, Fernanda Serpa, diretora da Nutconsult Consultoria Nutricional, preparou algumas dicas práticas.

Prefira o farelo de aveia, pois é nele que está concentrada a maior parte da fibra solúvel responsável pelos efeitos redutores da absorção da gordura da dieta. A dose? Duas colheres de sopa ao dia podem ser usadas em cima de frutas (como a banana picada), da salada de frutas ou com feijão (substituindo a farinha). Outra alternativa é misturar o farelo a vitaminas.

Aumentar o consumo de vegetais é fundamental para combater o colesterol alto
A soja pode ser utilizada como proteína texturizada de soja (PTS). Assim, é possível usá-la no lugar da carne moída, depois de hidratada e refogada, ou em conjunto com a carne bovina para fazer a carne moída.

A quantidade de peixe recomendada é de 180 gramas por semana, o que corresponde a três porções pequenas ou duas porções grandes de peixe (sardinha, anchova, arenque, salmão, atum, etc).

Os fitosteróis são encontrados em margarinas e iogurtes enriquecidos. Nesses casos, a recomendação é de 20 gramas de margarina (1 colher de sopa) ou um pote de iogurte.

Os antioxidantes devem ser adquiridos por meio do consumo de quatro frutas ao dia e de vegetais e legumes no almoço e jantar (várias cores para adquirir diferentes fitoquímicos). Além disso, vale apostar em chá verde, suco de uva integral e farelo de linhaça.

Fonte: IG

10 dicas para afastar a gordura trans em sua dieta

Nutricionistas listam medidas simples, como evitar frituras e escolher bem os congelados. Elas protegem o coração.




Modere no consumo de fast food, bem como de alimentos congelados.
As gorduras trans (GT) - um tipo específico de gordura formado pelo processo de hidrogenação natural ou industrial - estão presentes em alimentos, como carne e leite, além de alguns produtos industrializados.

Não é possível excluí-las totalmente da alimentação – embora em alimentos industrializados elas possam ser substituídas - porém nem sempre com um resultado satisfatório em relação à textura e ao sabor.


O consumo excessivo contribui para o aumento do colesterol total e do LDL (o colesterol ruim) e ainda promove a redução dos níveis de HDL (o colesterol bom), trazendo riscos para o coração e a saúde de forma geral.

Devido aos prejuízos que pode causar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a redução de trans nos alimentos. Pelas orientações, não se deve consumir mais do que 2 gramas por dia.
“Elas foram substituídas por outros tipos de gorduras, mas nem sempre elas são mais saudáveis. A substituição pode ser feita, por exemplo, por uma gordura que tenha um nível alto de saturação e que pode ser tão prejudicial ao organismo quanto a GT, quando consumida em excesso”, alerta Maria Fernanda Elias, nutricionista, mestre em Saúde Pública e doutoranda em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP).

Alimentos com menos de 0,2 gramas de GT por porção podem ser rotulados como “livre de gordura trans”. “Eles ainda contém traços de GT, mas é uma quantidade que a Anvisa classifica como ‘não significativa’”, diz Maria Fernanda.


Para tornar mais fácil manter uma dieta saudável para o coração em casa, há anos, a Food and Drug Administration nos EUA exige que alimentos e bebidas listem as gorduras trans no rótulo de informação nutricional.

"É importante ler as informações nutricionais, bem como a lista de ingredientes. Fique atento a nomes como gordura hidrogenada, gordura parcialmente hidrogenada, gordura saturada e banha, consumindo com moderação estes tipos de alimentos”, diz a nutricionista Cynthia Antonaccio, diretora do Grupo Equilibrium, de São Paulo.


Aqui estão 10 sugestões para afastar os riscos da gordura trans de sua dieta.

1. Evite alimentos fritos
Frango, pastéis, salgadinhos e outras frituras carregam gordura trans e colesterol. Em vez de fritar, uma opção é usar a frigideira para “saltear” o alimento - método que pode ser considerado uma fritura com pouca gordura. Não se esqueça de usar óleos líquidos, como azeite ou óleo de canola e em quantidade adequada para manter as calorias sob controle.


2. Modere no fast food
As redes fast food têm fama de cardápios ricos em colesterol, mas muitas cadeias de restaurantes já oferecem opções saudáveis para o coração. Dica: procure alimentos frescos e evite frituras e molhos com muito queijo e condimentos. Opte por saladas, peixe ou frango grelhado, batata cozida. Além disso, pule as sobremesas fritas, biscoitos e tortas recheadas. “Evite os molhos muito calóricos, mas não precisa ter fobia de molhos. Um a base de azeite ou do tipo rose dão gosto às saladas, sem comprometer a saúde”, diz Cynthia.

3. Reduza o consumo de preparos de sobremesa
Misturas para bolos e doces podem ser convenientes, mas muitas têm quantidades de gorduras trans. Experimente fazer um bolo da forma tradicional, incorporando gorduras saudáveis e polvilhe açúcar de confeiteiro por cima em vez de glacê. “Use leite desnatado, óleos vegetais ao invés de manteiga. Outra dica é o iogurte natural desnatado ao invés de chantilly. Nas tortas doces, troque a ‘massa podre’ (que requer grandes quantidades de gordura) por massa feita com biscoitos ou cereais integrais”, sugere a nutricionista Maria Fernanda.


4. Atenção ao consumo de macarrão instantâneo e sopa em copo
São coringas em uma dieta de quem não tem muito tempo. Mas a grande quantidade de gorduras trans deve fazer você diminuí-los de seu dia a dia. A alternativa pode ser essa: faça uma panela grande de sopa no fim de semana, divida-a em porções individuais, congele e tenha várias refeições deliciosas e nutritivas.


5. Escolha cuidadosamente os congelados
Você não tem que evitar o corredor de comida congelada do supermercado. Só precisa fazer escolhas nutritivas. Por isso, leia os rótulos e escolha os alimentos mais próximos à sua forma natural e evite os que tenham gordura saturada, trans e colesterol. Faça um estoque de vegetais e frutas congeladas sem molhos para adicionar a cozidos, sopas, ensopados e smoothies. E procure fontes de proteína magra: escolha peixes que não sejam à milanesa. Saiba mais: 20 maneiras de comer mais frutas e vegetais

6. Evite os doces recheados
Quando se trata de recheios pastosos – com ingredientes de origem animal (como leite, ovos) –, a melhor maneira de reduzir as gorduras é evitar esses alimentos. Boas opções são doces com grãos integrais, muffins de farelo de trigo ou frutas e iogurtes.

Não precisa tirar a margarina do cardápio, basta consumi-la com moderação
7. Reduza a quantidade de margarina
Durante anos, as pessoas acreditaram que a margarina era melhor do que a manteiga, que é rica em colesterol. Descobriram, então, gordura trans nas margarinas. Mas hoje o problema foi corrigido e você pode mantê-la em sua dieta – ou usar um creme vegetal. Fique atento apenas a quantidade a ser consumida.

“Ainda existe muita controvérsia a respeito dessas substituições. A margarina não contém colesterol, mas contém gorduras saturadas que também promovem o aumento do colesterol. Ou seja, o melhor é optar por aquele alimento que mais agrada em termos sensoriais e usá-lo em pouca quantidade para passar no pão (o mínimo possível). Costumamos recomendar ‘uma ponta de faca”, diz Maria Fernanda.

8. Não abuse de alimentos pré-prontos
Eles parecem tão fáceis de preparar... Mas aqueles pacotes de pães de queijo, pizza, massa, biscotinhos, tortinhas congeladas podem estar carregados de gorduras trans. Vá para as prateleiras de alimentos de grãos integrais. Ou, como no caso dos bolos, faça seu próprio alimento. “Quando preparamos os alimentos em casa, sempre é possível usar menor quantidade de gordura, optar pelos óleos vegetais e preferir ingredientes mais saudáveis, como farinhas integrais, leite desnatado, queijo branco, frutas e pouco açúcar”, reforça Maria Fernanda.


9. Atenção à pipoca de microondas
Pipoca pode fazer parte de uma dieta saudável para o coração, mas não quando é carregada de sal, colesterol alto, manteiga. “O excesso de sal na alimentação está diretamente associado a risco de hipertensão”, lembra Maria Fernanda. Prefira a pipoca “neutra” e adicione você mesmo o sal (pouco) ou outros temperos. Para pipoca doce, acrescente uma pequena quantidade de mel e canela.

10. Prefira café sem chantilly
É gostoso um creminho por sobre o café. Mas as gorduras estão ali boiando e podem contribuir para níveis elevados de colesterol. Se quiser dar uma suavizada no café, tente um pouquinho de leite desnatado ou apenas aquela espuminha de leite.

Fonte: IG