terça-feira, 15 de novembro de 2011

Anorexia na maturidade

Doença já não atinge só meninas e avança entre mulheres com mais de 35 anos.



Quando meninas, elas assistiram a cantora superstar da época morrer de uma doença ainda desconhecida para o público. Karen Carpenter, espécie de “Sandy” do final dos anos 70, recordista de vendas de discos em parceria com o irmão na dupla The Carpenters, nunca mais cantou hits como Close to You por causa da anorexia nervosa. Aos 33 anos, em 1983, o coração da estrela internacional parou de bater e o corpo definhado pela magreza excessiva foi apontado como causa da morte repentina.

As fãs de Karen Carpenter cresceram, acompanharam outras “musas teens” adoecerem do mesmo problema e hoje, mais velhas, são expectadoras – e alvo – de um outro lado dos transtornos alimentares, inédito até para quem sempre tratou da doença: a anorexia deixou de ser uma doença de adolescentes. Agora, também faz vítimas mais maduras.


Casos de anorexia avançam em mulheres com mais de 35 anos
Meninas, adultas e senhoras

A tendência de envelhecimento da anorexia nervosa – reconhecida por sintomas de distorção da imagem (muito magras que se enxergam gordas) e danos físicos e psicológicos severos – é confirmada por Liliane Kijner Kern, psiquiatra do Programa de Orientação e Atenção ao Pacientes com Transtorno Alimentar (Proata), serviço da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ela conta que, nos últimos três anos, as consultas deixaram de ser voltadas só para meninas com idades entre 13 e 21. Hoje, informa a médica, das novas pacientes que buscam a unidade, duas em cada 10 têm mais de 40 anos. As maiores de 30 – faixa etária também considerada tardia para a manifestação do transtorno alimentar – já são quase metade dos casos, representam 40% do total.

"É muito recente. Ainda falta literatura médica até para sabermos como tratar estas pacientes" diz a especialista.

No Ambulatório de Anorexia, Bulimia e outros Transtornos Alimentares (Ambulim), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), o mesmo fenômeno foi diagnosticado: 13,5% das 289 pacientes internadas durante o ano passado por causa do distúrbio tinham passado dos 35 de idade – mas pesavam pouco mais de 20 quilos.

Superstar do final dos anos 70, Karen Carpenters morreu aos 33 anos por causa da anorexia
A explicação dos especialistas para uma parte das pacientes mais velhas adotar o esquema “dieta zero” já em uma faixa etária mais avançada é simples: elas não são adolescentes, mas continuam expostas e pressionadas por um padrão de beleza muito magro. As propagandas de xampu, hidrante e sutiã são as mesmas, independentemente da idade.

Na Espanha, segundo estudo apresentado em outubro do ano passado durante o Congresso Nacional de Organização de Idosos, foi evidenciado que até as senhoras podem ser vulneráveis à doença. Nos serviços de saúde espanhóis foi apurado que os casos de anorexia em pacientes com mais de 60 anos haviam triplicado, passando de 1,5% do total para 5% dos atendimentos.

Fatores múltiplos

Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto , 67 anos, ajuda a entender o avanço de casos de anorexia em mulheres da mesma idade. Ela nunca havia se preocupado com as curvas até os 55 de idade. Prestes a virar uma sexagenária, confrontada com o espelho, não gostou da imagem que viu. Lembrou que o manequim não era mais 38, viu que as colegas de trabalho eram mais jovens e mais magras e ainda tinha de conviver com os mistérios da menopausa e a dificuldade de manter o peso por causa dos remédios para controlar o colesterol. “Poderia ter pirado ali”, acredita.

A Heloísa que reúne os anseios de muitas mulheres de sua faixa etária é a Helô Pinheiro, a garota de Ipanema, eterna musa e ainda assim vulnerável aos desafios trazidos com o passar dos anos. Ela não caiu nas estatísticas de transtornos alimentares. Aprendeu a admirar a própria beleza, mas conta que muitas colegas de faixa etária semelhante não tiveram a mesma sorte.

Helô PInheiro conta os segredos para ficar em paz com o espelho mesmo o reflexo não mostrar mais a mesma Garota de Ipanema
Liliane, a psiquiatra da Unifesp, explica que, de fato, não é só a insatisfação com o corpo que desperta a anorexia entre as pacientes mais velhas. “O gatilho pode ser uma separação do marido, a ausência dos filhos, a sensação de estagnação no trabalho”, completa.

Vaidade fatal

Como são maiores de idade e têm renda própria, as doentes com mais de 40 conseguem ainda usar outras formas de agredir o corpo que vão além restrição alimentar. Acabam repetidas vezes nos consultórios de cirurgiões plásticos na tentativa obsessiva de mudar a forma física, pontua o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Guerra.

“As pacientes psiquicamente transtornadas geralmente se apresentam de forma confusa, desejando na maioria das vezes o que é considerado impossível”, alerta Guerra. Para ele, é necessário o reconhecimento deste tipo de caso por parte dos profissionais da área. Não só o bisturi, mas dietas malucas também podem deformar o corpo. Além da magreza, o resultado pode ser osteoporose, fraturas e até a morte, todas consequências associadas à anorexia nervosa.

Limite da sobrevivência

Os casos mais graves de anorexia nervosa tratados na Unifesp e no Ambulim – reúnem muitos exemplos de mulheres que chegaram até o limite da sobrevivência.

Independentemente da idade, todas que precisam passar meses nos leitos hospitalares ficam com uma penugem em volta do corpo em resposta à ausência absoluta de gordura e aos batimentos cardíacos ameaçados pela falta de peso. Fábio Salzano, psiquiatra responsável pelo atendimento do Ambulim, diz que as internações dessas pacientes são longas, por cerca de um ano – para efeitos de comparação, os dependentes químicos ficam internados, no máximo, três meses. Dos transtornos psíquicos, explica ele, a anorexia é o mais letal. “A mortalidade chega a 10% dos casos”, afirma.

“Não há o menor glamour. O preço pago é muito alto”, define a especialista da Unifesp, Liliane Kern, que diz encontrar só uma diferença entre as mais novas e as mais velhas com anorexia.

“Se para a adolescente o tratamento tem foco na família, as mais velhas só podem contar com elas mesmas. Todo o esforço de recuperação depende delas”, explica.

Fonte: IG

15 sinais de bulimia

Conheça comportamentos que podem indicar a presença da doença, predominante em mulheres jovens.






Provocar vômitos para eliminar o que foi comido é um dos sinais da bulimia.

Comer em excesso e provocar vômitos para eliminar a culpa por ter comido é uma doença conhecida como bulimia. Caracterizado por um comportamento compulsivo e doentio em relação à comida, esse transtorno alimentar é mais comum em mulheres jovens, e pode até matar se não for identificado e tratado adequadamente.

A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA), dos Estados Unidos, elaborou uma cartilha com informações e orientações sobre a doença, e dicas úteis para quem tem ou convive com o problema. O Delas selecionou 15 sinais de alerta que podem ajudar a identificar a bulimia. Como em toda doença, a presença de indícios não significa que a pessoa tem o problema, o diagnóstico deve ser feito por um especialista. Se perceber algum dos comportamentos listados em alguém próximo de você, procure orientação sobre como ajudar conversando com um médico ou um psicólogo.

Preste atenção em:

1 – Comportamentos e atitudes que indicam preocupação excessiva com perder peso, fazer dieta ou controlar a quantidade de comida ingerida

2 – Desaparecimentos inexplicáveis de grandes quantidades de comida da despensa em períodos muito curtos de tempo

3 – Grandes quantidades de embalagens de alimentos vazias (elas podem ser um indicativo do consumo compulsivo de grandes quantias de comida)

4 – Visitas frequentes ao banheiro ao longo ou depois das refeições

5 – Dentes manchados ou amarelados e hálito de vômito constante

6 – Cartelas ou embalagens vazias de laxantes e diuréticos no lixo do banheiro ou da cozinha (são indícios de comportamento purgatório)

7 – Sensação clara de desconforto ao comer na frente de outras pessoas

8 – Rituais relacionados à comida ou à alimentação (comer apenas um alimento ou um grupo específico de alimentos, mastigar excessivamente a comida ou evitar que o alimento toque os lábios ao ser colocado na boca)

9 – Ingestão de porções muito pequenas de comida nas grandes refeições do dia (como o almoço) ou na pulada muito frequente de refeições

10 – Atitudes bizarras em relação à comida (sem motivo algum, roubar ou esconder alimentos em lugares estranhos da casa ou do quarto)

12 – Uso exagerado de enxaguatórios bucais, pastilhas e chicletes de menta (eles ajudam a mascarar o hálito de vômito)

13 – Uso constante de roupas folgadas, que escondam os contornos do corpo

14 – Dedicação incansável a regimes de exercícios intensos e rígidos demais, mantidos independentemente do clima, do cansaço ou de alguma doença ou lesão muscular

15 – Calos nas costas das mãos ou nas juntas dos dedos (são uma espécie de cicatriz da repetição frequente do ato de provocar o vômito colocando os dedos na garganta)

Onde encontrar informações e ajuda:

Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim)

Programa de Orientação e Assistência aos Transtornos Alimentares (Proata)

Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Gota)

Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares (Gatda)

Grupo de Estudo e Assistência em Transtornos Alimentares (Geata)

Grupo de Estudos em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta)

Fonte: IG

Anorexia: dicas para abordar o assunto

Falar sobre o problema não é fácil, mas é importante tentar. Veja como.





Dieta extrema: anorexia pode levar à morte
Se suspeita de que alguém próximo a você sofre de anorexia nervosa, é importante tentar ao menos conversar sobre o assunto.

O site do governo americano especializado em saúde da mulher oferece as seguintes sugestões para abordar o tema com uma anoréxica próximo a você:

1. Escolha um momento para ter uma conversa privada, quando nenhuma das duas esteja distraída

2. Expresse sua preocupação sobre os hábitos alimentares dela

3. Sugira que ela converse com um profissional de saúde sobre seus hábitos alimentares

4. Não seja incisiva demais em suas recomendações, por outro lado, concentre-se em demonstrar a sua preocupação com ela

5. Se ela tem noção de que está comendo muito pouco, explique que o tratamento é mais complicado do que simplesmente começar a comer regularmente novamente e estimule-a a procurar ajuda

6. Assegure a ela que você vai sempre estar presente para escutá-la ou apoiá-la

Fonte: IG