quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Como fazer seu filho comer verduras e legumes


Na hora da refeição, a palavra-chave para os pequenos comerem bem é persistência. Mas algumas dicas práticas também ajudam.

Envolver seu filho na compra e preparo dos alimentos pode fazer com que ele passe a gostar de vegetais antes rejeitados
Há pouco tempo, uma propaganda de TV ganhou popularidade ao retratar uma cena que toda mãe gostaria de ver: no supermercado, um menino esperneava e pedia desesperadamente para a mãe comprar brócolis e chicória. Mas nem só no mundo da publicidade é possível vencer a frequente negativa das crianças frente aos legumes e verduras. O segredo para fazer seu filho comer vegetais está na persistência - e em um pouco de criatividade.

Até por volta dos dois anos de idade as crianças não costumam oferecer resistência aos alimentos. Muitas estão até habituadas ao consumo de batatas, cenouras e espinafre, mas em forma de sopa ou papinha. Quando é hora de apresentar estes alimentos em sua forma natural, a criança estranha - e rejeita.

Outro fator que agrava a equação é o contato do pequeno com alimentos industrializados. "Os problemas aparecem depois. Principalmente com a introdução de açúcar e frituras, que têm um sabor bem mais acentuado que as verduras, e bem mais doce que as frutas", diz o pediatra Sergio Spalter, autor do blog "Cozinhando com o Dr. Spalter", sobre alimentação e nutrição infantil.

Aí é que entra a responsabilidade dos adultos. Em primeiro lugar, o papel dos pais é controlar o que entra em casa. Se pães integrais e produtos de hortifruti frescos estão sempre à mesa, as crianças terão menos chances de consumir balas e salgadinhos.

Além disso, existe o puro e simples - mas não menos eficaz - bom exemplo. "Os pais são o grande exemplo dos filhos. Quando a criança senta-se à mesa e vê seus pais se alimentando de forma adequada, com frutas, verduras e legumes, isso a encoraja a consumir estes alimentos", afirma Daniela Murakami, nutricionista da Nutrir e Brincar, consultoria especializada em nutrição infantil.

Dificuldades e dicas

Nem sempre, no entanto, controlar o que entra na sua casa e alimentar-se de forma saudável bastam para fazer com que os pequenos comam todo o prato de escarola - e ainda peçam uma maçã de sobremesa. Existem abordagens práticas que ajudam os pais a educarem suas crianças para uma alimentação balanceada.

Faça ovos de Páscoa e bombons com seus filhos
O pediatra Sergio comenta, por exemplo, uma feliz coincidência: se por volta dos 2 anos a criança passa a estranhar alguns alimentos, essa também é a fase em que começa a exercitar a fantasia. Então, por que não fazer da hora da comida um momento de imaginação? Conte histórias e faça jogos para estimulá-los a comer. Uma simples receita de macarrão com legumes pode virar uma poção mágica e as crianças podem se divertir (e comer melhor) se forem desafiadas a adivinhar o conteúdo de cada colherada.

Deixe a criança brincar com os alimentos e convide-a a participar da feira semanal e do preparo dos pratos. Ver que a cenoura é cor de laranja, sentir a textura de sua casca, comprá-la e observar a preparação dela pode despertar o interesse pela até então desconhecida e rejeitada raiz.

Variar nos cortes, na preparação e na apresentação também podem ajudar. Se a criança não come brócolis refogado, tente fazer bolinho de brócolis ou colocar a verdura no arroz. Muitas crianças podem rejeitar cenoura cortada em rodelas, mas gostar de comê-las em palitinhos. E um prato com uma carinha desenhada com os alimentos é bem mais atraente do que a disposição simples da comida.

O que não fazer

Perdidas entre tantas orientações e sugestões do que fazer, as mães costumam se esquecer do que não fazer. "Nunca castigue seu filho caso ele rejeite determinado alimento. Isso fará com que a criança
tenha uma experiência negativa por aquele alimento, associando-o a uma coisa ruim", alerta Daniela.

Também não perca tempo forçando a criança a aceitar couve de bruxelas, especialmente se ela já come chuchu, espinafre e batata doce. Seu filho não é obrigado a gostar de todas as verduras e legumes existentes na face da Terra. "Os pais devem sempre oferecer frutas, legumes e verduras, mesmo que a criança recuse no primeiro momento, pois o paladar muda com o tempo", acrescenta ela.

Fonte: IG

11 truques para seu filho comer melhor


Disfarçar alimentos, inventar histórias e não esquentar com a sujeira: mães, chefs e nutricionistas dão dicas para vencer a resistência das crianças
Abra os olhos para a apresentação do prato e feche-os para a sujeira: pequenas atitudes para a criança comer melhor.
Desesperados para ver os filhos se alimentarem corretamente, muitos pais lançam mão de chantagens pouco corretas para conseguir emplacar algumas colheradas. Ameaças como “se você não comer a salada, vai ficar sem videogame a semana toda” são pouco eficazes. Além de estabelecerem a alface como algo horrível e o videogame como algo incrível, elas podem gerar um estresse desnecessário entre adultos e crianças. O melhor é apostar em alguns truques práticos para fazer seu filho mudar de ideia em relação às comidas saudáveis.

O Delas conversou com alguns peritos em alimentação, de nutricionistas a chefs de cozinha, e reuniu 11 dicas eficazes para as crianças comerem melhor. Com paciência, bom-humor e criatividade, você pode mudar o jogo a seu favor e acabar com o sofrimento da hora das refeições.

Confira abaixo.

1. Capriche na apresentação do prato
As crianças comem, sim, com os olhos. Para Andrea França, diretora da MiniChefs – Escola de Culinária Infantil, de São Paulo, um prato bem decorado e colorido faz toda a diferença. “É uma coisa simples de ser feita: desde colocar mais cores, que é resultado de uma dieta equilibrada, até montar uma carinha com os alimentos”, diz. O brócolis pode virar um cabelinho, enquanto o tomate pode ser cortado em forma de boca.

O chef de cozinha experimental André Boccato adaptou o livro “Gastrokid – O Livro da Gastronomia Infantil” (Editora Gaia) para o Brasil e sugere o uso de forminhas ou cortadores com o formato de bichos. “Quando você desenha no prato, pode até colocar ingredientes que a criança nem conhece. Ela presta mais atenção no desenho. Ao servir a refeição diretamente da panela, a criança pode ter uma reação pior”, diz.
2. Invista em alimentos pequenos
A lógica é simples: alimentos em miniatura fazem com que as crianças sintam que aquilo foi feito só para ela. Segundo Andrea França, mini legumes ou folhas de rúcula “baby”, por exemplo, tendem a agradar bastante. Mas não necessariamente precisam ser alimentos em miniatura. Ovinhos de codorna, por exemplo, também podem ser utilizados como incrementos, de acordo com a nutricionista da Consultoria e Assessoria Nutricional Duo Nutri, Fernanda Faria.

3. Evite bebidas durante a refeição
De acordo com a nutricionista Elaine de Pádua, especialista em alimentação na infância e adolescência e autora do livro “O que tem no prato do seu filho? Um guia prático de nutrição para os pais” (Editora Alles Trade), diminuir o volume de líquidos durante as refeições pode ser uma boa pedida. “Os líquidos ajudam a saciar a fome, ou dão a sensação de saciedade, ou seja, de estar satisfeito”, diz. Prefira oferecer água ou suco, portanto, somente depois do almoço ou da janta.

4. Ofereça primeiro o que ele menos gosta
A maioria das famílias costuma fazer o contrário, mas o melhor para a criança que não come verduras é tê-las à vista antes dos outros pratos da refeição. “Assim, ela estará com fome e pode consumir esta preparação mais facilmente”, afirma Elaine de Pádua.

5. Mantenha os alimentos saudáveis em lugares acessíveis
Elaine de Pádua recomenda manter as frutas expostas na cozinha, ou até já lavadas e cortadas na geladeira, prontas para serem alvos de uma criança faminta. A fórmula também pode funcionar para legumes, como cenouras e pepinos.

Crianças na aula de culinária em escola especializada: cozinhar diminui a resistência a novos pratos

6. Cozinhe com seu filho
Estimular a criança a colocar a mão na massa pode fazê-la se alimentar melhor. A neta do chef André Boccato é um exemplo: aos cinco anos, o avô a levou para fazer massa fresca e preparar um saboroso prato de macarrão. “Antes disso, ela não comia molho de tomate. Depois dessa refeição, passou a gostar”, conta o chef.

7. Envolva a criança na escolha do cardápio da semana
De acordo com Betty Kövesi Mathias, coordenadora e professora da Escola Wilma Kövesi de Cozinha e Gastronomia, em São Paulo, a diversão é a isca perfeita para envolver uma criança em qualquer assunto. Na alimentação, vale o mesmo princípio. Conte com a ajuda dela para montar o cardápio da semana. Peça a ela para escolher um prato e os pais escolhem outro. O mesmo vale para quando a família vai a um restaurante: a mãe pode sugerir que ela escolha o prato do filho e o filho escolhe o dela. “Mas sem ameaças. A pior coisa que pode ser feita é obrigar a criança a comer. Essa integração faz com que aquele momento seja saudável e a criança não se sente cobrada”, diz Andrea.

8. Fique tranquilo com a sujeira
A atriz Maria Paula é mãe de Maria Luiza, 6, e Felipe, 4. Ela acredita que o fato de ter amamentado os filhos no peito até as crianças completarem quase 2 anos de idade contribuiu para eles comerem muito bem, quase sem nenhuma restrição, inclusive de frutas, legumes e verduras. “As crianças são boas de garfo, assim como a mãe”, compara a ex-Casseta e Planeta. “Não é piada não, é exemplo. Eu mudei a minha alimentação depois que a Maria Luiza nasceu, porque sabia que ela não iria comer certinho se eu não fizesse o mesmo”, completa. “Passei a tomar café da manhã, por exemplo, coisa que nunca tinha feito”.
Além da amamentação e do exemplo, Maria Paula revela outro segredo para fazer com que seus filhos nunca tenham torcido o nariz para brócolis, alface, aspargos e abacate. “Sempre incentivei que eles descobrissem os sabores, as texturas por conta própria”, diz. “Então, não ficava encanada com sujeira. No início, eles podiam comer com as mãos para descobrir o que era aquilo. Quando queriam, tentavam sozinhos usar os talheres e sempre atendiam as suas curiosidades gastronômicas. Para mim e para eles, deu super certo”, garante.

Levar a criança às compras facilita o envolvimento dela com o que vai à mesa.

9. Leve seu filho ao mercado ou faça uma hortinha em casa
Levar as crianças para as compras do mês também pode ser uma ótima ideia para envolvê-los com a alimentação. Segundo Betty Kövesi Mathias, aproximá-las dos alimentos faz com que elas fiquem mais curiosas e experimentem com maior facilidade. Se o seu filho transforma as compras em uma guerra sem fim por cada guloseima dos corredores, outra alternativa é fazer uma hortinha em casa, ou mesmo cultivar pequenos vasos de tempero. “Além de facilitarem a culinária, ampliam o repertório de alimentos da família”, diz Elaine.

10. Transforme o ato de comer em uma brincadeira
A chef e doceira Carole Crema, proprietária da La Vie em Douce, em São Paulo, e mãe de duas meninas de cinco e seis anos, Luiza e Beatriz, segue esta premissa sempre que necessário. Quando as filhas queriam que ela fizesse um doce de sobremesa, ela preparou gelatina e serviu com uma colher de creme de leite, frutas e três confeitozinhos para cada uma. “Fiz um prato lindo e aproveitei para fazer gracinha na hora. Disse, tirando a sobremesa da geladeira: ‘qual a mesa que pediu esta especialidade? A garçonete já está levando!’”, conta.

Por menor que pareça, o uso da imaginação empolga – e muito – as crianças. Usar referências que a criança conhece, como o espinafre do Popeye ou o prato favorito de outro personagem, pode fazer com que ela tenha uma identificação maior com o alimento. “O discurso que se refere ao mundo da fantasia da criança pode ser empregado de acordo com a idade e sempre vale a pena”, concorda Andrea França.

11. Varie os formatos
Elaine de Pádua sugere “disfarçar” os alimentos rejeitados em pratos diferentes. O truque pode ser o ponto de partida para a criança começar a mudar de ideia. Se ela não come beterraba, que tal acrescentar o tubérculo na massa e fazer panquecas cor-de-rosa? “Mas não pode virar uma rotina. É importante ela saber o que está comendo”, afirma a autora. A ideia é mostrar diferentes formas de um mesmo alimento, para ver se ela realmente não se interessa por ele.

(Colaborou: Fernanda Aranda, iG São Paulo)

10 erros dos pais na alimentação dos filhos


Forçar a criança a comer e chamar todas as verduras por um nome só: veja os equívocos mais comuns dos pais e saiba porque evitá-los.

Respeitar a rotina e dar o nome certo a cada alimento são atitudes práticas para a criança comer bem
Com uma alta gama de alimentos industrializados sendo oferecida atualmente, os maus hábitos alimentares podem dar as caras mais cedo do que nunca – e talvez os pais nem percebam. Conversamos com quatro especialistas no assunto para listar os erros mais comuns cometidos pelos pais no que diz respeito à alimentação dos filhos. Leia abaixo e lembre-se que, a partir de agora, você já pode bolar um novo plano para quando a rúcula ou a abobrinha forem à mesa.

1. Dê os nomes certos aos alimentos

Rúcula, alface, escarola, agrião, couve. São diversos vegetais de gostos diferentes mas, na hora de mostrar para a criança, muitas mães colocam todos sob o mesmo rótulo, chamando-os simplesmente de “verdinho”. Para a nutricionista Elaine de Pádua, especialista em alimentação na infância e adolescência e autora do livro “O Que Tem no Prato do seu Filho?” (Editora Alles Trade; leia entrevista com ela aqui), o erro leva a criança a descartar vários alimentos de uma vez só. “Talvez ela goste de couve e não de alface. Mas se tudo for chamado de ‘verdinho’, ela não aceitará nem um, nem outro”, diz.

2. Respeite a rotina da criança

De acordo com Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz e criador do Portal Pediatria em Foco, as crianças precisam ter horários regrados e a alimentação não foge desta regra. Mas é comum que, nos finais de semana, tudo fique fora de ordem e a coisa mude de figura. “E então pode virar um efeito dominó”, diz o especialista. Se a criança almoçar dois dias mais tarde do que o usual, vai ser difícil fazer com que ela almoce novamente no horário correto na segunda-feira.

3. Não faça sempre a vontade da criança

“Os pais precisam deixar claro que são eles que mandam na alimentação”, diz Reibscheid. Quando novos alimentos passam a ser sugeridos, a criança que ainda está acostumada com o leite muitas vezes vai resmungar e resistir à novidade. Nesta hora, a arma dos pais é a perseverança. Vale até mascarar alguns alimentos. Mas sem exageros.

4. Varie na apresentação dos alimentos

A criança precisa de uma alimentação equilibrada e balanceada. Para isso, às vezes é necessário colocar a cenoura que ela nunca quer junto com o arroz, por exemplo, para que comece a aceitar. Mas não pare por aí: se seu filho aceitou a cenoura preparada com o arroz, o que mais pode ser feito? De acordo com Elaine de Pádua, os pais podem partir para um sanduíche com cenoura ou um suflê de cenoura, por exemplo. “A criatividade é muito importante nesta hora e a criança pode conhecer aquele alimento de diversas formas”, comenta.

5. Não seja preguiçoso

Para Alexander Gomes de Azevedo, nutrólogo e autor de “Pais Inteligentes, Filhos Saudáveis” (Editora Diagrama), o maior erro cometido pelos pais é alimentar os filhos com aquilo que é mais fácil de ser feito. O paladar da criança ainda está em formação e alimentá-la com salgadinhos, sanduíches e doces é um mau começo. Vai ser ainda mais difícil fazê-la comer bem no futuro, já que estará acostumada com os vilões.


Comer fast food não compensa e dar o exemplo é a regra principal: boa alimentação começa em casa

6. Evite a compensação

É comum muitos pais se sentirem culpados por passarem bastante tempo fora de casa, mas encher as crianças de guloseimas ou levá-las a restaurantes de fast food não só não vai resolver o problema, como pode criar outros. De acordo com a nutricionista Camila Podete, consultora e responsável pela Nutri Materno Assessoria Nutricional, em São Paulo, esse expediente pode deixar a criança desinteressada por alimentos mais saudáveis, já que ela sabe que um prato de espinafre pode ser substituído por outro mais atraente.

7. Desligue a televisão

Pode parecer mais fácil colocar a criança para ver um desenho animado enquanto come, já que ela se distrai, mas Camila Podete recomenda cuidado. “É muito importante o momento da alimentação ocorrer em um local tranquilo. A criança precisa conseguir sentir os sabores da comida, para não recusá-la posteriormente”. Elaine de Pádua ainda comenta que é comum ver os pais levarem DVDs portáteis a restaurantes, para o filho assistir a um filminho enquanto come. “Isso pode atrapalhar muito”, avisa. A criança está aprendendo a mastigar nesta fase e distraí-la pode atrapalhar o processo.

8. Dê atenção aos detalhes

Ao tratar com as crianças, é preciso deixar tudo o mais atraente possível. Muitos pais pensam que não é necessário, mas colocar a mesa e fazer os pratos visualmente interessantes são atitudes que contam muito para seus filhos apreciarem o momento e a comida. “É preciso deixar de achar que a criança não tem gosto e não liga para isso ou aquilo”, diz Elaine.

9. Não force a alimentação

Os pais precisam aprender a aceitar a vontade dos filhos quando eles não querem comer. Marcelo Reibscheid explica: se a criança pedir um copo de leite em vez do jantar, com arroz, feijão, ovo e carne, não se deve atender ao pedido dela, mas tampouco forçá-la a comer. “Se os pais dão o leite, ela irá repetir a atitude. Mas se você disser às 18 horas que é só aquele prato que tem, e permanecer firme, às 20 horas ela vai aceitar”, diz ele.

10. Dê o exemplo
Não adianta querer que seu filho tome um suco de couve enquanto, na frente dele, você toma refrigerante. A regra é simples: se os pais dizem às crianças para não consumir determinado alimento mas, ao mesmo tempo, o consomem, é difícil manter uma linha de coerência e fazer com que os filhos se alimentem de forma saudável. Os pais precisam ser a referência das crianças e fazer pelo menos uma refeição por dia com os pequenos. “Elas vão imitar o jeito de comer, o que vão comer, então é importante para as crianças ver o que os pais comem ou deixam de comer”, completa Camila Podete.

Fonte: IG