domingo, 11 de setembro de 2011

Hipertensão- Aprenda a comer com menos sal


Vilão da hipertensão, o condimento deve ser usado com moderação
Se houvesse uma disputa para definir o vilão da dieta atualmente, certamente o sal desbancaria fortes concorrentes – como o açúcar e a gordura – e abocanharia o primeiro lugar.

Por estar relacionado a uma série de complicações, especialmente a hipertensão arterial, o condimento, formado por uma mistura de cloro e sódio (daí o nome cloreto de sódio), entrou na mira dos profissionais de saúde do mundo inteiro.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou esta semana no Diário Oficial da União novas regras para a propaganda de alimentos e bebidas pobres em nutrientes. As empresas fabricantes, que já estão contestando a determinação, terão seis meses para se adaptar às normas.

Nos Estados Unidos – em abril deste ano, o FDA (Food and Drug Administration) manifestou sua intenção de reduzir o consumo de sal entre a população – espera-se que os primeiros passos sejam dados pela indústria, já que uma boa parte da quantidade ingerida vem justamente dos alimentos empacotados.

Saleiro: o mais prudente é tirá-lo da mesa na hora das refeições
Preocupadas com a incidência cada vez maior de pressão alta (e de derrames e infartos decorrentes dessa situação), algumas cidades americanas já partiram para a briga, como é o caso de Nova York, que estabeleceu uma meta de redução da ingestão de sal em 25% nos próximos 25 anos.

Na saúde

Vale dizer que a má fama do condimento é um tanto quanto injusta. De acordo com Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein, “o sal desempenha funções superimportantes no organismo, como equilibrar o volume de líquidos dentro dos vasos sanguíneos e garantir o bom funcionamento do cérebro”. O perigo está, lembra o especialista, no uso excessivo de pitadas para agradar o nosso paladar.

Todos os dias o brasileiro consome, em média, 14 gramas de sal, um valor alarmante, visto que o limite considerado saudável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) não passa de seis gramas – o que corresponde a aproximadamente dois gramas de sódio.

“A longo prazo, o consumo excessivo de sal pode levar ao aumento do volume de sangue, causando pressão sobre os vasos. Com isso, crescem as chances de desenvolver hipertensão arterial”, descreve Carolina Duarte, nutricionista da clínica Nutrício, de Belo Horizonte (MG).

Esse quadro, caracterizado pela pressão elevada, atrapalha o pleno funcionamento do organismo. Isso porque as artérias (responsáveis pela irrigação de vários órgãos) são lesadas, abrindo caminho para o surgimento de uma série de complicações, tais como derrame, cegueira, insuficiência renal, complicações cardiovasculares, entre outras. “É justamente por esse poder de desencadear o surgimento de várias outras doenças que consideramos a hipertensão tão perigosa”, explica a nutricionista mineira.

Caça ao inimigo

Para a nutricionista Tatiane Lima, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo (SP), uma das primeiras medidas que se deve tomar a fim de reduzir a quantidade ingerida de sal é dar um sumiço no saleiro. “Quando ele está sobre a mesa a tendência é colocar umas pitadas extras na comida, mesmo que o alimento já esteja temperado”, comenta.

Evitar ao máximo os alimentos empacotados também é uma boa, já que “pesquisas mostram que cerca de 60 a 75% do sal que consumimos é proveniente de itens industrializados”, observa a nutricionista Gertrudes dos Reis Teixeira Ladeira, da Nutrício. Mas se a tentação for maior, é importante prestar atenção nos rótulos, pois eles não registram a quantidade de sal no alimento, e sim de sódio – que não pode ser maior do que dois gramas por dia, segundo a OMS.

Para quem já tem hipertensão, um aviso: a ingestão deve ser ainda mais controlada. Segundo a nutricionista do Sírio Libanês, muitos pacientes são estimulados a usar dois gramas de sal na comida: um no almoço e outro no jantar. “É preciso lembrar que os alimentos prontos já contêm sal em sua composição”, diz.

Por outro lado, é válido salientar: mesmo quem costuma apresentar pressão baixa não está livre de preocupações. “Quando a pressão está abaixo de 12 por oito, valor considerado normal, não significa que a pessoa pode abusar do sal na comida. Afinal, nada impede que essa pessoa apresente hipertensão no futuro”, frisa Botticini.

Confira dicas para reduzir o consumo de sal na dieta

• Embora não exista um substituto para salgar os alimentos, use o mínimo de sal possível durante o preparo, substituindo-o por ervas como salsinha, cebola, orégano, hortelã, limão, alho, manjericão, coentro e cominho
• Procure não acrescentar sal aos alimentos já prontos. Durante as refeições, tire o saleiro da mesa
• Evite embutidos (lingüiça, paio, salsicha, toicinho defumado), frios (mortadela, presunto, salame), frutos do mar (camarão), defumados e carnes salgadas (bacalhau, charque, carne-seca)
• Evite conservas como pepino, azeitona, aspargo, patês e palmito, enlatados como extrato de tomate, milho e ervilha e maionese pronta. Prefira os alimentos em seu estado natural
• Restrinja o consumo de um aditivo chamado glutamato monossódico, utilizado em alguns condimentos e nas sopas de pacote
• Aperitivos como batata frita, amendoim salgado e castanha de caju contém muito sal e, por isso, devem ser consumidos com parcimônia
• Leia as embalagens e procure comparar os produtos que contêm menor teor de sódio

Fonte: Gertrudes dos Reis Teixeira Ladeira, nutricionista da clínica Nutrício, de Belo Horizonte (MG)

Fonte: Ig

Sal de ervas é boa opção para reduzir sódio na comida


Nutricionistas indicam receitas simples e fáceis para substituir o produto convencional.

Sal misturado com ervas garante mais sabor e mais saúde.
O sal foi alçado à condição de vilão da alimentação por conta de seus efeitos prejudiciais à saúde, que vão da hipertensão ao AVC e outras doenças cardiovasculares.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que a quantidade diária ingerida não ultrapasse 5 gramas (o equivalente a 2,4 gramas de sódio). Estudos já constataram que o brasileiro consome o dobro disso. Neste montante está incluso não apenas o sal de cozinha, mas também todo e qualquer alimento que contenha sódio, principalmente os industrializados.

“O excesso de sal é cumulativo, principalmente nas mulheres”, afirma a nutricionista Luciana Harfenist, da Clínica de Nutrição Funcional que leva seu nome. Duas pitadas a menos de sal por dia reduzem em até 13% o risco cardíaco, de acordo com uma recente pesquisa canadenese.

Ninguém quer ter problemas de saúde, mas é fato que o sal valoriza o sabor dos alimentos. Para resolver o impasse e reduzir o consumo desse condimento em até um terço sem deixar a comida insossa, muitas nutricionistas têm sugerido uma receita prática e bem mais saudável: o sal de ervas.

A mistura é simples e acumula os efeitos benéficos das plantas que podem variar de acordo com a preferência de cada um. A receita básica inclui: sal grosso, orégano, alecrim e estragão. O orégano tem alto poder antioxidante e propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas. O alecrim tem ação antioxidante e cicatrizante, inibindo o crescimento de bactérias, e o estragão ajuda na digestão e é diurético. Quem quiser variar, pode usar também a sálvia e o tomilho, ambos com ação diurética e digestiva.

A nutricionista Elaine de Pádua, da DNA Nutri, aponta outra vantagem no uso do próprio tempero caseiro.

“O condimento não terá o glutamato monossódico, um intensificador de sabor capaz de causar dores de cabeça constantes”, alerta.

Pesquisadores identificaram que a ingestão de 5g diárias de glutamato monossódico aumentou em 30% a propensão a ganhar peso em homens e mulheres. A especialista afirma que em apenas dois meses é possível modificar o paladar e sentir menos falta do sal puro na alimentação. Confira duas receitas de sal e uma de tempero caseiro:

Receita 1:
1 xícara de chá de sal grosso
1 xícara de chá de orégano
1 xícara de chá de alecrim
1 xícara de chá de estragão

Preparo:
Lavar bem as ervas e secá-las com um pano limpo. Depois, colocá-las junto com o sal no liquidificador ou no processador de alimentos e triturar tudo. Guardar a mistura em um recipiente fechado, em local fresco e seco.

Receita 2:
10g de alecrim*
25g de manjericão*
15g de orégano*
10g de salsinha*
100g de sal marinho

*Quantidades relativas ao peso das embalagens da erva seca disponíveis no mercado.

Preparo:
Bater os ingredientes no liquidificador. Guardar em pote de vidro bem fechado. Usar no lugar do sal comum.

Receita de Tempero Caseiro:
1 maço de sálvia
1 alho poró
aipo
4 cabeças de alho
1 cebola
1 pimentão vermelho
Manjericão / Alfavaca
Hortelã
Pimenta
Alecrim
Manjerona
Óleo, azeite de oliva ou água para misturar
1 xícara de sal.

Preparo:
Bater o alho com um pouco de óleo, azeite ou água no liquidificador. Em seguida, acrescente os demais ingredientes, um a um até que a mistura fique homogênea. Feito isso, acrescente uma xícara (chá) de sal para que o tempero seja melhor conservado. Guarde em um pote tampado. Utilize em pequena quantidade para realizar em suas preparações.

Fonte: Ig