quarta-feira, 6 de julho de 2011

Diarréia



Diarréia

A diarréia consiste na evacuação de fezes líquidas de forma frequente e sem controle. Ela é considerada crônica (em longo prazo) quando o indivíduo evacua fezes líquidas e frequentes por mais de 4 semanas.

A causa mais comum de diarréia é uma infecção viral branda que se resolve sozinha dentro de alguns dias, normalmente conhecida como "gripe de estômago".

Duas outras causas comuns de diarréia são intoxicação alimentar e diarreia do viajante. Elas ocorrem ao consumir alimentos ou água contaminados com organismos como bactérias e parasitas.

Medicamentos também podem causar diarréia, especialmente antibióticos, laxantes que contém magnésio e quimioterapia para tratamento de câncer.

Nomes Alternativos
Fezes - líquidas; Evacuação frequente; Evacuação sem controle

Considerações
A diarréia em adultos é geralmente leve e desaparece rapidamente sem complicações. Em crianças e bebês (especialmente com menos de 3 anos), a diarreia pode provocar uma desidratação perigosa de forma muito rápida.

Causas comuns

A causa mais comum da diarréia é a gastroenterite viral, uma infecção viral leve que desaparece por conta própria em alguns dias. Essa doença também é conhecida como infecção intestinal. A gastroenterite viral costuma ocorrer na forma de miniepidemias em escolas, vizinhanças ou famílias.

A infecção causada pela Campylobacter, identificada na figura ao lado, provoca cólicas, diarreia, dor abdominal e febre de 2 a 5 dias após a exposição de um indivíduo ao organismo.

A Campylobacter jejuni é uma das causas bacterianas mais comuns da diarréia. A maioria dos casos de Campylobacter jejuni resulta do contato ou ingestão de carne de ave crua ou mal cozida.

Mesmo que frangos e outras aves não sejam afetados pela bactéria, outros animais podem ser. Por esse motivo, é possível que uma pessoa adquira a infecção pelo contato com solo infectado ou com um cão ou gato doente. Esta é a aparência de organismos Campylobacter no microscópio. (Imagem cortesia dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças - Centers for Disease Control and Prevention.)

A intoxicação alimentar e a diarréia dos viajantes são outras duas causas comuns da diarreia. Ambas ocorrem como resultado da ingestão de alimentos ou água contaminados com bactérias ou parasitas.

Os medicamentos, especialmente antibióticos, os laxantes, que contêm magnésio, e a quimioterapia para o tratamento do câncer também podem causar diarreia.

As seguintes enfermidades também podem causar diarréia:

Doença celíaca
Doenças intestinais inflamatórias (Doença de Crohn e colite ulcerativa)
Síndrome do intestino irritável (SII)
Intolerância à lactose
Síndromes de má absorção (como a intolerância à lactose)
Outras causas menos comuns da diarréia incluem:

Síndrome carcinoide
Distúrbios nervosos como neuropatia autonômica ou neuropatia diabética
Remoção parcial do estômago (gastrectomia)
Radioterapia
Síndrome de Zollinger-Ellison
Cuidados em casa
Beba muito líquido para evitar a desidratação. Comece tomando apenas alguns goles de qualquer líquido, exceto bebidas cafeinadas. O leite pode prolongar a diarréia, mas também fornece líquidos e nutrientes necessários. Beber leite pode ser benéfico em casos de diarreia leve. Em casos de diarreia moderada e severa, as soluções de eletrólitos à venda em farmácias costumam ser a melhor solução
A cultura ativa de bactérias benéficas (probióticos) ajuda a diminuir a diarréia e sua duração. Os probióticos podem ser encontrados em suplementos e em iogurtes que contêm culturas ativas ou vivas
Alimentos como arroz, torradas e banana também podem ajudar a combater a diarréia
Evite medicamentos antidiarreicos de venda livre, a menos que tenham sido prescritos pelo médico. Algumas infecções também podem ser agravadas por esses medicamentos. Quando você tem diarreia, o organismo tenta se livrar da causa do problema (alimentos contaminados, vírus etc.). Os remédios podem interferir nesse processo
Procure descansar
Se você apresenta uma forma crônica de diarréia, como aquela causada pela síndrome do intestino irritável, tente enriquecer a dieta alimentar para dar consistência às fezes e regular os intestinos. Esse tipo de alimento inclui grãos e farelo integrais. Os produtos que contêm Psyllium, como Metamucil e semelhantes, também podem engrossar as fezes.

Ligue para seu médico se:

Você apresentar sangue ou pus nas fezes
As fezes estiverem escuras
Você sentir dores abdominais não aliviadas após a evacuação
Você apresentar sintomas de desidratação, como sensação de desmaio quando se senta ou fica de pé
Você ou seu filho apresentar febre acima de 38 °C, além da diarréia
As fezes apresentarem aspecto oleoso ou odor muito forte
Você tiver viajado recentemente para outro país
Você tiver comido com outras pessoas que também estão com diarréia
Você tiver começado a tomar um novo medicamento
A diarreia não tiver melhorado após 5 dias (2 dias, em caso de crianças ou bebês) ou tiver piorado
Você ou seu filho estiverem vomitando há mais de 12 horas (no caso de um recém-nascido com menos de 3 meses, você deve procurar um médico logo após o início do vômito ou da diarréia)

O que esperar da consulta médica

O médico fará um histórico médico completo e um exame físico, com atenção especial ao abdome.

O médico poderá fazer perguntas como:

Quando a diarréia começou?
Qual é a cor e a consistência das fezes?
Você apresenta sangue nas fezes?
Você tem expelido uma quantidade muito grande de muco nas fezes?
Que outros sintomas você apresenta?
Você sente dores abdominais ou cólicas fortes com a diarréia?
Você tem tido febre ou calafrios?
Algum outro membro da família está doente também?
Você viajou para outro país recentemente?
Você pode ter se exposto a água imprópria para o consumo ou comida estragada?
O que faz a dor piorar? Estresse? Alimentos específicos?
Você foi submetido a alguma cirurgia abdominal?
Você tem tomado antibióticos recentemente?
Que remédios você toma? Houve alguma mudança nos medicamentos?
Você costuma beber café? Em que quantidade?
Você bebe álcool? Em que quantidade? Com que frequência?
Você fuma? Quantos cigarros por dia?
Você está seguindo alguma dieta especial?
O médico poderá solicitar uma ou mais amostras de fezes em recipientes especiais para realizar exames em busca de sinais de inflamação e infecção e para identificar algum organismo que possa estar causando o problema.

Se houver sinais de desidratação além da diarréia, o médico poderá solicitar:

Perfil metabólico básico (para verificar os níveis de eletrólitos no sangue)
Nitrogênio ureico no sangue (BUN) e depuração da creatina
Gravidade específica na urina
Prevenção
Lave as mãos com frequência, especialmente após ir ao banheiro e antes de comer
Ensine às crianças a não levarem objetos à boca
Ao tomar antibióticos, tente comer alimentos com Lactobacillus acidophilus; uma bactéria benéfica. Com isso, você ajudará a repor as bactérias benéficas que os antibióticos podem eliminar. Iogurte com culturas vivas ou ativas são uma boa fonte dessa bactérias benéficas
Use álcool em gel para desinfetar as mãos com frequência
Ao viajar para áreas subdesenvolvidas, siga as medidas abaixo para evitar a diarréia:

Beba somente água mineral e NÃO use gelo
NÃO ingira vegetais não cozidos ou frutas com casca
NÃO coma frutos do mar crus ou carne mal passada
NÃO consuma laticínios

Referências
Semrad CE, Powell DW. Approach to the patient with diarrhea and malabsorption. In: Goldman L, Ausiello D, eds. Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders; 2007:chap 143.

Proctor DD. Approach to the patient with gastrointestinal disease. In: Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders; 2007:chap 134.

Como limpar e armazenar alimentos


Veja dicas para reduzir as chances de contaminação por bactérias.
Água e fricção: limpeza mecânica é fundamental para eliminar resíduos de pesticidas em frutas e verduras
Ovos e laticínios
“O ovo sai pela cloaca da galinha, sujo de fezes. Uma das grandes causas dos inúmeros surtos de salmonela é a falta de cuidado na higienização do ovo. Compra-se o ovo no mercado, joga-se fora a caixa e perde o prazo de validade”, explica Raquel.

Conheça uma das principais complicações causadas por bactérias

Os ovos, antes de serem utilizados, devem passar pelo processo de lavagem e desinfecção. Com cuidado, é fundamental esfregar a casa, eliminando a sujeira e, em seguida, deixá-los de molho.

“O leite e o iogurte devem ser pasteurizados. O processo térmico destrói todas as bactérias. Ferveu, levantou fervura é só guardar em geladeira. É o método que elimina a multiplicação de microorganismos em qualquer alimento.”

Frutas e verduras
As frutas com casca não estão protegidas, reforça a especialista. Muitas delas são produzidas em contato com a terra, cheias de contaminação e precisam ser higienizadas antes de armazenar e consumir.

As verduras devem sempre ser bem selecionadas, lavadas com muito cuidado, retirando as partes machucadas ou estragadas. Após deixar de molho na solução clorada, é fundamental colocar esses alimentos em recipientes fechados, dentro da geladeira.

Carnes e peixes
Não se lava a carne vermelha. A recomendação é comprar o produto em lugares com fiscalização, que tenham o selo e garantam a boa procedência.

Antes de limpar a carne ou o peixe, é preciso higienizar as mãos com sabão bactericida ou, no mínimo, lavar as mãos com detergente e sabão neutro. Unha curta também é importante, usar luvas e nunca usar tábuas de madeira ou plástico, sempre optar pelo utensílio de vidro. “Madeira e plástico acumulam microorganismos. As proteínas são os alimentos preferidos das bactérias.”

Manuseio também exige cuidados

O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (Covisa) orienta: não se deve deixar lixeiras na pia para evitar a contaminação na hora de cozinhar. A Covisa também elenca uma série de cuidados com a higiene pessoal de quem prepara os alimentos, em casa ou no restaurante. São eles:

1) Tomar banho e fazer a barba diariamente (bigodes devem ser aparados)
2) Lavar a cabeça com frequência e escovar bem os cabelos
3) Escovar os dentes após cada refeição
4) Conservar as unhas curtas, limpas e sem esmaltes ou bases
5) Usar roupas limpas para cozinhar
6) Não enxugar o suor com as mãos, o pano de prato, de copa, guardanapos, aventais ou qualquer outra peça da vestimenta
7) Não tossir, espirrar ou assoar ou nariz perto dos alimentos. Mesmo fazendo isso longe dos alimentos, deve-se lavar bem as mãos após
8) Ter cuidado com as buchas utilizadas para lavar a louça. Caso guardadas úmidas ou com resto de alimentos, elas podem facilitar a proliferação de bactérias
9) Não comer, beber, mascar chiclete, palitos, fósforos ou similares e/ou chupar balas na hora do preparo do alimento
10) Não fazer uso de utensílios e equipamentos sujos
11) Não provar a comida nas mãos, dedos ou com utensílios sujos
12) Não provar alimentos em talheres ou devolvê-los à panela sem prévia higienização
13) Não tocar maçanetas ou qualquer outro objeto alheio à atividade de preparo de alimentos
14) Não manipular dinheiro

Fonte: IG

7 fatos sobre alimentos orgânicos


O cultivo sem o uso de agrotóxicos os torna mais saudáveis, mas não isentos de riscos.

Lutando para ganhar mais espaço nas prateleiras e cardápios saudáveis, os alimentos orgânicos levaram duro golpe nas últimas semanas, quando brotos de feijão orgânicos cultivados na Alemanha foram apontados como veículos da transmissão de uma nova e poderosa variação da bactéria E.coli.

O surto de contaminação segue mantendo a Europa em estado de alerta. Até agora, mais de três mil pessoas foram contaminadas. Pelo menos 37 morreram e um quarto dos afetados desenvolveu uma complicação chamada Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU), que afeta o sangue, os rins e o sistema nervoso, causando convulsões, AVCs e coma.

Tudo indica que esta variante da E.coli não deve chegar ao Brasil, mas as notícias sobre a contaminação e os efeitos da bactéria no corpo humano vêm gerando dúvidas sobre contaminação de alimentos e principalmente sobre o consumo de orgânicos. Para esclarecê-las, o iG Saúde consultou especialistas no assunto. Confira.

1- O cultivo orgânico é totalmente isento de substâncias químicas
Sim. “Para ser orgânico, o alimento deve ser cultivado sem quaisquer substâncias químicas, sejam elas fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos ou pesticidas e, no caso de produtos de origem animal, antibióticos ou hormônios”, explica a nutricionista Flávia Morais, da Rede Mundo Verde.

Orgânicos: como qualquer alimento cultivado na terra, eles não estão livres de bactérias.

2 - Alimentos orgânicos estão livres de contaminação por bactérias
Não, assim como qualquer outro alimento não-orgânico. “Você não faz agricultura em ambiente estéril, em lugar algum. Qualquer planta que esteja no ambiente pode ter contato com uma infinidade de bactérias e fungos”, explica Rogério Dias, coordenador do Agroecologia do Ministério da Agricultura.

O especialista diz que o cultivo de todo tipo de hortaliça – com exceção das cultivadas em água (hidropônicas) – necessita de adubos orgânicos (esterco). Para minimizar os riscos de contaminação, a legislação brasileira exige que o esterco não seja usado na parte comestível dos alimentos. “Além disso, recomendamos aos agricultores que submetam o adubo orgânico à compostagem (técnica para controlar a decomposição de materiais orgânicos)”.

Sobre a contaminação dos alimentos pela bactéria E.coli, ele diz: “No alimento orgânico ou não, ela pode acontecer no solo, pelas mãos do agricultor, no transporte, na comercialização e no próprio manuseio do consumidor. Por isso, qualquer produto que tenha contato com solo precisa passar por um rigoroso processo de limpeza”.

3 - Orgânicos não precisam ser higienizados para o consumo
Renato Caleffi, chef do Le Manjue Bistrô – restaurante na capital paulista que só utiliza alimentos orgânicos –, diz que os cuidados de higiene com a comida orgânica em nada diferem dos exigidos na utilização de produtos não orgânicos. “O único cuidado extra é que os produtos industrializados orgânicos, que não utilizam conservantes, têm uma durabilidade menor”.

“Já os alimentos in natura orgânicos, como os folhosos, têm a mesma vida útil, precisam ser bem armazenados e devem ser muito bem lavados antes do consumo. Uma dica neste processo de higienização é usar vinagre ou água sanitária para eliminar as bactérias”, orienta. Caleffi acrescenta que prefere usar toalhas de papel em vez de pano de prato já que os de tecido podem virar moradia de microorganismos e agentes infecciosos.

4 - Orgânicos podem ser consumidos crus
O alimento, orgânico ou não, pode ser consumido cru desde que corretamente higienizado. “Lave em água corrente para retirar a sujeira, deixe de molho por pelo menos 20 minutos em solução clorada. Já são encontradas no mercado pastilhas de cloro para serem diluídas em água para higienização. Ou você pode preparar a solução com 1 colher (sopa) de água sanitária para 1 litro de água. O cozimento em temperatura adequada, acima de 70°C também mata as bactérias”, ensina Flávia Morais, da Rede Mundo Verde.

Higiene das mãos: fundamental antes do manuseio de alimentos

A higienização, o preparo e o cozimento dos orgânicos são exatamente iguais aos dos outros alimentos, endossa Raquel Pimentel, nutricionista da Educa e Nutre, consultoria em nutrição, em São Paulo. Para diminuir os riscos de contaminação, ela reforça a importância de lavar as mãos antes de manusear a comida. O ideal, defende a especialista, é usar sabonete bactericida. Na ausência dele, detergente e sabão neutro cumprem a função.

5 - O valor nutricional do orgânico é maior do que o não-orgânico
Os alimentos cultivados sem substâncias químicas levam essa vantagem, sim. A pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sonia Cachoeira Stertz, especialista em orgânicos, já comprovou que esses produtos são realmente mais saudáveis e mais nutritivos.

“Primeiro, eles não têm resíduos de agrotóxicos. Depois, por utilizarem fertilizantes naturais, são nutricionalmente mais equilibrados.” Ela realizou uma pesquisa com 10 produtos diferentes, entre eles o leite, o morango e a batata. Os resultados: o leite orgânico tem de 40% a 80% mais elementos antioxidantes; o morango tem mais sais minerais e a batata mais nutrientes do que os convencionais.

“Estudos mostram que os alimentos orgânicos são realmente mais ricos em substâncias antioxidantes, que previnem o envelhecimento e diminuem o risco de doenças cardiovasculares. Pesquisas que compararam o valor nutricional de alimentos orgânicos mostraram que a quantidade de minerais como magnésio e ferro eram maiores que em alimentos não orgânicos”, completa a nutricionista Flávia Morais.

6 - Orgânicos não engordam
Em relação aos valores calóricos, eles não têm mais, nem menos calorias do que os convencionais, embora sejam mais ricos em micronutrientes, vitaminas e minerais. E justamente por esse maior potencial nutritivo, segundo Rogério Dias, especialista do Ministério da Saúde, os orgânicos podem atuar sobre a “fome oculta”, auxiliando a perda de peso. “A fome oculta é provocada pela deficiência de nutrientes. Consumindo um alimento mais rico, a pessoa tende a ficar em maior equilíbrio e mais saciada”.

7 - Orgânicos devem conter selo de certificação
Não é somente a não utilização de agrotóxicos que define se um produto é ou não orgânico. Para ter o certificado que garante o título, produtores devem se enquadrar em mais de 50 normas diferentes de produção e comercialização, incluindo armazenamento, rotulagem, transporte e fiscalização. Entre as exigências estão a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas, o manejo correto de resíduos, o emprego de processos que incrementem a fertilidade do solo e a inclusão de práticas sustentáveis.

Em hipótese alguma é permitido o uso de sementes transgênicas, adubos químicos, ou hormônios e antibióticos em animais. Desde o início do ano, o certificado de orgânico passou a ser um selo único em todo o país, o Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica (Sisorg).

Fonte: IG