quinta-feira, 9 de junho de 2011

Plano alimentar substitui dieta no tratamento da obesidade


Na luta contra a obesidade e suas possíveis complicações, dieta é coisa do passado
Plano alimentar: mudança é mais lenta e progressiva
Nos consultórios de nutricionistas e endocrinologistas, o plano alimentar vem se transformando no protagonista no tratamento da obesidade.

O que parece somente outra roupagem para um mesmo tema, no entanto, traz diferenças importantes na estruturação de uma alimentação saudável. A primeira e mais importante é descartar a ideia de início e fim.

“É um acompanhamento para sempre e não parte de uma fase para alcançar essa ou aquela meta, esse ou aquele peso”, ressalta a nutricionista Monica Beyrute, da Clínica Alfredo Halpern de emagrecimento.

Identificar padrões alimentares e trocar o medo pelo prazer de comer são outras duas bases para que essa reestruturação dê certo. O caminho, explica Mônica, é oferecer orientações flexíveis.

“A dieta, por ser rígida, acaba levando à compulsão. Quando a pessoa come o doce, por exemplo, acaba comendo muito porque não sabe quando irá escapar de novo do regime. Como o plano é maleável, isso não acontece”, explica.


O plano alimentar não impossibilita a ingestão de determinado grupo de alimentos (sim, até os doces estão liberados), mas incentiva que eles sejam consumidos em proporções diferentes. Carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, fibras, sais minerais e água estão inclusos na alimentação, em porções maiores (como no caso das fibras e vitaminas) ou menores (como os carboidratos e gorduras), dependendo da idade, peso e possíveis doenças como hipertensão, diabetes e colesterol. O esquema prevê um fracionamento das porções, divididas em seis refeições diárias.

Como o próprio nome já deixa a entender, o nutricionista organiza um plano com o que deve ser consumido pelo paciente. Velhos hábitos, como a ingestão de refrigerantes, por exemplo, vão sendo substituídos ou regrados.

"O aumento do consumo de refrigerante e de álcool, assim como o de alimentos industrializados têm levado à obesidade", alerta a nutricionista Andrea Pereira, da Unifesp. O mesmo é feito com outros tipos de alimentos: aos poucos, ricos em açúcar e gorduras vão sendo substituídos por opções mais saudáveis e menos calóricas.

O ponto negativo do plano alimentar é que ele pode levar mais tempo do que as dietas convencionais, que excluem nutrientes ou fazem cortes muito drásticos na contagem de calorias. Com isso, os pacientes tendem a desistir mais facilmente.

“A perda de peso adequada é de no máximo 1kg por semana”, explica Andrea. "É preciso que a pessoa tenha essa informação para não esperar milagres."

Driblar a pressa e a ansiedade, neste caso, são fundamentais para o sucesso do método, por isso os especialistas recomendam também um acompanhamento multidisciplinar, que pode incluir visitas a um psicólogo ou, dependendo do caso, endocrinologistas e outros médicos.

Fonte: IG

Perda de peso durante a gestação


Perda de peso durante a gestação ajudaria a reduzir a necessidade de uma cesariana, diz estudo

Obesidade: perda de peso durante a gestação seria possível sem prejudicar o bebê, mas regimes restritos estão proibidos
Mulheres em alto grau de obesidade podem conseguir emagrecer com segurança durante a gravidez – e possivelmente reduzir a necessitar de uma cesariana – é o que mostra um novo estudo.

As descobertas, publicadas no periódico científico Obstetrics & Gynecology, aumentam as evidências de que pelo menos algumas obesas podem conseguir emagrecer durante a gravidez sem causar danos ao bebê ou à própria saúde.

Pesquisadores, porém, advertem que as mulheres não devem iniciar uma dieta de emagrecimento durante a gravidez. O médico deve sempre ser consultado sobre qualquer mudança alimentar ou de estilo de vida.

O Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM), organismo consultor do governo americano, recomenda às mulheres obesas um ganho de 5,5 a 10 quilos durante a gravidez – valor inferior ao recomendado para mulheres de peso normal, que vai de 12 a 17 quilos. Mas, alguns pesquisadores criticam as diretrizes da IOM por estas não considerarem os diferentes níveis de obesidade.

De acordo com alguns estudos, mulheres em alto grau de obesidade podem engordar menos durante a gravidez, ou mesmo emagrecer, sem prejudicar o bebê ou a própria saúde.

No novo estudo, Marie Blomberg, da Universidade de Linkonping, na Suécia, analisou registros médicos de mais de 46.000 gestantes obesas que deram à luz entre 1993 e 2008. Elas foram dividas em três categorias de obesidade: Classe 1, para aquelas com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 35; classe 2, com IMC entre 35 e 40; e classe 3, com IMC acima de 40.


Blomberg constatou que entre as mulheres dos dois últimos grupos, aquelas que tiveram um ganho de peso inferior ao recomendado pela IOM – ou mesmo emagreceram – apresentaram menor propensão a dar à luz a um bebê de peso alto ou de necessitar de uma cesariana, em comparação àquelas que ganharam a quantidade recomendada.

Dentre as mulheres da classe 2, por exemplo, um total de 17% daquelas que emagreceram passaram por uma cesariana, contra 24% daquelas que ganharam o peso recomendado pela IOM.


Além disso, os bebês de mulheres em alto grau de obesidade que emagreceram aparentemente não apresentaram diferenças em relação àqueles cujas mães tiveram um ganho de peso dentro das recomendações. Eles não se mostraram mais propensos a passar por sofrimento fetal ou apresentar um baixo resultado no teste de Apgar – medida de respiração, batimento cardíaco e outros indicadores de saúde avaliados logo após o nascimento.

As descobertas sugerem que ganhar menos peso do que o recomendado pela IOM – ou mesmo emagrecer um pouco – “pelo menos não é prejudicial” para gestantes em alto grau de obesidade, disse Blomberg à Reuters Health.

Entretanto, ainda não está claro o peso exato que pode ser perdido com segurança. Blomberg não tinha informações sobre a faixa de perda de peso entre as participantes do estudo. Ela diz que também desconhece outros estudos que já tenham sugeriram uma faixa segura. Mas, a perda de peso durante a gravidez de mulheres obesas pode também apresentar um ponto negativo: um aumento no risco de dar à luz a um bebê pequeno para sua idade gestacional.

Um total de 3,7% das obesas deu à luz a um bebê pequeno para sua idade gestacional – em comparação ao índice de 3,6% entre todos os nascimentos na Suécia. Para Blomberg, a conclusão é que emagrecer um pouco pode ser “razoavelmente seguro” para mulheres em alto grau de obesidade.

Entretanto, ela adverte quanto a qualquer tipo de dieta de emagrecimento iniciada durante a gravidez. Ela aconselha que a meta seja uma alimentação saudável e equilibrada, além da prática de exercícios moderados – como uma caminhada diária de 30 minutos.

Este é o conselho geral. Mas, Blomberg ressalta que é muito importante que as gestantes grávidas conversem com o médico sobre qualquer mudança alimentar ou de estilo de vida que eles possam necessitar.

Fonte: Ig