quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como ler os rótulos dos alimentos



As informações da embalagem podem ajudar você a ter uma dieta mais saudável.

Ler os rótulos dos alimentos ajuda a evitar o excesso de sal e gordudas na dieta
Para manter uma dieta balanceada é fundamental conhecer as propriedades dos alimentos que consumimos. Por conta disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou obrigatória a veiculação de um rótulo nutricional nas embalagens dos produtos.

Nele devem constar o valor energético e a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras e sódio do alimento. Outras informações, como presença de vitaminas, são opcionais.

Para que essas informações sejam realmente úteis, é preciso compreender o significado de cada item. O conversou com o cardiologista Edmar Santos, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e com a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e organizou as informações para ajudar qualquer pessoa a decifrar o que significa cada item da tabela nutricional. Confira.

Conheça os itens de informação obrigatória no rótulo nutricional das embalagens de alimentos:


Porção (em g ou ml)
Trata-se da quantidade média recomendada para consumo para manter uma alimentação saudável. Atenção: na maioria das vezes os valores nutricionais não correspondem ao alimento inteiro. Exemplo: um pacote com 90 g de salgadinho pode conter uma tabela nutricional baseada em uma porção de 30 g. Para saber o quanto ingeriu, neste caso, será preciso multiplicar os valores do rótulo por 3.

Como a maioria das pessoas não tem balança em casa – seria difícil entender a tabela se os valores fossem baseados apenas no peso dos alimentos – ela mostra qual é a forma de medida normalmente utilizada pelo consumidor para calcular a quantidade daquele alimento. Exemplo: unidade, porção, fatia, colher, copo, etc.

%VD
A sigla significa Valor Diário. Ela indica qual a quantidade de energia (calorias) e de nutrientes que o alimento apresenta em relação a uma dieta média de 2.000 kcal. Atenção: se encontrar uma sopa desidratada com 90% do VD de sódio, por exemplo, é sinal de que só esse produto já fornece quase o total da quantidade recomendada desse nutriente para um dia.

Valor energético
São as famosas calorias (kcal). Elas representam a energia que nosso corpo produz a partir do consumo daquela porção de alimento. Atenção: os valores energéticos também podem aparecer com outra unidade de medida, os quilojoules (kJ). Nesses casos, basta lembrar que 1 kcal corresponde a 4,2 kJ.
Necessidades diárias: 2.000 calorias (média para um adulto saudável)

Carboidratos
Eles atuam como fontes de energia para o corpo. A parcela não utilizada pelo organismo é estocada na forma de gordura. Por isso, é preciso consumir a quantidade adequada desse nutriente (daí a importância de ficar de olho no %VD dos alimentos). Os carboidratos são encontrados em pães, tubérculos, massas, farinhas e doces em geral.
Necessidades diárias: 300g

Proteínas
Auxiliam a construir e conservar tecidos, órgãos e células. Em doses apropriadas, elas garantem a manutenção da saúde e também proporcionam sensação de saciedade. Carnes, lácteos e leguminosas (feijão, soja, grão de bico, quinua, etc) contêm boas doses do nutriente.
Necessidades diárias: 75g

Gorduras totais
Além de serem altamente energéticos, esses compostos auxiliam no transporte das vitaminas A, D, E e K. Atenção: o consumo deve ser moderado, já que o abuso provoca aumento de peso. Exemplo: enquanto 1g de carboidrato tem 4 kcal, o mesmo valor de gordura tem 9 kcal. As gorduras totais representam a soma de todos os tipos de gorduras, ou seja, as poliinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans.
Necessidades diárias: 55g

Gorduras saturadas
São aquelas encontradas essencialmente em produtos de origem animal, como carnes, queijos, pele de frango, leite integral, requeijão e manteiga, entre outros. A ingestão excessiva desse tipo de gordura aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Por isso, não é recomendado extrapolar nos alimentos com alto %VD.
Necessidades diárias: 22g

Gorduras trans
Também chamadas de ácidos graxos trans, elas estão presentes principalmente em produtos industrializados, que levam gorduras vegetais hidrogenadas na preparação – salgadinhos, bolachas, sorvetes e margarinas são bons exemplos.
Necessidades diárias: a gordura trans não tem função importante no organismo e pior, ainda aumenta as chances de problemas no coração. Segundo a Anvisa, para não prejudicar a saúde o ideal é consumir no máximo 2g de gordura trans por dia.

Fibra alimentar
São compostos essenciais para o bom funcionamento do organismo. Entre seus benefícios estão o controle das taxas de glicemia e colesterol, a manutenção das funções intestinais e o aumento do efeito de saciedade. As fibras são facilmente encontradas em frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais.
Necessidades diárias: 25g

Sódio
O nutriente é importante para a regulação hídrica e o desempenho adequado do cérebro. Em excesso, ele provoca malefícios como retenção de líquidos e aumento de pressão arterial. Atenção: nem todo mundo sabe, mas o sódio é um dos componentes do sal de cozinha, e está presente na maioria dos produtos industrializados, mesmo nos que têm gosto doce. Para evitar complicações, fique de olho no %VD de sódio e procure manter distância do saleiro.
Necessidades diárias: 2.400mg

Fontes: Edmar Santos (cardiologista da Sociedade Brasileira de Cardiologia), Mariana Del Bosco (nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e Manual de Orientação aos Consumidores (Anvisa)

Novas orientações nutricionais para o combate à obesidade



O novo guia alimentar americano, base de todas as recomendações elaboradas para a América do Sul, ficou mais rígido

É preciso aumentar o consumo de vegetais coloridos e peixe
Lançado no início desse ano nos Estados Unidos, o Dietary Guidelines 2010 corresponde ao guia americano de recomendações nutricionais para uma vida mais saudável e para o combate à obesidade. Ele é a base de todas as orientações elaboradas para a América do Sul, inclusive do Brasil.

Má alimentação e sedentarismo são os fatores que mais contribuem para a epidemia de sobrepeso e obesidade, afetando homens, mulheres e crianças em todos os segmentos da sociedade. E mesmo na ausência de excesso de peso, dieta desequilibrada e inatividade física estão associadas a maiores causas de morbidade e mortalidade.

“As recomendações estão mais específicas. Eles enfatizam, por exemplo, a redução do consumo de sal e açúcar e o aumento da ingestão de leite desnatado, entre outras coisas”, resume a nutricionista Heloisa Guarita, diretora da RGNutri Consultoria Nutricional de São Paulo.

Co-fundador da FoodMinds, empresa de consultoria especializada em nutrição dos Estados Unidos, Bill Layden comenta outras normas do novo guia: “Incentiva-se apreciar a comida – ter prazer ao se alimentar é fundamental. Mas é preciso comer menos. E o envolvimento da família, da sociedade, do ambiente profissional no combate à obesidade também deve ser maior”.

Muitas das diretrizes do Dietary Guidelines já fazem parte das orientações dadas por nossos nutricionistas. Porém, alguns pontos são mais rígidos e precisam ser melhor trabalhados no Brasil. “Aos poucos vamos reforçando esses conceitos por aqui. Não dá mais para fechar os olhos”, conclui Heloisa Guarita.

Confira a seguir as principais recomendações:

- Reduza a ingestão diária de sódio para menos de 2300mg. Para quem tem mais de 51 anos ou sofre de hipertensão, diabetes ou doença renal crônica, o consumo deve ser, no máximo, 1500mg. Segundo os especialistas, metade da população americana estaria na faixa de consumo dos 1500mg de sódio

- Consuma menos de 10% das calorias diárias provenientes de gorduras saturadas, substituindo-as por monoinsaturadas e poliinsaturadas

- Reduza a ingestão de calorias provenientes de gorduras sólidas e açúcares adicionados

- Limite o consumo de alimentos refinados, especialmente os que ainda contêm gorduras sólidas e adição de açúcares e sódio

- Aumente a ingestão de cereais integrais

- Controle a ingestão calórica total para gerenciar o peso corporal. Para as pessoas que estão acima do peso ou obesas, isto significa consumir menos calorias, aumentar a atividade física e reduzir o tempo gasto em comportamentos sedentários

- Aumente a ingestão de legumes e frutas – metade do seu prato deve ser preenchido com esses alimentos

- Aumente o consumo de vegetais, especialmente os coloridos (verde-escuros, vermelhos e laranjas)

- Aumente a ingestão de leite desnatado e produtos lácteos light, como iogurte, queijo ou bebidas a base de soja

- Aumente o consumo de proteínas saudáveis, com inclusão de peixe três vezes por semana no cardápio

- Aprecie sua comida, mas coma menos

Fonte: IG

Refluxo: a doença da moda

Alimentação e obesidade têm aumentado a incidência do problema em adultos.
Até pouco tempo, mães aflitas e preocupadas lideravam a busca sobre informações e tratamento para o refluxo gastroesofágico. Apesar de aparecer em qualquer idade, os bebês eram as maiores vítimas dessa doença, que provoca azias e queimação por causa do retorno de ácido gástrico do estômago para o esôfago.

Hoje, deixou de ser um tema infantil para entrar de vez nas consultas de adultos nos consultórios dos gastroenterologistas do País.

“O refluxo se tornou a doença da moda”, afirma a presidente da Sociedade de Gastroenterologia de Brasília, Adélia Carmen Silva de Jesus. A especialista explica que o problema já atingia adultos, mas a obesidade da população e os maus hábitos alimentares aumentaram a incidência. Além disso, o estresse da vida moderna agrava os sintomas.

“Outro fator que contribuiu para o aumento de casos é que conhecemos mais o problema e e por isso estamos diagnosticando mais”, reconhece.

Para identificar a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), os pacientes realizam endoscopias, esofagogramas e pHmetrias – exames que avaliam o estômago, o esôfago e a faringe e medem a quantidade de ácido que sobe do estômago para o esôfago. As endoscopias, primeira e mais comum das avaliações, falham na identificação de 50% dos casos de refluxo. Por isso, o médico não deve desistir da investigação facilmente.

Entre principais causas da doença, estão a hérnia de hiato (alteração na pressão do estômago no esôfago) e o relaxamento do esfíncter inferior do esôfago – esta é a válvula que deveria impedir a circulação do ácido gástrico. O movimento de abre e fecha do esfíncter é natural, porém, às vezes, ele pode ser comprometido. No caso dos bebês, o refluxo temporário ocorre porque eles ainda não têm controle suficiente dos mecanismos.

Confundidos pelos sintomas mais frequentes, muitos pacientes procuram os especialistas acreditando que sofrem de gastrite. Porém, os médicos ressaltam que o refluxo pode estar escondido sob tosses crônicas, pigarros, rouquidão, asma, alterações de sono, dor toráxica e até desgaste do esmalte dos dentes. O refluxo tem se tornado uma doença crônica muito comum entre a população.

“Na década de 1990, estudos mostravam que até 17% dos adultos já tinham sofrido com refluxo em algum momento da vida. Levantamentos mais recentes mostram que entre 10% e 12% da população já foi diagnosticada com a doença”, ressalta Ricardo Jacarandá, gastroenterologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Tratamentos

Antiácido: medicamento auxilia no tratamento do refluxo
A primeira receita dada pelos médicos que tratam de pacientes com refluxo gastroesofágico é a mudança de hábitos. Os especialistas recomendam refeições mais leves, livres de frituras, condimentos, chocolate, café, chá preto, álcool e refrigerantes. Outra dica importantíssima segundo eles é não passar mais de três horas sem comer. À noite, evitar jantares e, se comer, esperar pelo menos duas horas antes de se deitar.

Modificada a dieta, grande parte dos pacientes terá de encarar medicamentos diários, usados para diminuir a quantidade de ácido no estômago. “Ainda não temos remédios que atuem no relaxamento do esfíncter, por enquanto. Eles ainda estão em testes”, conta a presidente da Sociedade de Gastroenterologia de Brasília.

“O refluxo é uma doença crônica e cíclica. Os aspectos emocionais influenciam diretamente o controle dos sintomas”, ressalta.

Em alguns casos é recomendado cirurgia para corrigir o controle do esfíncter, mas a indicação só serve para quem tem boa resposta aos medicamentos. Além disso, há relatos de que, alguns anos depois, os sintomas podem voltar.

“A dificuldade é que muitos pacientes querem usar os remédios dois meses e parar, porque se cansam de usá-los. Mas isso não resolve”, garante Jacarandá.

Joaquim Prado, especialista em refluxo gastroesofágico do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, comenta que, se a doença não for tratada ou tratada de forma errada, podem aparecer complicações como ulcerações e sangramento.

Como agir em emergências: veja no Guia de Primeiros Socorros

Prado admite que os médicos de outras especialidades têm importante papel na identificação dos primeiros sintomas da doença e no encaminhamento para médicos especialistas, mas comenta que não são todos os médicos que têm informações suficientes sobre o tema.

“Os clínicos têm melhorado, mas ainda faltam mais conhecimentos para a conduta adequada. O melhor diagnóstico será dado por um gatroenterologista, que poderá tratar de modo correto a doença”, diz.

Fonte: IG