sábado, 2 de abril de 2011

Anorexia hereditária


Estudo sugere que transtornos alimentares podem passar de mãe para filha.
As causas dos transtornos alimentares ainda são desconhecidas mas uma nova pesquisa sugere que o problema pode ser hereditário.

Mãe de anoréxica teve trasntorno alimentar na infância.
Pesquisadoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP) identificaram a herança psíquica dessas doenças atravessando gerações. Os resultados do estudo foram apresentados no último mês de março pela psicóloga Christiane Baldin Adami Lauand em sua dissertação de mestrado.

A autora analisou os hábitos alimentares das mães de adolescentes com anorexia nervosa que frequentaram o grupo de apoio psicológico aos familiares do Grupo de Assistência em Transtornos Alimentares (GRATA) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

A análise foi qualitativa e o critério de seleção e foram acompanhadas, por um ano, as mães de cinco adolescentes em tratamento. Chamou a atenção, diz a autora, o fato de a maioria das mães trazer história de restrição alimentar em algum momento da vida, principalmente na infância, seja por questões financeiras ou restrição auto-imposta.

“Eram ruins de boca”, lembra Christiane, dizendo que assim se classificavam. “Não gostavam de comer, não queriam comer. Em comum, todas vivenciaram situações de restrição alimentar e, agora, suas filhas estavam sofrendo de anorexia nervosa”, conta a pesquisadora.

Repetição

A pesquisa mostrou que, depois do episódio de restrição, essas mães tentaram modificar um pouco a história. Ao se tornarem mães, muitas delas ofereciam aos filhos abundância de comida ou alimentos muito calóricos. Queriam dar aquilo que não tiveram. Num determinado momento, entretanto, as filhas passaram a restringir, por si mesmas, todo o alimento que tinham em excesso.

Christiane garante que esse mecanismo não é regra para todas as filhas de mães que viveram situações de restrição alimentar. “De alguma forma, aquela filha têm um psiquismo que absorve isso. E fica tentando resolver o problema que foi adquirido”, explica. No próprio cuidado materno, a mãe transmite conteúdos para essa filha, influenciados por aspectos inconscientes. “A gente não sabe como essa mãe lidou com o seu trauma; ele deve ter ficado lá e, como um ‘fantasma’, pode ressurgir a qualquer momento”, diz.

Quando as filhas adoecem, estas mães reavivam suas experiências alimentares. “Muitas adoecem juntamente com as filhas, não sentem mais prazer em se alimentar, perdem peso, perdem confiança na alimentação e no ato de alimentar os outros, passam a não mais fazer refeições juntamente com a família, nem mesmo em datas comemorativas”. A psicóloga afirma que essa situação não é algo que surgiu agora, já aconteceu antes, especialmente na infância delas.

Vivências

A professora orientadora da pesquisa, Rosane Pilot Ribeiro, chama a atenção para o caráter afetivo da alimentação e também para o simbolismo que o alimento confere às relações sociais e emocionais, tendo na família importante instrumento de transmissão de rituais e regras dietéticas. “O alimento não serve apenas para suprir necessidades fisiológicas, mas vem carregado de vivências afetivas, significados”, lembra Rosane, alertando para o fato de que, se esses transtornos são transmitidos pelas gerações, não adianta apontar ou achar um culpado. “Não é culpa da mãe”, defende a professora ao indicar um tratamento conjunto da família.

Fonte: Ig

Anorexia nervosa também é doença de criança


Médicos explicam como o transtorno afeta meninos e meninas menores de 15 anos

Os 25 quilos de um menino de 12 anos da Inglaterra – e a insistência do garoto em recusar qualquer alimento por medo de engordar- trouxeram à tona que a anorexia nervosa não é problema só do mundo da moda e das passarelas. O transtorno chegou às crianças, inclusive, aos meninos.

A imprensa britânica noticiou a batalha do menino Taylor Kerkham em conseguir encarar a comida não mais como algo negativo, prejudicial e tóxico e, sim, uma aliada do desenvolvimento. Para isso, foram necessários quatro meses de internação hospitalar e psicoterapia (ainda em curso). A mesma missão de recuperar a desnutrição grave dos pacientes infantis, impulsionada pela vontade das crianças de emagrecer a todo custo, é vivenciada por profissionais brasileiros.

Obrigar o filho a comer alimentos que não conhece, sem estabelecer uma boa relação com a comida, pode ser o primeiro passo do transtorno alimentar
“O gatilho que provoca a anorexia nervosa na mulher adulta é o mesmo identificado nos adolescentes e crianças, sejam meninos ou meninas”, afirma o psicólogo especializado em menores de 18 anos Raphael Cangelli Filho, que atua no Ambulatório de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo(Ambulim). Lá, ele já atendeu meninos de 9, 11 e 15 anos. “Eles (adolescentes) são tão influenciados por esse padrão estético magro quanto os adultos. É uma preocupação intensa, como se a magreza resultasse em sucesso”, define.

À BBC de Londres, os familiares de Taylor Kerkham disseram que o transtorno da recusa de comida começou quando os colegas de escola “brincavam” e chamavam o garoto de “gordinho” por causa do seus 50 quilos da época (um pouco acima do indicado para a sua idade). Foi o suficiente para despertar uma doente insatisfação com a forma física.

No Brasil, pesquisa do IBGE, divulgada no fim do ano passado, mostrou que as estudantes brasileiras também correm perigo para tentar “ficar” feliz com o espelho. Em uma amostra de 61 mil estudantes, foi identificado que 4.270 delas forçavam o vômito ou tomavam remédios para emagrecer (principal sintoma da bulimia). Todas tinham menos de 17 anos.

Pesquisadores de Minas Gerais e de Florianópolis, em estudos publicados no Caderno de Saúde Pública, identificaram que os sintomas de anorexia em meninos e meninas em idade escolar (13 a 15 anos) atingia a marca de 15,8% entre as quase 3 mil pesquisadas.

Influência dos pais

Ao mesmo tempo em que o motivo para buscar a diminuição do peso pode ser o bullying e a pressão dos colegas de classe, conforme mostrou levantamento publicado na revista Pediatrics, Elaine Rocha de Pádua, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - especializada em transtornos alimentares infantil - diz que as respostas para origem do problema com a comida pode estar na educação recebida pelos pais.

“Existe uma série de fatores que pode estar por trás da anorexia nervosa em meninos e meninas e um deles é a amamentação”, explica Elaine. “Se a mãe toda a vez que o filho chora dá o peito para ele, a criança cresce convicta de que só encontra conforto na comida. Isso pode torná-la, no futuro, uma comedora compulsiva e aproximar a bulimia ou a obesidade”, diz. “Da mesma forma, um período natural do desenvolvimento infantil é a chamada fobia alimentar. A criança (até os seis anos) tem medo de comer o que não conhece e forçá-la de forma abrupta a ingerir o alimento nessa fase pode resultar em transtorno alimentar futuro.”

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo, recém divulgada, sugeriu mesmo que a anorexia pode ser hereditária. Para sustentar isso, o estudo mostrou que as mães de meninas anoréxicas, em geral, ou falavam muito de forma física ou obrigavam as meninas quando a crianças “a rasparem o prato” ou só brincarem depois de “comer tudo” ou ainda sofreram do transtorno quando mais jovens.

Elaine, da Unifesp, e Raphael Cangelli Filho, do Hospital das Clínicas, ressaltam que todas essas características fazem com que a cura para os transtornos alimentares na infância exija, necessariamente, a participação ativa dos pais no tratamento. Existem casos que a anorexia pode indicar mais do que uma insatisfação com o corpo, mas algum problema sério como violência física, sexual ou psicológica.

Prestar atenção como o seu filho se relaciona como a comida, afirmam os especialistas, é a maneira mais fácil de reconhecer problemas e fazer intervenções rápidas. Depois de instalada, a anorexia tem de ser acompanhada pelos médicos para o resto da vida.

Fonte: Ig

Como lidar com um distúrbio alimentar na família


Veja o que fazer e o que não fazer para ajudar pessoas próximas com o problema.

Preocupação excessiva com aparência pode indicar distúrbio alimentar
Nunca encare os distúrbios alimentares como problemas passageiros e de menor importância. Eles são doenças e podem estar relacionados a complicações emocionais ainda mais graves, como depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

O alerta é da Associação Nacional de Distúrbios Alimentares, entidade norte-americana que realiza campanhas pela detecção precoce da doença. Os distúrbios alimentares são mais frequentes do que se imagina.

Só a anorexia, considerando todos os níveis da doença, tem prevalência de 20% entre a população feminina de adolescentes e jovens nos Estados Unidos. Já a bulimia, caracterizada pelo ato de comer em grandes quantidades e forçar o vômito, atinge 7% das mulheres norte-americanas em algum momento da vida, segundo estima a entidade.

Familiares e amigos de mulheres com distúrbios alimentares podem desempenhar um papel fundamental no diagnóstico e no tratamento da doença. Segundo a associação, basta seguir algumas recomendações básicas.

Veja a seguir dicas da entidade para lidar com a doença.

É recomendado:

1) Obter informações sobre distúrbios alimentares. Conhecer os jargões;
2) Aprender a diferença entre mitos e fatos sobre peso, nutrição e exercícios;
3) Perguntar à pessoa com distúrbio o que você pode fazer para ajudá-la;
4) Ouvir de maneira aberta e reflexiva;
5) Ser paciente e não julgar;
6) Ter compaixão quando a pessoa falar sobre assuntos dolorosos e relacionados ao distúrbio;
7) Demonstrar que você quer apenas o bem da pessoa com o problema;
8) Lembrar a pessoa de que existe gente preocupada com ela;
9) Sugerir ajuda profissional de maneira gentil;
10) Se oferecer para ir junto na consulta;
11) Encorajar todas as atividades sugeridas pela equipe médica;
12) Estimular atividades sociais que não envolvam comida;
13) Incentivar a pessoa a comprar alimentos que ela queira comer, e não apenas alimentos “saudáveis”;
14) Ajudar a pessoa nas atividades domésticas;
15) Perguntar sempre como a pessoa está se sentindo;
16) Ter sempre em mente que a recuperação leva tempo.

Não é recomendado:

1) Acusar ou causar sentimento de culpa na pessoa com distúrbio;
2) Invadir a privacidade ou entrar em contato com o médico dela sem que ela saiba;
3) Exigir mudanças de peso;
4) Insistir que a pessoa coma todo tipo de alimento colocado na mesa;
5) Convidar a pessoa para sair em alguma atividade cujo foco principal seja a alimentação;
6) Levar a pessoa para comprar roupas;
7) Focar a conversa em alimentos, roupas e aparência física;
8) Fazer ameaças (exemplo: se você fizer isso mais uma vez, eu vou...)
9) Oferecer mais ajuda do que você está qualificado para dar;
10) Tentar mudar a atitude da pessoa sobre alimentação;
11) Tentar controlar a vida da pessoa;
12) Usar táticas baseadas no medo para fazer com que a pessoa procure tratamento;
13) Fazer promessas ou criar regras que você não conseguirá seguir (exemplo: prometer que não vai contar para ninguém).

Fonte: IG