segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mastigue mais!





Por volta de um século atrás, uma nova mania tomou conta dos países conscientes da saúde: a mastigação. De acordo com o nutricionista Horace Fletcher, mastigar cada porção de alimento precisamente 32 vezes ajudaria as pessoas a controlar a quantidade de alimentos consumidos, facilitando a digestão.

Entre seus muitos adeptos fervorosos, a tática ficou conhecido como "fletcherizing". E Fletcher, por sua vez, entrou para a história dietética como "o grande mastigador", com o slogan "A Natureza deve castigar aqueles que não mastigam".

Um estudo recente da China oferece um novo olhar sobre o papel da mastigação para ajudar nosso corpo a regular a quantidade de alimentos que ingerimos, sem precisarmos consultar os rótulos de calorias.

Li Jie, da Escola de Saúde Pública da Harbin Medical University, e colegas descobriram que tanto homens com peso saudável quanto homens obesos consumiram menos calorias (cerca de 12%) em uma refeição ilimitada de meia hora quando mastigavam mais a comida.

Devorar rapidamente uma refeição completa é muitas vezes considerado errado, e pesquisas anteriores já associaram o hábito de se alimentar devagar com peso saudável. O senso comum diz que comer mais devagar dá ao organismo mais tempo para "se sentir satisfeito”.

Uma teoria é que mastigar mais os alimentos permite um acesso mais fácil de nutrientes para o corpo, o que permitiria consumo menor para igual benefício nutricional. Mas como o corpo sabe a hora de parar de se encher de comida?

"Aparentemente a mastigação desempenha um papel no perfil dos hormônios do intestino, o que consequentemente influencia o consumo de energia", explicam os cientistas em seu estudo, publicado em julho no American Journal of Clinical Nutrition. A fome é em grande parte controlada por sinais hormonais, incluindo a da grelina, que estimula a sensação de fome. A equipe descobriu que quando os participantes do estudo mastigavam mais, seus níveis de grelina eram consistentemente inferiores pós-refeição. É bem possível que, quanto mais tempo o corpo sente os alimentos na boca, mais grelina é liberada.

O estudo foi centrado em uma série de pequenas refeições experimentais com alguns jovens: 16 tinham índice de massa corporal (IMC) de 18,5 a 23, o que os colocava na categoria “magro” para homens asiáticos, e 14, IMC de 27,5 ou mais, que os qualificava como obesos. Os jovens sentavam-se todas as manhãs para comer 300 gramas de torta de carne de porco (refeição padrão para os chineses), com opção para porções adicionais. A faixa de mastigação entre os indivíduos foi de aproximadamente 15-40 mastigações.

Todos os homens levavam à boca cerca de 10 gramas a cada mordida, mas os homens obesos comiam cada grama de alimento mais rápido e com menos mastigação do que os mais magros.

Mas, depois de uma refeição na qual tinham de mastigar cada mordida 40 vezes, os indivíduos consumiram 11,5% menos calorias e apresentavam concentrações mais baixas do hormônio da fome.

Os pesquisadores sugerem que aumentar a mastigação é um meio de ajudar a conter a obesidade. O novo estudo foi muito preliminar para concluir se a mensagem histórica do “grande mastigador” ajudaria a conter a longo prazo a expansão da cintura.

Fonte: UOL

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