sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma nova era para tratar a hepatite C


Medicamentos e exames recém-chegados ao mercado marcam a mudança na terapia contra a doença.

Novos medicamentos já estão sendo avaliados pela Anvisa.
“Há 10 anos não se via uma mudança tão significativa na área da hepatite C quanto o surgimento dessas novas medicações. Ao longo desse tempo, é a primeira vez que elevamos consideravelmente as chances de cura”. A avaliação é do hepatologista Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

A aprovação pelo FDA (Food and Drug Administration, órgão norte-americano que regulamenta o setor de medicamentos no País) de duas novas drogas, o boceprevir e o telaprevir, promete modificar o tratamento da doença, que hoje atinge mais de 60 mil brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar dos números oficiais, a estimativa é que cerca de dois milhões de brasileiros tenham hepatite C e ainda não tenham sido diagnosticados.

A vantagem dos novos medicamentos é o índice de cura da doença, principalmente em pacientes com o genótipo 1, o mais incidente no Brasil - responsável por 70% dos casos. “Desse total, 55% não respondem ao tratamento que temos hoje, o interferon e a ribavirina”, afirma Paraná.

Com a medicação atual, o paciente que nunca tratou a hepatite C tem 45% de chances de zerar a atividade do vírus que prejudica o fígado, o equivalente à cura. Quando os novos medicamentos são adicionados ao tratamento atual, esse número sobe para 75%.

Mas é no caso de pacientes que já fizeram o tratamento e tiveram apenas uma reposta temporária (quando a carga viral é zerada durante o tratamento, mas volta assim que esse é finalizado), que os índices são ainda mais expressivos. De atuais 40%, eles sobem para 90% com a inserção das novas drogas. “Isso acontece porque eles já são previamente sensíveis ao interferon e à ribavirina”, explica o hepatologista.

Para aquele grupo que nunca respondeu ao tratamento, com chances de negativar a ação do vírus inferior a 10%, esse número agora chega a 40%. "De fato, os tratamentos que a gente dispõe hoje conseguem a cura da hepatitec C em uma porcentagem muito insatisfatória", avalia Roberto José de Carvallho Filho, gastroenterologista da Casa das Hepatites, da Unifesp.

Os novos medicamentos também consolidam um tendência que já vem sendo observada: a individualização no tratamento da hepatite C. "Esse conceito ganha mais importância com esses medicamentos, pois começaremos o tratamento e vamos avaliando caso a caso o que acontece com a carga viral. Se a redução da quantidade de vírus ativo no organismo for rápida, o paciente poderá utilizar a medicação por menos tempo", diz ele.

Efeitos adversos

Apesar de ser um medicamento promissor no que se refere ao resultado, o tratamento é mais difícil. Segundo Paraná, os efeitos adversos são mais intensos do que os experimentados atualmente. Podem ocorrer alteração do paladar (gosto de metal na boca), hipersensibilidade ao amargo, coceira, náusea e diarréia e anemia. “O importante é saber que esses efeitos adversos são controlados e não há a necessidade de interrupção do tratamento”, afirma o hepatologista.

O especialista ressalva também a maior possibilidade de falha, já que a quantidade de medicamentos é maior. E, por isso, a orientação médica é imperativo no tratamento. “O paciente terá que tomar 18 pílulas três vezes por dia e não pode falhar, ou o vírus desenvolve resistência. O médico terá de mostrar a importância de tomar o remédio corretamente”, endossa.

Outro fator negativo é o preço com que a terapia deve chegar ao Brasil. Estima-se que o valor deve variar entre R$30 mil a R$50 mil reais. "Também temos que somar o custo do acompanhamento, que precisará ser mais frequente", relata Carvalho Filho.

Novo exame

Há dois anos sendo largamente utilizada na Europa, a elastografia hepática começa a ser oferecida no Brasil. O exame pode substituir a biópsia, procedimento em que uma agulha é introduzida no corpo do paciente a fim de retirar um pedaço para futura análise. A novidade permite avaliar o grau de rigidez do fígado (fibrose hepática), o que determina os riscos do paciente desenvolver cirrose, e o estágio da doença. “O exame barateia os custos do diagnóstico, já que uma biópsia exige internação, equipe médica com anestesista, e equipamento caros, como a agulha utilizada. Na Europa, esse exame custa de 10 a 40 euros”, analisa Paraná.

Além disso, o médico também prevê uma democratização do acesso ao tratamento. Hoje, para ser tratado pela rede pública, é preciso ter uma biópsia. São poucos os centros de referência da doença no País e há dificuldade em conseguir uma internação por escassez de leitos. “O novo exame leva apenas 5 minutos e é indolor. O paciente pode fazê-lo e ir embora. Une-se rapidez e custos mais baixos, possibilitando que mais pessoas possam ser diagnosticadas”, avalia.

Hepatite C

O vírus da hepatite C ataca o fígado e mais de 50% dos infectados evoluirão para a forma crônica da doença. Destes, 25% terão cirrose hepática e/ou câncer de fígado. Para tornar a estatística mais clara, é importante saber que, no Brasil, 56% dos casos de câncer de fígado estão associados ao vírus da hepatite C.

Fonte: IG

Um comentário:

  1. Olá blogueiro,

    A Hepatite B é uma doença silenciosa que, em sua forma crônica, atinge mais de dois milhões de brasileiros. Apesar de ser uma doença comum, nem todos conhecem as formas de transmissão ou prevenção, como a vacina, que está disponível nos postos de saúde. Para diminuir os riscos e consequências da Hepatite B, precisamos reforçar a divulgação das informações básicas. Por isso, contamos com sua ajuda. Entre em contato para receber todo o material da campanha!

    Muito obrigada,
    Ministério da Saúde
    comunicacao@saude.gov.br

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