domingo, 15 de maio de 2011

Tudo sobre Cirurgia Bariátrica





INDICAÇÕES PARA CIRURGIA BARIÁTRICA
Para que um paciente com obesidade seja operado é preciso que cinco condições sejam preenchidas.
1. Idade
Normalmente as idades limites para se submeter à cirurgia bariátrica estão entre 18 e 65 anos. No entanto, aqui cada caso deverá ser examinado separadamente. Algumas pessoas mais jovens e outras com mais idade que os limites estabelecidos têm sido operadas.
2. IMC (Índice de Massa Corporal)
As indicações para cirurgia bariatrica são feitas quando o IMC (PESO EM Kg / ALTURA EM METROS ao quadrado) está acima de 40. No caso do paciente apresentar alguma doença relacionada com obesidade, que são chamadas de comorbidades (hipertensão, diabetes, artrite...) o IMC necessário para ser indicada a cirurgia é de 35.
3. Exames
É preciso que os exames que são realizados antes da operação mostrem que o paciente poderá ser operado com o mínimo de risco. Se houver alguma alteração, o paciente deverá ser tratado do problema antes da cirurgia.
4. Querer operar
Este é um dos aspectos mais importantes e por vezes demorado. Para decidir-se pela cirurgia bariatrica é fundamental que o paciente tenha acesso a todas as informações relacionadas com a operação que pretende se submeter assim como o pós operatório imediato e tardio. Para isto ele conta com este site, com as reuniões (que são realizadas no Centro de Convenções do Edifício número 1 da Av. Rio Branco, na Praça Mauá, no centro da Cidade do Rio de Janeiro) e com a ida ao consultório onde qualquer dúvida que persistir deverá ser esclarecida.
O tempo aqui é variável, com alguns decidindo-se mais rápidamente que outros. Lembre-se que todas as dúvidas devem ser esclarecidas antes da decisão de operar.
5. Casa de Saúde e Equipe Médica
É preciso que o paciente possa ser operado pela equipe médica (geralmente 3 cirurgiões, 2 anestesistas e uma instrumentadora) em Hospital que esteja aparelhado para o tratamento de pessoas com obesidade mórbida.

PRÉ-OPERATÓRIO DA CIRURGIA BARIÁTRICA

Como já vimos, todo o esforço é feito para que a operação seja um grande sucesso. Este é o objetivo da equipe médica e do paciente. Para tal temos que ter informações precisas sobre o estado de saúde do paciente antes da operação. Por isso muitos exames são realizados e só depois dos resultados conhecidos e da correção de qualquer anormalidade encontrada é que podemos decidir sobre a cirurgia bariatrica. Os exames normalmente solicitados estão listados abaixo com uma pequena explicação do porque da sua realização.

Exames pré-operatórios de rotina:
1. Parecer do endocrinologista
Embora sejam raras, existem doenças que podem levar a obesidade cuja correção não é feita através das operações propostas acima. Alguns pacientes podem ter, por exemplo, um tumor na glândula supra-renal que leva a obesidade. Neste caso a operação proposta tem que ser a retirada do tumor para que o paciente fique curado da doença e também da obesidade. Assim um estudo das glândulas endócrinas tem que ser realizado antes da decisão cirúrgica.
2. Parecer do psiquiatra
Existem distúrbios psiquiátricos que podem contra-indicar a cirurgia bariátrica. Tomemos como exemplo um paciente que sofra de uma doença chamada compulsão alimentar que faz com que o paciente, mesmo sem fome, coma uma quantidade exagerada de alimentos. Certamente que este distúrbio tem que ser tratado antes da operação, uma vez que após a cirurgia não será possível a ingestão desta quantidade de alimentos.
O conhecimento do perfil psicológico do paciente é fundamental para ajudá-lo durante a internação e no pós-operatório.
3. Parecer do ginecologista
O conhecimento da situação ginecológica prévia a operação é fundamental. Qualquer infecção deve ser tratada e se existir doenças que necessitem cirurgia como miomas uterinos que provoquem sangramentos deveremos ter conhecimento para podermos decidir se as cirurgias devem ser feitas separadamente e em que ocasião.
4. Parecer do pneumologista (provas de função pulmonar)
A pessoa com obesidade tem que fazer um esforço maior para respirar, um pulmão sem restrições é muito importante principalmente no pós-operatório imediato. Algumas pessoas têm que fazer exercícios respiratórios antes da operação.
5. Parecer do cardiologista (eletrocardiograma + ecocardiograma + risco cirúrgico)
A necessidade do conhecimento do estado funcional do coração é evidente. Além disto o cardiologista calcula o risco da cirurgia proposta para aquele paciente.
6. Rx de tórax - PA e Perfil
Este exame é importante para se detectar alguma doença pulmonar e estudar o tamanho do coração.
7. Ultrassonografia abdominal e pélvica
A presença de pedras na vesícula é mais comum no paciente obeso, caso isto se confirme a retirada da vesícula deverá ser feita no momento da cirurgia para cura da obesidade. Outras anormalidades também podem ser reveladas por este exame.
8. Endoscopia digestiva alta
A maior parte das cirurgias propostas inclui a diminuição e até mesmo o isolamento de parte do estômago do trânsito alimentar. Qualquer anormalidade deve ser tratada antes da operação.
9. Exames de sangue, urina e fezes
Através destes exames nós poderemos detectar doenças como por exemplo diabetes, anemia, insuficiência renal, aumento de triglicerídios, colesterol etc...é fundamental para tratar antes da operação e para podermos comparar os benefícios da cirurgia bariatrica através de exames posteriores.

PÓS-OPERATÓRIO DA CIRURGIA BARIÁTRICA

O pós-operatório da colocação da banda gástrica ajustável é o mais simples. O paciente ao sair do centro cirúrgico volta para o quarto, permanece com soro e aceitando a alimentação líquida, pode ter alta no dia seguinte da operação.
No caso da operação de Capella-Fobi (outro tipo de cirurgia bariatrica), ao sair do centro cirúrgico o paciente é encaminhado para um local onde possa ser acompanhado por médicos e enfermeiros. Em alguns hospitais é a unidade de recuperação pós-operatória e em outros o CTI. Neste primeiro dia o paciente permanece com soro e sem receber alimentação pela boca. No dia seguinte recebe alta para o quarto, permanece com soro e inicia dieta líquida. Já está sem a sonda na bexiga, andando e indo ao banheiro, uma vez que a movimentação fora do leito é muito importante para a recuperação. No dia seguinte, tendo aceitado bem a dieta líquida, já fica sem soro. No dia seguinte o paciente tem alta hospitalar, completando 3 dias de internação.
Devemos lembrar que a medicina não é uma ciência exata e o que está descrito acima vai ocorrer com a grande maioria dos pacientes. No entanto, alguns podem ter que permanecer mais dias internados e outros podem ter alta mais cedo.
A dor pós-operatória normalmente é de muito pouca intensidade uma vez que é feita uma analgesia peri-dural que praticamente impede dor nas primeiras 24 horas. A dor após este período é de menor intensidade e é resolvida com administração de analgésicos.

TIPOS DE CIRURGIA BARIÁTRICA

As operações para a cura da obesidade mórbida (cirurgia bariátrica) existem desde a década de 1950. Quando nos alimentamos, a comida cai inicialmente no estômago e em seguida passa por cerca de 5 metros de intestino delgado antes de atingir o intestino grosso. Logo no início do intestino delgado (no duodeno) o alimento se mistura com o suco pancreático e a digestão se processa permitindo que o alimento entre para o nosso corpo. O alimento é incorporado em nosso corpo durante a passagem pelo intestino delgado. As primeiras operações faziam uma ligação do início do intestino delgado com a porção final do mesmo, impedindo que o alimento ingerido passasse e fosse absorvido pelos 5 metros de intestino delgado. Estas cirurgias, apesar de proporcionarem grande emagrecimento, levavam à desnutrição grave e, por isto, foram abandonadas até que as pesquisas mostrassem um caminho mais seguro para estes pacientes. Hoje, a cirurgia para cura da obesidade mórbida é apresentada na imprensa e discutida entre os médicos em congressos porque nos últimos anos, cirurgias eficazes surgiram, propiciando um emagrecimento com saúde. Hoje são reconhecidos 3 tipos de operações:
1. Cirurgias desabsortivas
Cirurgias bariátricas que fundamentalmente provocam o emagrecimento impedindo que os alimentos passem por todo o intestino delgado (local em que os alimentos são absorvidos, penetrando em nosso corpo). São o resultado da evolução daquelas primeiras cirurgias já descritas e são chamadas de desabsortivas. A mais conhecida é a operação de Scopinaro (médico italiano que idealizou e propaga esta operação). Uma parte do estômago também é retirada, no entanto, não há grande diminuição da ingestão de alimentos. Outra operação também desabsortiva é o resultado de uma mudança na operação de Scopinaro com uma retirada do estômago de forma diferente e é conhecida como Duodenal Switch.

2. Cirurgias gastrorestritivas

Cirurgias bariátricas que provocam o emagrecimento por diminuir o tamanho do estômago, fazendo com que o paciente coma menos. São por isso chamadas de gastrorestritivas. A mais conhecida é a Banda Gástrica Ajustável. Esta operação consiste em se colocar uma banda envolvendo o estômago e fazendo com que o alimento ingerido fique inicialmente parado em uma pequena parte do estômago propiciando a sensação de saciedade, o que faz a pessoa sentir-se satisfeita e sem fome após ter comido bem pouco. A banda é chamada de ajustável porque através de um dispositivo, fixado acima da musculatura da barriga e embaixo da gordura, podemos apertar ou alargar esta banda conforme a necessidade. Para isso injetamos um líquido através deste dispositivo. Ultimamente foi aprovada um novo tipo de cirurgia que transforma o estômago em um tubo.Na verdade é a parte referente ao estômago da cirurgia de Duodenal Switch. É conhecida como gastroplastia vertical tubular. Ao retirar parte do estômago, também retira o fundo gástrico, onde é produzido um hormônio chamado Grelina. A ausência deste hormônio diminui a fome e melhora a diabetes.

3. Cirurgias mistas

Cirurgias bariátricas que provocam o emagrecimento diminuindo o estômago e também impedindo que haja absorção por pequena parte do intestino delgado. São por isso chamadas de mistas. A mais conhecida é a operação de Capella-Fobi, uma homenagem aos dois cirurgiões que a idealizaram. Esta tem sido a operação mais usada no Brasil porque apresenta, em geral, um emagrecimento mais efetivo que a Banda Gástrica Ajustável e uma desnutrição menor que a operação de Scopinaro. Com esta cirurgia o alimento passa, apenas, por uma parte pequena do estômago (embora nenhuma parte de estômago seja retirada do corpo) onde fica retido por um tempo, uma vez que a este nível é colocado um anel para diminuir a passagem. Podemos também não colocar o anel e realizarmos este estreitamento ao realizar a costura entre o novo estômago pequeno e o intestino (cirurgia de Higa). Isto impede que o alimento passe com facilidade, provocando sensação de saciedade, o que faz a pessoa sentir-se satisfeita e sem fome após ter comido bem pouco. Em seguida a comida passa para o intestino delgado, mas por 1,20m não consegue entrar no corpo porque ainda não sofreu a ação do suco pancreático (digestão). Após 1,20m o alimento vai entrar em contato com o suco pancreático e a partir daí vai ser normalmente absorvida pelo organismo.


Fonte: www.cirurgiadeobesidade.med.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário